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Mercados Hoje: em busca de um novo equilíbrio

 Introdução:

Internacional

• Mercados globais voltam a operar em baixa após dois dias consecutivos de ganhos;
• Estímulos sem precedentes anunciados nas economias centrais animam mercados, mas falta de claridade em torno do controle da pandemia de Covid-19 impede novos avanços;
• Frente ao ambiente de forte incerteza, investidores seguem em busca de um novo equilíbrio de preços de curto-prazo;
• Crescimento dos casos de Covid-19 segue em ritmo acelerado na Europa e nos EUA;
• Pedidos de auxílio desemprego deve registrar forte alta nos EUA, evidenciando impactos do coronavírus sobre a maior economia do mundo.

Brasil

• Na falta de uma maior definição na cena política, a bolsa local deve continuar a mercê do humor verificado lá fora;
• Presidente Bolsonaro defende tese que isolamento vertical é a única alternativa viável;
• Rodrigo Maia culpa investidores pelo posicionamento do presidente da República;
• Fundos registram fluxo positivo de recursos em abril;
• Ministério da Economia trabalha com a expectativa de flexibilização de medidas de quarentena no início de abril;
• BCB divulga seu Relatório Trimestral de Inflação.


CENÁRIO EXTERNO: EM BUSCA DE UM NOVO EQUILÍBRIO

Mercados… Bolsas asiáticas encerraram negociações sem direção única, com destaque negativo para a bolsa japonesa, que acumulou perdas da ordem de 4,5% na sessão. Na zona do euro, ativos de risco abriram com viés de baixa. O STOXX 600, índice que abrange ativos de diversos países do bloco, registra queda de 1,0% até o momento. Em NY, futuros voltaram a cair, enquanto o dólar (DXY) dá sequência ao movimento de desvalorização verificado nos últimos dias. No plano das commodities, ativos caminham para interromper sequência de dias positivos. O preço do petróleo (Brent Crude) recua 1,1%, negociado próximo aos US$ 27,00/barril.

Em busca do novo equilíbrio… Mercados globais voltam a operar em baixa após dois dias consecutivos acumulando ganhos. Apesar da euforia trazida pelo acordo que encaminhou o pacote fiscal de US$ 2 trilhões de dólares – texto que já passou no Senado e agora vai para a Casa dos Representantes para votação – e pelo anúncio de um programa de compra de títulos emergencial (PEPP, na sigla em inglês) que permite que Banco Central Europeu (BCE) utilize a compra de títulos de dívida soberana dos seus países membros de maneira ilimitada para amortecer os impactos da crise, investidores voltam as atenções para os impactos da pandemia de Covid-19 na economia e na sociedade. De modo geral, após as fortes quedas registradas desde o início da crise, o mercado está em busca de um novo equilíbrio de curto prazo no que tange aos preços do mercado.

Atualização Covid-19… Segundo os números oficiais, o número de casos não para de crescer ao redor do mundo, com o total de infectados ultrapassando 460 mil e as mortes relacionadas à doença próximas de 21 mil. Na Europa, o número de casos confirmados da doença na Espanha (48 mil), Itália (74 mil), Alemanha (32 mil) e França (25 mil) já chega bem próximo dos 180 mil. Como agravante, médicos espanhóis já chegaram ao ponto em que eles tem de escolher que pacientes receberão os tratamentos disponíveis, fazendo com que muitos fiquem a mercê da própria sorte – medida que já vem sendo utilizada na Itália. Do outro lado do atlântico, nos EUA, o número de casos de coronavírus chega a 65 mil e o país se aproxima de ser tornar o próximo epicentro da doença. Dada esta situação, voltamos a reforçar que uma melhora mais sustentável do quadro de crescimento global e, consequentemente, do desempenho de ativos de risco que dependem disso, será necessária uma maior clareza sobre o controle da pandemia.

Na agenda… O dia tem agenda de indicadores recheada nos EUA. Às 9h30, investidores avaliarão a leitura final do PIB do 4T19, que não deve trazer grandes surpresas em relação à última medição; a balança comercial de fevereiro, que deverá apontar para um déficit da ordem de US$ 64,5 bilhões em fevereiro; e os pedidos de auxílio desemprego, que já devem começar a saltar rapidamente (+ 750 mil) em função das medidas que foram tomadas para a contenção do vírus. Mais cedo (9h), o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) realiza sua reunião de política monetária.


