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Mercados Hoje: O FED e o bebê na banheira

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Introdução: Mercados começam a semana operando de forma positiva, porém sem intensidade; Na ásia bolsas tiveram desempenho positivo; Na Europa todos os principais índices avançam de forma marginal; Futuros do S&P indicam dia positivo nos EUA; Semana de pistas novas acerca da trajetória da política monetária americana deve mexer com os mercados. No Brasil, Guedes extremamente desapontado com o texto final do relator da previdência, gera desconforto entre a equipe econômica e o congresso; Demissão abrupta de Joaquim Levy preocupa; Copom desta semana deve também dar mais pistas acerca de um possível ciclo de corte de juros ainda em 2019.


CENÁRIO EXTERNO: O FED E O BEBÊ NA BANHEIRA

Mercados… Bolsas asiáticas começaram a semana de forma marginalmente positiva, Nikkei, Shangai e Hong Kong avançaram 0,03%, 0,20% e 0,40% respectivamente. Na Europa, o movimento segue a mesma direção e intensidade do observado na ásia, o DAX avança apenas 0,07%. Futuros do S&P ganham 0,08%, indicando que a semana começa positiva, porém, mais uma vez, com fraca intensidade. O dólar medido pelo DXY opera em leve queda. Nas commodities o petróleo cai -065%, cotado a US$52,17/barril.

O FED e o bebê na banheira… O FED deverá ter cautela no seu comunicado após a reunião na 4ª, se ele for muito dovish correrá o risco de ser prematuro na flexibilização monetária, apesar dos dados ruins da atividade econômica global, os indicadores domésticos tem mostrado, com alguma divergência, que a economia americana ainda está relativamente saudável. Também é preciso levar em consideração fatores exógenos à economia, como o geopolítico: existe a expectativa de que algum acordo entre Estados Unidos e China possa acontecer na próxima semana, no encontro do G-20. Ou seja, corre o risco de deixar a criança tempo demais na banheira. Jogar a água e a criança fora… Porém, existe o risco na ponta contrária, se o FED não indicar a menor pista de flexibilização, poderá tumultuar os mercados que irão correr para revertem suas apostas de que haverá um corte de juros em 2019.

New dots… Mais importante que a decisão de juros em si (que deve manter a taxa inalterada), o mercado estará de olho na nova leva de projeções dos diretores do FOMC, onde deverá residir uma pista mais concreta se haverá ou não um corte de juros ainda em 2019. Ao final das projeções terá um gráfico que indica como cada diretor do FOMC vê a trajetória da taxa de juros para 2019, 2020, 2021 e longo prazo. No eixo X estão os anos e no Y a taxa de juros, as preferências são marcadas com um pontinho (dots), para cada período de tempo.

Certeza… Os Estados Unidos tem certeza que o Irã foi o responsável pelo ataque aos dois navios petroleiros no estreito de Ormuz, localizado no golfo de Omã. Trump tem até sido cauteloso sobre o assunto. Porém é importante ficar de olho no imbróglio, que tem adicionado alguma volatilidade ao mercado de petróleo e tem potencial de ser transformar em mais um pepino global.

Opep… Arábia Saudita espera que o cartel concorde com cortes na oferta em sua reunião no próximo mês, com o objetivo de ajudar a equilibrar a dinâmica de oferta e demanda no segundo semestre.

Agenda… Segunda-feira morna no mundo, sem nenhum indicador de grande relevância a ser divulgado, na 3ª (18) serão divulgados os dados da inflação na Zona do Euro, além do índice ZEW de confiança agregada da economia Alemã e do bloco do Euro. 4ª (19) será o dia mais importante em termos de agenda, com a reunião do FOMC para decidir a taxa de juros americana, além do discurso de Jerome Powell, logo após a decisão. Na 5ª (20) teremos a decisão de juros do Banco Central da Inglaterra e do Banco do Japão, além dos indicadores antecedentes da economia americana, divulgados pelo Conference Board. Por fim, na 6ª (21) teremos uma batelada de PMI`s, onde serão divulgados os dados de Estados Unidos, Alemanha e Zona do Euro, tais indicadores serão de extrema importância para vermos como está o desempenho na margem da economia global.

 


BRASIL: NADA COMO UM COPOM APÓS O OUTRO

Aborto… O ministro Paulo Guedes demonstrou, sexta-feira (15), que está bastante insatisfeito com as alterações feitas pelo Congresso à proposta da reforma previdenciária. O descontentamento do ministro o levou a declarar que o projeto alterado pelos parlamentares poderia abortar a nova Previdência (mudança de regime para capitalização).

R$860bi ou R$913… A reação negativa não era esperada, logo que a economia prevista pelo projeto (R$ 913 bilhões) supera a meta de R$ 800 bilhões, estabelecida pelo próprio ministro. Porém, segundo os cálculos do ministro, após as alterações feitas pela comissão especial à PEC 06/19, às economias projetadas para os próximos dez anos, foram reduzidas para R$ 860 bilhões.

Usina de crises… Apesar de ter bom relacionamento com Guedes, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não recebeu bem a declaração do ministro do governo. O parlamentar rebateu as críticas do ministro dando ao governo o rótulo de usina de crises.

