Mercados Hoje: Esticando o prazo (e o mercado)

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Introdução: Seguindo anúncio de Donald Trump, da prorrogação de trégua tarifária com a China, bolsas asiáticas fecharam com ganhos; Na Zona do Euro, o mercado já abre com viés altista; Nos EUA, o futuro do S&P opera em alta pela manhã, indicando uma abertura de negociações positiva em NY. O dólar (DXY) tem leve desvalorização contra seus principais pares até o momento. Na frente das commodities, preços dos ativos operam, em sua grande maioria, em terreno positivo, com o petróleo (brent) acima dos US$ 67/barril. Para emergentes, dia também tem início positivo, com as divisas de Turquia, Argentina e México ganhando força frente ao dólar.


CENÁRIO EXTERNO: ESTICANDO O PRAZO (E O MERCADO)

Mercados… As bolsas asiáticas fecharam com ganhos nesta segunda feira. O índice de Shanghai saltou 5,6% e o Nikkei, em Tóquio, subiu 0,5%. Na Zona do Euro, o mercado já abre com viés altista. As bolsas de Londres e Frankfurt avançam 0,2% e 0,1%, respectivamente. Nos EUA, o futuro do S&P opera em alta de 0,4% pela manhã, indicando uma abertura de negociações positiva em NY. O dólar (DXY) tem leve desvalorização contra seus principais pares até o momento.

Esticando o prazo… A última rodada de negociações entre China e Estados Unidos confirmou as expectativas do mercado, com Donald Trump anunciado a extensão do prazo para o fim da trégua tarifária sobre as importações chinesas. A declaração da extensão veio seguida de “um fim de semana muito bom para Washington e para Pequim nas negociações comerciais”, segundo o presidente americano. No que tange às reformas estruturais e a regulação do yuan – principais pontos do impasse entre as nações na semana passada – houve pouco progresso, a maior surpresa vindo de uma postura mais flexível do governo Trump em relação ao setor de tecnologia. Apesar do resultado já ser esperado, a notícia já foi festejada com altas no mercado asiático, e deve seguir repercutindo de maneira positiva para as principais bolsas globais nesta segunda feira.

Semana difícil para May (mais uma)… As conversas em torno da revisão do acordo inicial do Brexit seguem sem nenhum progresso aparente. Caso Theresa May falhe mais uma vez em apresentar algo de novo ao Parlamento nesta semana, é muito provável que ela seja pressionada a adiar a data do Brexit (29 de março). O próximo encontro entre a líder britânica e Donald Tusk, o presidente do conselho europeu, deve acontecer neste fim de semana, mas autoridades da UE já adiantaram que nenhum acordo será negociado no tocante ao Brexit. Com isso, temos um risco cada vez maior de um Brexit sem acordo, o que deve seguir pressionando a libra esterlina e prejudicando o desempenho dos mercados.

Na agenda… A agenda internacional deve balançar os mercados na semana, com as leituras do PIB/4º trimestre de 2018 (5ª feira), do PCE (6ª feira), e da revisão final da atividade industrial de fevereiro (6ª feira) nos Estados Unidos. Ainda, na China, o PMI de fevereiro deve acusar uma indústria ainda em contração.


BRASIL: TREINO É TREINO, JOGO É JOGO

Treino é treino, jogo é jogo… Principal articulador da reforma da Previdência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avalia que a reforma está perdendo a batalha da comunicação. Os grupos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais estão silenciosos desde que o projeto foi divulgado. Acabou o treino, a proposta está na rua e o governo precisa engajar a sua base, caso contrário irá perder o jogo antes mesmo de começar.

Fisiologismo light e qualificado, a favor da reforma… Os ministros terão direito a vetar os nomes indicados pelos parlamentares aos cargos da União nos Estados, ainda que os postulantes cumpram todas as exigências para ocupar os postos. Em sua primeira entrevista exclusiva a jornais de circulação nacional desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou ao Valor que, caso isso aconteça, os parlamentares poderão fazer novas indicações.

Tem que azeitar essa base (‘taokei’)… No primeiro encontro de trabalho com líderes partidários da Câmara, marcado para amanhã, o presidente Jair Bolsonaro apresentará o texto da reforma da Previdência, mas não deverá ser poupado de críticas ao modo como tratou a chamada “política tradicional” durante os primeiros 50 dias de governo.

Tem quem queira (relatar) a previdência… O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, avaliou que há um clima muito favorável no Congresso para o avanço da proposta de reforma da Previdência e se disse otimista de que o governo conseguirá o número necessário de votos para aprová-la. “Eu nunca vi um momento como esse no Congresso Nacional. Talvez dez a 15 deputados já nos procuraram se colocando à disposição para relatar o projeto”, destacou Marinho, em entrevista à Band exibida na madrugada desta segunda-feira, 25.

Aperta mais que tá pouco… Em 2018, rombo no regime de aposentadoria dos estados foi de R$ 85,89 bi. Em alguns, alíquota dos servidores já bateu 14%. Essa alíquota maior não é a bala de prata para a resolução dos problemas fiscais. Para aliviar a penúria em que se encontram, os governadores terão de pôr em prática outras ações que estão previstas na PEC, como criar uma alíquota extraordinária paritária (uma para os trabalhadores e outra patronal), além da contribuição normal, para solucionar o déficit do regime previdenciário corrente e atuarial. Isso deve ser feito dentro de um plano, assim como vem ocorrendo nos fundos de pensão das estatais.

Expectativas… Foi divulgado à pouco o relatório focus desta semana, que continua mostrando que a inflação está em queda, com o Focus registrando 3,85% para 2019, na mediana das expectativas. Para o PIB, o número continua estável em 2.48% para 2019 e foi revisto para 2,65% em 2020. Câmbio e juros não sofrerão alterações, tanto para 2019 quanto para 2020.

Agenda… A semana terá dois grandes destaques, na 3ª o novo presidente indicado para o Banco Central, será sabatinado na comissão de assuntos econômicos do Senado Federal. A expectativa é que a sabatina seja tranquila, e que Roberto Campos Neto deverá ser aprovado sem grandes ressalvas. Outro destaque é a divulgação do PIB do 4º/ trimestre de 2018, que deverá mostrar um avanço modesto da economia na margem. Prevemos expansão de 0,29%QoQ e um dado fechado de 1,19% para o ano de 2018.

E os mercados hoje? Com a tônica bastante positiva lá fora, vemos um cenário positivo para Brasil, com o CDS recuando -1,57% aos 162 pontos. O dia deverá ser positivo para todos os ativos de risco.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,98%, aos 97.885 pontos;
Real/Dólar: -0,43%, cotado a R$ 3,7468;
Dólar Index: -0,10%, 96.507;
DI Jan/21: -0,03 pontos base, 7,050%;
S&P 500: +0,64% aos 2.792 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Novo presidente do Senado ocultou imóveis da Justiça
-‘Green Book’ sderrota ‘Roma’ como melhor filme no Oscar
– Ação militar estrangeira é opção, diz líder opositor na Venezuela
– Soldados de Maduro roubam do lado brasileiro da fronteira

O Estado de São Paulo
– Sindicatos fazem fusões para driblar queda na receita
– Desafio da previdência é mundial diz vice do Bird
– Brasil faz cordão de isolamento na fronteira com a Venezuela
– Governo ainda não tem plano de comunicação

Valor Econômico
– PEC pode ampliar base de contribuição à Previdência
– Mais pressão diplomática contra Maduro
– Irrelevâncias ainda entopem a pauta do STJ
– Riscos na batalha da comunicação

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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