Mercados Hoje: O banho (de sangue) turco

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Introdução: Investidores estão atentos ao forte movimento de desvalorização da Lira turca. O movimento contagia os mercados. Receios com a economia e exposição dos bancos europeus ao país geram um movimento de aversão ao risco. O dólar se fortalece ao redor do mundo. Petróleo mantém viés de alta, enquanto commodities metálicas recuam. No Brasil, primeiro debate político é morno. Candidatos não fazem ataques pessoais relevantes, algo comum nos últimos debates. Alckmin e Bolsonaro foram alvo da maioria das perguntas mais polêmicas. No front corporativo, agenda relevante de balanços. Resultados de Sabesp, BR Malls, JSL, CVC, Iochpe superam estimativas e os da Natura, B2W e Equatorial frustram expectativas. Cyrela e B3 ficam em linha.


CENÁRIO EXTERNO: LIRA TURCA DESPENCA.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas operam em baixa na Europa. Estamos observando um movimento clássico de aversão ao risco. O dólar se fortalece e moedas de países emergentes estão mais pressionadas com a leitura de uma situação mais delicada na Turquia. Na Ásia, a sessão já foi mais negativa. Nos EUA, o S&P futuro opera em baixa nesta manhã. O minério de ferro caiu 1,53% na China, cotado a US$68,71/tonelada. O petróleo (brent) sobe, cotado na casa dos US$72/barril. Os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,90%).

Turquia no radar… Notícia do Financial Times de que o BCE estaria preocupado com a exposição dos bancos europeus à Turquia gera nova rodada de depreciação da Lira turca. De acordo com o FT, o mecanismo de supervisão do Banco Central Europeu avaliou o BBVA, UniCredit e BNP Paribas como particularmente expostos à Turquia em meio à queda da lira, citando duas pessoas familiares ao tema. A exposição dos bancos europeus ao país é de algo em torno de US$100 bilhões. O recorrente déficit em conta corrente e o governo heterodoxo, que está em atrito com os EUA, aceleram a depreciação cambial do país.

Na agenda de hoje… No front macro, destaque aos dados de inflação ao consumidor (CPI). Ontem, a inflação ao produtor (PPI) mostrou poucos sinais de pressões adicionais. A expectativa é de estabilidade do núcleo de inflação tanto na margem, como na comparação interanual.


BRASIL: DEBATE MORNO; FISCAL DESAFIADOR.

Morno… O debate realizado pela Band TV, o 1º televisivo entre os candidatos à Presidência da República teve clima morno e manteve os adversários em suas zonas de conforto. Poucos ataques entre os participantes, que no geral tiveram atuações que na média não devem mudar as posições dos peões no tabuleiro eleitoral. A temperatura deve subir nos próximos dois debates (Record 30/09 e Globo 04/10). Até lá, os candidatos continuarão a atuação solo, indo em sabatinas e entrevistas, além do início do horário eleitoral no dia 31. O debate de ontem deve ter impacto praticamente nulo no mercado e também nas intenções de voto.

– Alckmin: Atacou pouco os adversários, usou termos complexos para a população em geral. E adotou um tom positivo e até chegou a elogiar alguns pontos do governo Temer, como a reforma trabalhista. Adotou um discurso cheio de termos técnicos, parecia que estava falando para uma audiência especializada e não para o povo brasileiro.

– Ciro: Mais do mesmo, muitas soluções para todos os problemas do país, porém com pouca substância. Disse que o seu foco seria na criação de empregos, 2 milhões apenas no primeiro ano de governo, e na redução do endividamento da família brasileira, mais uma vez, voltou a citar o número de pessoas cadastradas no SPC – serviço de proteção de crédito, e disse que caso eleito iria retirar todas elas do cadastro. Tentou sempre atacar o PSDB, tentando colar o fato de que o PSDB e o governo Temer eram a mesma coisa.

– Marina: Atuação discreta, defendeu uma melhora da educação, com um modelo mais inclusivo. Também disse que o problema do SUS é de gestão e que o país precisa de uma estratégia nacional para saúde que inclua os planos de saúde, de forma a aliviar o sobre carregamento do sistema público. Também se mostrou disposta ao compromisso de manter o fiscal sob controle, mas se disse contra a atual forma da reforma da previdência proposta pelo governo Temer. Atacou pouco, menos do que foi atacada.

– Bolsonaro: Parecia claramente incomodado, as vezes até mesmo entediado. Se esquivou de algumas perguntas Respondeu poucas questões técnicas. No geral foi mal, pior que nas sabatinas que participou. Foi o mais incomodado pelos demais candidatos e pelos jornalistas da Band que o entrevistaram. Parece que o candidato do PSL se sente muito melhor sozinho do que de frente com seus adversários.

