Mercados Hoje: Pacote fiscal americano anima mercados

 Introdução:

Internacional

• Mercados globais operam de forma mista;
• Acordo entre a Casa Branca e senadores democratas encaminha aprovação de um pacote fiscal sem precedentes para a sustentação da economia e o combate ao surto de Covid-19;
• Otimismo com medidas de estímulo apresentadas por governos e BCs nas economias centrais seguem reforçando o apetite pelo risco enquanto investidores reavaliam nível de preços do mercado;
• Crescimento dos casos de Covid-19 segue em ritmo acelerado na Europa e nos EUA;
• Índice IFO de expectativas na economia alemã registra pior leitura desde julho de 2009.

Brasil

• Bolsa local deve continuar se beneficiar da melhora verificada no exterior;
• Depreciação do dólar no mercado internacional pode continuar aliviando pressão sobre o real;
• Bolsonaro faz pronunciamento com tom de confronto;
• Maia revela que PEC do “Orçamento de Guerra” está quase pronto;
• Após a revogação parcial da MP 927, governo deve apresentar hoje uma nova MP que reintroduz a suspensão do contrato de trabalho e contempla o ressarcimento salarial pelo governo;
• CNC projeta perdas do varejo na segunda metade de março devido á quarentena;
• Bolsonaro se reúne com governadores do Centro-Oeste para acatar demandas;
• IBGE divulga volume de serviços (PMS) referentes ao mês de janeiro.


CENÁRIO EXTERNO: PACOTE FISCAL AMERICANO ANIMA MERCADOS

Mercados… Bolsas asiáticas encerraram a sessão com altas significativas, dando sequência à alta desta 3ªf. Na zona do euro, ativos de risco também abrem negociações com fortes ganhos: o STOXX600, índice que abrange ativos de diversos países do bloco, avança 0,90% até o momento. Em NY, futuros acumulam valorizações da ordem de 2,0%, enquanto o dólar (DXY) continua devolvendo parte do movimento de valorização verificado nos últimos dias. No plano das commodities, ativos acompanham movimento menor aversão ao risco.

Pacote fiscal revive apetite pelo risco… Mercados globais dão sequência ao movimento de forte alta verificado nesta 3ªf, com investidores examinando o pacote fiscal sem precedentes acordado entre a Casa Branca e os senadores democratas nos Estados Unidos. A medida liberará US$ 2 trilhões entre novos gastos e incentivos fiscais de forma estimular a economia americana e financiar os esforços no combate ao surto de Covid-19. Junto da atuação recente dos principais bancos centrais do mundo e da melhora verificada no quadro técnico dos mercados, o novo pacote de gastos ajudou a reviver o apetite de investidores por ativos de risco.

O pacote… O texto referente ao acordo está sendo desenvolvido, mas o líder do Partido Republicano no Senado – chapa que detém a maioria na Casa –, Mitch McConell, disse que deve abrir a votação já nesta 4ªf. Dentre as medidas previstas no plano estão a liberação de até US$ 500 bilhões para garantir crédito no setor corporativo e dar assistência às empresas, incluindo empréstimos de US$ 50 bilhões para companhias aéreas; US$ 350 bilhões para sustentar a operação de pequenas e médias empresas; e US$ 150 bilhões para o financiamento de equipamentos e mão de obra no combate à epidemia de coronavírus. Em relação aos pagamentos diretos à população que estavam sendo discutidos anteriormente, o pacote enviará US$ 1.200 para famílias de média e baixa renda, com um adicional de US$ 500 por dependente (crianças). Para os desempregados, os benefícios do seguro desemprego serão estendidos por 4 meses, reforçados em até US$ 600 e terá suas condições de elegibilidade reduzidas para atingir mais pessoas.

