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Mercados Hoje: Novecentos e treze bilhões de reais

Introdução: Volta a maior aversão ao risco nos mercados globais; Bolsas chinesas operaram em queda, enquanto o Nikkei ficou positivo; Na Europa, todos os principais índices operam no vermelho; Futuros do S&P confirmam um fechamento de semana complicado também nos Estados Unidos; Dados da indústria chinesa decepcionam e mostram que as peças para uma desaceleração global estão se juntando. No Brasil, relatório da previdência prevê R$912 bilhões de economia em 10 anos, um número excelente, porém é preciso inferir o quanto tal número poderá ainda ser desidratado; BPC e aposentadoria rural foram os itens que sofrerão a maior desidratação (100%); Na agenda local, destaque para a divulgação do IBC-Br pelo Banco Central.


CENÁRIO EXTERNO: INDÚSTRIA CHINESA CRESCE NO RITMO MAIS FRACO DESDE 2002

Mercados… Bolsas asiáticas operaram de forma mista ao longo da noite, o Nikkei ganhou +0,40%, enquanto Hong Kong e Shangai recuaram -0,65% e -0,83%, respectivamente. Na Europa a sexta-feira é de aversão ao risco, o DAX recua quase 1% (-0,94%). Futuro do S&P perdem -0,31%, confirmando o sentimento generalizado de aversão ao risco nesta sexta-feira. O petróleo do tipo WTI cai -0,48%, cotado a US$52,03/barril.

Máquinas parando… O crescimento da produção industrial da China desacelerou para o ritmo mais fraco desde 2002, e o investimento acompanhou também. Consequência dos ventos contrários que a economia enfrenta ao lidar as tensões tarifárias.

Olhando os números mais de perto… A produção industrial subiu 5% em relação ao ano anterior, enquanto o investimento em ativos fixos cresceu 5,6% nos primeiros cinco meses. Ambos os dados foram piores do que aqueles observados em abril e abaixo das expectativas, confirmando uma tendência negativa na dinâmica de curto prazo da economia chinesa.

Bastante munição… As autoridades chinesas têm defendido em diversas oportunidades a força da economia chinesa, assim como reforça o grande espaço de manobra que os formadores de política monetária têm para estimular a economia caso seja necessário, e mais resultados deste nível é o que pode encorajá-los a agir nesta frente. Vale ressaltar: apesar do governo chinês já ter apresentado diversas medidas estimulantes ao longo do ano, os seus esforços ainda não chegam perto do que foi feito em outros momentos de desaceleração.

Agenda… Hoje serão divulgados os dados da produção industrial americana pelo FED e os dados da confiança do consumidor, medidos pela Universidade de Michigan.

 


BRASIL: NOVECENTOS E TREZE BILHÕES DE REAIS

Setor de serviços fraco, porém positivo… O principal setor na composição do PIB cresceu 0,3% em abril, abrindo assim um caminho mais positivo para o PIB do segundo trimestre, porém quando se olha o desempenho em relação ao mesmo mês do ano anterior (2018), o dado mostra um recuo de -0,8%, abaixo das expectativas do mercado (bloomberg: -0,6%A/A).

Olhando os números… Dentre os setores de atividade, a maior contribuição positiva veio de serviços de informação e comunicação (-1,7% na margem), recuperando apenas parte da queda sofrida em março. Em seguida, serviços profissionais, administrativos e complementares (0,2% na margem) repercutiram o pequeno crescimento da indústria em abril. Da mesma forma, teve crescimento o volume de serviços prestados às famílias (0,1% na margem), puxado por outros serviços prestados às famílias. As maiores contribuições negativas vieram de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios (-0,5% na margem) – puxados por transporte terrestre e transporte aéreo, destoando mais uma vez do resultado da indústria no mês.

Novecentos e treze bilhões de reais… Com a divulgação do parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), os detalhes das alterações feitas pelo Congresso, a reforma da Previdência, se concretizaram. Entre elas, a confirmação de uma economia robusta de R$ 913 bilhões nos próximos dez anos.

Tributos… O parecer elucidou algumas questões importantes, como propostas para gerar mais tributos para o governo, compensando as perdas resultantes da desidratação de R$ 287 bilhões feitas pelo Congresso.

FAT… A primeira medida compensatória, proposta pelo relator, extinguiria a obrigatoriedade constitucional de financiar o BNDES com aportes vindos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Essa medida direcionaria ao governo federal R$ 217 bilhões em um período de dez anos.

CSLL… Outra medida compensatória prevista pelo relator, sugere aumento na alíquota da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) dos bancos em 5% , revertendo a taxa para 20%. A medida representaria um retorno da taxa vigente entre 2016 e 2018, gerando R$ 50 bilhões em tributos para o governo, também em 10 anos.

Confirmados… Durante a coletiva realizada na véspera da divulgação, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Samuel Morreria já tinham adiantado os seguintes pontos, que hoje foram confirmados e justificados.

