Mercados Hoje: O rio começa a correr para o mar (em todos os mercados)

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Introdução: Bolsas asiáticas tiveram dia positivo, acompanhando o desenvolvimento das novas conversas sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos. Na Europa, o foco se volta ao processo do Brexit, e os principais índices iniciam a semana em queda, o DAX cai -,40%. Nos Estado Unidos, o futuro do S&P opera em terreno neutro, no aguardo da agenda da semana. Na frente das commodities, o petróleo (brent) é destaque, subindo 2,90% aos US$ 58,70/barril. No Brasil, o destaque segue sendo o desenrolar do plano para a reforma da previdência.


CENÁRIO EXTERNO: DESANUVIANDO

Mercados Globais… Bolsas asiáticas tiveram dia positivo, acompanhando desenvolvimento das novas conversas sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos. O índice de Shanghai subiu 0,72% enquanto o Nikkei, em Tóquio, teve alta de 2,44%. Na Europa, o foco se volta aos desenvolvimentos do acordo pelo Brexit, e os principais índices iniciam a semana em queda. O STOXX 600 recua 0,29% até o momento. Nos Estado Unidos, o futuro do S&P opera em terreno neutro, no aguarda da agenda cheia da semana.

Início de conversa… Autoridades chinesas chegara hoje (07/01) aos EUA para dar início a novas conversas sobre disputa comercial. Este encontro marca as primeiras negociações frente a frente desde o G20, quando os Presidentes concordaram com uma trégua tarifária de 90 dias. A tentativa de chegada a uma resolução deve perdurar até esta terça-feira. A surpresa até o momento foi a presença do Vice-Premier chinês, Liu He, principal consultor econômico do Presidente Xi Jingping, o que sinaliza a importância dessas conversas.

De olho no Fed… Em discurso na última sexta feira (04/01), o Presidente do Fed, Jerome Powell, garantiu que a autoridade monetária está atenta aos sinais do mercado e preparado para realizar ajustes de política rapidamente, caso estes sejam necessários. De acordo com Powell, não há caminho pré-estabelecido para a política monetária e o Fed agirá com cautela, de forma a acompanhar o desenvolvimento da economia. A fala de Powell gerou ânimo para os mercados globais na última sexta.

Sobre o Brexit… O Parlamento britânico retoma nesta semana o debate para votar o acordo do Brexit. A votação deve acontecer na semana que vem. A Premier britância, Theresa May, afirma que conseguiu o melhor acordo possível e que cabe aos deputados fazerem sugestões.

Na agenda… Semana cheia nos EUA. Hoje, saem as encomendas à indústria e o índice ISM de atividade do setor de serviços. Amanhã (08/01), teremos a divulgação da balança comercial de novembro, que deve apontar ainda alto déficit com a China. Por fim, teremos nesta quarta (09/01) a ata do FOMC pela tarde.


BRASIL: PREVIDÊNCIA INDEFINIDA, BANCOS PÚBLICOS ENXUTINHOS E AGENDA CARREGADA

Previdência, previdência e mais previdência… O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve reunir-se nesta semana com Bolsonaro para definir os moldes finais da reforma da previdência que será apresentada ao congresso nacional. Após os ruídos acerca da questão na semana passada, o governo aparentemente está se esforçando para melhorar a comunicação acerca do tema.
Pelo menos isso tem que ter: (i) idade mínima de aposentadoria de 65 anos; (ii) regra de transição com fixação de pedágios; e (iii) unificação do sistema públicos (RPPS) com o privado (RGPS). Esses são os pontos cruciais que Guedes e equipe vêm como essenciais para uma boa reforma.

Nós também achamos… Segundo estimativas do time de economia da Guide, esses três pilares ajudariam a segurar o gasto real com previdência ao longo do tempo. Apenas para ilustrar: hoje o gasto total com previdência ultrapassa os 55% das despesas primárias do governo federal.

