Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

Mercados Hoje: Em busca do trilhão

tags Intermediário

Introdução: Os mercados asiáticos operaram com viés negativo, repercutindo uma rodada mista de resultados corporativos – o grande destaque foi a Samsung, cujo lucro decepcionou as estimativas do mercado. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também abrem negociações majoritariamente no vermelho, apesar dos dados de crescimento do PIB do bloco terem superado expectativas para o 1ºTRI/19. Em NY, o futuro do S&P se mantém em terreno neutro, e o dólar (DXY) se desvaloriza contra os seus principais pares – movimento principalmente devido a uma valorização mais forte do euro. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés altista, com o petróleo (Brent) se valorizando 1,4%. Para emergentes, o dia também tem início positivo, com divisas de México e África do Sul se valorizando frente ao dólar. Aqui, o mercado acompanha mais uma rodada de resultados corporativos, com poucos desenvolvimentos em torno do andamento da reforma da Previdência.


CENÁRIO EXTERNO: VELHO, MAS RESILIENTE

Mercados… Os mercados asiáticos operaram com viés negativo. As bolsas de Hong Kong e de Seul recuaram 0,7% e 0,6%, respectivamente, repercutindo uma rodada mista de resultados corporativos – o grande destaque foi a Samsung, cujo lucro decepcionou as estimativas do mercado. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também abrem negociações majoritariamente no vermelho, apesar dos dados de crescimento do PIB do bloco terem superado expectativas para o 1ºTRI/19. O FTSE londrino recua 0,2% na sessão enquanto o DAX (Frankfurt) opera próximo à estabilidade. Em NY, o futuro do S&P se mantém em terreno neutro, e o dólar (DXY) se desvaloriza contra os seus principais pares – movimento principalmente devido a uma valorização mais forte do euro. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés altista, com o petróleo (Brent) se valorizando 1,4%. Para emergentes, o dia também tem início positivo, com divisas de México e África do Sul se valorizando frente ao dólar.

Velho, mas resiliente… Os PIB europeu surpreendeu positivamente o mercado no 1ºTRI/19, apresentando um crescimento de 0,4% em relação ao 4ºTRI/18 e de 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado veio acima da mediana das expectativas do mercado, que previa um crescimento de 0,3%, e mostrou que a economia do velho continente cresceu a um ritmo duas vezes maior do que crescia no fim do ano passado. Os grandes destaques positivos desta leitura foram a Itália, que saiu da recessão, e a Espanha, que registrou um crescimento forte nos investimentos. Na outra ponta, a consumo na França segue errático e decepcionou as expectativas em mais uma leitura. Dentre as maiores economias do Bloco, a Alemanha foi a única a divulgar os seus números, que devem sair no dia 15 de maio. Refletindo o dado mais forte, o euro volta a se valorizar contra o dólar (0,3%), negociado acima dos US$ 1,12 pela manhã. PMI chinês (NBS)… O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da China recuou de 50,5 em março para 50,1 em abril, segundo dados oficiais do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, sigla em inglês). O resultado ficou abaixo da expectativa de mercado (WSJ), que previam redução apenas marginal do indicador, a 50,4.

Retomada das conversas… Segundo fontes da Casa Branca, o Representante Comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, irão retomar as negociações com o Vice-Premiê chinês, Liu He, em Pequim nesta 3ªF. Os principais pontos a serem abordados na nova rodada de conversas incluirão as discussões sobre proteção de propriedade intelectual, transferência forçada de tecnologia, barreiras não tarifárias, agricultura, serviços, balança comercial e maneiras de realizar o enforcement do que for acordado. Seguindo este encontro, uma visita de Liu He a Washington esta agendada para 8 de maio, com as duas partes sinalizando de que estariam buscando firmar um acordo até o início de junho. Na agenda… Entre os indicadores, nos EUA, saem a confiança do consumidor (11h) medida pelo Conference Board, que deve melhorar para 126,0 em abril, de 124,1 em março, e a atividade industrial de Chicago (10h45).


BRASIL: EM BUSCA DO TRILHÃO

Eu e você, você eu, juntinhos… Após uma série de desentendimentos públicos com o Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu hoje (ontem) mais um sinal de aproximação com o presidente Jair Bolsonaro ao afirmar que discutiria diretamente com ele o cronograma de tramitação da reforma da Previdência na Casa.

Será que será assim com todos? Resta saber se a melhora no relacionamento do Presidente da República com o Presidente da Câmara, significa uma maior articulação política com os demais congressistas. É no chão do congresso que se passa à reforma, não nos salões palacianos.

