Mercados Hoje: Dinheiro extra (no bolso do governo)

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Introdução: Ativos de risco operaram com maior aversão ao risco na ásia; Na Europa o sentimento é o mesmo e confirma que o dia será de realizações de lucro ao redor do mundo; Futuros do S&P seguem a tendência generalizada e também operam em baixa. Dados da economia europeia indicam um quadro frágil e uma possível acentuada desaceleração do bloco econômico; ECB preocupado, o anêmico quadro da europa preocupa muito o Banco Central, que disse que tem munição o suficiente para agir. No Brasil, governo aprova (na Câmara e Senado) crédito suplementar de R$248 bilhões, após acordo relativamente simples com a oposição; Moro consegue (por enquanto) escapar de uma CPI; na agenda dados do setor de varejo em abril.


CENÁRIO EXTERNO: PREOCUPAÇÃO GENERALIZADA

Mercados… Bolsas asiáticas deram início a um movimento de realização de lucros após duas semanas bastante positivas, o Nikkei recuou -0,35%, Hong Kong -1,73% e Shanghai -0,76%. Na Europa o dia segue o mesmo tom da ásia, o DAX perde -0,43%. Futuros do S&P perdem 0,34%, confirmando a generalizada aversão ao risco no dia de hoje. O petróleo WTI cai -1,42% cotado a US$51,85.

Números nada animadores… A indústria europeia não está nada bem e há o risco de infectar outras partes da economia, aprofundando o processo de desaceleração que vem deixando ocorrendo na economia do bloco. Os diferentes indicadores industriais mostram clara desaceleração do setor, enquanto o setor de serviços ainda está em uma tendência positiva. Porém, historicamente existe um processo de convergência, quando um setor tem uma dinâmica muito diferente de outro. Dada a importância o setor industrial na Europa, é natural que o setor de serviços seja quem irá convergir, infelizmente para baixo.

Preocupação generalizada… A preocupação é crescente nos mercados e até mesmo no Banco Central Europeu de que o setor de serviços não será capaz de resistir a uma maior queda na indústria. Isso prejudicaria o mercado de trabalho e a demanda interna, principais pilares que sustentam as perspectivas para a economia do euro.

Amortecedores… A resiliência em outras áreas, como transporte e tecnologia, ajudou a amortecer o impacto de um setor industrial afetado pela escalada das tensões comerciais, demanda mais fraca por parte da China e problemas na indústria automobilística, uma das principais do bloco europeu.

Com a palavra, o presidente do BCE… Mario Draghi, disse na semana passada que esse contágio é a “questão-chave” que motiva os analistas do BCE a elevar a perspectiva de mais ações monetárias flexíveis. O chefe do Banco da França François Villeroy de Galhau disse quarta-feira que o Conselho do BCE está pronto para agir se a economia economia europeia desacelerar de forma muito acentuada. Draghi fala hoje em Frankfurt, sede do BCE, em seu discurso será possível fazer uma inferência melhor do como o BCE tem observado os nada animadores desenvolvimentos recentes da economia.

Uma preocupação ainda maior… Olhando de cima a situação da economia global ela não é nada animadora, no agregado dos indicadores é possível fazer uma leitura de que existe uma desaceleração começando a acontecer na margem. Nada muito preocupante, por enquanto, mas caso o cenário não se reverta, existem grandes dúvidas se os grandes bancos centrais (FED, ECB, BOJ e PBOC) terão ferramentas e munição o suficiente para compensarem. Por enquanto, os mercados acreditam que a política monetária irá funcionar, mas dúvidas já começam a aparecer na cabeça dos grandes investidores.

Agenda… O destaque do dia será a divulgação dos dados da inflação ao consumidor nos Estados Unidos, o CPI (na sigla em inglês). Um número fraco poderá colocar ainda mais lenha na fogueira daqueles que apostam que o FED poderá fazer um corte de juros ainda em 2019.

 


BRASIL: DINHEIRO EXTRA NO BOLSO (DO GOVERNO)

250 bilhões… O Congresso aprovou, ontem (12), em sessão conjunta, a disponibilidade de R$ 248,9 bilhões em créditos suplementares, requeridos pelo governo. O financiamento adicional dará continuidade a importantes iniciativas como o Programa Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada e o Plano Safra. O governo evitou a quebra da regra de ouro, e garantiu a continuidade da execução de seu orçamento em 2019.

