Mercados Hoje: PIB abaixo de 2%

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Introdução: No exterior, as atenções estão voltadas ao encontro entre Trump e o líder da Coreia do Norte, em Singapura. A semana contará com reuniões de BCs de EUA, Europa e Japão. Na 5ª (14), começa a Copa do Mundo na Rússia. No Brasil, espera-se um PIB abaixo de 2% para este ano; o governo tenta voltar atrás no “tabelamento de frete”; e as eleições, segundo Datafolha, estão completamente indefinidas. Bolsonaro (PSL) segue na liderança; Marina (Rede) mostra forças; e Alckmin (PSDB) continua estagnado.


CENÁRIO EXTERNO: DIA DE ENCONTRO EM SINGAPURA.

O “básico” sobre os mercados… O dólar se fortalece; e os juros das Treasuries sobem (10 anos ~2,96%). As bolsas da Europa em alta, após ganhos no Japão e queda na China. Bancos na Itália sobem, após ministro dizer que não há planos para sair do Euro. Commodities têm viés baixista. O petróleo (brent ) oscila na casa de US$75/barril; e o minério de ferro recuou 1,02%, cotado a US$66,75/tonelada. Para os ativos dos países emergentes, o clima ainda é desafiador. O índice VIX sobe ao redor de 3,5% nesta manhã, mostrando aumento de volatilidade lá fora.

Semana de bancos centrais… Na 4ª (13), o Fed se reúne para discutir política monetária, e deve anunciar elevação de juros, de 1,50-1,75% para 1,75-2,00% ao ano. Além disso, haverá coletiva de Jay Powell, o presidente; junto com a divulgação de novas projeções (de PIB, desemprego, inflação, etc.). Na 5ª (14), é a vez do BC europeu: o mercado espera uma mudança de sinalização, indicando que o chamado “QE” (quantitative easing ) deve terminar ainda em 2018. Por fim, na 6ª (15), o BC japonês. Este, ao contrário dos anteriores, deve manter políticas expansionistas à frente, sem mudanças relevantes.

Na agenda de hoje… Nos EUA, é dia de agenda macro esvaziada. O mercado estará atento às questões geopolíticas, em dia de possível encontro entre Donald Trump e líder da Coreia do Norte, à noite, em Singapura. Curiosidade: Trump faz 72 anos nesta 5ª.


BRASIL: ELEIÇÕES INDEFINIDAS; E PIB ABAIXO DE 2%.

Semana de Copa do Mundo… Começa nesta 5ª, dia 14, a Copa do Mundo da Rússia. O 1º jogo será às 12h, horário de Brasília. Irá até o dia 15 de julho. É a partir daí que as atenções estarão voltadas, em sua maior parte, às eleições de outubro. Nestas semanas, não esperamos votações importantes no Congresso e; no melhor dos casos, parece-nos que o quadro eleitoral continuará razoavelmente “estável”: “extremos” fortes, e um “centro” sem tração.

Datafolha: situação indefinida… Feita entre os dias 6 e 7 – ou seja, pós-greve dos caminhoneiros -, a pesquisa ainda mostra que as eleições estão indefinidas. Um terço do eleitorado ainda não sabe em quem votar. Nos cenários de 2º turno, Bolsonaro empata com Alckmin (33% a 33%), mas perde numericamente de Ciro (36% a 34%) e Marina (42% a 32%). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou menos.

Datafolha: um pouco mais… Mesmo relativizando os resultados, há pouco mais de 3 meses da votação, temos que os “extremos” seguem fortes, especialmente Bolsonaro (PSL). Sem Lula, lidera a corrida com 19%. Marina (Rede), em 2º, tem 14-15%; Ciro (PDT) aparece com 10-11%; e Alckmin (PSDB) tem meros 7%. Registre-se: no voto espontâneo, Bolsonaro ficou numericamente, pela 1ª vez, à frente de Lula (12% versus 10%).

Desistências à vista… Um outro ponto importante é que candidaturas com menor expressão começam a desidratar. Nas próximas semanas, devem anunciar a desistência de concorrer ao Planalto nomes como Rodrigo Maia (DEM); Flávio Rocha (PRB); Paulo Rabello de Castro (PSC) e Aldo Rebelo (SD). Estes partidos do chamado “centrão”, no entanto, só devem fazer anúncios pós-Copa, segundo O Globo. Aliás, estes, junto com o PP, podem tomar um rumo em conjunto, decidindo apoiar um único candidato.

