Introdução: Nas últimas horas, vimos alguma melhora no ambiente externo. Investidores estão atentos à coletiva de imprensa do presidente do BC europeu, Mario Draghi (11h30). Ontem, a tensão comercial diminuiu. O dólar opera sem forças frente aos principais pares; e commodities em baixa. No Brasil, mercado digere decisão do BC. Manteve a Selic em 6,50%.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÕES AO BCE

Mercados… Bolsas da Europa operam sem direções muito claras, após sessão mais positivas na Ásia. Nos EUA, S&P futuro opera em alta. O dólar segue mais fraco no exterior, frente a seus principais pares, e commodities registram quedas, em sua maioria. O petróleo (brent) segue na cada dos US$59/barril.

EUA vs China… Segundo Xiaoping Zhang, diretor para a China do Conselho de Exportação de Soja dos EUA, os importadores chineses voltaram a comprar soja dos EUA. Zhang confirmou que foram fechado novos negócios, mas não detalhou os volumes das compras. Mais cedo, a China disse que a última rodada de negociações comerciais com os EUA “estão indo bem”. A notícia serve como alívio aos mercados globais.

Na Inglaterra: o Brexit… A primeira ministra do Reino Unido, Theresa May, ganhou o voto de confiança no Parlamento britânico. O placar foi de 200 votos a favor contra 117 contra. O resultado fortalece May a dar sequência ao processo de saída do Reino Unido da União Européia. A oposição só poderá contestar sua confiança no prazo de 12 meses. Ainda assim, vale notar: May se comprometeu a não se candidatar à reeleição em troca de sua permanência no cargo até o final do mandato. Ou seja: a permanência de May diminui o risco envolvidos em torno do Brexit. A libra esterlina, que vinha perdendo forças nas últimas sessões, já mostra alguma recuperação.

Na Itália: o orçamento… O governo italiano aceitou reduzir sua meta de déficit fiscal para 2019 de 2,40% para 2,04%. Apesar do número estar abaixo do proposto pela Comissão Europeia (isto é, de 1,9%), a redução deve bem recebida nos mercados. A medida será analisada nesta tarde, e poderemos ver continuidade ao processo de validação do plano orçamentário Italiano.

Nos EUA, todos atentos à inflação… A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) está em 2,2% no acumulado em 12 meses, até novembro. Ficou dentro do esperado pelo mercado. Considerando o “núcleo” da inflação – ou seja, desconsiderando preços de energia e alimentação, que detêm maior volatilidade –, a inflação também permaneceu em 2,2%, em linha com as expectativas. Os dados da inflação dos EUA não empolgam; e, sinalizam uma econima americana em crescimento moderado, sem pressões inflacionárias. O indicador continuará a ser importante de monitorar, sempre de olho nos próximos passos do Fed.

Agenda de hoje… No front macro, destaque para a reunião do BC europeu (decisões às 10h45; e conferência de Mario Draghi, às 11h30). Draghi já sinalizou que possíveis altas nas taxas de juros ocorreria “pelo menos até o verão de 2019”. Vale notar: o mercado projeta o próximo aumento apenas no 1º tri de 2020. Além disso, na agenda, nos EUA, alguns dados às 11h30: (1) pedidos de auxílio desemprego; e (2) orçamento mensal.


BRASIL: BC MANTÉM SELIC

Sobre o COPOM – Parte I… A Selic continuou estável, em 6,50%, em linha com o esperado. No curto prazo, o nosso cenário-base é de manutenção desta taxa por mais tempo. A princípio, não vemos o processo de normalização de Selic iniciando nesse 1º semestre de 2019. Mas vale dar atenção ao comunicado do BC: o Copom destacou uma os dados de inflação em seu “balanço de riscos”. A avaliação é que aumentou o risco de que a ociosidade da economia leve a inflação para trajetória abaixo do esperado. O colegiado também entende que arrefeceu o risco desfavorável de uma frustração das expectativas com a continuidade das reformas e dos ajustes à economia.

