Introdução: No exterior, diminui a aversão a risco. Os perigos da “guerra comercial” são reduzidos. Nesta manhã, já temos um alívio nos mercados internacionais. Hoje, investidores estarão atentos aos dados de inflação dos EUA. O dólar opera misto frente a emergentes, e commodities sobem. No Brasil, é o 2º dia do Copom. Esperamos uma Selic estável. No front político, o TCU realiza a sessão plenária sobre a revisão do contrato de cessão onerosa entre União e Petrobras.


CENÁRIO EXTERO: NEGOCIAÇÕES AVANÇAM.

Mercados… Diminui a aversão a risco no exterior. As bolsas da Europa sobem, após sessão de ganhos na Ásia. No Japão, o Nikkei subiu 2,15%; enquanto o índice de Shanghai, na China, teve alta de 0,31%. Nos EUA, após quedas de ontem, o S&P opera no azul. O dólar opera estável frente a seus principais pares, em dia mais positivo para as commodities. Na China, o minério de ferro avançou 1,2%, cotado a US$ 66,73/tonelada. O petróleo (brent) opera na casa dos US$60/barril, em ligeira alta nesta manhã. Os juros das Treasuries avançam (10 anos ~2,86%).

Os riscos da guerra comercial – Parte I… Ao menos por agora, diminui nos mercados o receio com a “guerra comercial”. Ontem, a diretora-financeira (CFO) da empresa chinesa Huawei, Meng Wanzhou, teve aceito seu pedido de liberdade condicional após pagamento de fiança de US$ 7,5 milhões (R$ 29,2 milhões). Trump, em entrevista à Reuters, disse que, se necessário, interviria no Departamento de Justiça americano caso isso ajudasse a garantir um acordo comercial com os chineses. Lembrando: Meng é filha do fundador da companhia, e foi detida no início do mês no aeroporto de Vancouver, no Canadá, a pedido do governo dos Estados Unidos.

Os riscos da guerra comercial – Parte II… Trump ainda afirmou que não elevará tarifas sobre importações chinesas até que tenha certeza de um acordo. Em resposta, autoridades chinesas demonstraram “boa vontade” ao reduzir tarifas sobre as importações de carros americanos. As declarações deram fôlego aos ativos de riscos globais. Vamos acompanhar…

Na Europa: atentos à May… Theresa May, Primeira Ministra britânica, enfrentará o voto de não confiança contra a sua liderança no Partido Conservador. Os opositores de May no Parlamento asseguraram os 48 votos necessários para colocar a moção em pauta para votação. O evento deve ocorrer ao longo do dia. Vale notar: se May não conseguir os 158 votos (maioria do partido conservador – “Tory Party”), a premiêr deverá renunciar o cargo. A decisão de contestar a liderança de May veio depois que a premiê adiou por tempo indeterminado uma votação parlamentar sobre o acordo de Brexit.

Agenda… Nos EUA, no front macro, destaque para os dados de inflação ao consumidor, o CPI, (11h30), referentes a novembro. Espera-se que a inflação passe de 2,5% para 2,2%, e se mantenha estável frente ao mês anterior. Ainda nos EUA, saem os dados de estoque de petróleo do Departamento de Energia (DoE) às 13h30.


BRASIL: DIA DE COPOM.

2º dia de Copom… Reforçamos o nosso cenário-base: a Selic ficará aonde está, em 6,50%. Afinal, a inflação e as projeções de inflação seguem ancoradas, dentro da meta. Por outro lado, a economia se recupera, porém, de forma ainda muito gradual. De qualquer forma, o BC, em comunicado, deve continuar ressaltando os riscos, como o cenário externo, que segue “desafiador”. Também pode fazer menções, mais ou menos claras, às incertezas no front doméstico, especialmente quanto aos “ajustes” fiscais. No atual contexto, são boas as chances do BC manter a Selic estável nessa próxima reunião do Copom.

