Mercados Hoje: Inflação na meta, sem muito esforço…

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Introdução: Bolsas asiáticas avançam na madrugada; Europa opera em terreno levemente negativo; Futuros de S&P indicam um dia negativo nos Estados Unidos; Fomc deve manter a taxa de juros constante, porém o que importa é o comunicado; Eleição parlamentar americana deve dominar a agenda do dia. No Brasil, destaque para a ata do Copom que indicou cenários benignos para a taxa de juros e inflação; Bolsonaro vai pela primeira vez à Brasília como presidente eleito; O novo presidente tem defendido uma reforma gradual da previdência, algo não compatível com a difícil situação fiscal do país.


CENÁRIO EXTERNO: A ESPERA DA ELEIÇÃO.

Mercados Globais… Durante a noite os mercados asiáticos tiveram uma noite predominantemente positiva, o índice Nikkei subiu 1,14% e o Hang Seng avançou 0,72%. Na Europa todas as bolas operam em leve baixa, o DAX recua -0,26%. O índice futuro do S&P500 cai 0,26%.

A espera dos votos… Hoje começa a eleição parlamentar nos Estados Unidos, a expectativa é de que os republicanos, o partido do qual Donald Trump é membro, irão perder a sua maioria no congresso. Os mercados veem com bons olhos uma eventual vitória democrata na câmara, uma vez que eles atuariam como um sistema de freios e contra pesos na política de Donald Trump.

A espera do FED (que virá só em Dezembro)… Hoje o FOMC, o análogo ao nosso COPOM, irá se reunir para decidir acerca da taxa de juros americana. O nível das taxas deverá permanecer onde está, entre 2% e 2,25%. Porém os mercados deverão focar no comunicado que irá indicar mais claramente os próximos passos, e se haverá de fato a subida de juros na última reunião do ano do FOMC em dezembro.

A espera do orçamento equilibrado… A batalha orçamentária da Itália continua com os ministros das Finanças dos países da UE pedindo a Roma que reformule seu orçamento. Esta foi uma demonstração clara de apoio à Comissão Europeia antes do prazo de 13 de novembro, quando o governo italiano deverá apresentar um novo orçamento. Roma, no entanto, absteve-se de recuar e a escalada do conflito parece cada vez mais provável.

Lojas cheias… O índice dos gerentes de compras do setor de serviços recuou na margem em outubro. Apesar da queda, o resultado veio acima do esperado e manteve a tendência de alta. Essa moderação resultou do menor ritmo da atividade do setor e do menor tempo de atendimento dos pedidos. Entretanto, as perspectivas do setor continuam favoráveis, pois os pedidos de exportação seguiram firmes, mostrando que a guerra comercial ainda não prejudicou o setor de serviços americano.

Agenda… Além do FOMC hoje, o destaque fica com os indicadores do mercado de trabalho de setembro. Também dominam as expectativas acerca do resultado das eleições parlamentares.


BRASIL: INFLAÇÃO NA META SEM MUITO ESFORÇO…

Melhorou no curto prazo, porém o médio continua nublado… O Banco Central divulgou a pouco a ata da reunião do COPOM da semana passada. O tom foi moderado e o comitê reconhece que as descompressão no preço dos ativos ajudou a aliviar o balanço de riscos para a inflação, principalmente no tocante ao câmbio.

Fazendo as contas… No cenário com trajetórias para as taxas Selic e de câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 4,4% para 2018, 4,2% para 2019 e 3,7% para 2020. Esse cenário supõe, entre outras hipóteses, trajetória de taxa Selic que encerra 2018 em 6,50% a.a., se eleva a 8,0% a.a. em 2019 e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória de taxa de câmbio que termina 2018 em R$3,71/US$, 2019 em R$3,80/US$ e 2020 em R$3,75/US$. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 7,4% para 2018, 5,6% para 2019 e 3,9% para 2020. Pelo modelo do Banco Central a inflação está confortavelmente dentro da meta para os próximos anos.