Tensões… Semana passada, a oposição obstruiu reunião da Comissão Mista do Orçamento, etapa que antecede votação em Plenário, gerando preocupação em torno da aprovação da PLN 4/2019, projeto que requer o financiamento adicional.

Lavada… Após acordo firmado com a oposição e parlamentares que resistem a medida, o governo obteve uma das maiores margens de vitória desde tomar posse em janeiro. A medida foi aprovada por 450 deputados e 61 no Senadores, todos os parlamentares presentes na sessão votaram a favor da medida do governo.

Articulação? O placar da votação é mais reflexo do conteúdo da matéria do que melhoria na articulação do governo. O acordo fechado pelo Executivo foi astuto e custou muito barato (menos de R$3 bilhões irão para as áreas acordadas), mas a matéria era, na verdade, de grande interesse da oposição, que se mostrou disposta a arriscar o financiamento de programas icónicos, com origem na esquerda, para pressionar o presidente a ceder ainda mais.

Salvo pelo Senado… O presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP), informou que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, prestará esclarecimentos para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no próximo quarta-feira (19), em torno das mensagens vazadas pelo site The Intercept Brasil.

Antes o Senado… O ministro se antecipou, evitando, por enquanto, que uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) fosse aberta para averiguar a ocorrência. Moro também se esquivou da Câmara dos Deputados, uma casa legislativa mais hostil ao governo, onde a articulação é mais árdua devido o maior número de parlamentares.

Salvo por Maia… Segundo rumores, parlamentares do Centrão buscavam a abertura da CPI, mas foram dissuadidos pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia tem atuado como um enorme amortecedor entre o governo e o chamado Centrão. Impressiona a disposição do presidente da Câmara em atuar como o apaziguador geral da nação.

Agenda… Fugindo um pouco do foco político e de volta a economia, hoje teremos a divulgação da pesquisa mensal do comércio – PMC, apurada pelo IBGE. A pesquisa trará o desempenho do varejo no mês de abril e trará pistas importantes de como a economia está se comportando no começo do segundo trimestre de 2019.

E os mercados hoje? A tônica no exterior está um pouco mais negativa hoje, porém existem boas notícias na cena política local, que podem até nos insular do mau humor externo. O prêmio de risco brasileiro, medido pelo CDS, opera estável ao redor dos 165 pontos. Portanto, vemos o dia de hoje, mais uma vez, como neutro/positivo para os ativos locais.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: + 1,53%, aos 98.960,00 pontos;
Real/Dólar: -0,81%, cotado a R$ 3,8575;
Dólar Index: -0,08%, 96,686;
DI Jan/21: – 5 pontos base, 6,170%;
S&P 500: -0,03% aos 2.885 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Mesmo sem perícia, STF pode usar em decisões diálogos de Moro e Deltan
– Ex-chefe da Lava Jato em SP diz que diálogos são normais e critica ministros do STF
– Governadores criticam proposta de Guedes para militares
– Decisão do STF sobre subsidiárias facilita desmonte estatal

O Estado de São Paulo
– Por estradas e portos, governo federal quer reduzir 60 florestas e reservas
– PSL promete fazer oposição a Onyx em depoimento na CCJ
– Bancos tentam negociar recuperação extrajudicial do Grupo Odebrecht
– Congresso aprova crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões para o governo

Valor Econômico
– Bolsonaro faz concessões e fecha acordos no com partidos do centro e da oposição
– Relatório do Tesouro mostra discrepâncias entre os regimes previdenciários
– Caixa devolve R$ 3 bilhões ao Tesouro em títulos de capital
– Cresce na Câmara apoio à reforma da Previdência

O Globo
– Brasil cai 10 posições em ranking que mede a paz no planeta
– Tributo maior sobre bancos pode compensar alterações na reforma da Previdência
– Conselho Nacional de Justiça arquiva representação contra Sergio Moro
– Falta de unidade na base governista deixa Moro preocupado com ida ao Congresso

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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