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Mercados Hoje: Novas tarifas passam a vigorar

Introdução:

Internacional
• Bolsas internacionais iniciam a semana sem direções claras;
• O mercado reage ao início da vigência das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela China;
• PMI/Markit industrial supera expectativas na China e vem em linha na Zona do Euro;
• Argentina anuncia restrições na negociação do dólar americano como medida de controle de câmbio;
• Semana tem Livro Bege do Fed (4ªF), payroll de agosto (6ªF) e discurso de Powell na agenda.

Brasil
• Mercado local fica à mercê do exterior na falta de noticiário local relevante;
• Senado fica próximo de aprovar Novo Marco Legal das Telecoms;
• PEC da sessão onerosa deve ser votada no plenário do Senado (3ªF ou 4ªF);
• IBGE divulga produção industrial de julho (3ªF) e IPCA de agosto (6ªF).


CENÁRIO EXTERNO: NOVAS TARIFAS PASSAM A VIGORAR

Mercados… Mercados asiáticos encerraram mistos. O Hang Seng (Hong Kong) e o Nikkei (Tóquio) fecharam em queda, enquanto o índice de Shanghai avançou 1,3% na sessão. Na Europa, índices de mercado abrem em tom mais positivo, com as bolsas de Londres e de Frankfurt subindo 1,0% e 0,2%, respectivamente. Em NY, futuros operam no vermelho, e o dólar (DXY) se valoriza contra seus principais pares, renovando subsequentemente a máxima do ano. Na frente das commodities, ativos se movimentam majoritariamente em terreno negativo. O petróleo (Brent crude) recua 0,4% até o momento, voltando a ser negociado abaixo dos US$ 60/barril.

Novas tarifas passam a vigorar… Bolsas internacionais iniciam a semana sem direções claras, após fim de semana agitado. O dia terá liquidez reduzida em função de feriado (Labor Day) nos Estados Unidos. O mercado reage ao início da vigência das novas tarifas americanas de 15% sobre US$ 112 bilhões em produtos chineses, como anunciado no início de agosto. A novidade destas novas tarifas é que elas passam a afetar bens de consumo, o que pode ter efeito direto no principal driver da economia americana, os gastos dos consumidores. Ontem, através de suas redes sociais, Trump declarou que as tarifas aplicadas “não terão tanto” efeito negativo sobre os consumidores, já que a moeda chinesa, o yuan, tem se desvalorizado. Também ontem, passaram a vigorar na China tarifas de 5% a 10%, que abrangem uma ampla gama de produtos estadunidenses. Com isso, o mercado se volta para o novo encontro entre as duas maiores economias mundiais, previsto para este mês. Por ora, apesar do alívio no fim de agosto, não há indicações de uma melhora estrutural na relação entre China e EUA, e o ambiente de alta volatilidade deve persistir no exterior.

Atividade… A divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da China subiu de 49,9 em julho para 50,4 em agosto e voltou a registrar expansão, segundo dados divulgados hoje pela Caixin/IHS Markit. Apesar do número melhor, o indicador mostrou que o nível geral de demanda por produtos chineses não melhorou e as exportações caíram consideravelmente, reforçando a pressão que existe sobre a economia. O resultado também pode ajudar a explicar o tom mais conciliatório adotado pelos chineses na última 5ªF. Mais tarde (5h), o PMI/Markit industrial europeu de agosto trouxe leituras que vieram mais uma vez em linha com as expectativas do mercado, apontando para uma leve estabilização, mas longe de dar qualquer sinal de uma recuperação mais relevante. O destaque negativo ficou para a leitura da Inglaterra (5h30), que sofre pressão adicional da incerteza do Brexit.

Dólar restrito… Como tentativa de reduzir a disparada da cotação do dólar, que se acentuou na última semana, o governo argentino anunciou no domingo que vai fixar um limite de US$ 10 mil por mês para a compra de moeda norte-americana por pessoas físicas. No que diz respeito às empresas, não haverá restrição para a importação ou pagamento de dívidas no vencimento, mas não será permitido comprar dólares para manter em Tesouraria. Também foram estabelecidos novos prazos para exportadores liquidarem dólares das operações de comércio exterior. Desde a derrota de Macri nas eleições primárias, o BC argentino vem atuando para conter a desvalorização do peso argentino, que tem ocorrido sistematicamente com o mercado antecipando um default da dívida pública.

Na agenda… A semana tem agenda movimentada nos EUA. Na 4ªF, o Livro Bege do Fed mostra o ritmo da economia americana pelos olhos do BC americano, seguido pelas leituras da balança comercial de julho (4ªF) e as encomendas à indústria em julho (5ªF). Na 6ªF, o mercado irá se voltar para os dados de emprego (payroll) de agosto e um discurso de Powell na Universidade de Zurique, depois de ter deixado a porta aberta para um corte de juro, em Jackson Hole.


