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Mercados Hoje: Moro vai ao senado

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Introdução: Os mercados asiáticos operaram sem direção única nesta 3ªF; Na Europa, os principais índices de mercado já apontam de forma mais clara para um dia de menor aversão ao risco; Em NY, futuros caminham na mesma direção, e o dólar (DXY) se valoriza contra seus principais pares; Novas sinalizações do BCE na direção de estímulos contribui para configurar um ambiente mais positivo para ativos de risco; O petróleo (Brent crude) que recua 0,9%, negociado próximo dos US$ 60/barril. No Brasil, Sérgio Moro se prepara para prestar esclarecimentos na CCJ do Senado. O Copom dá início a mais uma reunião de política monetária.


CENÁRIO EXTERNO: ESTÍMULOS EM ESCALA GLOBAL

Mercados… Os mercados asiáticos operaram sem direção única nesta 3ªF. O Nikkei (Tóquio) recuou 0,7% enquanto o Hang Seng (Hong Kong) e o CSI 300 (Shanghai & Shenzhen) avançaram 1,0% e 0,3% respectivamente. Na Europa, os principais índices de mercado já apontam de forma mais clara para um dia de menor aversão ao risco, com o DAX subindo 1,0%. Em NY, futuros caminham na mesma direção, sinalizando uma abertura mais favorável também para ativos de risco americanos, e o dólar (DXY) se valoriza contra seus principais pares. Na frente das commodities, ativos se movimentam majoritariamente em terreno negativo, com destaque para o petróleo (Brent crude) que recua 0,9%, negociado próximo dos US$ 60/barril.

Riscos do Velho Continente… Durante o fórum do BCE em Sintra (Portugal), Mario Draghi voltou a dizer que estímulos adicionais à economia europeia serão necessários caso não haja uma melhora de cenário na visão do Conselho da instituição. O presidente do BCE tem usado um discurso mais dovish desde a última decisão de política monetária no bloco, colocando a desaceleração econômica, a inflação ancorada abaixo da meta e os riscos de protecionismo que tem derivado de disputas geopolíticas em foco. A partir destes pontos, Draghi indicou que o compromisso em manter a taxa de juros a níveis baixos poderá ser reforçado caso preciso, um novo corte de juros seguirá como uma de suas ferramentas e até uma nova rodada de compra de ativos é uma opção.

Estímulos em escala global… A fala do presidente do BCE andou em linha com sinalizações de muitos dos principais Bancos Centrais mundiais, que têm sinalizado um retorno a políticas acomodatícias em meio a uma piora de perspectivas em torno da atividade econômica e das tensões comerciais globais. Ao longo desta semana, investidores buscarão indicações adicionais nos EUA, no Reino Unido e no Japão, onde serão anunciadas novas decisões de política monetária.

FOMC em foco… Nos EUA, investidores já tem precificado como quase certo um corte em 2019, mas já existe o consenso de que o BC americano optará mais uma vez pela manutenção da taxa nos patamares atuais após a reunião nesta 4ªF. Com isso, a grande expectativa é que haja novas pistas sobre os próximos passos do Fed na coletiva de imprensa pós-reunião e no gráfico de projeções atualizadas dos diretores do Comitê (Dots).

Na agenda… Em mais um dia de agenda morna, o destaque da agenda econômica será a divulgação de novas construções residenciais nos EUA, às 9h30.

 


BRASIL: MORO VAI AO SENADO

#Vazajato… Sérgio Moro prestará esclarecimentos, amanhã (19), às 9hrs, sobre os vazamentos divulgados pelo site The Intercept, diante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. As divulgações implicavam colaboração indevida entre o então juiz e procurador que coordenava a força tarefa Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Greenwald… Os vazamentos foram divulgados pelo jornalista americano, Glenn Greenwald, que trabalhou ao lado do analista da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden, para expor programa de monitoramento em massa efetuado pelos Estados Unidos. Por este trabalho, Greenwald recebeu Prêmio Pulitzer, uma espécie de Nobel do jornalismo, além do Prêmio Esso, o variante doméstico, quando publicou matérias no jornal Globo, que detalharam as operações da agência americana no espaço cibernético Brasileiro. O jornalista é casado com o deputado David Miranda (PSOL-RJ).

Muito tempo… O primeiro vazamento mostrou que o ex-juiz Sérgio Moro mantinha contato com o procurador Deltan Dallagnol pelo aplicativo Telegram. Nas conversas vazadas, Moro aparenta fazer sugestões ao líder da força tarefa da operação, além de discutir desenvolvimentos do caso, como o cronograma das investigações. No dia 31 de agosto de 2016, após um mês sem operações da Lava Jato, Moro questionou Deltan “Não é muito tempo sem operação?”.