Atualização Covid-19… Apesar da melhora nos mercados, ainda não há sinais claros de que o quadro de disseminação do novo coronavírus está sendo controlada na Europa e nos EUA. Na Europa o número de casos na Itália (69 mil), Espanha (40 mil), Alemanha (32 mil) e França (22 mil) ultrapassam os 150 mil, enquanto nos EUA este número já atinge os 53 mil. Em função dessa piora, ainda é cedo para dizer que o pior já passou, e apenas um avanço nesta frente poderá garantir uma melhora estrutural na direção da retomada de crescimento da economia mundial.

Na agenda… Mais cedo, a divulgação do índice de clima de negócios IFO referente ao mês de março na Alemanha trouxe a pior leitura desde julho de 2009. O índice, que é formulado através de uma pesquisa com agentes do mercado, registrou a queda mais acentuada desde a reunificação da Alemanha, caindo de 96 para 86,1 pontos. Naturalmente, esse desempenho reflete a piora de sentimento das companhias alemãs frente ao fechamento da economia derivado das medidas de contenção de Covid-19 adotadas no período. O indicador é mais uma prévia para a crise econômica que ficará ilustrada nos dados econômicos (hard data) que estão para sair. Ainda hoje, o investidor avalia as encomendas de bens duráveis em fevereiro (9h30) e os estoques de petróleo bruto nos EUA (11h30).


BRASIL: BOLSONARO FAZ NOVO PRONUNICAMENTO EM TOM DE CONFRONTO

Bolsonaro faz pronunciamento com tom de confronto… Ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento onde criticou a mídia e autoridades municipais e estaduais. O presidente argumentou contra a “histeria” promovida pela mídia e relatou que estava trabalhando “quase contra todos”. O presidente também criticou ações consideradas por ele exageradas, como o confinamento em massa e o fechamento do comércio e das escolas. Bolsonaro voltou a chamar o Covid-19 de “gripezinha ou resfriadinho” e ressaltou que o seu histórico de atleta dispensaria qualquer preocupação caso contraísse o vírus.

Estratégia de comunicação incompreensível… O pronunciamento do presidente foi uma espécie de proclamação de vitória precoce. Ao sentir que a apreensão em torno do coronavírus interrompeu a sua escalada exponencial– apesar da crise estar longe de ser resolvida –, Bolsonaro optou por fazer um pronunciamento com a tese “eu te avisei”. Além do tom beligerante que causou grande desagrado, Bolsonaro optou por dobrar as suas apostas em torno da opinião de que a mídia e seus rivais exageraram a ameaça da “gripezinha”. Caso a crise de saúde pública se deteriore – algo que deve ocorrer com boa probabilidade–, Bolsonaro pagará um preço político muito caro por este posicionamento. O presidente poderia ter simplesmente divulgado as ações tomadas pelo governo federal, fomentado uma união de esforços e garantido que a atividade econômica seria retomada assim que a epidemia fosse arrefecida. É difícil compreender a vantagem de tal estratégia de comunicação.

Suspensão do contrato de trabalho… Uma nova MP deve ser apresentada hoje com uma proposta retrabalhada para a contenciosa suspensão. Os salários poderão ser reduzidos por período de quatro meses em até 50%, mediante uma negociação individual entre o empregado e o empregador. O governo recompensará o trabalhador por até 50% do salário perdido. Como resultado, a remuneração do empregado deve sofrer, no máximo, um corte de 25%.

Orçamento de guerra… O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), revelou que o orçamento paralelo para combater a epidemia do Covid-19, informalmente conhecido com Orçamento de Guerra, está quase pronto. Este será aprovado por meio de uma PEC e dará ao Executivo mais liberdade para direcionar fundos sem as restrições impostas pelo Orçamento da União, engessado pelas amarras determinadas pela Lei de Diretrizes Orçamentais. O presidente da Casa Baixa também garantiu que, quando a crise passar, o Congresso retomará a agenda da reestruturação do Estado (reformas).

O que restou da MP 927… Apesar da revogação do artigo que possibilitaria a suspensão do contrato de trabalho, e consequentemente dos salários, algumas flexibilizações relevantes foram introduzidas pela medida provisória (MP). Estás se referem aos seguintes temas: home office, banco de horas, férias coletivas e antecipação de feriados. A MP também possibilitou atrasos nos seguintes pagamentos: adicional das férias (agora: quando o empregado retorna da ausência, antes: quando sai); 13º até 20 de dezembro; FGTS de março, abril, e maio até junho.