– Álvaro Dias: Discurso e ataques centrados na questão do combate a corrupção. Atacou diretamente o Bolsonaro sobre a questão de gênero. Também atacou os privilégios dos políticos e disse que ele próprio abriu mão da aposentadoria de governador. No geral, foi o que mais tentou incomodar o Bolsonaro. Teve uma atuação leve.

Desafio Fiscal… A coluna Painel da Folha de S. Paulo, publicou que a repercussão da decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de aprovar um aumento de 16,38% nos próprios salários fez com que integrantes da corte entrassem em contato com a cúpula do Congresso sugerindo alternativas. Além de uma revisão da Lei da Magistratura que extinguisse auxílios hoje pagos a juízes, esses magistrados ressaltaram que a proposta aprovada pelo STF não é “impositiva”, estimulando parlamentares a, no limite, chancelarem um reajuste menor do que o sugerido.

Desafio Fiscal II… Enquanto as atenções estavam voltadas para a proposta de reajuste dos ministros do STF, a bancada ruralista se articulou para desfigurar uma Medida Provisória (MP) do governo e restabelecer renegociações de dívidas do setor que podem impactar os cofres públicos em R$ 17,1 bilhões. A área econômica já havia alertado que não há espaço fiscal para um programa como esse e, por isso, reduziu o alcance e o custo da medida para R$ 1,579 bilhão. O relatório sobre a MP 842 foi apresentado ontem pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) menos de três horas depois da instalação da comissão mista que vai analisar o texto. O texto “relâmpago” não só restituiu todas as renegociações que o Congresso Nacional já havia tentado emplacar antes (e que acabaram vetadas pelo presidente Michel Temer) como também prevê a extensão de alguns benefícios a dívidas que deixem de ser pagas até 31 de dezembro de 2018. Os descontos dessas renegociações, que podem chegar a 95%, precisam ser bancados pelo Tesouro Nacional, mas não há previsão no Orçamento para isso. A área econômica vai recomendar novamente o veto da medida, caso o Congresso Nacional insista em aprovar o programa de um tamanho que não caiba no Orçamento.

Tudo igual… Mesmo com todo desafio fiscal, a agência de rating S&P reiterou a nota BB-/B do Brasil, com perspectiva estável. A instituição afirmou que atraso na adoção de medidas para corrigir desequilíbrios fiscais pesa do rating. A agência diz que solidez relativa das contas externas, flexibilidade e credibilidade das políticas monetária e cambial ajudam a compensar a fraqueza fiscal e a incerteza em torno das eleições.

Agenda de hoje… No front macro, a primeiro prévia do IGP-M de agosto ficou bem acima das projeções do mercado. A alta de preços foi maior no segmento agrícola por conta do leite. No front micro, diversas empresas divulgaram seus números. Mais informações no Guide Empresas de hoje.

E os mercados hoje? A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, apresenta alta de 5 pontos base para 230 pontos base. O movimento é correlacionado ao contágio da situação turca. O viés é negativo para ativos locais, em nossa opinião. Dólar e juros devem ser pressionados para cima, enquanto a bolsa deve sofrer.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,48%, aos 76.768 pontos;
Real/Dólar: +0,76%, cotado a R$3,801;
Dólar Index: +0,43%, 95,504;
DI Jan/21: +13 pontos base, 9,160%;
S&P 500: -0,14% aos 2.854 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Lojas Americanas: Números do 2º tri
Impacto: Marginalmente Negativo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
–  Eleição deste ano tem número maior de vices mulheres
– Dividido, Senado argentino dá início a decisão sobre aborto
– Bolsonaro propõe ensino a distância contra marxismo
– Antes de ser morta, PM ficou horas em poder de bandidos

O Estado de São Paulo
– PT faz alianças com sigla que apoiaram o impeachment
– PSL reforça Bolsonaro com candidatos em 13 Estados
– MPF processa deputados por farra fiscal
– STF arquiva ação penal mais antiga da Corte

O Globo
– Governo federal gasta bilhões com informática em contratos sem licitação
– Com Manuela, PT executa ‘estratégia tríplex’
– Incerteza política leva a recorde de leilões do Tesouro
– Condenados ao ócio

Valor Econômico
– Nervosismo eleitoral afeta bolsa e eleva juros e dólar
– Senado trava votações, diz Cunha Lima
– Fintechs penam para conseguir investimentos
– Pesquisas ajudaram Lula a optar por Haddad

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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