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Mercados Hoje: Estrangeiros em fuga

Introdução:

Internacional
• Índices internacionais operam sem grandes oscilações;
• Investidores aguardam a divulgação da ata das últimas reuniões de política monetária do Fed e do BCE (4ªF e 5ªF), além do discurso de Jerome Powell durante o simpósio de Jackson Hole (5ªF);
• O dólar (DXY) opera próximo do maior patamar em registro no ano;
• Emergentes têm mercados pressionados por movimento acentuado de redução de posições.

Brasil
• Bolsa local descola da melhora no exterior e acompanha piora de cenário para emergentes;
• O balanço entre as saídas e entradas de recursos estrangeiros na B3 pode bater recorde em 2019;
• Demora na divulgação da reforma tributária do governo mostra mudança na estratégia dos articuladores.


CENÁRIO EXTERNO: DÓLAR FORTE

Mercados… Mercados asiáticos encerraram sessões sem direções claras. As bolsas de Shanghai (-0,1%) e Hong Kong (-0,2%) registraram leves quedas e o Nikkei (Tóquio) subiu 0,5% na sessão. Na Europa, índices de mercado avançam, mas sem grandes oscilações. O índice de mercado europeu, STOXX 600, tem valorização de 0,2% até o momento. Em NY, futuros operam estáveis, mesmo movimento verificado para o dólar (DXY) nesta manhã. Na frente das commodities, ativos operam sem direção única. O petróleo (Brent crude) se mantém próximo à estabilidade, aos US$ 59,60/barril.

Dólar forte… Ontem, a declaração do Secretário do Comércio americano, Wilbur Ross, de que os EUA irão adiar a imposição de restrições sobre operações da gigante chinesa, Huawei Technologies Co., impulsionou o otimismo em torno de um possível resumo de conversas entre as duas maiores economias globais. Mais tarde, Eric Rosengren, o diretor executivo do Fed de Boston, disse que não vê evidências de que a economia americana caminhe para algo mais que uma desaceleração, e foi mais um fator que contribuiu desempenho forte do dólar na sessão. O DXY se aproximou do maior patamar registrado no ano (98,52) ao atingir 98,39 na máxima do dia. A força do dólar também foi muito sentida nos mercados emergentes, com o real (-1,7%), a lira turca (-1,5%) e o rand sul-africano (- 1,0%) liderando as quedas no dia. O movimento de fuga para segurança também teve reflexo nas Treasuries americanas, que acompanharam o movimento do dólar na sessão.

Emergentes em baixa… A manutenção do ambiente de alta aversão ao risco em função da crescente preocupação com a desaceleração econômica global intensificou efeitos sobre emergentes nos últimos 30 dias. Além da desvalorização cambial, o movimento de redução de posição em ativos do grupo de países pressionou bolsas locais, que descolaram do melhor desempenho das economias centrais ou pelo cenário de maior incerteza ou porque seguem sofrendo os efeitos de contágio da Argentina. De qualquer maneira, esse descolamento é um sinal preocupante para a perspectiva de crescimento para as economias emergentes. Vamos acompanhar…

Na agenda… Não existem indicadores relevantes a serem divulgados no dia de hoje.


BRASIL: ESTRANGEIROS EM FUGA

Estrangeiros fogem da bolsa… O balanço entre as saídas e entradas de recursos estrangeiros na B3 pode bater recorde em 2019, representando o maior fluxo negativo de investimentos do exterior desde que a métrica começou a ser monitorada em 1996. Para o período de janeiro a agosto, essa alta histórica já se concretizou. Em comparação a janeiro, temos R$ 19 bilhões a menos na bolsa de valores em investimento estrangeiro.

Motivações para a fuga… A principal motivação para a fuga do capital gringo é a incerteza em torno da economia global. Números fracos de atividade na Ásia e na Europa podem sinalizar um novo ciclo de desaceleração para o PIB mundial. Quando isso acontece, os estrangeiros tendem a buscar abrigo no porto seguro das economias desenvolvidas, evitando a volatilidade associada aos emergentes, como no caso do Brasil. Também existe a questão do embate comercial entre as duas maiores economias do mundo, China e Estados Unidos, que prejudica ambas as nações. Juntas, o PIB dos dois países abrange em torno de 40% do PIB global.

