Mercados Hoje: Nada Inspirador

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Introdução: O ambiente internacional é mais positivo hoje, diante da expectativa de conversas entre líderes de EUA e China. Trump, após a Bélgica, segue para o Reino Unido. No front macro, atenção à inflação ao consumidor nos EUA. Na Zona do Euro, a produção industrial interrompeu tendência negativa. O dólar opera misto frente aos emergentes; as bolsas sobem na Europa, e devem começar de forma positiva nos EUA. O petróleo (brent) oscila na casa dos US$74/barril. No Brasil, o “centrão” ainda não decidiu quem apoiar. O PT tenta aproximação com o PSB. Votação no Senado envolvendo Eletrobras e Petrobras ficam para “depois”. Vendas no varejo recuam em maio; produção industrial deve se recuperar em junho. Mas o ambiente não é muito “inspirador”, afirma o FMI. Hoje, o viés é mais positivo para os mercados locais, dada a melhora do humor no exterior.


CENÁRIO EXTERNO: POSSÍVEIS CONVERSAS ATENUAM PREOCUPAÇÕES.

O “básico” sobre os mercados… Prevalece um humor mais positivo, após declarações mais amenas de líderes de EUA e China. Assim, sobem as bolsas da Europa, após boa sessão na Ásia. O índice de Xangai subiu 2,16%. Nos EUA, o S&P futuro opera em alta. O dólar segue forte frente a desenvolvidos, e os juros das Treasuries sobem (10 anos ~2,86%). As commodities também mostram melhor desempenho. O petróleo (brent) oscila na casa dos US$74/barril (após queda expressiva ontem (-6,9%), quando reagiu à expectativa de maior produção da Líbia).

Trump: um giro pela Europa… O presidente dos EUA foi ontem à Europa, e ficará 7 dias por lá. Parece ter 2 grandes objetivos: (1) reverter o que ele considera um “tratamento injusto” de seus aliados nas áreas de comércio e segurança; e (2) melhorar a relação com a Rússia. A viagem começou pela Bélgica, com líderes da Otan. Estes acabaram ouvindo um Trump incisivo, que exige um gasto de 4% do PIB destes países em defesa/segurança. Hoje, Trump estará no Reino Unido…

Euro: produção industrial avança… Em maio, a produção da Zona do Euro cresceu 1,3%, na comparação com abril. Aliás, a indústria da Alemanha foi um dos destaques, e cresceu 2,5%. Países como Itália, França e Espanha registram modestas variações. Isto interrompe a sequência de quedas, que desde o final do ano passado pressionava a indústria da região. No 1T18, contraiu 2,2%. Se terminar estável em junho, terá crescido 0,3% no 2T18.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, destaque para os dados de inflação ao consumidor (9h30), referentes a junho. Espera-se que a inflação passe de 2,8% para 2,9%, e acelere 0,2% frente ao mês anterior. Também saem os pedidos de auxílio desemprego (9h30) e o resultado fiscal mensal (15h). E 2 discursos do Fed: (i) N. Kashkari (9h30) e (ii) P. Harker (13h15).


BRASIL: AMBIENTE NÃO É “INSPIRADOR”.

PSB, cobiçado por PDT e PT… Embora tenha sido ventilado, dias atrás, que uma aliança entre PDT e PSB estava avançada, o PT tenta aproximação. A senadora Gleisi Hoffmann (PT) reúne-se hoje com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). Pode ser a última tentativa para costurar uma aliança. Ontem, Câmara conversou à tarde com Ciro. O PSB não terá candidato próprio a presidente, e a dúvida é: apoiará PDT ou PT? Espera-se algum anúncio oficial na semana que vem (talvez na 4ª, dia 18). Vale registrar: na 6ª (dia 20), o PDT fará a sua convenção nacional para oficializar o nome de Ciro Gomes como seu candidato à Presidência.

Sobre o “centro”… O grupo, composto por PP, DEM, PRB e SD, ainda discute qual pré-candidato apoiar. Algumas siglas tendem mais ao PSDB, outras ao PDT. O DEM acredita que uma decisão sairá somente daqui a 2 semanas. O “centrão” terá aproximados 18% do tempo de rádio/TV. O período de propaganda vai de 31/Ago-05/Out (considerando o período prévio ao 1º turno). Vale notar: hoje, o PSDB – já aliado, segundo a mídia, com PSD, PTB, PPS e PV – tem 25% do tempo de rádio/TV. Ou seja, se conseguisse o apoio do “centrão”, ficaria com 43% do tempo total! Se o MDB se juntar a eles, adicionaria outros 12% a este número. Ou seja: o PSDB teria 55%, e não “apenas” 43%.

E as alianças de Ciro e Bolsonaro? Se o PSB se unir ao PDT de Ciro Gomes (algo bastante provável, e que pode ser oficializado na próxima semana, segundo a mídia recente), este teria 28% do tempo, e não mais 10-11%, apenas. Por fim, se o PR se unir ao PSL de Jair Bolsonaro, este passaria de 0% para 6%. Ou seja: ambas as alianças manteriam tanto Ciro quanto Bolsonaro entre os mais “competitivos” na corrida, em nossa opinião.

