Mercados Hoje: O risco centrão

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Introdução: Os mercados asiáticos fecharam em tom mais negativo nesta 5ª feira. As bolsas de Tóquio e de Shanghai se desvalorizaram 0,5% e 0,1%, respectivamente. No plano econômico, o grande destaque asiático foi o índice de preços ao consumidor (CPI) na China, que voltou a subir após 4 meses de desaceleração. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado abrem negociações sem direções claras. O FTSE londrino recua 0,1% enquanto o DAX, em Frankfurt, avança 0,5%. Em NY, o mercado reage a ata da reunião do FOMC de março, com o futuro S&P em terreno positivo e o dólar (DXY) se desvalorizando contra seus principais pares. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés altista. O petróleo (brent) mantém sequência de alta, subindo 1,5%, e já esta sendo negociado a US$ 71/barril. Para emergentes, o dia tem início mais negativo, com divisas de México, Turquia e África do Sul perdendo força contra o dólar.


CENÁRIO EXTERNO: QUEBRANDO TABUS (DA DESACELERAÇÃO)

Mercados… Os mercados asiáticos fecharam em tom mais negativo nesta 5ª feira. As bolsas de Tóquio e de Hong Kong se desvalorizaram 1,6% e 1,0%, respectivamente. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado abrem negociações sem direções claras. O FTSE londrino recua 0,1% enquanto o DAX, em Frankfurt, avança 0,5%. Em NY, o mercado reage a ata da reunião do FOMC de março, com o futuro S&P em terreno positivo e o dólar (DXY) se desvalorizando contra seus principais pares. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés altista.

Brexit: Pode ficar para o “Halloween”… Ontem, em Bruxelas, os Líderes da UE concordaram em dar mais prazo para o Reino Unido sair do bloco, que agora terá até 31/10 para buscar um acordo, mas reiteraram que as autoridades do Bloco não pretendem renegociar os termos da saída. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que “provavelmente” o Reino Unido terá de realizar eleições, já que ainda estará no âmbito da UE durante o pleito parlamentar europeu, no fim de maio e o fato já provocou uma resposta de Theresa May. Seguindo a decisão dos Líderes europeus, May voltou a insistir na necessidade de que o Parlamento aprove o seu acordo de divórcio, uma vez que, se houver acordo até 22/5 (um dia antes do início das eleições europeias), os britânicos poderiam ser poupados de ter de fazer as eleições.

China: Quebrando tabus (da desaceleração)… Dando fim a uma sequência de quatro meses de desaceleração, índice de preços ao consumidor (CPI) na China subiu 2,3% em março. O dado veio ligeiramente abaixo da mediana das previsões do mercado, que apontava 2,4% mas vem como noticia positiva, uma vez que o indicador esta acompanhado de um anaço no PMI industrial no mês. Com isso, a China volta a dar sinais de uma recuperação, mesmo que ainda seja cedo para tirar conclusões definitivas.

Nada mudou… As minutas da reunião do março do Fed mostraram que os membros do FOMC seguiram baseando suas decisões nas “incertezas significantes” – principalmente em torno dos conflitos geopolíticos – e nas medidas de inflação, que tem vindo comportadas nas últimas leituras. O FOMC projeta a manutenção do teto da taxa de juros em 2,5% para 2019, mas defende a necessidade de manter uma “política flexível” condicionada a mudanças dependendo do desenrolar das incertezas globais e do desempenho dos indicadores de atividade econômica. Em suma, não há nada que peça uma ação imediata do Fed em relação à taxa de juros na visão do Comitê. Em relação à redução do balanço patrimonial do BC americano, o documento reafirmou que o processo irá ser reduzido já em maio, para ser finalizado em setembro deste ano.

Em linha com as expectativas (e com o Fed)… O Índice de preços ao consumidor urbano (CPI, sigla em inglês) avançou 0,41% na margem no mês de março enquanto, na comparação interanual, a variação registrada foi de 1,86%. Ambas as leituras vieram em linha com a mediana das expectativas do mercado (Bloomberg). No núcleo – que exclui preços de alimentos e energia – esta alta foi de 2,04%. Comentamos o dado no nosso Flash Macro.

