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Mercados Hoje: De ponta cabeça

Introdução: Bolsas asiáticas operaram de forma mista; Na Europa o dia começa com grande aversão ao risco, com o DAX recuando -1,35%. Futuros do S&P indicam que dia não será fácil; Petróleo (WTI) recua mais de 2%; Curva de juros americana está com a maior inclinação negativa desde 2007. No Brasil, política continua sendo o principal driver local; Maia quer mais celeridade na apresentação do relatório da previdência; MP870 é sacramentada no Senado; E a MP do saneamento vai ralo abaixo.


CENÁRIO EXTERNO: DE PONTA CABEÇA…

Mercados… Bolsas asiáticas tiveram uma noite mista, o índice de Shanghai avançou 0,16%, enquanto Hong Kong e Tóquio registraram quedas de -0,57% e -1,21% respectivamente. Na Europa, e no mundo, o dia começa com uma forte renovação do sentimento de aversão ao risco, com o DAX recuando -1,35%. Na frente das commodities o petróleo WTI perde mais de 2%, retornando para abaixo dos US$58 dólares o barril. Os futuros americanos confirmam o dia azedo, com o índice do S&P futuro perdendo -0,60%.

De ponta cabeça… Um dos principais manômetros (instrumento para medir pressão) que os investidores usam é o spread entre a parte curta e a longa da curva de juros americana. O spread de 3 meses contra o de 10 anos. Tal número está invertido em -12bps, o que contraria a lógica financeira/econômica de que o custo do dinheiro no longo prazo deveria ser maior do que no curto. Essa é maior inversão desde 2007.

Por que assusta? Uma série de modelos de previsão de recessão utilizam esse spread como a principal variável para estimar a probabilidade de uma vindoura recessão na economia americana. Além do fato de que se estão acreditando de que o dinheiro no longo prazo é mais barato do que hoje, então se acredita (por consequência) de que os juros serão menores, indicando que a economia estará mais fraca amanhã do que hoje. 

Run to the hills… Com essa renovação da aversão ao risco, os investidores buscam ativos mais seguros como as treasuries americanas e os títulos japoneses. A grande demanda faz com que esses títulos tenham seus rendimentos (yields) diminuídos. Logo os títulos americanos e japoneses operam próximos das mínimas do ano.

Mais um manômetro… Outro indicador de que a coisa não anda muito saudável na economia global é que o Banco Central Chinês (PBOC na sigla em inglês), fez a sua maior injeção de liquidez, no ano, no mercado bancário. Indicação clara de que as autoridades chinesas já estão se preparando para conter uma desaceleração.

Agenda… Não existem indicadores relevantes a serem divulgados hoje.


BRASIL: PÉ NO ACELERADOR (SÓ NO LEGISLATIVO)

Fim da novela? Aprovada no Senado a MP 870, com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ficando sob a alçada do Ministério da Economia e não da Justiça.

Jogando contra? Para evitar que a MP voltasse à Câmara dos Deputados e pudesse ficar comprometida pelo prazo – perderia os efeitos se não fosse chancelada pelo Congresso Nacional até 3 de junho – Bolsonaro mobilizou esforços e enviou uma carta pedindo que o Senado votasse a MP sem alterações, desistindo do plano inicial do governo e do ministro da Justiça, para que o Coaf ficasse sob a alçada da pasta do ex-juiz da Lava-Jato.

Acelera Maia… O presidente da câmara disse que vai pedir para Samuel Moreira apresentar seu relatório antes do dia 15/06. O presidente da Câmara se comprometeu em acelerar a votação da reforma da Previdência, um dos pontos defendidos pelos manifestantes no domingo.

Boa notícia ou não… Apesar de ser positivo o fato de que a tramitação na comissão especial esteja andando em boa velocidade, e que exista pressão de Maia para que a coisa seja ainda mais célere, uma dúvida fica na cabeça: será que o governo tem os votos que precisa no plenário? Logo uma tramitação rápida do texto da reforma na comissão especial pode significar um tempo menor para se garantir os votos. 

Acelerar só na política mesmo… Amanhã serão divulgados os dados oficiais do PIB do primeiro trimestre. Acreditamos numa queda de -0,26% em comparação ao último trimestre de 2018. Logo se não pisar no acelerador da política, a economia irá continuar com o pé no freio. 