Selic constante… No cenário com taxa Selic constante em 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,70/US$, as projeções para a inflação do Copom situam-se em torno de 4,4% para 2018, 4,2% para 2019 e 4,1% para 2020. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 7,3% para 2018, 5,4% para 2019 e 4,1% para 2020. Com a Selic no nível que ela se encontra hoje, a inflação continua na meta, porém sem muito conforto.

As contas do mercado… As expectativas de inflação para 2018, 2019 e 2020 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,4%, 4,2% e 4,0%, respectivamente. As expectativas para 2021 permaneceram em torno de 3,9%.

Em suma… O Copom reiterou sua visão de que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para que os juros permanecem em um patamar mais baixo, por mais tempo.

BC independente… Ilan Goldfajn, presidente do BC, irá se encontrar hoje com o deputado Celso Maldaner (MDB-SC), que é o relator do projeto de lei que visa dar autonomia ao Banco Central. Muitos afirmam que a independência na lei e o mandato fixo para o presidente da instituição, seriam condições necessárias para que Ilan ficasse no cargo.

De bocado em bocado… O presidente eleito Jair Bolsonaro deu sinais claros, em duas entrevistas ontem, de que sua visão para a reforma da Previdência é de um ajuste gradual que passa pelo respeito aos contratos. Fato é, que gradualismo não resolve o problema fiscal de curto prazo gerado pela previdência. O gasto primário do governo federal com previdência ultrapassa 50% do orçamento, e não para de crescer.

O gradualismo leva a catástrofe… Caso uma reforma forte não seja aprovada nos próximos anos, o teto de gastos não poderá existir. Caso o teto permaneça, um verdadeiro caos será instalado na administração federal. Serviços básicos oferecidos pelo governo precisarão ser paralisados, uma vez que não haveria recursos o suficiente.

Indo a Brasília… Bolsonaro vai hoje a Brasília e irá se encontrar com os presidentes dos três Poderes. Depois da sessão, conforme o Estado apurou, Bolsonaro deve se reunir com representantes das Forças Armadas. O presidente eleito quer fazer uma deferência ao setor e dar sinais de que a área terá importância em seu governo.

Ficando no cargo… O PSL, segundo maior partido da câmara, e o partido do novo presidente, não irá lançar candidato à presidência da casa, atendendo pedidos do próprio Bolsonaro que quer apoiar Rodrigo Maia (DEM-RJ) para que o mesmo permaneça como presidente da câmara. O movimento é excelente, uma vez que Maia é um político experiente e que tem boa interlocução com a oposição, além de conhecer a pauta econômica que é tão cara para o futuro do país.

E os mercados hoje? Com o resultado da Petrobras que veio um pouco abaixo do esperado, a indefinição nos mercados globais o dia por aqui deve ser neutro/negativo. O prêmio de risco brasileiro opera em queda de -0,18% aos 195 pontos, mantendo a boa tendência de apreciação.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,33%, aos 89.598 pontos;
Real/Dólar: +0,71%, cotado a R$3,728;
Dólar Index: -0,27%, 96,279;
DI Jan/21: -04 pontos base, 8,080%;
S&P 500: +0,56% aos 2.738 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

Marcopolo: Números do 3º tri.
Impacto: Marginalmente Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro defende algo da reforma da Previdência já
– Eleições nos EUA testam popularidade de Trump
– Fala de Bolsonaro faz Egito cancelar viagem de comitiva
– Cármen Lúcia diz ver perigo em mudança conservadora do país

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro indica núcleo duro e quer general no Planalto
– Egito reage a Bolsonaro e suspende visita de brasileiros
– Bolsa perde estrangeiros, mas ganha investidor local
– PM usa metralhadoras contra fuga de Marcola

O Globo
– Equipe de transição tem sete militares, seis economistas e nem uma mulher
– Desemprego: Forma de calcular taxa pode ser revista
– LGBT: “Enem tem que cobrar conhecimentos úteis”
– Moro: Busca de “meio-termo” nas divergências

Valor Econômico
– Bolsonaro prevê reforma gradual da Previdência
– Guedes quer um Senai “privatizado”
– Nova CLT não entrega os empregos que prometia
– Conclusão de Angra 3 atrai estrangeiras

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Equipe Econômica

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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