Mercados Hoje: O país todo enfermo

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Introdução: Bolsas asiáticas têm início de semana negativo; Na Europa, os principais índices de mercado abrem em queda; O STOXX 600 apresenta baixa de 0,3% até o momento; Nos EUA, o futuro do S&P opera no vermelho, sinalizando abertura de pregões de NY em terreno negativo; O dólar (DXY) fica próximo à estabilidade; Na frente das commodities, ativos se movimentam com tendência negativa; No Brasil, desastre da Vale em Brumadinho impõe tom negativo ao Ibovespa para a volta do feriado.


CENÁRIO EXTERNO: ALGUEM TINHA QUE CEDER (MESMO QUE PROVISÓRIAMENTE)

Mercados… Bolsas asiáticas têm início de semana negativo. O índice de Shanghai recuou 0,2% e o Nikkei, em Tóquio, caiu 0,6%. Na Europa, os principais índices de mercado abrem em queda. O STOXX 600 apresenta baixa de 0,3% até o momento. Nos EUA, o futuro do S&P opera no vermelho, sinalizando abertura de pregões de NY em terreno negativo. O dólar (DXY) fica próximo à estabilidade. Na frente das commodities, ativos se movimentam com tendência negativa – destaque para a queda de 1,7% preço do petróleo (brent), que volta a rondar os US$ 60/barril.

Alguém tinha que ceder… As agências do governo americano voltam a operar em sua totalidade hoje, após 35 dias de impasse orçamentário que paralisou de forma parcial a máquina pública. A retomada é fruto de uma medida provisória assinada por Trump que financiará o governo por três semanas. Mesmo sem assegurar a verba para financiar o muro na fronteira com o México, a paralisação prolongada já ameaçava zerar o crescimento do PIB/1º Trimestre e o desgaste político acumulado forçou a assinatura do Presidente americano, que ainda mantem a ameaça de decretar emergência nacional caso um acordo definitivo não seja firmado dentro do prazo estipulado. Paralelamente, o Congresso americano já elabora um novo projeto de lei para financiar o governo federal até 30 de setembro.

Visita de peso… As autoridades chinesas confirmaram a presença do Vice-Premiê, Liu He, na reunião marcada para 4ªF e 5ªF que marca a retomada das negociações comerciais com os Estados Unidos.

Na agenda… Agenda cheia no cenário internacional para esta semana. Nos EUA, saem a primeira estimativa do PIB/4ºTRI (4ªF), o PCE de dezembro (5ªF) e o dados de emprego (payroll) de janeiro (6ªF). Na China, o foco são os dados oficiais do PMI de janeiro (4ªF) e Caixin (5ªF). Por fim, na Europa o Parlamento Britânico deve debater votação do projeto de lei do acordo do Brexit.


BRASIL: GPAÍS TODO ENFERMO

58/305… Entramos no quarto dia do lamentável rompimento da barragem 1 da Vale, no Córrego do Feijão, o número de mortos passou de 34 para 58 e o de desaparecidos já alcança 305.

11 bilhões sequestrados… A Justiça de Minas Gerais decretou novo bloqueio de recursos da Vale. Desta vez, o montante servirá para reparação de danos às vítimas da tragédia ocorrida na sexta-feira. No total, os bloqueios judiciais já somam R$ 11 bilhões, quantia que representa 48% do caixa da empresa.

4 bilhões de custos… Cálculos iniciais de seguradoras e resseguradoras dos prejuízos por conta do rompimento da barragem da Vale, de Brumadinho (MG) apontam para valores superiores ao do desastre da Samarco, ocorrido em Mariana, há três anos. Para os danos materiais, a expectativa do mercado segurador, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, é de que a cifra alcance US$ 500 milhões, e no caso de responsabilidade civil, o estrago projetado é de mais de US$ 4 bilhões.

