Mercados Hoje: Maçã estragada?

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Introdução: Movimento de aversão ao risco volta nessa manhã; Bolsas asiáticas recuam; no acumulado dos últimos 30 dias a bolsa de Hong Kong já recua quase 8%; Na Europa, o índice alemão (DAX) recua -0,61%; Petróleo volta a ficar pressionado após grande valorização ontem; Democratas assumem hoje o controle da câmara americana e podem pôr fim ao shutdown.


CENÁRIO EXTERNO: MAÇÃ ESTRAGADA?

Mercados Globais… Continua o movimento de aversão ao risco global, na Ásia a bolsa de Hong Kong caiu -0,26%, no mês o índice Hang Seng já acumula uma queda de -7,79%. Na Europa o DAX recua -0,61%. No front das commodities o petróleo continua caindo, o barril do tipo brent recua -0,67% cotado aos US$54,54.

Maçã azeda… A Apple reduziu a projeção de receita pela primeira vez em quase duas décadas, citando uma demanda mais fraca na China, provocando uma queda para os fornecedores asiáticos e uma onda de pessimismo nos mercados asiáticos. Com isso o preço das ações caíram mais de 8% e pressionam os futuros por lá. No meio da madrugada, os futuros da Nasdaq chegaram a recuar mais de 2%.

Desaceleração das máquinas… O Índice Global dos Gerentes de Compras da indústria, em dezembro, manteve sua tendência de desaceleração. O destaque negativo foi a indústria chinesa que entrou em contração e se juntou às indústrias da França, Itália, México, Coreia do Sul e Taiwan, que também registraram queda. O PMI da indústria americana mostrou desaceleração da expansão da sua indústria pelo segundo mês consecutivo.

Democratas assumem hoje… O partido democrata irá assumir hoje o controle da câmara dos deputados nos EUA e podem pôr fim ao shutdown que paralisa o governo federal americano. A notícia é potencialmente positiva, porém o humor dos mercados pode limitar o seu efeito.

Volatilidade no barril… Em níveis máximos, a volatilidade no mercado de petróleo de ontem impressionou. O barril chegou a cair 2%, antes de disparar até 5% no começo da tarde, com informações de que a produção da Opep em dezembro registrou o maior recuo em dois anos.

Agenda… Hoje temos a prévia dos dados de emprego (payroll) que serão divulgados amanhã. Os dados da ADP darão a tônica de como está o mercado de trabalho americano. É esperada a criação de 178 mil vagas, em linha com o número de novembro (de 179 mil).


BRASIL: PLANO TRAÇADO

Plano traçado… No discurso de posse, o ministro da Economia, Paulo Guedes, traçou rumos e definiu estratégias do novo governo. Na política, o regime que prevalecerá é uma democracia liberal de centro-direita, em confronto com a social-democracia que governou o país nos últimos 30 anos. Na economia, uma agenda liberal, com foco na reforma da previdência, privatizações estratégicas, simplificação tributária, na descentralização das receitas da União e na abertura comercial.

Previdência torta… Guedes confirmou que o novo governo já tem preparada uma medida infraconstitucional para combater fraudes e privilégios na Previdência Social, que pode ter impacto de R$ 17 bilhões a R$ 30 bilhões por ano.

Sobre a previdência: Plano B… Caso a reforma da previdência não for aprovada, o ministro adiantou que já tem um plano B – uma proposta de emenda constitucional (PEC) para desvincular e desindexar os gastos do Orçamento. Esta seria a “PEC do pacto federativo”, pois também permitiria a Estados e municípios destinarem os recursos públicos livremente. Ao Congresso, a PEC daria poderes para definir as prioridades das políticas públicas no Orçamento anual, devolvendo-lhe uma tarefa primordial. “O bonito é que, se der errado, pode dar certo”, ressaltou o ministro.

Parceria importante… Ontem, o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE), se reuniu em Brasília com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e fechou o apoio da bancada à reeleição de Maia para o comando da Casa. Em troca, Maia se comprometeu a entregar ao PSL o comando de 2 comissões: a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e CFT (Comissão de Finanças e Tributação), além da vice presidência da Câmara. Um acordo entre Maia-PSL é uma sinalização muito positiva e pode fomentar um momento político favorável para a aprovação das reformas.

“Não me fale em Refis”… O secretário especial da Receita Federal da nova equipe econômica, Marcos Cintra, disse ontem que vai trabalhar para não haver mais nenhum Refis (programa de renegociação de dívidas tributárias) e que pretende incluir na legislação uma cláusula vedando novos programas dessa natureza. De acordo com Cintra, o quanto “mais Refis existirem, maior será a carga tributária sobre os bons pagadores, que são a imensa maioria.”

Agenda… Agenda econômica nacional é morna para esta quinta feira, nenhum indicador relevante será divulgado.

E os mercados hoje? Apesar da mensagem positiva expressada ontem pelo novo governo, a aversão ao risco que predomina nos mercados externos poderá influenciar os mercados locais. Esperamos uma acomodação em Bolsa, com realização parcial dos ganhos de ontem. Dólar e as taxas de juros futuras (DI’s) devem subir na margem.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +3,56%, aos 91.012 pontos;
Real/Dólar: -2,43%, cotado a R$3,787;
Dólar Index: +0,76%, 96,819;
DI Jan/21: -14 pontos base, 7,220%;
S&P 500: -1,60% aos 2.576 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Sem mudar Previdência, saída é desvincular gasto, diz Guedes
– Apoio a Maia na Câmara leva Bolsa a recorde
– Na 1ª entrevista coletiva, Doria faz seleção de pergunta
– Verão de SP tem ameaça de 3 vírus ligados a mosquitos

O Estado de São Paulo
– Choque liberal de Guedes prioriza reforma e privatização
– PSL apoia Maia e governo vê cenário favorável na Câmara
– Contra crime, Moro quer aprimorar leis
– Eletrobras será privatizada

O Globo
– Reforma garante 10 anos de crescimento, diz Guedes
– PSL apoia reeleição de Maia para presidir Câmara
– O time de Bolsonaro – 22 ministros a postos
– Witzel decreta: Ações policiais terminarão em prisão ou morte

Valor Econômico
– Guedes define nova pauta liberal
– Moro busca uma Lava-Jato nacional
– Início do governo faz bolsa de SP bater recorde
– Em troca de apoio à reeleição de Maia, PSL comandará a CCJ

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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