BRASIL: REJEIÇÃO AO CAPITÃO CRESCE

Novo Marco Legal da Telecom… A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) finalmente apresentou, na sexta-feira passada, seu parecer referente ao PLC 79, conhecido coloquialmente como o novo marco legal das telecomunicações. O projeto aguardava o relatório da senadora na Comissão de Ciência e Tecnologia desde fevereiro. As alterações presentes no projeto podem dar folego a Oi, que sofre com sérios problemas de caixa e passa por processo de recuperação judicial desde 2016.

Aprovação iminente… Agora, com o parecer apresentado, o projeto está próximo de ser aprovado. A senadora não fez grandes alterações ao projeto, que significa que a proposta não terá que ser enviada de volta para a Câmara. O parecer deve ser discutido nesta terça-feira e votado na em uma ou duas reuniões subsequentes. Como o projeto tramita com deliberação terminativa, o mesmo dispensa de aprovação pelo Plenário.

Rejeição a Bolsonaro cresce… Pesquisa realizada pelo instituto Datafolha nos dias 29 e 30 de agosto mostrou aumento de reprovação (33% para 38%) e queda na aprovação (33% para 29%) do governo Bolsonaro, em relação a pesquisas realizadas em julho e maio. O tamanho do grupo que enxerga a atuação do governo como regular se manteve estável (31% para 30%). Boa parte da deterioração registrada nesta pesquisa ocorreu entre os mais escolarizados.

Causa da rejeição… A maneira como o governo tratou das queimadas na Amazónia certamente impactou a evolução das pesquisas, mas talvez mais relevante foi a ausência de desenvolvimentos na pauta económica. Em pesquisas anteriores, o governo contava com a influência positiva da surpreendente evolução da reforma da Previdência. A PEC 06 tem perdido espaço na cobertura da mídia desde que foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

PEC da das despesas obrigatórias… O governo pretende enviar ao Congresso outra proposta de emenda constitucional, desta vez para tentar desengessar o orçamento federal. A medida foi divulgada pelo o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, mas ainda não tem data certa para ser revelada. Na prática, a proposta deve transformar despesas obrigatórias em despesas discricionárias, para flexibilizar os gastos do governo. Para gerar impacto substancial, o governo terá que alterar a garantia de emprego dos servidores públicos, que já perderam direitos com a reforma da Previdência. Gerar apoio no Congresso para tal medida não será fácil.

Na agenda… Os destaques na semana serão a divulgação da produção industrial de julho (3ªF) e o IPCA de agosto (6ªF). No front político, a votação da PEC da cessão onerosa, que divide os recursos do megaleilão do petróleo com os Estados e municípios, deve ser votada no plenário do Senado amanhã ou na 4ªF.

E os mercados hoje? Lá fora, bolsas operam sem direções claras, com investidores mostrando cautela me meio à manutenção do cenário de incerteza. No Brasil, o mercado segue a mercê dos movimentos no exterior, na falta de noticiário local relevante. Com isso, esperamos um dia de viés neutro para ativos brasileiros, em dia de liquidez reduzida e sem grandes drivers internos no dia.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,61%, aos 101.135 pontos;
Real/Dólar: -0,66%, cotado a R$ 4,14;
Dólar Index: +0,81%, cotado a 98.810;
DI Jan/21: -11 pontos base, 5.53%;
S&P 500: +0,06% aos 2926 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Reprovação de Bolsonaro cresce para 38%, mostra Datafolha
– Os mais afetados por uma recessão são os mais ricos, diz professo de Chicago
– Socorro a Bolsonaro envolveu disputa entre hospital e ajuda de empresário
– Inaugurada às pressas pro Temer e Lula, transposição do São Francisco já definha

O Estado de São Paulo
– Reforma da Previdência provoca corrida por aposentadoria no serviço público
– MEC vai cortar recurso da Capes e federais terão mesmo orçamento
– Com ventos de 295 km/h, furacão Dorian devasta Ilhas Ábaco, nas Bahamas
– ‘Bolsa ainda é nossa maior aposta para o ano’, diz diretor do Itaú

Valor Econômico
– Estados e capitais cortam investimento pela metade no primeiro semestre
– Argentina restringe compra de dólar para conter câmbio
– Financiamento de veículos bate recorde desde 2011
– Eneva planeja lançar R$ 1 bilhão em debêntures

O Globo
– Punição a juiz que decretar prisão de maneira ‘ilegal’ opõe Bolsonaro e Congresso
– Datafolha: reprovação de Bolsonaro vai de 33% para 38%
– Telegrama revela satisfação da Casa Branca com medidas do governo Bolsonaro
– De olho em 2020, disputas para prefeituras de Rio e São Paulo racham PSL

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