Mercados Hoje: Estímulos continuam

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Introdução: A China cresceu 6,5% a/a no 3T18, abaixo do esperado. As bolsas recuam na Europa; o dólar opera sem direção muito clara. Commodities mostram viés mais favorável hoje. O brent se mantém na casa dos US$80/barril. No Brasil, é dia de agenda macro esvaziada. Na política: DataFolha e DataPoder360 confirma a vantagem de Bolsonaro ao planalto.


CENÁRIO EXTERNO: CHINA É DESTAQUE.

Mercados… As bolsas da Europa operam com viés baixista nesta manhã, após alta da bolsa na China (índice de Xangai +2,58%). O S&P futuro sinaliza uma abertura positiva por lá. O dólar opera mais fraco; e a maioria das moedas de emergentes se valoriza. Os juros das Treasuries recuam (10 anos ~3,17%). A volatilidade, medida pelo índice VIX, opera em baixa, após alta de 15% da última sessão. As commodities ganham forças. O petróleo (Brent) avança, e oscila na casa dos US$80/barril.

China: crescimento de 6,5%… O PIB do 3º tri de 2018, levemente abaixo do esperado pelo mercado, cresceu 6,5% a/a. A previsão era de uma aceleração de 6,6% da atividade chinesa. É o nível mais baixo da taxa desde o 1º tri de 2009. Frente ao tri anterior, cresceu 1,6%, mantendo um viés de desaceleração. Também vale notar: em setembro, a produção industrial cresceu 5,8% a/a, também aquém do esperado (6,0% a/a); e as vendas no varejo cresceram 9,2% a/a.

Mais sobre a China… Ontem, autoridades chinesas agiram de maneira coordenada para tranquilizar os mercados, após dados mais fracos da economia. O governo de Pequim afirmou que fundamentos econômicos do país permanecem sólidos, e os níveis de alavancagem macroeconômica se estabilizaram. Mais: as autoridades chinesas ressaltaram ainda que as disputas comerciais não afetaram indicadores de emprego, investimento e comércio exterior nesse 2º tri.

E os estímulos devem continuar… Esse receio de desaceleração econômica, permite ao BC chinês manter uma política monetária acomodatícia. O presidente do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), Yi Gang, disse que o BC chinês estuda medidas para dar alívio a dificuldades de financiamento de empresas e ressaltou que o banco central pretende avançar com planos para apoiar o financiamento de dívida de empresas privadas chinesas. A notícia trouxe certo alívio para as bolsas asiáticas…

Na Itália… Investidores atentos com a situação fiscal italiana. A Comissão Europeia fez diversas críticas ao plano orçamentário de 2019 da Itália, que prevê déficit de 2,4% do PIB. Lembrando: o déficit projetado é o triplo do previamente acordado. A comissão europeia deu o prazo até 2ª feira para que autoridades italianas alterassem o plano. Por enquanto, não há sinais que o governo italiano recue em seu projeto orçamentário já divulgado. A bolsa de Milão chegou a atingir os menores níveis em 20 meses no início da sessão.

Na agenda macro de hoje… Nos EUA, destaque para os dados de moradia de setembro. Além disso, 2 discursos do Fed: Raphael Bostic (13h00); e Robert Kaplan (13h45). No front micro, 14 empresas listadas no S&P 500 divulgam balanços hoje, incluindo a Procter & Gamble, antes da abertura.


BRASIL: BOLSONARO AMPLIA VANTAGEM NA DISPUTA AO PLANALTO.

Pesquisa DataFolha… Divulgada na noite de ontem, a pesquisa confirma a vantagem confortável de Bolsonaro no 2º turno. JB (PSL) passou de 58% para 59% das intenções de voto válidas em relação ao levantamento da semana passada; enquanto FH (PT) foi de 42% para 41%. Considerando os votos totais, Bolsonaro tem 50%; Haddad, 35%; e brancos/nulos/indecisos somaram 15%. A rejeição de Haddad também superou a de Bolsonaro: 54% dos entrevistados não votaria no candidato do PT, vs 41% para o Bolsonaro.

Pesquisa DataPoder360… Dados também mostram que Jair Bolsonaro (PSL) segue forte na disputa ao Planalto. A depender do cenário testado, Jair tem 64% dos votos válidos. Fernando Haddad (PT) tem 36%. Quando se consideram todos os votos, Bolsonaro tem 57%; e Haddad, 31%. Vale notar: no levantamento do DataPoder360, a alta taxa de rejeição de Haddad também dificulta uma virada do petista até o 2º turno. 60% dos eleitores dizem que não votam no candidato do PT. No caso de Bolsonaro, a taxa é de 37%.