Resposta… O ministro divulgou nota rebatendo as acusações feitas na matéria do The Intercept eu tratam do vazamento inicial “Não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias”.

Showzinho… Moro também foi citado em outra rodada de divulgações. Nessa troca de mensagens, realizadas no dia 10 de maio de 2017, o ministro sugere a Santos Lima, outro integrante da força tarefa, que uma nota seja emitida para rebater o que Moro caracterizou como showzinho da defesa “Talvez vocês devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele, por que a Defesa já fez o showzinho dela”.

Convite vs. Convocação… Segundo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), a ideia de prestar os esclarecimentos diante da CCJ do Senado, surgiu do próprio Sérgio Moro. A disponibilização do ministro evitou que o mesmo fosse convocado, fato que tornaria a presença dele compulsória, além de evitar que Moro fosse exposto ao Plenário da Câmara, o mais inóspito dos ambientes onde Moro poderia ter enfrentado os questionamentos dos parlamentares.

Ambiente favorável… Em contraste, a CCJ do Senado está entre os ambientes mais favoráveis ao ministro. Na comissão, as críticas e questionamentos mais duros devem surgir do grupo intitulado Bloco Parlamentar da Resistência Democrática, que inclui os senadores petistas, Humberto Costa (PE) e Rogério Carvalho (SE), e uma representante do PROS, Renilde Bulhões (AL).

Poderosa Aliada… Em oposição aos senadores supramencionados, estará uma integrante do PSL, a Senadora Selma Arruda (MT), que atuou por vinte e dois anos na magistratura no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. O amplo conhecimento do ofício, por parte da juíza, torna ela uma aliada poderosa para o ex-colega Sérgio Moro.

Ataque surpresa… É importante destacar a possibilidade que o site The Intercept divulgue novos vazamento, na véspera da visita do ministro, para impossibilitar o preparo do ex-juiz paranaense. Caso os vazamentos fossem adiantados para os petistas do colegiado, o ministro estaria em desvantagem durante os questionamentos dos parlamentares.

Estratégia de defesa… A oposição terá dificuldade em abalar o experiente juiz, que sempre demonstrou temperamento sóbrio diante de críticas e ataques. Os senadores com posicionamento favorável ao ministro devem ressaltar a ilicitude das “provas”, o viés ideológico do site que as publicou e o casamento de Greenwald com o deputado da oposição David Miranda (PSOL-RJ).

Impacto… Dependendo da atuação do ministro diante as críticas dos Senadores, Sérgio Moro pode até sair fortalecido da reunião. Fato que a oposição tentará reverter semana que vem, quando Moro deve visitar a CCJ da Câmara.

Na agenda… Não existem indicadores positivos a serem divulgados hoje. Como destaque, teremos o início de mais uma reunião de política monetária pelo Copom.

E os mercados hoje? A dinâmica mais positiva no exterior deve contribuir para o bom desempenho do mercado doméstico, que deverá seguir repercutindo ruídos da cena política. Com isso, prevemos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco domésticos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,43%, aos 97.623,00 pontos;
Real/Dólar: +0,01%, cotado a R$ 3,89;
Dólar Index: -0,02%, 97.557;
DI Jan/21: + 0 pontos base, 6.020%;
S&P 500: +0,09% aos 2.890 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Empresas contrataram disparos pró-Bolsonaro no WhatsApp, diz espanhol.
– Diretores de associação de cabos e soldados tem patrimônio milionário.
– Bancada evangélica quer comando da Secretaria-Geral.
– General dá recado a quem pôs pais em ‘situação catastrófica’

O Estado de São Paulo
– Câmara quer esvaziar papel do MP em pacote anticrime de Sérgio Moro
– Demitido por Bolsonaro, general ‘sindicalista’ estampa até selo
– Com quase R$ 100 bi de dívidas, Odebrecht pede maior recuperação da história do Brasil
– Platini é preso acusado de fraude na escolha de Catar como sede da Copa 2022

Valor Econômico
– Gustavo Montezano, número 2 da privatização, assume BNDES
– Odebrecht vai ao fundo do poço após 75 anos.
– Facebook entra em serviços financeiros.
– Furto de combustíveis alimenta refinarias clandestinas.

O Globo
– Plenário do Senado pode derrubar hoje decreto das armas de Bolsonaro
– Para especialistas, estratégia de armar população lembra argumentos da extrema direita americana.
– Comissão retoma discussão da reforma da previdência e pode mudar pontos
– MP pede investigação sobre aumento de gastos com diárias de senadores.

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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