Mercados Hoje: Isolado, em primeiro

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Introdução: Após aumento significativo da aversão a risco no exterior, temos uma “pausa”. O mais provável é que seja “momentânea”. As bolsas da Europa sobem, mas S&P futuro recua nos EUA. O dólar se valoriza. Na China, o mercado acionário entrou em Bear Market. No Brasil, pesquisa mostra Bolsonaro na liderança em MG, isolado. A ata do COPOM reiterou sinalizações recentes do BC. Por enquanto, a Selic seguirá em 6,50%. Índices de confiança da FGV mostram quedas em junho, após paralizações dos caminhoneiros. À tarde, o CMN se reúne, e definirá a meta de inflação para 2021.


CENÁRIO EXTERNO: CHINA ENTRA EM BEAR MARKET.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa operam em leve alta, após quedas na Ásia. Ontem, nos EUA, as bolsas terminaram no vermelho, em quedas expressivas (S&P 500 -1,37%), diante de receios de “guerra comercial”. Hoje, o S&P futuro mantém viés negativo. O dólar se valoriza, e os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,88%). As commodities operam mistas. Às 8h06, o petróleo (brent ) oscilava na casa dos US$74,8/barril. O minério de ferro subiu 1,72% na China, cotado a US$66,62/tonelada. Alguma estabilização da volatilidade: o índice VIX opera relativamente estável, após subir 25% ontem.

Dados de atividade nos EUA… Saíram ontem 2 números que surpreenderam positivamente aos analistas: (1) as vendas de moradias novas de maio, e a sondagem industrial do Fed de Dallas, referente a junho. Do lado negativo, ficou abaixo do esperado o índice de atividade nacional do Fed de Chicago, de maio. Seja como for, economistas ainda mantém um viés positivo para a economia dos EUA, especialmente no curto prazo.

E no longo prazo? Aqui, as projeções estão mais dispersas. Ontem, China e União Europeia afirmaram que ações protecionistas de Trump ameaçam levar o mundo à recessão. Após conversas em Beijing, líderes chineses e europeus concordaram em defender ações multilaterais, opondo-se às ações unilaterais de Trump. Mais em artigo da Bloomberg. O economista Peter Navarro, conselheiro da Casa Branca, tentou acalmar os mercados, dizendo que um estudo encomendado ao Tesouro sobre restrições americanas aos investimentos estrangeiros não será tão amplo como alguns esperam.

Na China, Bear Market… Diante de tensão comercial e pressões internas para diminuir a alavancagem das empresas, o índice de Xangai entrou no chamado Bear Market (mercado de baixa), por definição. Terminou a sessão de hoje 20% abaixo da máxima de janeiro, atingida dia 24. No curto prazo, analistas enxergam poucos motivos para recuperação. No ano, o índice acionário chinês recua 14% (em moeda local).

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, 2 números sobre junho são destaque: (1) sondagem industrial do Fed de Richmond; e (2) confiança do consumidor. Ambos saem às 11h. E 2 dirigentes do Fed fazem discursos: (i) R. Bostic (14h15); e (ii) R. Kaplan (14h45). Na Argentina, o BC tem decisão sobre juros (17h), em meio à greve geral no país.


BRASIL: BOLSONARO LIDERA EM MG, ISOLADO.

Pesquisa DataPoder360, em MG… Num cenário sem Lula, Bolsonaro (PSL) lidera com 29% dos votos; seguido por Ciro (PDT) com 8%, que está empatado com Haddad (PT). Logo atrás, numericamente, Alckmin (PSDB) e Marina (Rede), ambos com 6%. Alvaro Dias (Podemos) aparece com 5%. Ou seja: Bolsonaro lidera, e demais candidatos estão tecnicamente empatados. A pesquisa foi feita dos dias 20 a 22 de junho, e a margem de erro é de 2 p.p., para mais ou menos. Vale lembrar: MG é o 2º maior colégio eleitoral do país.