E os debates? Ontem, Jair Bolsonaro (PSL) foi reavaliado por médicos. A nota ressalta a saúde de Jair em “boa evolução clínica” e “melhora da composição corpórea”. Mais: Bolsonaro está liberado para retomar sua agenda de campanha e participar de debates. Ainda assim, Gustavo Bebianno, presidente do PSL, reforçou que Bolsonaro não vai aos debates marcados para o 2º turno. Segundo Bebianno, “o eleitor já conhece o Bolsonaro”.

Disputas no Whatsapp… O PT entrou no TSE com uma ação de investigação contra Jair Bolsonaro (PSL) e empresas apontadas como responsáveis por disseminar mensagens contra a campanha do PT pelas redes sociais. Na ação, o partido citou alguns indícios de que foram comprados pacotes de disparos de mensagens contra o PT pelo aplicativo Whastapp, conforme noticiado pela Folha de São Paulo. O partido solicitou à Corte que declare inelegibilidade de Bolsonaro para os próximos 8 anos após eleição atual. Ainda assim, é difícil que a ação movida pelo PT prospere, em nossa visão.

Novos nomes… Ontem, surgiram rumores de que Ilan Goldfajn, presidente do BC, deixará a presidência da instituição. O ruído ampliou as perdas para ativos de riscos: Dólar e DIs ganharam forças; e Ibovespa encerrou na mínima do dia. O BC não comentou sobre o assunto. Em meio as especulações, o mercado faz apostas em torno de alguns nomes que poderiam assumir o cargo, em um eventual governo de Bolsonaro (PSL). Entre eles: Luiz Fernando Figueiredo, ex diretor de política monetária do BC entre 1999 e 2003; Sérgio Eraldo, da Bozano Investimentos; João Cox, da Tim; e Pedro Jobim, economista chefe da Legacy Gestora e ex Santander. Vale notar: Paulo Guedes, principal assessor econômico de Bolsonaro, já declarou também sua intenção em manter Ilan no comando da instituição.

E os mercados hoje? O ambiente externo está misto para ativos de risco. Nos EUA o cenário é positivo, enquanto na Europa a cautela persiste. De qualquer forma, não vemos um cenário de “busca por proteção”. Commodities em alta devem ajudar emergentes. Por aqui, a percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera estável (ao redor de 220 pontos base). Esperamos uma bolsa em leve alta, e um viés de acomodação (leve queda) sobre DIs (contratos de juros futuros) e dólar. Estes movimentos não devem ser expressivos, mas o investidor deve continuar cauteloso, num ambiente ainda de incertezas.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -2,23%, aos 83.847 pontos;
Real/Dólar: -0,70%, cotado a R$3,7041;
Dólar Index: -0,00%, 95,898;
DI Jan/21: -02 pontos base, 8,490%;
S&P 500: -0,82% aos 2.902 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

CCR: Companhia aprova distribuição de dividendos.
Impacto: Cunho Informativo.

Cesp: Decisão da justiça pode prejudicar privatização.
Impacto: Marginalmente negativo.

Corporativo: Assessor de Bolsonaro fala em tirar tributos de folha salarial.
Impacto: Marginalmente positivo.

Sabesp: Arsesp da ponta pé para reiniciar plano de reestruturação tarifária.
Impacto: Positivo.

Construtoras: Sob Governo do PSL, MCMV vira Casa Brasileira.
Impacto: Neutro.

Rafael Passos – Equipe Econômica


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro nega controlar uso ilegal de redes sociais
– Com exterior e rumor sobre BC, Bolsa cai e dólar acelera
– Deputado mantém vantagem, mostra Datafolha
– Mauro Paulino e Alessandro Janoni: Modelo emergente permitiu liderança a “defensor de ricos”

O Estado de São Paulo
– Equipe de Bolsonaro propõe tirar encargos de folha de pagamento
– Bancada do PSL apoia reforma da Previdência e venda de arma
– Na reta final, candidatos nos Estados adotam “linha dura”
– Minha Casa viraria “Casa Brasileira”

O Globo
– Bolsonaro tem vantagem de 18 pontos, a 10 dias da eleição
– PT pede ao TSE ineligibilidade do candidato do PSL
– Proposta de Witzel causaria impacto de R$ 28 bi à União
– Mudanças no IR dariam alívio ao contribuinte

Valor Econômico
– Aumentam suspeitas sobre campanhas na rede social
– Ruído sobre saída de Ilan do BC afeta o mercado
– “Ativismo judicial causa acirramento”
– “Democracia iliberal” é o risco do Brasil

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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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