Impactos da quarentena sobre o comércio… A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou algumas projeções que quantificam o impacto da quarenta sobre o comercio dos maiores estados do país (SP, RJ, MG e DF), que representam metade do setor no Brasil. Segundo a entidade, só na segunda metade de março o setor deve contabilizar perdas de R$ 25,3 bilhões. Tal dinâmica não se apresenta como uma surpresa, uma vez que as medidas de confinamento, decorrentes do espalhamento do Covid-19, forçam uma queda súbita no fluxo de consumidores em direção aos bares, restaurantes, lojas, cinemas, etc.

Estados do Centro-Oeste pedem mais ajuda… Durante uma reunião tida entre o presidente da República e os governantes do Centro-Oeste, os mandantes dos estados pediram mais amparo à União. Entre as principais preocupações dos governadores está a redução da arrecadação do ICMS. A arrecadação advinda do tributo, fonte essencial de recursos para os estados, deve sofrer uma queda substancial que pode afetar a potência da resposta à epidemia do Covid-19 dos estados e municípios. Os governadores também pediram que o ressarcimento dos recursos da Lei Kandir, que isenta produtos exportados do ICMS, sejam liberados antecipadamente pela União.

Na agenda… Como principal destaque da agenda econômica, o IBGE divulga o volume de serviços em janeiro, às 9h. Diferente do que esperávamos para o varejo, acreditamos que o setor deve registrar um avanço de 0,5% no período, evidenciando alguma melhora entrando em 2020 – mas que já se torna obsoleta pelos impactos devastadores que acompanham as medidas de contenção do coronavírus.

E os mercados hoje? Lá fora, bolsas caminham para registrar a primeira sequência de altas consecutivas desde o início da crise, há aproximadamente 1 mês. O firmamento de um acordo entre a Casa Branca e os democratas do Senado encaminhou a aprovação um pacote fiscal sem precedentes com o intuito financiar o combate ao surto de Covid-19 sustentar a maior economia do mundo. Junto com a ação agressiva dos bancos centrais, liderados pelo Federal Reserve, além da recente melhora no quadro técnico dos mercados, a medida ajuda a reviver o apetite de investidores por ativos de risco. No Brasil, o governo segue com dificuldades para se coordenar frente à nova crise, mas o mercado deve continuar se beneficiando da melhora no quadro externo, assim como a contínua depreciação do dólar no mercado internacional pode continuar aliviando a cotação do câmbio. Por isso esperamos mais um dia de viés positivo para ativos de risco brasileiros.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +9,69% aos 69.729
BR$/US$: -0,89% cotado 5,09
DI Jan/27: -44 bps cotado a 8,31%
S&P 500: +9,38% cotado a 2.447

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Não faltará dinheiro para saúde, promete Guedes
– Bolsa tem maior alta diária em NY desde 1933
– Empresários querem abreviar o isolamento
– Abastecimento garantido se prefeitos cooperarem

O GLOBO
– Bolsonaro ignora orientação mundial e critica isolamento e escolas fechadas
– Na Cidade de Deus, o temor de que o vírus se espalhe
– O seu jornal é seguro
– Saúde anuncia testagem em massa no país

FOLHA DE S.PAULO
– Bolsonaro critica fechamento de escolas e ataca imprensa
– Ala militar tenta conter insatisfação com presidente
– Em decisão inédita, Jogos de Tóquio são adiados para 2021
– Planalto e Congresso acertam prorrogar MPs

O ESTADO DE S.PAULO
– Bolsonaro critica confinamento e quer lojas e escolas abertas
– Governo muda tática e prevê 22,9 milhões de testes
– Presidente restringe Lei de Acesso à Informação
– Sob pressão, Japão adia Olimpíada para 2021

 

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