Mais sobre a pesquisa… Aqui, alguns destaques: (1) Bolsonaro (PSL) segue sólido, rumo ao 2º turno; (2) Alckmin (PSDB) segue fragilizado, com 54% dos eleitores de Antonio Anastasia (candidato do PSDB ao governo de MG) dizendo que votarão em Bolsonaro; (3) Marina (Rede) e Ciro (PDT) são incógnitas; (4) Josué Alencar, da Coteminas, parece ser um nome competitivo, quando apoiado por Lula (afinal, 28% dizem que “poderia votar” ou “votaria com certeza”).

E o DEM nisso tudo? O partido, em tese, ainda tem Rodrigo Maia (DEM) como pré-candidato ao Planalto. Na Folha, comenta-se que Datena foi testado em pesquisa interna como seu vice – algo que, segundo o jornal, poderia leva-lo dos atuais 1-2% para algo mais próximo de 8%. Continuamos acreditando que a sua viabilidade é baixíssima, e que o DEM acabará costurando alianças, nas próximas semanas, com outro candidato melhor posicionado. Maia, portanto, deve tentar a sua reeleição como presidente da Câmara.

Dia de debates… No front macro, o destaque é a ata do COPOM. Além disso, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne à tarde (a partir das 15h) para definir a meta de inflação para 2021, e confirmar as metas de 2019 (4,25%) e 2020 (4,00%). Acreditamos que a meta de 2021 continuará em 4,00%. Em Brasília, Temer recebe Mike Pence, o vice-presidente dos EUA (12h).

Ata do COPOM… O documento divulgado hoje pelo BC reiterou as sinalizações recentes. No curto prazo, ainda vemos a Selic estável, em 6,50%; e um BC muito pautado nas projeções de inflação. Sobre as projeções de inflação? No “cenário Focus”, espera um IPCA de 4,2% para 2018, e 3,7% para 2019. Num “cenário de referência”, 4,2% para 2018, e 4,1% para 2019. Falamos mais disto num texto em nosso blog.

Confiança em deterioração… Segundo a FGV, a confiança dos consumidores recuou 5,5% em junho, na comparação com maio. Frente a junho de 2017, cresceu 0,5%. O índice do setor da construção recuou 3,8% frente ao mês anterior, e cresceu 6,9% frente ao mesmo período do ano passado.

E os mercados hoje? Esperamos um dia ligeiramente mais positivo em bolsa, mas ainda de pressões de alta sobre DIs e dólar. A percepção de risco país (CDS de 5 anos) opera estável nesta manhã (ao redor de 263 pontos base). O momento, no entanto, demanda cautela.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,44%, aos 70.953 pontos;
Real/Dólar: -0,29%, cotado a R$3,774;
Dólar Index: -0,24%, 94,289;
DI Jan/21: -18 pontos base, 9,540%;
S&P 500: -1,37% aos 2.717 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras (i): Advogados veem chance de Petrobras vencer no STF
Impacto: Neutro.

Petrobras (ii): Câmara não consegue concluir votação do projeto de lei da cessão onerosa da Petrobras
Impacto: Marginalmente Negativo.

Vale: Vítimas da Samarco terão “voz” na Renova
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Procurador envolvido no caso JBS é denunciado
– Em meio à disputa global, China vê Brasil como aliado estratégico
– Trump suspende tolerância zero em imigração dos EUA
– Corregedoria de SP investiga venda de comida a prisões

O Estado de São Paulo
– Governo barra benefício de R$ 15,5 bilhões a ruralistas
– Fachin deixa decisão sobre recurso de Lula para o plenário
– Relator acumula reveses na 2ª Turma
– MPF denuncia Marcello Miller e Joesley por corrupção

O Globo
– Contribuição sindical vira alvo de batalha judicial
– PR dá sinal verde para aliança com Bolsonaro
– Da “onça-pintada” ao “coiote”
– Joesley e Miller são denunciados

Valor Econômico
– Governo busca acerto de contas no setor elétrico
– Advogados veem chance de Petrobras vencer no STF
– Estatal tenta mudar plano de previdência
– TCU pode aprovar hoje troca de área em portos

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
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Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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