Mercados Hoje: Oi (eleitor) sumido e é difícil segurar essa barra que é importar de você…

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Introdução: Premier Chinês decide criar um pacotão de incentivos para manter a economia chinesa aquecida e acomodar a desaceleração gerada pelas novas tarifas americanas; Mais crédito por favor: os exportadores chineses terão mais crédito subsidiado; No final, a guerra comercial assusta pouco : as bolsas asiáticas tiveram mais uma boa seção, Europa opera em alta e o dólar se desvaloriza frente aos seus principais pares; No Brasil, é dia de digerir pesquisa Ibope; Bolsonaro e Haddad lideram absolutos e devem protagonizar o duelo do segundo turno; Banco Central se reúne para decidir a taxa básica de juros, que deve continuar estável em 6,5%a.a.


CENÁRIO EXTERNO: É DIFÍCIL SEGURAR ESSA BARRA QUE É IMPORTAR DE VOCÊ…

Suavizando a confusão… Após um aumento de tensão na guerra comercial Sino-Americana provocada pelo anúncio da imposição de mais tarifas por parte do governo de Trump, o Premier chinês, Li Keqiang, prometeu uma série de políticas pró-mercado para manter a confiança na economia e deixou claro que não haveria maior desvalorização do renminbi. Neste cenário, as principais bolsas asiáticas seguiram com exercício de alta com crescimento acima de 1% e o dólar index, sob pressão, opera com uma baixa de -0,22%. Os principais mercados europeus operam em leve alta, sem nenhum grande destaque. Para os emergentes, a decisão do Premier chinês de manter o renminbi valorizado, prevê uma valorização cambial que já vem sendo refletida pela valorização da lira turca e do rand sul-africano, que operam em alta de 1,36% e 1,21% respectivamente. Dia positivo para emergentes.

É difícil segurar essa barra que é importar de você… As novas promessas de Li Keqiang, que tem como objetivo suavizar o impacto das novas tarifas impostas sobre exportadores do setor privado chinês, incluem uma redução de taxação e aumento no financiamento para o setor que vinha sofrendo com o foco do crédito bancário voltado para o governo.

Uma guerra que assusta pouco, pelo menos por hora… Na frente americana, a forma cada vez mais previsível em que está se desenvolvendo a guerra comercial, segue pressionado o dólar índice, que vem operando em baixa e, desde agosto, caiu 2,5%. A redução da aversão ao risco de investidores proveniente dos últimos acontecimentos, os quais tem sido antecipado pelo mercado, vem estimulando o investimento em outras moedas. Destaque para o franco Suíço, a libra esterlina e as moedas escandinavas que vêm tendo as melhores performances frente ao dólar.

 


BRASIL: OI (eleitor) SUMIDO.

Oi Sumido… A ntes mesmo de falar da pesquisa Ibope de ontem, um fato interessante que tem acontecido é a sinalização de Fernando Haddad (PT) com o mercado. Primeiro, o petista está claramente colocando de lado o economista Marcio Pochmann, um heterodoxo convicto, que é contra o sistema financeiro, a favor do uso das reservas internacionais e contra privatizações. Segundo, existe a chance do recrutamento de um economista de perfil mais ortodoxo. Haddad está tentando um aceno duplo, um para o mercado e outro para o eleitor que não está nos extremos polares dessa eleição. Bolsonaro já vem fazendo isso e deve também intensificar. É um grande oi sumido

É melhor “jair” pensando no segundo turno… A pesquisa IBOPE, divulgada ontem, mostrou um cenário novo em partes. Jair Bolsonaro (PSL) continua intocável com 28% das intenções de voto. No levantamento anterior ele tinha 26%. Mais uma pesquisa que ele cresce 2p.p, sem saltos, porém com consistência. A cada levantamento, a hipótese de Bolsonaro forte no segundo turno está ficando cada vez mais próxima de se tornar realidade.

Acelera Haddad… Fernando Haddad (PT) foi a grande novidade do levantamento, alcançando 19% das intenções de voto. No último levantamento ele tinha 8% apenas. Em questão de dias, Haddad conseguiu dobrar a sua intenção de votos. Haddad tem o segundo maior tempo de rádio e TV, além de estar dominando os noticiários e participando dos eventos e sabatinas já como o candidato do PT. É natural que ele assuma o segundo lugar nas pesquisas. O número 13 e a estrelinha ainda pesam no consciente nacional.

O desamor é grande… A rejeição de Bolsonaro continua muito alta (42% ante 41% na última pesquisa). Enquanto a taxa de rejeição de Haddad, previsivelmente, está subindo rápido (29% ante 23%). É possível que permaneça abaixo da de Bolsonaro, o que, a princípio, lhe dá algum favoritismo no segundo turno. No entanto, no segundo turno, Lula e PT irão pesar mais claramente contra Haddad.

Alckmin tô fora, pego meu Bolsonaro e vou embora (2)… Mais uma pesquisa onde Geraldo Alckmin (PSDB) perde força. No levantamento de ontem, ele aparece com apenas 7% dos votos. No levantamento anterior, ele tinha 9%. Fato é que o mercado financeiro começa a preferir Bolsonaro, não pelo discurso ou capacidade de governo, mas sim pela simples chance de vencer.