Temperamento… Guedes deixou seu temperamento mercurial levá-lo ao erro. O ministro poderia ter exercido pressão sobre os parlamentares para tentar preservar, ou até expandir as economias do governo, de forma mais amena, durante votação na Câmara. O ministro se desgasta de forma improdutiva.

Blindagem… Felizmente, os parlamentares estão comprometidos com a reforma e buscam mostrar protagonismo diante do desafio. Em visto disso, os congressistas, que não integram a oposição declarada, já não podem usar a previdência para contrariar o governo. As declarações do ministro não devem comprometer a reforma, mas tornam os parlamentares menos aptos a darem ouvidos a Guedes.

Cabeça a prêmio… Após críticas feitas pelo Presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira (15), o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, optou por se ausentar do cargo.

Caos institucional… Muitos enxergaram a saída aparentemente repentina de Levy como evidência do caos institucional que rodeia administração do presidente. Outros interpretaram como intolerância partidária, logo que o presidente do BNDES foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT). Mas a tensão entre o chefe do banco e o presidente da república já deteriorava há tempos. Acreditamos que a demissão é negativa, porém é um choque transitório que será dissipado rapidamente.

Nada como um Copom após o outro… Na 4ª o Copom decidirá sobre o nível da taxa de juros brasileira, a Selic. O mercado tem certeza de que não haverá corte, mas tem crescido a expectativa de que um novo ciclo de reduções deve acontecer ainda em 2019. Porém, antes de começar a tesourada, o Copom deverá começar a fornecer pistas no comunicado pós reunião, e posteriormente na ATA da reunião desta semana.

O espaço tem aumentado… Basicamente o Banco Central reage a duas variáveis, ao hiato do produto (que pode ser interpretado como a ociosidade total da economia) e ao desvio da expectativa de inflação de 12 meses a frente, em relação ao centro da meta. As expectativas de inflação não vinham dando muita folga e inclusive vimos alguns choques na inflação corrente, nos primeiros 4 meses do ano, que levaram o IPCA acumulado em 12 meses a ficar acima da meta de inflação. Porém os choques inflacionários se dissiparam rapidamente e a economia está desacelerando na margem, o que acaba por dilatar o hiato. Tudo isso em conjunto abre espaço conjuntural para um corte de juros.

Porém falta o fator estrutural… Além dos fatores conjunturais que o Banco Central avalia para a sua tomada de decisão, fatores estruturais também são levados em consideração. Como a situação fiscal do país e a trajetória de longo prazo da dívida pública, ambos em situação bastante complicada e com a melhora totalmente dependente da aprovação de uma robusta reforma da previdência. A mais de 1 ano o Banco Central vem discutindo em seus comunicados que sem o avanço das reformas estruturais, a política monetária estimulativa não poderá ser ampliada ou sequer mantida, uma vez que sem a reforma, as expectativas de inflação irão subir e juros maiores serão requisitados pelos investidores para que se continue o financiamento da dívida pública.

Agenda… Em terras tupiniquins semana bastante tranquila e termos de agenda econômica, o único destaque será na 4ª com a decisão da taxa de juros pelo COPOM – comitê de política monetária. Assim como na decisão do FED, os mercados estarão mais atentos ao comunicado após decisão do que na decisão em si (que será de estabilidade da Selic em 6,5%a.a., uma vez que existe uma expectativa de que o BC comece a dar pistas mais concretas se fará um novo ciclo de cortes na taxa Selic.

E os mercados hoje? Dada a tônica mais positiva lá de fora, acreditamos que os mercados locais deverão operar mais ligados ao noticiário local, monitorando as falas de lideranças políticas como Rodrigo Maia e Paulo Guedes. Dado o renovado clima de tensão entre os poderes, acreditamos que isso possa respingar nos ativos. Portanto, vemos o dia de hoje como marginalmente negativo para os ativos de risco.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,74%, aos 98.040,00 pontos;
Real/Dólar: -1,36%, cotado a R$ 3,90;
Dólar Index: +0,06%, 97.570;
DI Jan/21: – 7 pontos base, 6.00%;
S&P 500: -0,16% aos 2.887 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro intensifica ‘fritura’ de aliados às vésperas de fala de Moro para evitar CPI
– Setor produtivo critica e mercado financeiro minimiza queda de Levy
– Em SP, Sistema S é suspeito de privilegiar parentes de chefes
– Bancada da bala opera para mudar previdência de policiais

O Estado de São Paulo
– Cresce número de brasileiros que viram reincidentes na inadimplência.
– Rodrigo Maia se diz perplexo com a demissão de Levy no BNDES
– Ex-diretores do BC se dividem sobre nova Selic
– Passaredo Linhas Aéreas entra na disputa por espaço da Avianca em Congonhas

Valor Econômico
– Sem Levy, BNDES deve ter função redefinida
– Odebrecht prepara para hoje pedido de recuperação judicial
– Amil trava queda de braço com hospitais para baixar custos
– Cresce desconforto com associação do Exército ao governo Bolsonaro

O Globo
– Governo tentará brecha para incluir novamente capitalização na reforma da Previdência
– Paulo Guedes quer nome com experiência no setor privado para comandar o banco estatal
– Maia diz que ficou ‘perplexo’ com a forma como Guedes tratou Joaquim Levy
– Governo não apresenta dados técnicos para justificar mudanças em leis de transito e acesos a armas

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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