Mercados Hoje: Fechando o time

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Introdução: Bolsas asiáticas começam a semana em terreno positivo. Na Europa, mercados avançam com força. Futuros do S&P também indicam um dia verde na América. Acordo do Brexit e boa vontade Italiana em relação ao déficit orçamentário dão o tom para os ativos de risco ao redor do mundo. Na agenda, investidores de olho na fala de Powell (FED) na quarta-feira; Trump e Xin no G-20. No Brasil, Bolsonaro continua montando seu time, alheio a pressões partidárias. No front micro, a estratégia de privatização do governo será fatiar, valorizar e vender. No front macro, a expectativa para a Selic em 2019 recua pela primeira vez em 44 semanas.


CENÁRIO EXTERNO: 585 PÁGINAS DE ACORDO

Mercados Globais… As bolsas asiáticas tiveram um bom ínicio de semana: o Nikkei avançou 0,76%; Hong Kong teve o melhor desempenho da região e avançou 1,73%; apenas a bolsa de Shangai que descolou e recuou 0,14%. Nos mercados europeus o dia também começa bem, reflexo das notícias positivas vindas da política regional. O DAX avança 1,38%, Londres (FTSE) tem alta de 1,26% e Milão, o grande destaque positivo, sobe 3,11%. Os futuros do S&P avançam 1,26%, sinalizando um dia também positivo nos mercados norte americanos. O petróleo (barril do tipo brent) ensaia discreta recuperação (em relação ao tombo de sexta-feira) e avança 1,94%.

Política local dá o tom… Na Europa o bom tom dos mercados advém das boas notícias acerca do acordo do Reino Unido com o parlamento europeu na questão do Brexit. A Itália também gerou boas notícias ao dizer que estaria disposta a se enquadrar nas regras fiscais da Bruxelas, diminuindo assim o déficit fiscal de 2019.

585 páginas de acordo… Mais de dois anos após os britânicos votarem por deixar a União Europeia (UE), a primeira-ministra britânica Theresa May e os líderes dos demais membros da UE aprovaram ontem um tratado de 585 páginas que estabelece os termos do divórcio do Reino Unido. Agora, a aprovação precisa passar pelo parlamento britânico.

585 páginas de acordo… Mais de dois anos após os britânicos votarem por deixar a União Europeia (UE), a primeira-ministra britânica Theresa May e os líderes dos demais membros da UE aprovaram ontem um tratado de 585 páginas que estabelece os termos do divórcio do Reino Unido. Agora, a aprovação precisa passar pelo parlamento britânico.

De olho nas falas (do FED) que virão essa semana… Os investidores devem voltar seu foco nesta semana para os discursos do Federal Reserve, e as atas das reuniões de política que podem dar pistas sobre as perspectivas para as taxas de 2019. Além das expectativas reduzidas para o ritmo de aperto da política monetária americana, o presidente do Fed, Jerome Powell, tem a oportunidade de darem mais pistas sobre as perspectivas de uma pausa na subida de juros, em um discurso na quarta-feira.

Um encontro importante… Xi Jinping e Donald Trump irão se encontrar no G-20 em Buenos Aires, antes da próxima escalada nos aumentos de tarifas das importações e exportações entre os dois países. A tensão da guerra comercial sino-americana tem sido um dos grandes epicentros de geração de tensões nos mercados internacionais. Portanto, qualquer sinalização positiva que saia deste encontro pode ser suficiente para acalmar e muito os mercados.

Um tombo de US$3 trilhões… O sell-off recente das ações americanas retirou mais de US$3 trilhões de dólares em valor de mercados das empresas americanas. A grande dúvida é se a queda é uma simples correção, ou se os investidores estão simplesmente precificando uma vindoura desaceleração da economia americana. Uma fala mais mansa do Presidente do FED, na quarta-feira (como já dito acima), pode ajudar os mercados a recuperar um pedaço desse tombo, uma vez que uma redução na velocidade da subida de juros poderia dar um fôlego maior a economia americana no curto prazo.

Agenda… O grande destaque da semana é a divulgação do PCE, o deflator do PIB americano, um importante indicador de inflação, o preferido do FED, importante observar o seu núcleo se ele estará próximo de 2% (a meta de inflação implícita do FED).


