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Mercados Hoje: Forçando a Mão

Introdução: Bolsas asiáticas tiveram noite positiva; Na Europa, dia começa com leve aversão ao risco, refletindo a volta do feriado americano, aumento das tensões comerciais sino-americanas e os resultados da eleição para o parlamento europeu; Futuros americanos indicam dia mais negativo por lá; Dólar continua forte e avança contra quase todas as principais moedas pares; Maio de sangue, é o primeiro mês do ano, onde as bolsas globais tiveram perdas. No Brasil, governo ainda precisa enterrar de vez a questão da MP 870 que será apreciada pelo Senado; Porém existe o risco de se voltar a discussão do COAF na Justiça, o que poderia colocar a MP em risco de caducar.


CENÁRIO EXTERNO: MAY BLOODY MAY

Mercados… Bolsas asiáticas operaram de forma predominantemente positiva, com os índices de Shangai, Hong Kong e Tóquio, avançando respectivamente 0,61%, 0,38% e 0,37%. Na Europa, o dia começa com ele aversão ao risco, com o DAX recuando -0,25%. Futuros do S&P perdem -0,10%. Na frente das commodities, o petróleo WTI avança 1,04%, retornando para o patamar próximo dos US$60/barril, cotado a US$59,24. O dólar se valoriza frente a quase todas as moedas pares, e está cotado a 97,78 (DXY).

May bloody may… A escalada das tensões sobre a guerra comercial entre os EUA e a China e as negociações paralisadas azedaram o sentimento em maio em relação aos ativos de risco. Isso elevou os títulos soberanos e empurrou as bolsas globais para o primeiro mês negativo em 2019. Trump disse na segunda-feira durante sua visita ao Japão que as tarifas americanas sobre produtos chineses “poderiam subir muito, muito substancialmente, muito facilmente”.

Reflexos… Na sexta, a economia Chinesa divulgará a pesquisa PMI, a oficial feita pelo governo. Os especialistas acreditam que o dado virá próximo de 49,9 pontos. Lembrando que pela metodologia da pesquisa, resultados abaixo de 50 pontos indicam que a economia está em contração. Caso o dado venha dentro do esperado, já será uma confirmação de que o aumento das tensões comerciais está surtindo efeitos sobre a economia chinesa.

Agenda… O grande destaque do dia será a divulgação dos dados da confiança do consumidor americano (11h), medidos pelo conference board.


BRASIL: FORÇANDO A MÃO

Aposta Coaf… Com a aprovação na Câmara dos Deputados da MP 870, que estabelece a estrutura ministerial do governo Bolsonaro, o Executivo enfrenta um dilema. A votação no Senado, que deve ocorrer hoje (28), concede ao governo nova oportunidade de articulação, onde o Executivo poderá impor a manutenção do COAF, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, dentro a estrutura do Ministério da Justiça.

Forçando a mão… O retorno do conselho ao Sérgio Moro representaria uma ampla vitória para o governo no Congresso. Apesar de ceder em relação a permanência da Funai no Ministério da Justiça, e a limitação do escopo investigativo dos fiscais da Receita, uma reviravolta em relação a COAF representaria uma vitória quase completa para o governo em referente a uma importante medida provisória, principalmente após ter conseguido destravar a votação de diversas MP’s com relativo sucesso na câmara.

O resultado foi bem diferente… A expectativa inicial era que o Executivo teria que, além de ceder em relação todos os pontos supramencionados, aceitar o retorno de dois ministérios e a entrega de uma das pastas a membros do Centrão. O retorno do COAF a Justiça demonstraria que o governo tem muito mais influência sobre o Legislativo do que achávamos.

Esplanada dos Mortos-Vivos… No entanto, a MP, que é crucial para o Governo, expira na próxima segunda-feira (03/06). Caso isso ocorra durante o seu trâmite no Congresso, a medida perde vigência e os 29 ministérios do ex-presidente Temer seriam ressuscitados e passariam a assombrar as contas do Executivo. Qualquer alteração à propositura (que seja feito no senado) requer nova aprovação no Plenário da Câmara.