Em busca do trilhão… Recém-indicado relator da reforma da Previdência, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) disse que acha factível a meta de R$1 trilhão de economia em 10 anos, que o ministro Paulo Guedes tem dito.

Bons sinais… Em um momento no qual já se fala que o Congresso deve derrubar a economia projetada – até o próprio presidente Jair Bolsonaro já empurrou para R$ 800 bilhões a linha de corte da reforma -, o discurso de comprometimento fiscal do deputado é um sinal favorável para o time de Paulo Guedes.

Um troco, um afago… O ministro da Economia, Paulo Guedes, aceita distribuir uma parcela dos R$ 106 bilhões previstos com o megaleilão do pré-sal com os Estados desde que haja avanço na votação da reforma da Previdência. Uma das alternativas em discussão é dividir até 20% do chamado bônus de assinatura, que é o pagamento que a empresa ganhadora fará ao governo quando assinar o contrato de exploração da área leiloada. O dinheiro é pouco, quando visto em relação a situação fiscal da maioria dos estados, mas a união tem as mãos atadas para distribuir mais recursos, dependerá de recursos pontuais e da flexibilização da regra para que estados contratem operações de crédito.

Shutdown a lá tupiniquim… O contingenciamento de despesas discricionárias, ao redor de R$30 bilhões que o governo vem impondo a diversos ministérios já começa a mostrar seus efeitos, como a dificuldade dos ministérios em executarem suas despesas correntes. Alguns programas como o MCMV – Minha casa minha vida, estão em risco.

Nem tão discricionárias assim… O governo federal apertou para 2019 o gasto discricionário, aquele que ele tem algum controle e não possui obrigatoriedade constitucional de ser executado. Porém, algumas despesas não podem ser cortadas, existem repasses importantes para hospitais, universidades e até mesmo o funcionamento do serviço de emissão de passaportes depende desse dinheiro.

Falando em contas apertadas… Em março, o resultado primário do governo central foi deficitário em R$ 21,1 bilhões, abaixo da mediana das expectativas de mercado de acordo com a Agência Estado, que apontava déficit de R$ 23,35 bilhões (intervalo entre -R$ 30 bilhões e -R$ 12,8 bilhões). Assim, o déficit primário atingiu R$ 116,7 bilhões (1,7% do PIB) em 12 meses. Como falamos no parágrafo anterior as despesas discricionárias, que recuaram expressivos 39% YoY em termos reais em meio ao contingenciamento de R$ 30 bilhões anunciado em março. O grupo de outras despesas obrigatórias também registrou queda, de 3,7% YoY.

Previdência… Os gastos com benefícios previdenciários e pessoal e encargos, por outro lado, continuaram a crescer.

Agenda… O grande destaque da agenda é a divulgação dos dados de desemprego, medidos pela PNAD do IBGE.

E os mercados hoje? A semana tem sido de poucos drivers domésticos, além do feriado no meio da semana que diminui o volume. Para o dia de hoje temos uma visão neutra, principalmente após os dados piores da China e da espera do próximo pronunciamento do FED, que será feito amanhã.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,05%, aos 96.187 pontos;
Real/Dólar: +0,27%, cotado a R$ 3,9428;
Dólar Index: -0,28%, 97.581;
DI Jan/21: +3 pontos base, 7,140%;
S&P 500: +0,11% aos 2.943 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro desmente secretário e diz que não criará imposto
– PF vê indícios de mentiras nas despesas de laranjas do PSL
– Presidente quer eximir produtor que atirar em invasor
– Após 6 anos, cai o número de crianças em creches de SP

O Estado de São Paulo
– Universidade que promover ‘balbúrdia’ terá verba cortada
– Governo quer livrar de pena quem atirar em invasor de terra
– Sem recursos, ministérios podem paralisar serviços
– Portugueses fazem ataque xenófobo a aluno brasileiro

Valor Econômico
– Déficit externo da indústria aumentou 60% no trimestre
– FCVS ainda dá dor de cabeça aos bancos
– Luiza oferece US$ 62 milhões pela Netshoes
– Gestora Blackstone deixa Alphaville

O Globo
– Parlamentares pressionam para tirar Coaf das mãos de Moro
– Com pista em obras, Santos Dumont terá só aviões menores
– Bolsonaro não quer punição para quem atirar em invasor
– Número de PMs e bombeiros inativos dobrará em 25 anos

Contatos

Renda Variável*

 


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

Julia Carrera Bludeni
[email protected]

Victor Candido
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

Luca de Toledo Gloeden Soares
[email protected]

 

*A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução CVM nº.598/2018, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“
Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

197 visualizações

relacionados

Bitnami