Mercados Hoje: Não há caminho fácil

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Introdução: Os mercados globais operam com viés misto nesta 5ª feira. Investidores se mostram cautelosos na espera por novos desenvolvimentos das negociações entre China e Estados Unidos. Na Ásia, o Nikkei japonês avançou 0,1% na sessão, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,2%. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também operam sem direção única: a FTSE londrina recua 0,4%, e o DAX, em Frankfurt, sobe 0,2%. Em NY, o futuro do S&P se mantém operando próximo da estabilidade e o dólar avança contra os seus principais pares. A divulgação dos dados de emprego de março em Washington, agendada para amanhã, é um dos principais pontos de interesse do mercado na semana. Aqui, incertezas com a Reforma da Previdência Social e um fraco desempenho dos ativos de risco no exterior podem impactar negativamente nos ativos domésticos


CENÁRIO EXTERNO: OTIMISMO CAUTELOSO

Mercados… As bolsas operaram com viés misto na Ásia. O Nikkei japonês avançou 0,1% na sessão, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,2%. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também operam sem direção única: a FTSE londrina recua 0,4%, e o DAX, em Frankfurt, sobe 0,2%. Em NY, o futuro do S&P se mantém operando próximo da estabilidade e o dólar avança contra os seus principais pares.

Otimismo cauteloso… Larry Kudlow, o diretor do Conselho Econômico Nacional do governo Trump, declarou à mídia de que a mais nova rodada de conversas com a China já esta gerando progresso na direção de um acordo comercial. Segundo fontes da Bloomberg, o acordo que esta sendo costurado estipula 2025 como prazo para Pequim cumprir seus comprometimentos de compra de commodities americanas e permite que companhias americanas sejam donas de 100% de empreendimentos em solo chinês. Apesar do bom andamento das negociações, os oficiais da Casa Branca estão promovendo um “otimismo cauteloso”, uma vez que o acordo não esta fechado ainda. Hoje, o vice premiê chinês, Liu He, lidera a rodada de negociações com o Secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e o representante comercial americano, Robert Lighthizer. Vamos acompanhar…

Parceria improvável… Ontem, a Premiê britânica, Theresa May, e seu principal adversário político, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, concordaram em deixar suas diferenças de lado e trabalhar juntos em busca de uma solução para a crise política que o Brexit instaurou sobre o Reino Unido. Após conversa que durou uma hora, e que ambas as partes descreveram como “construtiva”, os rivais acordaram que ambos apontariam times de negociadores para costurar um novo plano para o divórcio. As discussões serão retomadas hoje.

MLK´s Day… Completam-se hoje os 51 anos do assassinato de Martin Luther King Jr., morto em Memphis, nos EUA. Lutou pelos direitos civis. Liderou movimentos populares criticando o preconceito, descriminação e violência contra a população negra. Dele, lembramos a seguinte frase: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Na agenda… Com a agenda morna nos EUA, o destaque ficou com a divulgação dos dados de encomendas à indústria alemã de março, que registrou uma queda de 4,2% no mês e ficou bem abaixo da mediana das expectativas de mercado (Bloomberg), que previa um crescimento de 0,3%. Ainda, às 8h30, o BCE divulgou a ata da sua última reunião de política monetária, onde a instituição reafirmou a manutenção da taxa de juros “pelo menos até o fim de 2019”.


BRASIL: NÃO HÁ CAMINHO FÁCIL

De peito aberto… Paulo Guedes foi ontem a comissão de constituição e justiça – CCJ da Câmara dos Deputados. A presença do ministro durou mais de 6 horas.

Artilharia organizada… A oposição se organizou de forma a fazer todas as suas perguntas e questionamentos em sequência, como um verdadeiro esquadrão de artilharia, onde um canhão termina o tiro e o outro logo começa.

Dá a impressão de mais poder… Mesmo a oposição sendo bem menor que a base do governo na CCJ, deu a impressão de que ela era muito maior, e de que haviam mais deputados contra a reforma do que a favor.

Acanhados… Não se sabe se por desorganização, inexperiência ou demais motivos de ordem política, mas fato é que a base do governo e até mesmo figuras centrais como o Major Vitor Hugo, tiveram aparições tímidas.

Apenas Guedes… Parecia que apenas o ministro da economia estava defendendo a reforma. Óbvio que isso não é uma verdade, mas foi a imagem que foi passada.

Não há caminho fácil… A reforma não terá tramitação simples, será árduo o caminho e principalmente as negociações para que partes importantes do que texto e que fornecem potência fiscal para a reforma, sejam mantidas no texto.

Menos de 600bi não dá… Parece haver um consenso implícito entre economistas acadêmicos e de mercado, que sem uma reforma que economize pelo menos R$600 bilhões em 10 anos, não haverá impacto significativo sobre o nível da dívida pública federal. Sem reforma o número que se encontra ao redor dos 77% do PIB poderia alcançar facilmente os 110% até 2027.

Meia 7 meia… A Guide acredita que a reforma irá ficar ao redor dos R$676 bilhões de economia em 10 anos. Acreditamos que a aposentadoria rural e BPC terão ter zero de contribuição, ou seja, continuarão da forma que estão hoje. Além de detalhes que também alteram a economia. Nosso número embute, portanto, uma taxa de desidratação de 42% do texto original apresentado por Guedes e equipe.

Presidente vai conversar… O presidente reúne-se hoje com dirigentes do PSD, PSDB, PP, DEM e PRB. Segundo o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), o objetivo do encontro é “dialogar, convidar e abrir as portas” para que as siglas sejam aliadas do governo.

Depois de ontem é impossível o Presidente não se engajar… Bolsonaro precisava mesmo convidar presidentes de partidos para conversar e tentar apoio para a reforma da Previdência. O presidente que antes parecia reticente ao diálogo agora está mais dispostos, bom sinal. Depois de ontem na CCJ é impossível não se notar que existe fragilidade sim na articulação política.

Agenda… O único destaque do dia é divulgação dos dados da Anfavea de produção de veículos em março, o dado é um importante indicador antecedente para a produção industrial.

E os mercados hoje? Com a tônica mais neutra ao risco lá fora, o dia de hoje deve refletir mais os eventos domésticos. Com isso, esperamos um desempenho mais fraco de ativos de risco domésticos, muito condicionado à repercussão das conversas de Bolsonaro com os presidentes dos partidos no noticiário.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,94%, aos 94.491 pontos;
Real/Dólar: +0,41%, cotado a R$ 3,8715;
Dólar Index: +0,09%, 97.178;
DI Jan/21: +0,04 pontos base, 7,060%;
S&P 500: +0,21% aos 2.873 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Ida de Paulo Guedes à Câmara acaba em confusão; Bolsa cai
– Em 3 meses, Mais Médicos soma 1.052 desistência
– Senado aprova nova versão para Orçamento impositivo
– Venezuela sofre crise humanitária complexa. diz ONG

O Estado de São Paulo
– Cuba e Venezuela já devem R$ 2,3 bilhões ao BNDES
– Bloco manobra e atrasa projeto anticorrupção em partidos
– ‘Tchutchuca é a mãe’, diz Guedes na CCJ
– Bolsonaro vai receber partidos para formar base no Congresso

Valor Econômico
– Guedes defende reforma e capitalização gera bate-boca
– Chinesas de infraestrutura abrem capital
– Vélez nega golpe e diz que livros vão mudar
– Takeda põe à venda negócio no Brasil

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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