BRASIL: GOVERNO VÊ FLEXIBILIZAÇÃO DA QUARENTENA EM ABRIL

Bolsonaro defende isolamento vertical… O presidente da República defendeu (25), durante encontro com a jornalistas que aguardavam a sua saída do Palácio da Alvorada, a implementação do isolamento vertical, onde os idosos e pessoas com condições preexistentes premassem recluídos enquanto outros retornam à normalidade. Bolsonaro relatou que “conversou por cima” com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre o afrouxamento da quarentena, argumentando que “não tem outra alternativa”. Apesar da declaração feita por Bolsonaro o vice-presidente Hamilton Mourão confirmou que a posição do governo “por enquanto” continua sendo o isolamento social.

Rodrigo Maia culpa mercado por posicionamento do presidente… O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), culpou (25) os investidores que registraram perdas na Bolsa de Valores, nas ultimas semanas, pela pressão sendo exercida para amenizar as medidas de quarenta que visam retardar o alastramento do Covid-19. Segundo Maia, esta pressão começou a ser exercida há quatro ou cinco dias e resultou no posicionamos do presidente da República, que defende reduções nas medidas de isolamento. Além disso, durante a reunião que contou com a presença de 26 governadores, Maia também defendeu que não há espaço para fazer planejamentos de longo prazo, enfatizando a necessidade de tratar exclusivamente de questões imediatas como a garantia de renda mínima para os mais vulneráveis.

Fundos registram aumento no volume de captação… Os preços reduzidos de ativos de riscos ocasionaram um aumento no volume de entradas para os fundos de investimentos em abril. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a indústria registrou uma capitação liquida de R$ 11,9 bilhões nos primeiros 20 dias do mês. Entre as várias classes de fundos, os de ações registraram o maior fluxo positivo de recursos: R$ 5,8 bilhões. Na outra ponta, fundos de renda fixa registram fluxo negativo de R$ 15,5 bilhões no ano.

Abertura da quarenta no dia 7 de abril… O Ministério da Economia trabalha com a hipótese que as medidas de quarenta serão flexibilizadas no início de abril. A data coincide com o fim da quarentena imposta no estado de São Paulo, o epicentro da epidemia no Brasil, pelo governador João Doria (PSDB), que impôs uma quarentena de 15 dias na última terça-feira. Paulo Gudes, chefe da pasta, tem demonstrado preocupação com os impactos de uma quarentena prolongada e restritiva que poderia ocasionar um desmoronamento do PIB. Mesmo assim, Guedes admite que a decisão final sobre a duração e intensidade das medidas de isolamento serão tomadas pelo Ministério da Saúde.

Na agenda… Em dia de agenda de indicadores morna, os destaques ficam com o Índice Nacional da Construção Civil e a Sondagem da Construção, ambos divulgados pela FGV às 8h. No mesmo horário, o Banco Central do Brasil apresenta o seu Relatório Trimestral de Inflação com suas novas projeções referente ao 1T20.

E os mercados hoje? Mercados globais voltam a apresentar variações negativas após dois dias consecutivos de ganhos. Apesar dos novos estímulos sem precedentes que foram anunciados nas economias centrais agradarem investidores, a falta de visibilidade sobre o controle do surto de Covid-19 continua impedindo uma recuperação mais sustentável dos mercados. No Brasil, a cena política segue caracterizada por disputas internas e entre os poderes, com o governo já mirando a flexibilização da quarentena no início de abril. Dado este ambiente de indefinição, o mercado local continua refém do humor verificado nos mercados lá fora. Em função disso, esperamos um dia de viés negativo para ativos de risco brasileiros.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +7,50% aos 74.955
BR$/US$: -1,19% cotado 5,03
DI Jan/27: -86 bps cotado a 7,53%
S&P 500: +1,15% cotado a 2.475

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Estados confrontam Bolsonaro
– Presidente vira empecilho para a batalha da saúde
– Entidades da Saúde fazem manifesto pró isolamento
– Pagamento de tributo federal deve ser adiado por três meses

O GLOBO
– Governadores e cientistas rechaçam Bolsonaro; população fica em casa
– Economistas pró-austeridade defendem mais gasto público
– Cientistas sequenciam genoma do novo coronavírus no Brasil
– Putin muda tom: adia referendo e baixa medidas contra o vírus

FOLHA DE S.PAULO
– Bolsonaro é ignorado por governadores e se isola mais
– Quarentena sofre pressão do mercado, declara Maia
– Presidente atropela debate que médicos já estão fazendo
– Empresários veem risco em politizar isolamento social

O ESTADO DE S.PAULO
– Saúde estima que doença pode custar R$ 410 bi extras ao SUS
– Governadores vão manter medidas restritivas
– Estudo vê eficácia em isolamento social
– Economia fala em retomada a partir de abril

 

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