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Mercados Hoje: O PIB empaca e a arrecadação atola

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Introdução: Mercados asiáticos iniciaram a semana de forma positiva; Bolsas europeias operam todas no negativo, porém sem grande intensidade; Futuros do S&P indicam dia mais positivo nos EUA; Petróleo (WTI) continua subindo; Ouro opera na máxima do ano; Todos a espera do G-20; Semana com indicadores importantes nos EUA; Confiança em baixa na Europa. No Brasil, governo se frustra com expectativas de arrecadação, dada a baixa taxa de crescimento do PIB; Além do problema estrutural, existe o risco de perder uma importante receita extraordinária em 2019; Efeito Greenwald é limitado e não deve afetar muito o governo ou o destino daqueles presos pela lava jato.


CENÁRIO EXTERNO: A ESPERA DO G-20

Mercados… Bolsas asiáticas começaram a semana de forma positiva, o Nikkei avançou +0,13%, enquanto Hong Kong e Shanghai avançaram +0,14% e +0,19% respectivamente. Na Europa, o DAX perde -0,53%, e dita o tom das demais bolsas do continente, que iniciam a semana com maior aversão ao risco. Futuros do S&P sobem 0,20%, indicando uma abertura favorável nos mercados americanos. Na frente das commodities, o petróleo WTI sobe 0,78%, ainda sob a pressão dos embates entre Estados Unidos e Irã, cotado a US$57,88/barril.

De olho nos manômetros… Apesar do excelente desempenho dos mercados globais de renda variável, quem tem se destacado é o ouro que não para de subir e já ultrapassou a marca de US$1400/O.z. A poucas semanas atrás o metal era negociado próximo de US$1200. A rápida valorização indica uma busca por um ativo mais seguro. Além disso a volatilidade embutida nos contratos futuros de ouro disparou, indicando que mais movimentos bruscos podem vir. O ouro é um importante indicador de pressão, movimentos súbitos e positivos indicam que os investidores continuam preocupados com o futuro dos mercados.

Nenhum melhora… O indicador IFO de confiança da economia europeia, apresentou mais um mês de queda, consolidando o cenário de fragilidade e sem nenhum sinal de estabilização do crescimento do país e da região.

A cristalização do bom momento… A principal pauta para o investidor ficar de olho nessa semana será o encontro do G-20. Existe uma esperança que Trump e Xi possam chegar a um acordo sobre as tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Caso nada saia do encontro, e fique confirmada a perspectiva de um acirramento na questão tarifária, os mercados poderão perder o bom momento e começar a devolver os ganhos acumulados nas últimas semanas.

Agenda… Na 3ª serão divulgados os dados do preço das residências nos EUA, a sondagem industrial do FED, além de diversos discursos de diretores do FED e do próprio presidente Jay Powell; 4ª dados de encomendas de bens duráveis também nos EUA; 5ª teremos a revisão do PIB americano do 1T19; Por fim na 6ª teremos os dados de inflação da Europa (CPI) e dos Estados Unidos (PCE), esse último é de extrema importância para os investidores, uma vez que é o índice de inflação predileto pelo FED.

 


BRASIL: O PIB EMPACA E A ARRECADAÇÃO ATOLA

Cortes… Com o orçamento feito baseado em taxa de crescimento do PIB de 2.5%, o governo federal está sendo forçado a estudar novos cortes ao orçamento federal para atingir sua meta fiscal para o ano 2019.

Projeção do PIB… A recuperação da economia, projetada para ser cada vez menor, afeta diretamente a arrecadação tributária do governo. A expectativa de crescimento do PIB já foi reduzida de 2.5% para 2.2% em Março, e para 1.6% em Maio.

Já o mercado… Esse número ainda deve sofrer novas reduções, logo que, segundo a última divulgação do boletim Focus, relatório publicado pelo Banco do Brasil, a projeção do crescimento para 2019 já é inferior a 1% (0.93%).

Pré-Sal da salvação (mais uma vez)… Além da arrecadação tributária menor do que esperada, as contas do governo podem sofrer com o adiamento do leilão do pré sal, que deve gerar R$ 50 bilhões em caixa para o Governo. A venda estava prevista para de 28 de outubro, mas agora só deve ocorrer no dia 6 de novembro, acentuando ainda mais o rombo nas contas públicas.