BPC… O Congresso rejeitou as alterações propostas ao Benefício de Prestação Continuada, à aposentadoria rural, a desconstitucionalização, a inclusão dos estados e municípios e a proposta de capitalização.

A justificativa… As alterações feitas ao Benefício de Prestação Continuada, que pretendia adiantar metade do auxílio recebido em 5 anos (60), mas também atrasaria a íntegra do pagamento em 5 anos (70), foram removidas “para que milhões de idosos e pessoas com deficiência possam sobreviver com um mínimo de dignidade”.

Rural… As alterações retiradas, referentes a aposentadoria do trabalhador rural, estão relacionadas ao gênero e tempo de contribuição. Mulheres não irão se aposentar na mesma idade que homens, e nenhum trabalhador rural será onerado com mais anos de contribuição. O texto justifica o êxodo das economias argumentando que “Tal medida não pode ser adotada para as mulheres e muito menos no meio rural, onde há grande dificuldade de comprovação de contribuições”.

Urbano… A idade mínima proposta pelo texto do governo, para trabalhadores urbanos, foi mantida em 65 anos e 62 anos para homens e mulheres respectivamente.

Matéria Constitucional…  A contestação dos deputados diante a desconstitucionalização é resultado da desconfiança e distância que existe entre o governo e o Congresso. A manutenção do tema na reforma e traria benefícios a alterações futuras à reforma da Previdência, com um trâmite menos penoso pelo Congresso, permitindo ao Executivo mais liberdade para agir, sem necessitar aprovação tão ampla do legislativo.

Nunca… Os parlamentares rejeitaram a proposta, que empodera presidente e ofusca o papel do legislativo diante futuras discussões do tópico. O texto do parecer reflete essa desconfiança, “a desconstitucionalização dos parâmetros pode trazer variações mais recorrentes, mas não necessariamente mais prudentes, nas próprias regras previdenciárias, o que não seria desejável”.

Governadores sob pressão… A questão dos estados ainda pode ser revertida, mas antes disso, o Congresso deve pressionar os governadores a garantirem mais votos para a proposta no Plenário. Caso os esforços dos governadores agradem as lideranças da Câmara, a inclusão dos estados e município pode ser garantida através de uma emenda, que será votada após a aprovação do restante da reforma.

157 páginas… O parecer da comissão especial quase triplicou o número de páginas que abordam a reforma da previdência. A questão foi tratada com grande seriedade e empenho pelas lideranças congressistas. Apesar de suposta autoria exclusiva do relator, a proposta tem o DNA de inúmeros parlamentares. Isso indica que PEC está em estágio de construção mais avançado do que anteriormente previsto. Isso sugere que a proposta não deve sofrer alterações de grande significância orçamentária durante o restante de seu trâmite, superando a meta de R$ 800 bilhões prevista pelo ministro Paulo Guedes.

Agenda… O destaque do dia fica com a divulgação do IBC-Br, prévia mensal do PIB calculada pelo Banco Central, que mostrará como está sendo o desempenho da economia brasileira no primeiro mês do segundo trimestre do ano. A mediana das expectativas do mercado esperam um número próximo de -0,10% na comparação com março e uma queda de -0,7% em comparação com abril de 2018.

E os mercados hoje? Com a maior aversão ao risco externa e o início dos debates sobre o relatório proposto pelo relator, veremos um pouco mais de ruído no curto prazo. Aqui os mercados irão monitorar o escopo e abrangência da #GreveGeral que é contra a reforma da previdência. Portanto, vemos o dia de hoje como marginalmente negativo para os ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,46%, aos 98.774,00 pontos;
Real/Dólar: -0,016%, cotado a R$ 3,862;
Dólar Index: +0,06%, 97.060;
DI Jan/21: – 12 pontos base, 6.070%;
S&P 500: +0,41% aos 2.891 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Greve contra Previdência afeta transportes pelo país.
– Apesar de concessões, relator preserva eixo central da reforma
– Substituto de Santos Cruz é chefe de militar da ativa mais próximo de Bolsonaro
– Lula diz que vazamento expos verdade sobre Moro e põe em dúvida facada em Bolsonaro

O Estado de São Paulo
– Moro: ‘Se quiserem publica tudo, publiquem. Não tem problema’.
– Congresso vê troca de ministro como vitória de ‘ala ideológica’
– No Planalto, Ramos pode conter turma do ‘mito’
– Dallagnol ainda não entregou celular à PF

Valor Econômico
– Relator da previdência propõe aumento de imposto e fim de repasse a BNDES
– Odebrecht pode levar R$ 50 bilhões a justiça.
– Nova oferta de ações deve tirar Caixa do banco Pan
– Estatais estrangeiras gastam R$ 120 bi no setor de infraestrutura do Brasil, e movimento vai crescer

O Globo
– Saída de Santos Cruz demonstra que ‘fritura’ é o método para demissão no Planalto
– Greve atinge parcialmente metrô e ônibus intermunicipais em São Paulo
– ‘Não posso reconhecer a autenticidade dessas mensagens’, afirma Moro
– Decisão do STF torna homofobia crime tão grave quanto o racismo

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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