Razões para manter o otimismo… Apesar do fluxo negativo durante 2019, a B3 atingiu a sua alta histórica (106.650 pontos) em junho e se mantem próximo ao patamar de 100k pontos. Os investidores locais continuam dando sustentando ao desempenho da Bolsa, enquanto o governo faz grande avanço em suas agendas reformistas (Previdência, tributária, privatização etc..). A taxa básica de juros também está no seu menor nível histórico e deve cair ainda mais até o final do ano, favorecendo os investimentos de renda variável e as empresas brasileiras com fontes de financiamento baratas. Lá fora, líderes mundiais em todos os continentes têm demonstrado seu compromisso com medidas anticíclicas, a economia americana continua forte e o embate entre Trump e Xi Jinping aparenta caminhar em direção a uma resolução ainda este ano. Acompanhe a evolução de tudo isso aqui no Mercados Hoje.

Reforma Tributária… O governo ainda não apresentou a sua proposta para a reforma tributária. O texto da Câmara e o do Senado já iniciaram o trâmite, mas o Ministério da Economia continua criando ar de mistério. Inicialmente, a intenção era apresentara-la logo após o recesso parlamentar, que se encerrou no início deste mês. Mas o governo aprendeu muito com a reforma da Previdência, que tramitou pela Câmara por sete longos e desgastantes meses. A estratégia agora é outra. A força das lideranças do Legislativo ficou evidente, principalmente do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para evitar o atrito visto durante o trâmite da Previdência, os acertos e ajustes da tributária serão feitos nos bastidores. Quando existir a amplo consenso entre o Ministério da Economia e as lideranças do Congresso, a proposta governista será lançada. Isso garante que o tramite da tributária será muito mais célere e muito menos oneroso para o governo.

Na agenda… Em mais um dia de agenda de indicadores fraca, a FGV divulga a prévia da sondagem à indústria de agosto.

E os mercados hoje? Lá fora, bolsas operam sem grandes variações, à espera da divulgação da ata das últimas reuniões de política monetária do Fed e do BCE (4ªF e 5ªF), além do discurso de Jerome Powell durante o simpósio de Jackson Hole (5ªF). Aqui, investidores devem seguir cautelosos, principalmente tendo em vista a recente piora de cenário para mercados emergentes. Com isso, esperamos um dia de viés neutro para o mercado acionário local.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,34%, aos 99.469 pontos;
Real/Dólar: +1,58%, cotado a R$ 4,065;
Dólar Index: +0,23%, cotado a 98.368;
DI Jan/21: +07 pontos base, 5.47%;
S&P 500: +1,21% aos 2924 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Lava Jato ignorou repasse de Guedes em denúncia contra empresa de fachada
– Novo favorito para a PGR chamou democracia de ‘um verdadeiro embuste’
– Homem armado ameaça passageiros de ônibus na ponte Rio-Niterói
– MP que cria novo Coaf abre brecha para que órgão receba indicações políticas

O Estado de São Paulo
– Metade dos líderes da Câmara rejeita criação de ‘nova CPMF’
– Empresário interessado em Itaipu foi condenado por calote de R$ 713 mi em SP
– Homem armado faz reféns em ônibus e Ponte Rio-Niterói é interditada
– Bolsonaro conclui mudança do Coaf para o Banco Central

Valor Econômico
– Estrangeiro já tirou R$ 19 bilhões da bolsa
– Justiça do Trabalho anula acordos e condenações por terceirização ilegal
– Maior sócio da Oi defende troca imediata do CEO
– Para Zarlenga, da GM, país perde espaço na região

O Globo
– Míriam Leitão: Brasil pode ter ‘tempestade perfeita’ com boicote à agricultura e crise global
– Homem armado faz 17 reféns em ônibus na Ponte Rio-Niterói; via está interditada
– Privatização da Eletrobrás terá novo projeto de lei
– Após filiação de Frota no PSDB, Doria sonda mais nomes do PSL

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Victor Beyruti Guglielmi
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