Um Haddad incomoda muita gente… Ciro Gomes (PDT) é outro candidato que também começa a ver a sua força começar a minguar. Ficou estagnado em 11%. Ciro estava muito bem nos últimos levantamentos, cristalizando a posição de segundo colocado. Fica claro que ele estava recebendo os votos dos órfãos do PT, principalmente no Nordeste. Agora com a campanha de Haddad na rua e a todo vapor, parece que o crescimento de Ciro foi contido e provavelmente o pedetista deve perder votos que irão para o petista. Fato é que Haddad incomoda, e muito, Ciro Gomes.

Quem tinha chance, agora não tem mais? Os concorrentes que até 15 dias atrás ainda podiam ser considerados competitivos, vão ficando para trás. Ciro Gomes está com 11%, Geraldo Alckmin com 7% e Marina Silva com 6%. A grande pergunta é que se esses candidatos estão de fato fora do páreo.

Na lanterna… Amoedo (NOVO), Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (PODEMOS) possuem todos 2% das intenções. Esses 6% das intenções, que os três possuem no agregado, podem migrar e se tornar votos valiosos para algum candidato no primeiro turno. Também é possível tirar um denominador comum dos três: todos são a favor de reformas estruturais e de uma economia com menos participação estatal, logo, podemos imaginar que sim, pode acontecer uma transferência desses votos para algum candidato. O famoso voto útil.

Tem COPOM sim senhor… Hoje à noite o Banco Central realiza o penúltimo COPOM do ano para decidir a taxa básica de juros da economia brasileira. Acreditamos que o BC deverá manter a taxa em 6,5% e sinalizar que deixará as futuras decisões em aberto.

Tem inflação de um lado, mas não de outro… É inegável que o pais tem passado por um choque de oferta. A greve dos caminhoneiros gerou grandes pressões inflacionárias, que parecem estar se dissipando. Porém, o preço da energia elétrica, combustíveis e importados no geral, estão pressionando os preços no atacado. A maior parte dos índices de preços amplo mostra uma inflação anualizada acima de 10%. Nos preços para o consumidor, a maioria dos indicadores roda abaixo da meta de 4,5%. Dos grandes grupos do IPCA, todos estão abaixo de 3%a.a. Apenas preços administrados que destoam e estão em 9,60%. Essa diferença entre preços amplos e preços para o consumidor, se dá ao fato de não estar ocorrendo o repasse de preços. Em boa parte, a explicação vem da atividade econômica ruim e da sua consequência principal, que é o elevado desemprego.

Mas e o câmbio? Mesmo com a acentuada desvalorização que vem acontecendo ao longo de 2018, o repasse cambial tem sido contido e afetado principalmente os preços administrados, com destaque para combustíveis. Os preços livres ficam menos contaminados, pelo mesmo motivo do parágrafo anterior: a fraca atividade econômica não permite um repasse mais robusto. A maioria dos modelos indica que o repasse cambial atinge o ápice em até 3 trimestres, o que, teoricamente, estaria começando a acontecer agora. Também podemos olhar os modelos do Banco Central e ver que, mesmo com um nível de câmbio em R$4,15 e uma taxa Selic de 6,5%, a meta de inflação é respeitada em 2018 e também em 2019. Obviamente existe pouco espaço para acomodar choques nesse cenário.

Não vai mexer e não vai falar grosso… No comunicado pós COPOM, o BC não deverá adotar uma postura mais dura ou dizer que os juros devem começar a subir na próxima reunião (Novembro). Apesar das pressões de preço recentes, o nível de atividade econômica ainda é muito baixo e preocupante. Acreditamos na estabilidade da taxa em 6,5% pelo menos até ao final de 2018.

E os mercados hoje? A agenda externa está morna, sem grandes novidades e com os mercados lá fora operando no positivo. O grande gerador de preços será o front doméstico. O mercado irá digerir o crescimento robusto de Haddad e o começo da cristalização do quadro de Bolsonaro contra Haddad no segundo turno. Para o mercado, esse seria o segundo turno ideal para Bolsonaro, uma vez que ele vem demonstrando força contra o petista em diversas pesquisas. Porém, mais uma vez, o medo da volta do PT pode levar a um movimento de aversão ao risco doméstico.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,99%, aos 78.314 pontos;
Real/Dólar: +0,69%, cotado a R$ 4,162;
Dólar Index: : +0,15%, 94,640;
DI Jan/21: -08 pontos base, 9,720%;
S&P 500: +0,54% aos 2.904 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

IMC: Sapore tenta voltar à mesa com IMC
Impacto: Neutro.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Economista de Bolsonaro quer IR unificado e CPMF
– Sob pressão, Alckmin vai subir o tom de ataques
– Haddad passa de 8% a 19% em pesquisa do Ibope
– STF absolve Renan em acusação de desvio de verbas

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro atinge 28%; com 19%, Haddad se isola em 2º
– Alckmin reúne Centrão e sobe o tom de ataques na TV
– Mauro Benevides: “Podemos ter um comitê para o câmbio”
– Governo deve liberar mais de R$ 3 bilhões do Orçamento

O Globo
– Bolsonaro lidera com 28%; Haddad vai a 19% e se isola em 2º lugar
– Alerj muda de ideia e decide vetar a venda da Cedae
– Portugal facilita visto de residência com nova lei
– Renan é absolvido em ação por desvio de dinheiro

Valor Econômico
– Polarização indica segundo turno entre Bolsonaro e Haddad
– Déficit tem “folga” de R$ 8 bilhões
– Construção de corvetas atrai estrangeiros
– Compra de jogadores movimenta 5,8 bilhões de euros

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Equipe Econômica

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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