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Mercados Hoje: a desistência #2

Introdução: As bolsas de Europa e EUA seguem mostrando recuperação, após “correções” recentes. A China continua em feriado. No Brasil, a saída de Luciano Huck da disputa pode dar forças às pré-candidaturas de “centro”. Os índices de inflação segue fracos, e abaixo do esperado. O setor de serviços mostrou crescimento acima do esperado em dezembro. O governo pode anunciar hoje o Ministério da Segurança Pública.


CENÁRIO EXTERNO: BOM MOMENTO PARA ATIVOS DE RISCO.

O “básico” dos mercados… As bolsas da Europa sobem, após ganhos de ontem nos EUA. Aliás, no ano, o índice S&P 500 já acumula alta de 2,15%. No pior momento, chegou a acumular queda de 3,5% no ano. Tem mostrado uma recuperação nos últimos dias. Nesta manhã, o S&P futuro sobe, sinalizando nova sessão positiva. O dólar registra leve alta frente a principais pares; mas os juros das Treasuries têm leve recuo. Os juros de 10 anos operam ao redor de 2,88%. É, em suma, um melhor momento para ativos de risco.

EUA: sem medo da inflação… Não houve forte aumento da demanda por títulos americanos atrelados à inflação, e a taxa de retorno dos papéis, com isto, ficou acima daquilo que muitos esperavam para o leilão. É algo importante: afinal, mostra que não há, no mercado, neste momento, um grande temor pelo aumento da inflação. Atualmente em 1,5%, a inflação ainda está abaixo da meta do Fed, de 2% (considerando o “núcleo” do índice PCE).

Mundo: o “medo” voltou… Em nosso blog, abordamos ontem, num texto, a volta da volatilidade aos mercados internacionais. Parece-nos ser algo positivo, após um período de volatilidade extremamente baixa, que pode/poderia levar investidores a tomarem riscos desmedidos. Em nossa opinião, os “fundamentos” seguem positivos: as economias crescem em ritmos fortes. Neste texto, falamos das recentes “correções” dos mercados acionários. Em nossa visão, as perspectivas ainda são favoráveis.

China: feriado prolongado… Falamos ontem, mas voltamos a destacar: do dia 15 ao dia 21 (próxima 4ª), será feriado nacional na China, e alguns mercados estarão fechados. Nem em Hong Kong os mercados abriram na última sessão. Será algo importante a se monitorar, dado o impacto que tais mercados têm sobre as commodities, por exemplo.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, destaque para os dados de janeiro, referentes às novas construções residenciais e concessões de alvarás (11h30). Espera-se uma recuperação, após um dezembro fraco. Além disso, será divulgado o índice de confiança do consumidor de fevereiro (13h).


BRASIL: INFLAÇÃO FRACA; SEGURANÇA NO RADAR; E DESISTÊNCIA DE HUCK.

Missão dada… O Ministério da Segurança Pública pode ser anunciado hoje pelo governo, após reuniões de ontem entre Temer e outros ministros. No encontro, também trataram das medidas de segurança no Rio de Janeiro, junto ao governador Pezão. Foi, aliás, decretada a intervenção na segurança do Rio. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado.

Vamos discutir… O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou para a próxima 3ª (dia 20) o início das discussões da nova reforma da Previdência, mesmo sem o mínimo dos votos para aprova-la. Segundo uma fonte da equipe econômica, deverão ser incluídas 2 concessões: (i) regra de transição para os servidores que ingressaram até 2003, para que eles possam se aposentar com integralidade (último salário da carreira) e paridade (reajustes iguais ao dos ativos); e (ii) acumulação de benefícios (aposentadoria e pensão) até o teto do INSS (em R$5.645).

Intervenção e Constituição… Mais um empecilho para a reforma da Previdência: enquanto a intervenção vigorar no Rio, não pode haver alteração na Constituição. Ou seja, nenhuma PEC – como é o caso da Previdência – poderia ser aprovada. A estratégia? Suspender os efeitos da intervenção, apenas por 1 dia, para conseguir, caso seja viável, a aprovação da reforma. Seja como for, concordamos com a Folha: “a aprovação da reforma da Previdência parece mais improvável a cada dia que passa”.

Pauta alternativa… Caso a reforma da Previdência não avance, o governo colocará uma outra pauta para os próximos meses. Tem sido ventilado que a independência do BC poderia ser votada neste ano, por exemplo, juntamente com a privatização da Eletrobrás, e a securitização das dívidas dos estados com a União.