Sobre o COPOM – Parte II… Dado a “balança de riscos” – especialmente no que diz respeito às questões domésticas; e cenário externo ainda desafiador para emergentes –, o BC manteve o seu grau de liberdade para as próximas reuniões. Ou seja: compromete-se menos com futuras decisões. Isto é algo que manterá a discussão sobre os rumos da Selic no mercado. A premissa básica é que o futuro governo será bem-sucedido em implementar uma relevante Reforma da Previdência Social entre outras medidas.

PSL: novo comando… Após reunião com Bolsonaro, o PSL confirmou a mudança da liderança do partido na Câmara. Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito, dará lugar ao Delegado Waldir até fevereiro, quando a legenda realiza uma nova eleição. Eduardo não gostou da troca. Mas o fato é que, o caso envolvendo as movimentoações financeiras “atípicas” de um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro podem trazer ruídos em torno do presidente eleito.

Sobre a cessão onerosa… O Tribunal de Contas da União (TCU) informou que a continuidade da análise da revisão do contrato de cessão onerosa depende ainda dos envios de novos estudos realizados pelo Ministério de Minas e energia (MME) e pelo Conselho Nacional de Política Enegética (CNPE). Ou seja: a sessão onerosa ficou para 2019! O órgão analisa a revisão do contrato desde 2015, mas seus técnicos afirmam que a demora na conclusão se deve à falta de acesso às informações necessárias.

Agenda de hoje… As vendas no varejo de outubro vieram abaixo do esperado. Frente a setembro, as vendas recuaram 0,4%, contra expectativa de manutenção (0,0% m/m). Na comparação com out/17, cresceram 1,9%, dos 2,5% esperados. Desta forma, no ano, o varejo acumula alta de 6,2%. A expectativa era de um crescimento de 7,5% a/a. Além disso: Jair Bolsonaro, presidente eleito, deixa Brasília em direção a SP para exames médicos (8h).

E os mercados hoje? O viés para os mercados locais segue sendo mais positivo (bolsa em alta, e dólar e DIs em baixa, especialmente a parte mais curta da curva). Apesar da alta volatilidade, o quadro internacional volta a ser mais positivo, diante dos avanços comerciais, emenores ruídos políticos em torno de May. Aqui, a reunião do COPOM manteve o grau de liberdade do BC, e segue as discussões em torno dos rumos da Selic. Nosso cenário-base é de manutenção desta taxa por mais tempo. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, recua, ao redor de 203 pontos base, nesta manhã.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,65%, aos 86.977 pontos;
Real/Dólar: -1,19%, cotado a R$3,853;
Dólar Index: -0,35%, 97,044;
DI Jan/21: -06 pontos base, 7,750%;
S&P 500: +0,54% aos 2.651 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

Eletrobras: Justiça ratifica que suspensão de leilões vale para Amazonas Energia
Impacto: Marginalmente Negativo.

Sapore: Se não tiver IMC, Sapore prevê IPO
Impacto: Marginalmente Positivo.

Telefônica: Christian Gebara é o novo CEO da Telefônica
Impacto: Marginalmente Positivo.

Proventos
Impacto: Cunho Informativo.

Rafael Passos – Equipe Econômica


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro diz que é preciso afrouxar lei trabalhista
– Ministério Público pede a prisão de João de Deus
– Taxa Selic caminha para maior período em baixa histórica
– Fux derruba liminar, e multa na tabela do frete volta a valer

O Estado de São Paulo
– Moro quer penas mais duras para crimes de corrupção
– “Se algo estiver errado, que paguemos”, diz Bolsonaro
– João de Deus reaparece e se diz inocente; MP pede prisão
– Presidente eleito defende lei trabalhista menos rígida

O Globo
– MP de Goiás pede prisão de João de Deus
– Bolsonaro sobre filho: “Se tiver algo errado, que paguemos a conta”
– Prefeitura ameaça acionar Caixa por calote no Porto
– Futuro governo quer mudar tabela do frete

Valor Econômico
– Crédito rural mais baratos já tem certas linhas esgotadas
– Merkel: acordo fica mais difícil com Bolsonaro
– Setor de gás e energia está otimista com novo governo
– Crivella sonha com megaprojetos

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Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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