Sobre a Previdência… O deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), indicado para chefiar a Secretaria Especial de Previdência, disse que vai trabalhar para aprovar uma reforma da Previdência ainda no 1º semestre de 2019. Em nota à imprensa, Marinho disse que seu time segue trabalhando para “aprofundar” as discussões já conduzidas pelo grupo técnico.

De olho no fiscal… Ontem, a Câmara aprovou mais uma “pauta-bomba”: o projeto de lei que prorroga incentivos fiscais para empresas instaladas nas áreas de atuação das superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), do Nordeste (Sudene) e do Centro-Oeste (Sudeco). A previsão é que a prorrogação desses incentivos impacte uma renúncia fiscal de R$ 9,3 bilhões. Além do calendário apertado para a votação do Orçamento de 2019 neste ano, o governo ainda negocia a liberação de mais R$ 250 milhões de emendas para o Partido Progressista (PP). A notícia é negativa, e os ruídos podem influenciar nos movimentos dos ativos de riscos domésticos.

Ainda grande… Segundo projeções da IBGE, a safra de grãos 2018/19 deverá atingir 231,1 milhões de toneladas, um aumento de 1,9% frente à previsão anterior. Na comparação com a safra de 2018, haverá um incremento de 1,7% da produção. Ou seja: será a 2ª maior safra da série histórica, sendo superada somente pelas 238,4 milhões de toneladas produzidas em 2017.

Agenda de hoje… É dia de Copom (decisões após o mercado). Este é o grande destaque do lado macro. Antes disso, o BC divulga o fluxo cambial semanal (12h30). No front micro, o TCU realiza a sessão plenária sobre a revisão do contrato de cessão onerosa entre União e Petrobras (14h30). Espera-se que o TCU não atribua novos obstáculos à aprovação do leilão pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para 17 de dezembro. Com essa aprovação, o leilão poderá ser realizado em meados de junho de 2019.

E os mercados hoje? Diante de um quadro externo mais positivo, temos um viés mais favorável para ativos de risco por aqui. A percepção de risco país (CDS de 5 anos) recua, corroborando um início de sessão mais positivo. Assim, a bolsa tende a subir. No mercado de juros, deve prevalecer algum viés baixista, à espera do Copom e diante de menor risco. Para o dólar, direção menos clara, em nossa opinião. O dólar, por ora, opera misto frente aos emergentes.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,59%, aos 86.420 pontos;
Real/Dólar: -0,59%, cotado a R$3,900;
Dólar Index: +0,17%, 93,388;
DI Jan/21: -01 pontos base, 7,810%;
S&P 500: -0,04% aos 2.637 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

BR Distribuidora: Cia. cria empresa de gás com governo do ES
Impacto: Marginalmente Positivo.

Energisa: Aneel aprovou reajustes tarifários
Impacto: Marginalmente Positivo.

Vale: Cia. assinou um acordo com a Hankoe FIP
Impacto: Marginalmente Positivo.

Rafael Passos – Equipe Econômica


Jornais:

Folha de São Paulo
– Poder intermediário não requer intermediário, diz presidente eleito
– Ex-auxiliar de Flávio sacava após depósito de valor similar
– Sem controle do partido, May adia votação do “Brexit”
– Macron aumenta mínimo para deter “coletes amarelos”

O Estado de São Paulo
– Delatores deixam de pagar R$ 422 milhões em multas
– Futuro ministro diz que concluir Angra 3 será prioridade
– Caminhoneiros protestam e pedem volta da tabela de frete
– “Governarei em benefício de todos, sem distinção”

O Globo
– Diplomado, Bolsonaro promete governar para todos
– Moro: Depósitos têm que ser esclarecidos
– Aposentadorias especiais, desafios para os Estados
– MPs recebem dezenas de denúncias contra médium

Valor Econômico
– Fazenda sugere que ajuste exigirá alta de impostos
– EUA retomam apoio ilegal ao algodão
– Fisco pode pedir prova de recurso repatriado
– BNDES deve atingir meta de venda de ações

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Equipe Econômica

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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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