Não vai dar… Foi confirmado ontem: Luciano Huck não disputará a corrida presidencial. É a 2ª vez que Huck desiste, sem ter, formalmente, decidido nada. Se nada mudar (isto é, se ele não voltar a pensar nesta possibilidade até o dia 7 de abril), quem se favorecem são as tais “pré-candidaturas de centro”. Ou seja, o atual governador de SP Geraldo Alckmin (PSDB) e, em menor medida, Maia (DEM). Embora Huck possa dar apoio a Alckmin (como aponta coluna do Estadão de hoje) – e “atuar mais do que nunca” no pleito deste ano –, a saída de Huck pode aumentar o risco eleitoral à frente. Afinal, ao deixar a corrida sem o claro “anti-establishment”, dá espaço para que Bolsonaro possa ganhar tração.

Inflação fraca… Seguimos vendo índices de preços fracos, e abaixo do esperado pelo mercado. Hoje, por exemplo, saíram 2 índices, referentes à 2ª quadrissemana de fevereiro: o IPC-Fipe e o IPC-S. Ambos subiram menos do que o esperado: 0,03% e 0,46%, respectivamente (contra expectativa de 0,15% e 0,60%, respectivamente). Isto é algo que pode levar o BC, em março, a cortar a Selic para 6,50%, dos atuais 6,75%. Afinal, deixou claro em suas Notas do Copom, divulgadas ontem, que “a continuidade do ambiente com inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos” poderia leva-lo a uma “flexibilização monetária moderada adicional”.

Setor de serviços… O IBGE divulgou hoje dados sobre o setor: o volume cresceu 0,5% em dezembro de 2017, frente a dezembro de 2016. O mercado esperava queda de 0,3%. Frente a novembro, os volumes cresceram 1,3% e, em 12 meses, a queda é de 2,8%. Em suma: dados bons, que mantém a perspectiva de retomada econômica. Aqui, também vale frisar: segundo o BC, “a recuperação mais consistente da economia” seria um dos fatores que poderia levá-lo a interromper o ciclo de cortes de juros.

E os mercados hoje? Acreditamos que o viés mais positivo para os mercados locais deva continuar nesta sessão. Afinal, o exterior se mostra favorável. Assim, vemos um viés de alta em bolsa, e de queda em dólar. No mercado de juros, parece-nos que o exterior pode evitar quedas mais expressivas, a despeito dos números de inflação fracos. O noticiário doméstico (no front político, em especial) parece ser misto, sem direção clara neste momento.

Ignacio Crespo Rey – Economista


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,90%, aos 84.291 pontos;
Real/Dólar: +0,22%, cotado a R$3,231;
Dólar Index: -0,50%, 88,513;
DI Jan/21: -04 pontos base, 8,720%;
S&P 500: +1,21% aos 2.731 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


EMPRESAS:

Alpargatas: CVM deferiu pedido da Itaúsa de OPA da Alpargatas
Impacto: Marginalmente Positivo.

Petrobras: Cia avança na venda da TAG e três grupos disputam gasodutos
Impacto: Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Petrobras se blinda contra intervenções danosas do governo
– Huck confirma decisão de não se candidatar à Presidência
– “Vou ali chorar e já volto”, diz o apresentador
– Suspeito de ataque nos EUA integrava um grupo racista

O Estado de São Paulo
– Huck escolhe permanecer na TV e desiste de candidatura
– Temer fará intervenção na segurança pública do Rio
– Montadoras desafiam acordo com a Argentina
– Atirador treinou com grupo supremacista

O Globo
– Temporal causa 4 mortes e expõe despreparo do Rio
– Na Europa, Crivella estica visita que custou R$ 130 mil
– Planalto discute segurança no Rio
– Venezuelanos que pedem refúgio já são mais de 35 mil

Valor Econômico
– Fazenda quer participar de investigação antidumping
– Marina sugere “demissão” de 200 deputados
– Eletropaulo pode pagar R$ 1,6 bi à Eletrobras
– Huck desiste de disputar Presidência

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE) e em Finanças pela Barcelona Graduate School of Economics (BGSE). Graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Entre 2013 e 2018, atuou como economista da Guide Investimentos, cobrindo o mercado doméstico e os internacionais, e sendo um dos responsáveis do asset allocation dos clientes. Desde 2018, atua como consultor Guide Investimentos, cobrindo principais eventos do cenário internacional e escrevendo artigos semanais para o blog.

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