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Mercados Hoje: Não é fácil, nada fácil…

Introdução: Nos mercados externos dia de maior aversão ao risco; Na Europa todas as bolsas operam no negativo, o destaque fica com o DAX (-0,51%) e Londres (-1,14%); Dólar avança contra os pares, emergentes sentem os efeitos do maior estresse global; PMI alemão mostra indústria desacelerando forte. No Brasil, turbulência extrema: governo corre o risco de perder o controle da base aliada, e o aliado Rodrigo Maia.


CENÁRIO EXTERNO: PÉ NO FREIO

Mercados Globais… A noite foi positiva nos mercados asiáticos que tiveram seções positivas, mornas, por todo o continente, Hong Kong e Shangai avançaram 0,14% e 0,09% respectivamente. Na Europa o dia começa negativo, com o DAX recuando -0,51% e Londres perdendo -1,14%. O dólar avança em relação aos pares, DXY (+0,24%). Os futuros de S&P recuam -0,50%. Na seara emergente, a lira turca desvaloriza 2,31% e o Rand (ZAR) sul africano perde 1,24%, indicando uma sexta difícil para os emergentes. O petróleo do tipo Brent opera em queda (-1,0%) aos US$67,67.

Pé no freio… Na Alemanha, principal economia do bloco europeu, o PMI da indústria desabou para 44,7, contra 47,6 em fevereiro. Indicando que uma desaceleração na margem está realmente acontecendo na Europa.

É preciso cautela, porém é bom ficar com a pulga atrás da orelha… Ainda é cedo para enxergar os efeitos da volta dos estímulos do BCE sobre a economia do bloco, porém o PMI alemão preocupa e muito. Acreditávamos que os indicadores de alta frequência poderiam começar a indicar uma estabilização na margem, mostrando que a desaceleração na Europa seria menos proeminente.

Pé no acelerador… Após um fraco mês de fevereiro (-4,10), a atividade industrial na região do Fed da Filadélfia surpreendeu ao registrar 13,7 neste mês, ante a expectativa de 5,5. Esta recuperação foi puxada pelo indicador de embarques que subiu 25,3 pontos na margem. Os pedidos cresceram modestamente em março, após terem recuado em fevereiro. Pode ser já um dado positivo advindo da trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Agenda… Nos EUA, serão divulgados os índices PMI de fevereiro e Markit de março, todos de olho para ver se o dado do Fed da Filadélfia será confirmado por mais um indicador.


BRASIL: NÃO É FÁCIL, NADA FÁCIL…

Não é fácil… O mercado percebeu que a aprovação da reforma da previdência será muito mais difícil do que o imaginado a alguns meses atrás. Mesmo com toda a urgência fiscal e o risco de quebra generalizada do governo federal nos próximos anos. O plano de voo traçado pelo governo previa tamanha turbulências.

A lógica do Cisne Cinza… Nassim Nicholas Taleb escreveu sobre a lógica do Cisne Negro, eventos extremamente improváveis, impossíveis de serem previstos e de alto impacto. A prisão de Temer foi um Cisne Cinza, havia a probabilidade, mas ninguém sabia quando aconteceria o evento, muito menos que aconteceria um dia depois do governo já começar a se enrolar politicamente com congresso.

Um Cisne muito Cinza… Seguindo a mesma lógica, a não aprovação da reforma é uma probabilidade, pequena, difícil de ser quantificada, porém existente. A remota possibilidade de não acontecer a reforma já foi suficiente para trazer a bolsa de volta para os 94 mil pontos.

Maia pode jogar a toalha… O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avisou nesta quinta-feira ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que deixará a articulação política pela reforma da Previdência. Maia tomou a decisão após ler mais um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com fortes críticas a ele.

Estressou… Irritado, o deputado telefonou para Guedes e disse que, se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda.

O governo pode entrar em parafuso… Se nada for feito nos próximos dias o governo pode perder o controle do congresso, inclusive da própria base aliada. O PSL está em frangalhos, completamente desorganizado. Bolsonaro precisa mudar radicalmente a forma que vem conduzindo o timão do navio governista.

Porém no médio prazo… Não acreditamos que os acontecimentos recentes serão suficientes para enterrar a reforma da previdência. A prisão de Michel Temer e cia, em conjunto com as falas de Rodrigo Maia, não serão suficientes para enterrar a reforma da previdência. O governo tem os meios para reverter isso, basta querer. Por isso continuamos acreditando na reforma, apesar de alta volatilidade política e dos mercados que precisaremos enfrentar nesse caminho.

E os mercados hoje? O dia é de estresse para todo os emergentes, além do noticiário extremamente atribulado no Brasil, o que já faz os futuros (dólar e índice) operarem de forma estressada. Vemos o dia de hoje como negativo para os ativos de risco no Brasil.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,34%, aos 96.729 pontos;
Real/Dólar: +0,44%, cotado a R$ 3,7939;
Dólar Index: +0,77%, 96.495;
DI Jan/21: +0,02 pontos base, 6,870%;
S&P 500: +1,09% aos 2.854 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Acusado pela Lava Jato de 40 anos de corrupção, Michel Temer é preso
– Para defesa, ação é atentado contra o estado democrático
– Falta de clima político para votar Previdência se acentua
– Represas paulistas terão plano de ação para emergências

O Estado de São Paulo
– Temer é preso sob acusação de liderar organização criminosa
– Prisão ocorre com Lava Jato acuada
– Criticado, Maia deixar articulação da Previdência
– Reforma de militar é mais branda que a do INSS

Valor Econômico
– Prisão de Temer tumultua política e ameaça reforma
– Mercado reage com apreensão a mais uma crise
– MPF estima desvio de R$ 1,8 bilhão
– Papa enfrenta conservadores do Vaticano

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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