Mais vulnerabilidade… De um ponto de vista político, isso significa menos dinheiro para o governo agradar aliados e abre mais espaço para críticas de seus opositores. Os cortes anunciados em maio, ao orçamento da educação, criaram justificativa para as primeiras manifestações em massa contra o Governo.

#LulaLivre… Nesta terça-feira, a segunda turma do STF deve julgar o habeas corpus do ex-presidente Lula. O pedido de liberdade se baseia em conduta inapropriada do então juiz Sérgio Moro. Caso seja acatado pelo STF, a condenação seria anulada e o ícone petista libertado.

Ministério por condenação… O documento foi apresentado em 2018, após Sérgio Moro aceitar a vaga de ministro da Justiça no governo Bolsonaro. A defesa do ex-presidente enxerga a nomeação como um acerto de contas entre o atual presidente e seu ministro, por garantir que o seu principal rival fosse “impedido” de disputar as eleições presidenciais de 2018.

Efeito Greenwald… As divulgações feitas pelo site The Intercept fortalecem a perceção que o julgamento do ex-presidente foi injusto.

PGR… A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, já se pronunciou contra o pedido de liberdade, através de parecer enviado ao STF.

Inadmissível… A procuradora argumenta que as mensagens entre Moro e Deltan não podem ser consideradas pelos ministros por não terem sido apresentadas às autoridades públicas e não terem sua autenticidade comprovada.

Favoráveis… Apesar disso, as mensagens devem temperar a visão do ministro mais favoráveis ao pleito do ex-presidente.

Voto decisivo… O voto decisivo na segunda turma deve ser proferido pelo ministro Celso de Mello, a expectativa é que o ministro acabe por negar o pedido de liberdade de Lula.

Agenda… Hoje, o BC divulga o resultado das contas externas e a Receita Federal, a arrecadação. Ambos de maio. Banco Central – divulga ata da última reunião do Copom (3ª). Apresenta as estatísticas de crédito (4ª) e fiscais (6ª) e o Relatório Trimestral de Inflação (5ª). Ministério da Economia – divulga os dados da dívida pública (4ª) e o resultado primário do governo central (4ª). Além do saldo de empregos formais. IBGE – traz os dados do IPCA-15 (3ª) e da taxa de desemprego (6ª).

E os mercados hoje? Com os mercado globais sem direção definida, acreditamos que os mercados hoje irão repercutir as notícias domésticas, e irá acompanhar de perto a volta das discussões da previdência na comissão especial. Por isso acreditamos que o dia será neutro/positivo para os ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,61%, aos 101.916 pontos;
Real/Dólar: -0,61%, cotado a R$ 3,825;
Dólar Index: -0,48%, cotado a 96.165;
DI Jan/21: – 14 pontos base, 5.850%;
S&P 500: -0,12% aos 2950 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Câmara banca viagens de deputados a destinos turísticos com aval de Maia
– Bolsonaro diz que não vai ajudar a incluir estados e municípios na reforma
– Aceno de Bolsonaro a 2022 reacende discussão sobre o fim da reeleição
– Caso Lula volta ao STF em ambiente político de Lava Jato em xeque

O Estado de São Paulo
– Crime organizado coordena invasões em áreas de mananciais de São Paulo
– Congresso promete votar reforma tributária ainda este ano
– ‘Claro que a proposta de reforma não é anti-Guedes’, diz Baleia Rossi
– 31 delatores dão calote de R$ 120 milhões na Justiça

Valor Econômico
– Gustavo Montezano, número 2 da privatização, assume BNDES
– Odebrecht vai ao fundo do poço após 75 anos
– Facebook entra em serviços financeiros
– Furto de combustíveis alimenta refinarias clandestinas

O Globo
– Governo quer pedágios que variem de acordo com a condição das rodovias em novos leilões
– Bretas manda vender Lamborghini de Eike, lancha de Cabral e fazenda de Carlos Miranda
– Em meio a derrotas no Congresso e STF, iniciativas de aproximação do governo com políticos falharam
– Bolsonaro frustra parlamentares ao ignorar indicações para cargos pedidas há três meses

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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