Cafezão do pacto…. Durante café da manhã realizado ontem (28) no Palácio da Alvorada, os presidentes dos três poderes discutiram a assinatura de um “pacto pelo brasil”. O tratado, atualmente em fase de negociação, deve incluir temas como as reformas da Previdência e tributária, o empoderamento de municípios e estados, o combate à corrupção, entre outras medidas. Segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o documento deve ser assinado na primeira metade de junho. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, já advertiu que só assinará o pacto caso tenha o aval das lideranças partidárias do seu colegiado.

Cafézinho da paz… Independente da indefinição que oculta o conteúdo do tratado, a reunião entre Bolsonaro, Toffoli e Maia foi de extrema relevância. O café representa uma resposta imediata do Estado aos protestos de domingo. Rodrigo Maia se reuniu com Bolsonaro, apesar das duras críticas que recebeu do eleitorado do presidente. Bolsonaro agiu como vencedor gracioso, minimizou as críticas feitas ao Congresso e ressaltou as demonstrações de apoio a sua agenda económica. Dias Toffoli, presidente do STF, demonstra entusiasmo diante do novo papel de mediador. O impacto das manifestações sobre o relacionamento do Executivo com o Legislativo foi positivo.

MP do Saneamento vai ralo abaixo… Segundo vários parlamentares, a Medida Provisória 868/18, que estabelece novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, deve expirar no dia 3 de junho. A propositura, de autoria do governo Temer, teve desfecho definido pela sua alteração mais contenciosa, que pretende forçar empresas estaduais a competirem com privadas por contratos municipais de saneamento básico. Inicialmente, havia esperança que a MP ainda seria pautada esta semana. 

Nem tudo está perdido… A desistência da MP 868 não significa que a iniciativa foi abandonada. A proposta deve ser reintroduzida através de projeto de lei. Além disso, a Câmara lança (29) esta semana a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Saneamento Básico, que será liderada pelo deputado Enrico Misasi (PV-SP). A expectativa é que o grupo trabalhe em prol da aprovação do novo projeto, que deve tramitar em regime de urgência, pendente acordo na Câmara.

Agenda… O principal destaque do dia é a divulgação dos dados de crédito e política monetária, referentes a Abril, por parte do Banco Central. 

E os mercados hoje? A aversão ao risco global deve nos prejudicar hoje, colocando pressão principalmente sobre o dólar. A boa notícia é que no front político as notícias têm sido positivas e ajudam a amortecer os movimentos vindos lá de fora, principalmente na bolsa. O prêmio de risco brasileiro acompanha os demais emergentes e sobe para próximo dos 180 pontos. Portanto, vemos o dia de hoje como negativo para os ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: : +1,61%, aos 96.393 pontos;
Real/Dólar: -0,41%, cotado a R$4,02;
Dólar Index: +0,35%, 97,952;
DI Jan/21: -14 pontos base, 6,610%;
S&P 500: -0,84% aos 2.802 pontos. 

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
Flávio Bolsonaro tenta bloquear investigação na Justiça pela terceira vez
– Relator estuda manter cálculo mais vantajoso para a aposentadoria
– Bolsonaro diz ter mais poder por ter ‘caneta para editar decretos’
– Senado aprova redução de ministérios e Coaf sem Moro

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro afirma que ‘com a caneta tem mais poder’ do que Maia
– Governo reduz pedido de verba suplementar em R$ 102 bilhões
– ‘Teve um quê de cinismo o encontro entre representantes dos três Poderes’
– Câmara aprova MP que cria Autoridade Nacional de Proteção de Dados

Valor Econômico
– Rodrigo Maia e Paulo Guedes articulam pauta de corte de gastos
– Fiat-Renault teria 26% do mercado de carros no país
– Em Manaus, 55 detentos são mortos 
– Mercosul reduz exigência para acordo com UE

O Globo
– STF decide hoje sobre atividade insalubre de gestantes e lactantes
– Senado rejeita Coaf com Moro e aprova MP
– SP prepara editais de concessão para quatro presídios
– Incra barra na Justiça pagar indenizações a donos de terras 

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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