Mercados Hoje: é preciso ter “paciência”

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Introdução: O ambiente externo não é dos mais favoráveis. As bolsas recuam na Europa, e os futuros de NY também sinalizam uma sessão mais negativa. O dólar opera em baixa, enquanto commodities ganham forças. Hoje, nos EUA, é dia de agenda macro esvaziada, e investidores acompanham às questões comercias envolvendo EUA-China. No Brasil, destaques para os dados de produção industrial. No dia de hoje, demos um enfoque aos comentários recentes envolvendo a Reforma da Previdência.


CENÁRIO EXTERNO: RISK OFF.

Mercados Globais… As bolsas da Europa recuam, após sessão mais fraca na Ásia. Lá, apesar da leve alta das bolsas de Hong Kong (+0,29%) e da China (+0,42%), o índice Nikkei recuou (-2,39%). Nos EUA, o S&P futuro opera em baixa. O dólar recua, enquanto a maioria das commodities opera em alta. O brent opera na casa de US$63/barril. No mercado de juros dos EUA, pressões de baixa relevantes (os juros de 10 anos ~ 2,95%). O ambiente para ativos de risco, em relação aos dias anteriores, não é tão favorável assim…

EUA: 3 anos perto dos 2,82%… Os juros dos títulos americanos seguem em patamares altos, e movimentos recentes têm chamado a atenção de muitos investidores. Isto, porque o título de 3 anos está negociando com uma taxa acima dos juros com vencimento de 5 anos. Ou seja: o custo de financiamento do governo americano é maior para o título de 3 anos do que para o de 5 anos. Como esses títulos são sensíveis a taxa de juros, essa inversão de movimento sinaliza que juros americanos serão menores em 5 anos do que em 3 anos. Sendo mais claro: o mercado acredita que o ciclo de alta de juros americanos poderia estar mais próximo do que o esperado pela autoridade monetária americana.

Negociações comerciais… O encontro entre os líderes da China e EUA gerou uma enorme quantidade de comentários, e críticas. Investidores permanecem céticos diante da falta de detalhes do acordo comercial entre China e EUA. Segundo Larry Kudlow, principal assessor econômico de Trump, “não existe nada no papel”. Essa indicação de que talvez o acordo não seja a trégua imaginada pelo mercado foi o principal responsável por colocar grande pressão sobre os mercados asiáticos durante a madrugada.

Reformando o “telhado”… Os ministros das Finanças da União Europeia concordaram com medidas para fortalecer a zona do euro contra futuras crises financeiras. Ontem, foi fechado um acordo, depois das conversas em Bruxelas, que colocaram as ambições de reformas lideradas pela França.

Medidas contra as crises financeiras… O acordo final inclui medidas para maior estabilidade financeira e para dar suporte ao fundo de resgate soberano. A nova medida poderá ser usado em casos como o grego, onde o país enfrentou uma severa crise financeira e ameaçou toda a estabilidade financeira e monetária da região. Em suma, o Mecanismo Europeu de Estabilidade fornece flexibilidade na forma de como ele poderá ser usado a ajudar os países a enfrentar momentos de forte volatilidade em seus mercado.


BRASIL: A PREVIDÊNCIA.

Sem agenda definida… Futuro comandante da articulação política do governo Jair Bolsonaro com o Congresso, o ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, indicou que a reforma da Previdência pode levar um pouco mais de tempo até ser enviada ao Congresso Nacional. Ele reconheceu também que o presidente eleito ainda não definiu quais assuntos prioritários serão endereçados primeiro quando o novo Congresso assumir em 1º de fevereiro.

Um pouco mais sobre a previdência… Sobre a reforma fiscal mais importante, a da previdência, o futuro ministro disse que a mesma não será feita “no afogadilho” e que será preciso ter “paciência”. “Por isso a gente não fala de modelo específico, não fala de prazo, porque tem que ser uma coisa bem construída. Temos quatro anos para garantir o futuro dos nossos filhos e netos” , disse. Talvez o país não tenha quatro anos de tolerância por parte dos mercados para fazer a reforma daqui 2 ou 3 anos.

Vai ser em 2019… O senador eleito e filho de Jair Bolsonaro, Flavio Bolsonaro disse em entrevista ontem que o governo não trabalha com a hipótese de não aprovar uma reforma da previdência ainda em 2019. Flavio, entretanto, afirmou que essa talvez não seja a primeira medida enviada ao congresso. O grande medo do mercado é que o governo utilize o seu grande capital político, típico de início de mandato com medidas menos estruturantes e que não promovam o crescimento econômico de longo prazo.

A tabela em risco… Em busca de uma solução para o imbróglio instalado no país, a equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro, já começou a estudar a possibilidade e os riscos de extinguir a tabela de frete rodoviário para cargas no ano que vem e sua eventual substituição para evitar a ameaça constante de novas greves de caminhoneiros como a de maio. As duas saídas dependem do Congresso.

Tabela dos problemas… A tabela só trouxe problemas para o país, além de desorganizar o setor de transportes. Muitos produtos agrícolas ficaram sem competitividade e passaram a ser estocados nas regiões onde são produzidos, uma vez que o custo de transporte para o porto ficou alto demais. Este é o caso do milho, por exemplo, produzido no Mato Grosso.

Na agenda de hoje… O grande destaque na agenda brasileira é a divulgação da PIM – produção industrial por parte do IBGE. O mercado espera um avanço ao redor de 1% na margem, revertendo a tendência negativa que o indicador tem mostrado na margem.

E os mercados hoje? É mais um dia de ambiente internacional não muito favorável para ativos de risco. No exterior, a agenda macro é mais fraca, e investidores seguem atentos aos detalhes do acordo comercial envolvendo EUA e China. Aqui, sem muitas novidades no noticiário, os destaques ficam por conta dos comentários sobre a Reforma da Previdência. O viés para ativos locais é, portanto, ligeiramente mais negativo (bolsa em baixa, e alta de dólar e DIs). No entanto, vale ficar atento que as commodities sobem e podem contrabalancear no desempenho do mercado.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,35%, aos 89.820 pontos;
Real/Dólar: -0,59%, cotado a R$3,844;
Dólar Index: -0,24%, 97,040;
DI Jan/21: -01 pontos base, 7,930%;
S&P 500: +1,02% aos 2.790 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras: Novo Acordo de negociação de dívidas do Sistema Eletrobras
Impacto: Marginalmente Positivo.

Rafael Passos – Equipe Econômica


Jornais:

Folha de São Paulo
– Sob Moro, PF terá reforço para apurar crimes de políticos
– Congresso será crucial para medidas de Guedes
– Sem Trabalho, novo governo terá 22 ministérios
– Escola encara novo sistema e problemas de sempre

O Estado de São Paulo
– Fim da Pasta do Trabalho dá a Guedes gestão de FAT e FGTS
– Justiça dos EUA acompanha investigação sobre Portos
– MPF cobra US$ 20 mi e ameaça Palocci com cadeia
– Sul e Sudeste abrem vagas para Medicina

O Globo
– Bolsonaro define equipe com 22 ministros
– Moro ficará com registro sindical, foco de corrupção
– Reforma deve mudar regras para servidores
– Juízes do México reagem a teto salarial fixado por Obrador

Valor Econômico
– Ações no STF podem piorar contas do próximo governo
– Relicitação da Dutra testará novas regras
– Com Trabalho dividido, serão 22 ministérios
– Trégua é bem-vinda, mas frágil

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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