Nossa Visão… Apesar do sucesso das demonstrações de domingo, propor qualquer alteração à medida seria uma manobra de grande risco. Só deve ser feita caso exista um amplo acordo, em ambas as casas, que garanta o voto da propositura, ainda esta semana. Major Olímpio, líder do PSL no Senado, insiste em devolver o conselho para o juiz Moro. A medida não deve ter êxito. Caso essa hipótese remota se concretize, a narrativa que prega a incapacidade do governo em articular com o Congresso começaria a ser questionada.

Um café da paz? Um dia após as manifestações de rua em defesa do governo, o presidente Jair Bolsonaro decidiu fazer um afago na direção do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, na tentativa de reconstruir pontes. Alertado de que as mobilizações do domingo causaram um mal-estar ainda maior nas relações com o Legislativo e o Judiciário, Bolsonaro convidou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo, Dias Toffoli, para um café da manhã, hoje, no Palácio da Alvorada.

Efeito rebote… Ainda não está claro como o chamado centrão irá reagir em relação às manifestações de domingo. Por enquanto, existem apenas especulações de como e quando aconteceriam as retaliações.

Tá andando… Ontem em entrevista, Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da previdência na comissão especial, disse que a reforma está andando dentro do esperado, e que irá apresentar seu relatório até o dia 15 de junho, como uma meta de economia em 10 anos que seja coerente com o projeto apresentado pelo governo (R$1,3 trilhão).

Canos entupidos… Ontem o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, em decisão liminar expediu a venda da subsidiária TAG da Petrobras pelo grupo francês Engie. O negócio de US$9 bilhões está suspenso. Segundo o ministro o processo deveria ter sido feito em formato de licitação.

Investimentos entupidos… Problemas de insegurança jurídica sempre cercaram negócios envolvendo entes públicos e estatais. No entanto, decisões como a do ministro do supremo criam um clima terrível de insegurança e podem até mesmo esvaziar o interesse de grupos privados por ativos estatais (mesmo eles sejam de excelente qualidade). Basta ver a novela do bônus da cessão onerosa, que está se arrastando a meses no TCU, além de envolver uma disputa de natureza política entre governo e legislativo.

Agenda… O destaque do dia fica com a divulgação dos dados da sondagem da indústria da FGV, que deve mostrar que o setor ainda continua sofrendo.

E os mercados hoje? O dia globalmente começa com uma maior aversão ao risco, que deve contaminar os ativos por aqui. O prêmio de risco brasileiro opera em leve alta, cotado ao redor dos 178 pontos. Acreditamos o que dia será marginalmente negativo para os ativos de risco locais e poderá envolver alguma correção técnica, dados os ganhos do pregão de ontem.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: : +1,32%, aos 94.864 pontos;
Real/Dólar: +0,47%, cotado a R$4,04;
Dólar Index: +0,00%, 97,613;
DI Jan/21: -04 pontos base, 6,750%;
S&P 500: +0,14% aos 2.826 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Manaus conta 55 mortos dentro de quatro presídios
– Presidente promove encontro para propor pacto de Poderes
– Juiz conclui que agressor de Bolsonaro é inimputável
– Liminar de Fachin suspende venda bilionária da Petrobras

O Estado de São Paulo
– Disputa em facção deixa 55 presos mortos em Manaus
– SP manda novos chefes do PCC para prisões federais
– Bolsonaro tenta aproximação com Maia e STF
– Fachin susta privatização de gasoduto

Valor Econômico
– Supremo proíbe venda de estatal sem licitação
– Fiat-Renault teria 26% do mercado de carros no país
– Em Manaus, 55 detentos são mortos
– Mercosul reduz exigência para acordo com UE

O Globo
– Massacre em prisões de Manaus deixa 55 mortos
– Demissão de servidor entra em estudo na Câmara
– Bolsonaro recebe Maia, Alcolumbre e Toffoli após atos
– Avião que levava Gabriel Diniz não poderia voar como táxi-aéreo

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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