Sem previdência o orçamento vira uma bomba relógio… 93% das despesas primárias são rígidas, isto é, impossíveis de serem reduzidas sem reformas constitucionais, além de crescerem ano após ano acima da inflação, uma vez que são conectadas a percentuais do PIB ou possuem benefícios pagos ligados ao salário mínimo (que pela regra atual também cresce anualmente acima da inflação). Com o teto de gastos atuando existe uma compressão de todo o orçamento caso não ocorra uma reforma da previdência no curto prazo, o que pode transformar o orçamento federal em uma verdadeira bomba relógio.

Presidentes dos Bancos Públicos começam a assumir… Entre hoje e amanhã, serão empossados os novos presidentes do Banco do Brasil (BB), BNDES e Caixa Econômica Federal (CEF). Provavelmente, estará presente nestas cerimônias, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, vamos ficar atentos a suas declarações.

Objetivos de curto prazo… A principal meta será de acelerar a devolução dos recursos do Tesouro Nacional, aplicados nesses bancos. Assim, o BNDES poderá devolver R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional, o que corresponde a cerca de 50% do saldo remanescente do total de empréstimos realizados desde 2009. Também faz parte deste objetivo o pagamento dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Esse título não prevê prazo de pagamento da dívida, apenas dos juros. O total de IHCD na CEF, no BB e no BNDES é de R$ 83,8 bilhões.

Muito barulho na questão dos subsídios… O decreto Nº9682 que trata dos incentivos fiscais para Sudam e Sudene, continua gerando polêmica desde que foi prorrogado por Bolsonaro, mesmo com a indicação contrária a renovação, por parte dos técnicos do ministério da fazenda.

Porém eles só serão válidos quando tiver receita disponível… No exercício de 2019, os benefícios e os incentivos fiscais que tenham sido concedidos ou ampliados pela Lei nº 13.799, de 2019, e que ultrapassem os limites previstos no Orçamento, somente entrarão em vigor quando implementadas as medidas de compensação. O aumento do IOF pode ser uma medida compensatória, pois as majorações de suas alíquotas passam a vigorar imediatamente.

Mas existe um porém… O orçamento de 2019 já contempla R$ 755,5 milhões que deixariam de ser arrecadados neste ano por conta destes benefícios para a Sudam e Sudene, não há necessidade de nenhuma medida compensatória. A questão foi empurrada com a barriga para o orçamento de 2020.

Agenda… No dia de hoje não existe nenhum indicador relevante a ser divulgado, exceto a tradicional pesquisa Focus. Ao longo da semana a agenda doméstica estará carregada de indicadores, na terça (08/01) teremos a Pesquisa Mensal da Indústria – PIM; na quinta feira (10/01) o IGP-M; e por fim na sexta (11/01) a divulgação do IPCA de dezembro.

E os mercados hoje? Com a queda sistemática da aversão ao risco ao redor do mundo, a valorização das principais commodities e com a queda do prêmio de risco brasileiro que opera ao redor dos 193 pontos com redução de -0,16%, acreditamos que o dia de hoje poderá ser positivo para os ativos de risco aqui no Brasil.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,30%, aos 91.841 pontos;;
Real/Dólar: -1,17%, cotado a R$3,715;
Dólar Index: -0,13%, 96,179;
DI Jan/21: +05 pontos base, 7,270%;
S&P 500: +3,43% aos 2.532 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Estados aumentam ICMS para cobrir aposentadorias
– Por Previdência, governo evita choque com N e NE
– ‘Despetização’ da Casa Civil ajudou a provocar confusão
– Joenia Wapichana: Bolsonaro é retrocesso, e índio não trava o progresso

O Estado de São Paulo
– Governo quer pacto com Congresso para destravar negócios
– CGU propõe exigências para cargos de confiança
– Modelo da Lava Jato se espalha por todo o Brasil
– Com crise, déficit de moradia bate recorde no país

O Globo
– Empresas querem ações para destravar economia
– Superlotação de presídios é desafio de R$ 95 bilhões
– Witzel ordena 1ª operação em favelas, após morte de PM
– Grito de Carnaval leva 19 blocos às ruas

Valor Econômico
– Exploração de urânio deve ser aberta ao setor privado
– BNDES pode devolver até R$ 100 bi
– “A arma é radicalizar a transparência”
– Walmart muda estratégia e adota política de descontos

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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