Senado: votações ficam pra depois… O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), encerrou ontem à noite (19h40) a sessão deliberativa e, na sequência, afirmou que “o que não foi votado hoje fica para depois”. Por conta das eleições em outubro, haverá um calendário especial para o 2º semestre, a ser definido por Eunício. Assim, o projeto que viabiliza a privatização das 6 subsidiárias da Eletrobras e a votação do projeto de lei relacionado à cessão onerosa da Petrobras ficarão para agosto. Haverá, segundo o Valor, sessões dias 6 e 7 de agosto e, depois, só na última semana do mês.

Congresso: LDO de 2019 é aprovada… O Congresso aprovou ontem o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019, numa versão mais “branda” (que não mais prevê um congelamento do salário dos servidores em 2019, por exemplo). Agora, a proposta segue para sanção presidencial. De acordo com a LDO, o salário mínimo será de R$998,00 a partir do 1º dia de 2019. E a meta fiscal de 2019 proposta pelo governo foi mantida, prevendo déficit de R$132 bi (1,75% do PIB) para o setor público consolidado, que inclui os governos federal, estaduais e municipais, e suas estatais. Isto ficaria dividido assim: déficit de R$139 bi para a União; déficit de R$3,5 bi para as empresas estatais federais (desconsiderando as empresas dos grupos Petrobras e Eletrobrás) e superávit de R$10,5 bi para os entes federados.

Expedição de papel ondulado avança em junho… Este é mais um dado positivo de atividade, revertendo o “tombo” de maio. Segundo a ABPO, a produção de papel ondulado cresceu 11,7% em relação a junho de 2017. Frente a maio (na série com ajuste sazonal), cresceu 41,9%, após queda de 24,7% em maio. Ou seja: mais do que reverteu a queda. Com isto, a produção industrial de junho deve ter avançado mais do que imaginávamos (esperamos algo próximo de +17% m/m e +7,5% a/a).

Projeções nada “inspiradoras”… Segundo o FMI, o Brasil crescerá 1,8% neste ano. A estimativa anterior, de abril, projetava 2,3%. Para 2019, projeta 2,5% (a mesma de abril). O país ainda registra uma “suave recuperação”, diante de política monetária acomodatícia e medidas fiscais. No entanto, o desempenho tem ficado abaixo do potencial, e as perspectivas para o médio prazo continuam “não inspiradoras”.

Agenda de hoje… No front macro, o destaque são as vendas no varejo (veja a seguir). Atenção à entrevista de Eduardo Guardia (Fazenda) ao programa “Broadcast ao Vivo Interativo”, às 11h. No front político, Bolsonaro (PSL) estará no Pará; Ciro Gomes (PDT) em Fortaleza; Meirelles (MDB) em Natal; e Alvaro Dias em Santa Catarina. Sem agenda, Alckmin (PSDB).

Sobre as vendas no varejo… Em maio, estas cresceram 2,7% frente ao mesmo período de 2017, praticamente em linha com o esperado (+2,6%). Mas, na comparação com abril, houve uma retração de 0,6%. O mercado esperava uma queda de 0,8%. Considerando o “varejo ampliado” – que inclui “veículos” e “materiais de construção” –, o volume de vendas contraiu 4,9% em maio, na comparação com abril. Frente a maio de 2017, apresentou aumento de 2,2%.

E os mercados hoje? O viés é mais positivo para os mercados locais (bolsa em alta, e queda em DIs e dólar), diante de um exterior mais favorável. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera relativamente estável nesta manhã, por volta dos 250-252 pontos base. Atenção à inflação dos EUA, que pode mudar tendências nos mercados.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,62%, aos 74.398 pontos;
Real/Dólar: +1,61%, cotado a 3,876;
Dólar Index: +0,60%, 94,719;
DI Jan/21: +09 pontos base; 9,18%;
S&P 500: -0,71% aos 2.774 Mil pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Eletrobras: Senado adia projeto sobre distribuidoras da Eletrobras para agosto
Impacto: Marginalmente Negativo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Brasil amplia venda de aço para os EUA após novas tarifas
– Dodge pede ao STJ inquérito sobre juiz que soltaria Lula
– Trump pede à Otan que dobre meta de gasto com defesa
-Senado aprova frete e anistia multas da greve de caminhões

O Estado de São Paulo
– Pautas aprovadas no Congresso têm custo superior a R$ 100 bi
– Na cúpula da Otan, Trump faz ataque a aliados
– Planalto tenta evitar que PP apoie Ciro
– Juíza veta campanha de Lula da prisão

O Globo
– Justiça proíbe Lula de fazer campanha na prisão
– Ministério Público acusa Crivella de improbidade em ação civil pública
– Tarifa de energia pode subir
– Trump exige mais gastos com defesa

Valor Econômico
– Leilão de distribuidoras será feito mesmo sem nova lei
– Dados indicam recuperação da indústria
– EUA ameaçam a China com mais sanções
– Copel descobre que investe em Osasco

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
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Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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