Mariana de volta… Ameaça estrangeira A Vale fez um acordo sobre a tragédia de Mariana em outubro do ano passado, mas investidores estrangeiros ainda ameaçam com ações contra a companhia, segundo a empresa ressaltou no seu balanço de 2017. Da mesma maneira, a expectativa é de que ações milionárias sejam abertas em relação ao novo acidente, que fará muito mais vítimas fatais do que o da Samarco, quando morreram 19 pessoas. Até o momento Brumadinho já contabiliza 37 mortes e 287 pessoas estão desaparecidas desde sexta-feira.

Mais perdas, porém em outras empresas… Petrobras, Eletrobras, BNDES, Caixa, BB e Correios correm o risco de perder R$ 380,7 bilhões em ações judiciais e administrativas nas áreas trabalhista, tributária e cível. Desse total, R$ 71 bilhões são considerados perdas prováveis nos balanços, prejudicando o valor das empresas.

O país todo enfermo… Bolsonaro fará agora pela manhã a cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente repassa pela segunda vez o comando do governo ao vice Hamilton Mourão, com quem se reuniu na sexta-feira por duas horas para acertar os termos da nova interinidade.

Pouca gente no hospital… A ideia é que o núcleo do presidente no hospital fique reduzido a familiares e a poucos assessores, cabendo a Mourão e a “ministros da Casa” (como o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, e Onyx Lorenzoni, da Casa Civil) a administração do Planalto. A intenção é só levar a Bolsonaro o que for considerado absolutamente imprescindível.

Expectativas… A mediana das expectativas para a inflação de 2019 continuam recuando pela segunda semana seguida, agora em 4%. Para 2020 o número continua sólido nos 4%, a mais de 82 semanas. Para 2019 o PIB esperado voltou a recuar, alcançado 2,50%a.a. E para 2020 o número voltou para 2,50%, na semana anterior estava em 2,60%. Câmbio e juros permanecem os mesmos.

Na agenda… Semana cheia também no cenário nacional. Na terça-feira sai a sondagem da indústria feita pela FGV. Na quarta, os destaques são a sondagem de serviços (FGV), o IGP-M (FGV) e o IPP da indústria de transformação (IBGE). Na quinta, teremos a divulgação da PNAD contínua (IBGE) e do índice de confiança empresarial (FGV). Por fim, na sexta-feira sai a PIM (IBGE) e a balança comercial mensal (MDIC).

E os mercados hoje… O prêmio de risco brasileiro continua recuando (-0,07%) cotado aos 171 pontos. Porém, os mercados externos operam com leve aversão ao risco, ao mesmo tempo que o noticiário corporativo local está bastante carregado com o acidente da Vale. Acreditamos que o dia será negativo para os ativos de risco no Brasil, principalmente para a Bolsa. Câmbio e juros devem operar de forma descolada da dinâmica micro.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,16%, aos 97.677 pontos;
Real/Dólar: +0,31%, cotado a R$3,771;
Dólar Index: +0,50%, 96,601;
DI Jan/21: +02 pontos base, 7,200%;
S&P 500: +0,14% aos 2.642 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Militares estão com Maduro, afirma ministro da Defesa
– Governo faz mudança em regra e facilita sigilo de dados
– Com medo, Jean Wyllys desiste de mandato
– “Se precisar fechar, fecha”, diz assessor de Guedes à GM

O Estado de São Paulo
– EUA reagem após Rússia e China apoiarem Maduro
– Guedes descarta deixar militar para 2ª fase da Previdência
– Cidadão não se preocupa se é esquerda ou direita, diz Covas
– Assessores poderão impor sigilo a dados do governo

O Globo
– Presidência da Alerj tem 231 cargos; conselho de ética e corregedoria, 9
– Reforma para militares opõe Guedes a Mourão
– Decreto deve dificultar acesso à informação
– Witzel cria vistoria em blitz e mantém estrutura no Detran

Valor Econômico
– Doria quer renovar prazo de concessão de rodovias
– Com reforma, Brasil receberá US$ 100 bilhões
– Arrecadação é impulsionada por royalties
– Governo pode relicitar aeroporto de Viracopos

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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