Greve dos caminhoneiros… O tema “tabela dos fretes” ainda não está resolvido. As discussões não evoluíram na última 6ª (dia 8). Hoje, o governo fará nova reunião com motoristas na Agência Nacional de Transportes Terrestres. A intenção do governo é recuar, eliminando tal tabelamento – algo que, em nossa opinião, seria muito bem vindo; dado que isto não faz o menor sentido econômico.

Como está o cenário político? Na semana passada, tivemos uma conversa com os jornalistas Fernando Rodrigues e Tales Faria, do portal Poder360. Direto de Brasília, eles comentaram o cenário político atual, e as perspectivas para o futuro das eleições. A conversa pode ser acompanhada aqui , em áudio.

Banco Central… O BC oferta hoje até 8.800 contratos de swap para rolagem. Por enquanto, não há indícios de que fará leilões adicionais, como a venda de 60.000 contratos feita na última 6ª (e que fez o dólar cair 5,09%). Aliás, a atuação mais forte do BC na semana passada pode manter o dólar mais comportado por aqui. Em nossa opinião, o mercado também deve diminuir as apostas de aumento de Selic no curto prazo, por conta da depreciação do real, etc. Ainda vemos a Selic em 6,50%…

Agenda de hoje… No front macro, o Boletim Focus e a balança comercial semanal (15h). No front politico, o pré-candidato ao governo de SP, João Doria (PSDB) será sabatinado por Folha de S. Paulo, UOL e SBT. Além disso, Guardia (Fazenda) tem audiência com Ivan Monteiro, presidente da Petrobras (12h30).

Boletim Focus… O mercado revisou o IPCA deste e do próximo ano para cima. As projeções agora estão em 3,82% e 4,07%, respectivamente. Há 1 semana, eram 3,65% e 4,01%. O PIB foi no sentido contrário: de 2,18% para 1,94% neste ano; e de 3,00% para 2,80% em 2019. A Selic ficou estável: espera-se 6,50% no final deste ano; e 8,00% para o final de 2019. A taxa de câmbio também ficou estável, em R$3,50, tanto para o final de 2018 como para 2019.

E os mercados hoje? A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, registrava leve baixa antes das 9h, horário de Brasília. Estava ao redor de 250 pontos. Para hoje, temos um viés ligeiramente mais negativo em bolsa; e podemos esperar um viés baixista nos DIs, especialmente os mais curtos. O mercado, após atuação e sinalizações do BC, tende a diminuir apostas de elevação de juros neste momento. Para o dólar, a tendência é acompanharmos o exterior, que apresenta um dólar em alta frente à maior parte das moedas dos emergentes.

 

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,23%, aos 72.942 pontos;
Real/Dólar: : -5,09%, cotado a R$3,708;
Dólar Index: +0,11%, 93,535;
DI Jan/21: -21 pontos base, 9,580%;
S&P 500: +0,31% aos 2.779 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

B3: Parceria da B3 na China
Impacto: Marginalmente Positivo.

Petrobras: Impasse entre governo e Petrobras no pré-sal envolve disputa por R$ 6,5 bi
Impacto: Neutro.

Vale: Cia fecha acordo de US$ 700 milhões para venda de cobalto
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Para 72%, economia do país piorou, diz Datafolha
– Paulo de Tarso Ribeiro: Governo parece ressuscitar Sunab e controle de preço
– Celso Rocha de Barros: Extremo resiste e centro esvazia em eleição anormal
– Para líderes europeus, Trump agiu de modo infantil

O Estado de São Paulo
– Petrobras e União travam disputa de R$ 6,5 bilhões
– Articulação ligada a FHC vê Marina
– Pressão para Trump obter acordo com Kim aumenta
– Sete corpos são achados na Urca

O Globo
– Mais firmas entram com pedido de recuperação judicial
– Valsa brasileira no último amistoso
– Brancos e nulos herdam votos de Lula e Barbosa
– Sete corpos achados na Urca

Valor Econômico
– Comércio global já sente efeitos da política de Trump
– Mundial põe na vitrine oligarcas russos da bola
– Bolsonaro vai à “guerra” contra Taurus
– Estados ignoram Lei das Estatais

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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