Mercados Hoje: Mais liberdade

tags Intermediário

Introdução: A preocupação no exterior com a “guerra comercial” continua; as bolsas recuam, e o dólar mantém viés altista. A volatilidade volta a subir, após alívio de ontem. Commodities como minério e petróleo recuam. No Brasil, mercado digere decisão do BC. Manteve a Selic em 6,50%, e aumentou o seu grau de liberdade para futuras decisões. O cenário externo segue desafiador para emergentes. Pós-paralizações dos caminhoneiros, o IPCA-15 de junho passou de 2,70% para 3,68%, acima dos 3,56% esperados. O viés mais negativo para os mercados locais continua. Quanto às alianças entre os partidos, Maia (DEM) diz que a sigla está mais próxima do PSDB do que do PDT.


CENÁRIO EXTERNO: VOLATILIDAE AUMENTA.

O “básico” sobre os mercados… O índice VIX, que monitora a volatilidade dos mercados, volta a subir. Às 9h, subia mais de 3,7%. As bolsas da Europa recuam, após queda na bolsa da China (-1,37%). O dólar sobe no exterior, e as commodities mantém viés baixista. O minério de ferro caiu 0,93%, cotado a US$64,88/tonelada. O petróleo (brent) cai mais de 1,5%, cotado na casa dos US$73/barril. Os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,92%). 

Mais sobre a guerra comercial… O setor agro americano sofre com as ameaças de Trump feitas à China. Os preços da soja, por exemplo, são prova disto (recuam, no mês, 12%). Após a China colocar a commodity na lista de importações sujeitas a 25% de aumento das tarifas, os preços internacionais recuaram, prejudicando o setor dos EUA. Em 2017, foram US$14 bi exportados de soja à China, o “produto” líder, considerando produtos agro. Vale notar: às vésperas da midterm election(em novembro), Trump ameaça perder o apoio daqueles que na última eleição presidencial, em 2016, o apoiaram. 

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro: (1) pedidos de auxílio desemprego (9h30); (2) sondagem industrial do Fed da Filadélfia de junho (9h30); e (3) indicadores antecedentes de maio (11h). Na Zona do Euro, sairá o índice de confiança do consumidor de junho (11h).


BRASIL: BC MANTÉM SELIC, E AUMENTA SEU GRAU DE LIBERDADE.

Sobre as alianças pré-eleições… Segundo matéria do O Globo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), afirmou ontem que a sigla está mais próxima de declarar apoio ao pré-candidato tucano Geraldo Alckmin. Segundo ele, “é o mais natural”. Sobre uma aliança com Ciro (PDT), afirmou: “Nós não caminhamos para isso”. Aliás, no Valor, comenta-se que Alckmin apertou o cerco sobre as siglas do “centro”, e esteve ontem em Brasília com presidentes de DEM, PRB, PTB PP, PSD e Pros. O Estadão, com um viés mais realista, avalia que o “centro” pode romper, e apoiar a diferentes candidatos.

Na Câmara: 1 projeto avança, outros 2 ficam para depois…  A Câmara aprovou ontem o texto principal do projeto de lei que permite à Petrobras vender até 70% de sua participação nos campos da cessão onerosa (acordo pelo qual a empresa adquiriu o direito de explorar cinco bilhões de barris de petróleo da camada pré-sal na Bacia de Santos). Ainda serão votadas emendas que podem alterar o projeto. Depois, o texto será analisado pelo Senado. A proposta foi aprovada por 217 votos a favor, 57 contra e quatro abstenções. Outros temas, como (1) o cadastro positivo e (2) o que trata das distribuidoras da Eletrobrás ficarão para depois. 

Sobre o CAGED… Segundo os dados do CAGED, houve geração líquida de 33,7 mil postos de trabalho formal em maio. Considerando a série com ajuste sazonal, o saldo passou de 12,8 mil em abril para apenas 853 em maio. O salário médio real de admissão teve elevação de 2,9% a/a, após 2,3% a/a em abril. Na comparação mensal, os salários cresceram 0,3%. Em suma: o ritmo de geração de vagas formais segue lento… 

Sobre o COPOM… A Selic continuou estável, em 6,50%, em linha com o esperado. No curto prazo, o nosso cenário-base é de manutenção desta taxa por mais tempo. A princípio, vemos o processo de normalização de Selic iniciando apenas em 2019. Mas vale dar atenção ao comunicado do BC: dada a piora do “balanço de riscos” – especialmente no que diz respeito às questões domésticas; dado que o cenário externo segue desafiador para emergentes –, o BC aumentou o seu grau de liberdade para as próximas reuniões. Ou seja: compromete-se menos com futuras decisões. Isto, num momento de incertezas em elevação, é algo que manterá a discussão sobre os rumos da Selic no mercado.

Petrobras… Ministros do TST julgam ação trabalhista contra a empresa. Decidirão se adicionais incidem no cálculo da parcela de Remuneração Mínima de Nível e Regime (RMNR) da empresa. A estatal estima que uma decisão desfavorável custaria R$15,2 bi, mais R$2 bi na folha de pagamento anual. O RMNR é um valor salarial mínimo a ser pago pela empresa para empregados de um mesmo nível e região.

Agenda de hoje… O destaque é o IPCA-15 de junho, que passou de 2,70% para 3,68%, acima dos 3,56% esperados. Houve, é claro, um impacto já esperado das paralizações dos caminhoneiros. No front político, Temer vai a Roraima visitar abrigos para imigrantes venezuelanos. Volta hoje à noite a Brasília. Já nos EUA, Eduardo Guardia (Fazenda) cumpre agenda em Washington. O encontro com o secretário do Tesouro Steven Mnuchin será às 16h30, horário de Brasília.

E os mercados hoje? O viés para os mercados locais segue sendo mais negativo (bolsa em baixa, e dólar e DIs em alta, especialmente a parte mais longa da curva). Afinal, o quadro internacional volta a ser mais negativo, com volatilidade em alta, e cautela com a guerra comercial. Aqui, a reunião do COPOM aumentou o grau de liberdade do BC, e mantém discussões em torno dos rumos da Selic. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera estável, ao redor de 270 pontos base, nesta manhã.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,02%, aos 72,123.41 pontos;
Real/Dólar: +0,69%, cotado a 3.772;
Dólar Index: +0,29%, 356.48;
DI Jan/21: 9.67pontos, +0.90%;
S&P 500: +0,17% aos 2,767.32 pontos. 

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras: Câmara aprova texto da cessão onerosa
Impacto: Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
Polícia pode firmar acordo de delação, decide o Supremo
– Trump recua e criança imigrante ficará com pais
– STJ vai restringir o foro especial de governadores
– Temer tira quase R$ 1 bi do Fies para segurança pública

O Estado de São Paulo
PF pode firmar acordo de delação premiada
– Estudante morre baleado na Maré
– Coaf indica que Romário lava dinheiro em conta da irmã
– Trump desiste de separar pais e filhos

O Globo
PF pode firmar acordo de delação premiada 
– Estudante morre baleado na Maré 
– Coaf indica que Romário lava dinheiro em conta da irmã 
– Trump desiste de separar pais e filhos

Valor Econômico
Caminhoneiros e câmbio ajudam a fechar as contas
– Carf confirma multa por cisão da Unilever
– J&J atende pais e muda linhas para bebês
– Parceria de VW e Ford relembra a Autolatina

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
[email protected]

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

*A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 17 da Instrução CVM nº. 483/2010, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“
Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

245 visualizações

relacionados

Bitnami