Mercados Hoje: O fácil que foi (muito) difícil

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Introdução: Os mercados asiáticos fecharam mistos. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também abriram negociações sem direção única, com investidores digerindo os mais novos dados econômicos do Bloco. Em NY, o futuro do S&P opera em terreno neutro, e o dólar (DXY) segue se fortalecendo contra seus principais pares. Na frente das commodities, ativos seguem se movimentando com viés positivo. O preço do petróleo (Brent) se mantém próximo à estabilidade, aos US$ 74,35/barril. Para emergentes, segue a tendência mais negativa, com divisas de México, Turquia e África do Sul se desvalorizando contra o dólar. Aqui, investidores devem se manter cautelosos, à espera da instalação da Comissão especial (5ªF) e, com isso, o mercado doméstico tenderá a seguir mais a movimentação dos mercados externos.


CENÁRIO EXTERNO: SEM CLIMA NA EU

Mercados… Os mercados asiáticos fecharam mistos. O Nikkei japonês registrou uma queda de 0,3%, enquanto o Índice de Shanghai avançou 0,1% na sessão. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também abriram negociações sem direção única, com investidores digerindo os mais novos dados econômicos do Bloco. A bolsa de Londres recua 0,4% enquanto, em Frankfurt, o Dax avança 0,7%. Em NY, o futuro do S&P opera em terreno neutro, e o dólar (DXY) segue se fortalecendo contra seus principais pares – principalmente por conta de uma valorização mais forte contra o euro nesta 4ªF. Na frente das commodities, ativos seguem se movimentando com viés positivo. O preço do petróleo (Brent) se mantém próximo à estabilidade, aos US$ 74,35/barril. Para emergentes, segue a tendência mais negativa, com divisas de México, Turquia e África do Sul se desvalorizando contra o dólar.

Sem clima… Hoje de madrugada, indicadores importantes de confiança em duas das maiores economias europeias apresentaram uma piora na margem, sinalizando que uma retomada de atividade ainda deve demorar a acontecer. Na Alemanha, o índice de clima de negócios do Ifo (Instituto de Pesquisa Econômica alemão) caiu, de forma inesperada, para 99,2 em abril de 99,6 em março, frente uma expectativa de mercado por uma leve melhora no período (99,9). Paralelamente, na França, o indicador de confiança na indústria divulgado pelo Insee (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos) recuou de 103,4 em março para 101,1 em abril – o menor nível registrado desde junho/15 (100,2). Resultados como estes têm gerado cortes subsequentes nas projeções econômicas do Bloco e, mesmo com a expectativa do BCE por uma estabilização de crescimento ao longo de 2019, os dados mais fracos tem pressionado o Euro contra o dólar.

Na agenda… Em mais um dia de agenda morna, o destaque fica com a divulgação dos estoques de petróleo bruto do DOE (Departamento de Energia) nos EUA, às 11h30.


BRASIL: O FÁCIL QUE FOI (MUITO) DIFÍCIL

Enfim, superada a CCJ… A reforma da previdência avança uma casa em seu processo de apreciação na câmara. Após uma difícil tramitação na CCJ, onde as coisas costumam ser bastante tranquilas, a mesma foi aprovada por acachapantes 48 votos (de 66 no total), apesar da mudança no texto. No final, a tramitação na CCJ foi um fácil que foi muito difícil.

Maia o articulador… No momento em que os líderes de partidos e blocos anunciaram seus votos, com exceção da oposição, todos agradeceram a Rodrigo Maia, presidente da Câmara e o principal fiador político da reforma. Absolutamente nenhum parlamentar elogiou Jair Bolsonaro.

É ruim, mas pode ser bom… Maia sendo visto como essa figura central é até positivo, uma vez que ele tem excelente trânsito no chamado Centrão, a aglutinação de PP, PSD, MDB, PR, PRB, DEM, PSDB, PTB, PSC, PMN. O Centrão é a força política capaz de aprovar ou não a reforma, além de ser o grupo que o Presidente Bolsonaro adora denominar de velha política.

Próximos passos… Agora a reforma vai para a comissão especial, que deve ser instalada por Maia, amanhã. É na comissão onde acontecem as mudanças na substância do texto e, portanto, é lá que a desidratação acontece e onde as negociatas políticas do governo precisarão subir de patamar.

A lição que fica… A grande lição da CCJ, que deveria ser uma etapa quase que meramente burocrática, é que o governo não tem coordenação política robusta o suficiente, nem mesmo dentro do próprio partido, o PSL. Para a próxima fase, será necessária robusta articulação, diálogo e afagos, tudo no melhor estilo da velha política.

A economia sufocada… Os números do emprego formal em março que foram divulgados mostraram um saldo negativo de 43.000 vagas, o que indica que a economia está de fato sendo sufocada na margem. Para o primeiro trimestre, esperamos uma queda/estagnação do PIB, em relação ao último trimestre de 2018, entre 0% e -0,25%.

E os mercados hoje? Enquanto a previdência segue seu rumo e espera os trâmites burocráticos do congresso, os mercados devem seguir mais a tendência externa, que tem sido de um pouco mais de aversão ao risco do que em relação às últimas semanas. Além disso, o dólar segue muito forte lá fora, o que não deverá deixar o real se apreciar, mesmo com as boas notícias políticas. Portanto, vemos o dia de hoje como neutro para os ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,41%, aos 95.923 pontos;
Real/Dólar: -0,38%, cotado a R$ 3,9216;
Dólar Index: +0,36%, 97.636;
DI Jan/21: -5 pontos base, 6,960%;
S&P 500: +0,88% aos 2.933 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– STJ reduz pena, e Lula pode deixar a cadeia neste ano
– Oficiais tentam conter ruído entre Mourão e Bolsonaros
– CCJ da Câmara aprova parecer da reforma da Previdência
– Eleitos, policiais usam mandatos em prol da classe

O Estado de São Paulo
– Reforma da Previdência passa na CCJ da Câmara
– STJ mantém condenação de Lula, mas reduz pena
– Para Eduardo Bolsonaro, o vice Mourão aparece demais
– Médico deverá entregar dados de paciente à Justiça

Valor Econômico
– Crédito a pessoas físicas sustenta lucro dos bancos
– STJ reduz pena de Lula para 8 anos
– Anfavea quer debater questão tributária
– Peste suína valoriza os frigoríficos em R$ 31 bi

O Globo
– CCJ da Câmara aprova reforma da Previdência com 48 votos
– STJ mantém condenação de Lula, mas reduz a pena
– Bolsonaro pede ‘ponto final’ em rixa com Mourão
– Gasolina subiu 31% na refinaria, porém postos seguram reajuste

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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