Na agenda… Em dia de agenda fraca, o destaque será a divulgação do índice de inflação ao produtor (PPI) nos Estados Unidos.


BRASIL: O RISO CENTRÃO

O risco centrão… Como o governo ainda está longe de acertar a sua articulação política com o chamado Centrão, o último ameaça atrasar a votação na CCJ do parecer sobre a reforma da previdência.

Só depois da páscoa… Na imprensa hoje o líder do PP, deputado Arthur Lira, já avisava, ontem, que a votação do parecer da admissibilidade da PEC da Previdência deverá ficar somente para depois dos feriados da Semana Santa. O que poderia atrasar ainda mais a reforma como um todo.

Articulação precisa funcionar… O governo precisa agir rápido para transmitir a mensagem de que ainda consegue articular com a base e o com o centrão. Uma derrota desse tipo na CCJ poderia expor ainda mais a fraturada base de apoio a reforma da previdência.

O risco político… Depois de uma semana de aparente namoro entre Bolsonaro e lideranças políticas do centrão, tudo parece piorar. Fato é, que Bolsonaro teve a chance de azeitar a máquina entregando o Ministério da Educação, porém nomeou mais um ministro sem sequer consultar a sua base aliada. A mensagem ficou clara: o governo vai continuar tocando a máquina sem indicações políticas.

Para balancear… Ao mesmo tempo que toma com uma mão, o Presidente entrega com outra: o presidente disse que vai abrir sua agenda para receber parlamentares todas as 3ªF, 4ªF e 5ªF, segundo o Estadão.

Vai ter uma graninha também… O Presidente também disse que vai apressar a liberação de R$3 bilhões em emendas parlamentares individuais. Vai ajudar a turma de 2020: Estaria também sensível aos apelos dos prefeitos e parlamentares, que têm reclamado da necessidade de recursos para tocar obras em suas bases, a tempo de ficarem prontas para as eleições municipais de 2020.

Vai ter viagem, abraço, cargo, foto e reunião… Além disso, a negociação de cargos nos Estados [não no primeiro escalão] entrou nas discussões, segundo apurou o jornal, assim como convites do presidente a parlamentares para acompanhá-lo em viagens.

Agenda… O grande destaque para o dia de hoje é a divulgação da LSPA, o levantamento sistemático da produção agrícola pelo IBGE, o dado deverá mostrar como está o agronegócio no primeiro semestre de 2019.

E os mercados hoje? O cenário internacional esboça uma melhora para os mercados, repercutindo ao tom mais dovish dos BCs e os dados de atividade chinesa que registraram uma melhora na margem no mês março. Apesar disso, o fluxo de notícias do plano político sinaliza que pode haver mais um atraso na votação da CCJ, fato que pode gerar ruído negativo no mercado doméstico. Apesar disso, vemos o dia com viés positivo para ativos de risco brasileiros, seguindo sessão de realização de lucros de ontem.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,35%, aos 95.953 pontos;
Real/Dólar: -0,73%, cotado a R$ 3,8248;
Dólar Index: +0,04%, 96.984;
DI Jan/21: -0,03 pontos base, 7,060%;
S&P 500: +0,35% aos 2.888 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Maioria se opõe a propostas do governo para segurança
– Ministro declara que vai provar não ter criado laranjas
– Estados em crise parcelam salários e cortam até telefone
– Concessão prevê enterro de pets em cemitérios de SP

O Estado de São Paulo
– Governo vai propor fusão de impostos e menos encargos
– Reeleição de Bibi reforça elo com Trump
– Hábito saudável evitaria 63 mil mortes por câncer
– Doria vai renovar concessões por pedágio menor

Valor Econômico
– Novo projeto do governo proporá autonomia do BC
– Bolsonaro vai anistiar agronegócio
– Clínica popular vive momento de dificuldades
– Ex-líder no café, Terra Forte entra em recuperação

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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