BRASIL: FECHANDO O TIME

Fechando o time (sem o apoio partidário)… O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que espera fechar, até o final deste mês, o seu ministério. Mais: Bolsonaro disse que a escolha dos ministros que ainda faltam será resultado de uma conversa com bancadas e não de indicação de partidos.

Vai jogar bem esse time? Fato é que a forma que o time de ministros vem sendo montado, sem articulação partidária, preocupa interlocutores do governo no sentido de que esse movimento pode gerar problemas na angariação de apoio partidário na hora da votação de medidas que precisam de maioria qualificada na câmara e no senado.

Fatiou, privatizou… Avaliações internas do governo de transição apontam que o potencial de geração de caixa da venda das subsidiárias das grandes estatais (Caixa, Banco do Brasil e mesmo Petrobras) pode ser maior que o das próprias empresas centrais. A leitura é que o potencial de alavancagem do valor de companhias como a Caixa Seguridade e outras subsidiárias do Banco do Brasil, como a de cartões, e da Petrobras é muito alto e, dependendo da maneira como serão conduzidas as privatizações, os ganhos podem ser bastante elevados.

Vamos por partes… A principal diretriz para as privatizações de subsidiárias das grandes estatais nos próximos quatro anos: vender participações acionárias em etapas. A ideia é aproveitar-se da valorização que se espera com a primeira abertura de capital de cada companhia e fazer emissões secundárias nos anos seguintes, com os valores das ações multiplicados, refletindo esperados ganhos de gestão a partir da governança de melhor qualidade que a abertura de capital supostamente geraria.

Para valorizar tem que reformar… Caso a reforma da previdência fracasse, o mercado pode parar de dar dúvida a Bolsonaro, e começar um grande movimento de aversão ao risco brasileiro, gerando perdas para os ativos de risco locais o que inviabilizaria a dinâmica das privatizações citadas acima.

Mexendo nas expectativas… O relatório focus divulgado a pouco trouxe uma boa surpresa, a mediana da expectativa para a Selic ao final de 2019 caiu pela primeira vez, para 7,75%. após 44 semanas estável em 8%. Outro destaque positivo foi a expectativa de IPCA para o final de 2018, que recuou de 4,13% para 3,94%. Para 2019 o número veio de 4,20 para 4,12% se distanciando da meta de inflação que será de 4,25% no ano que vem.

Agenda… O grande destaque da agenda doméstica nesta semana será a divulgação do PIB do terceiro trimestre, o mercado espera (segundo expectativa da Bloomberg) um avanço de 0,8% em relação ao segundo trimestre do ano.

E os mercados hoje? Com um alívio maior do front global e bom humor dos mercados internacionais, o dia aqui hoje deve ser predominantemente positivo para os ativos de risco.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,43, aos 86.230 pontos;
Real/Dólar: +0,63%, cotado a R$3,82;
Dólar Index: +0,21%, 96,916;
DI Jan/21: -06 pontos base, 7,860%;
S&P 500: -0,66% aos 2.633 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

NotreDame Intermédica: Cia confirmou que fará oferta subsequente de ações (follow on).
Impacto: Marginalmente Negativo.

Setor Varejista: Vendas da Black Friday totalizaram R$ 2,1 bilhões.
Impacto: Marginalmente Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Elite abriu mão do verniz para eleger Jair Bolsonaro’
– Com Felipão, Palmeiras conquista seu 10º Brasileiro
– Alvos da Lava Jato querem mudança na lei, e Moro reage
– Sem Cuba, governo discute como levar médicos ao interior

O Estado de São Paulo
– Deputados e senadores eleitos devem R$ 660 milhões à União
– UE sela Brexit e pressiona britânicos por aprovação
– Bolsonaro se diz contra avaliação de médicos
– Limite a gastos de prefeitos pode cair

O Globo
– Bolsonaro desautoriza seu futuro ministro da Saúde
– Alerj gasta mais com pessoal do que SP e Minas
– Câmara aprova poucos projetos de segurança
– Evento discute novos modelos pedagógicos para o futuro no país

Valor Econômico
– XP Investimentos planeja abrir capital na Nasdaq
– Vencimento de US$ 1 bi aflige a Eletrobras
– PEC buscará orçamento mais flexível
– Mais ‘Chicago oldies’ no time de Guedes

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Equipe Econômica

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Victor Candido
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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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