Mercados Hoje: de olho nas pesquisas, e no BC

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Introdução: Prevalece a cautela no exterior. Investidores digerem notícias negativas para Trump. Ex-advogado pessoal do presidente americano, Michael Cohen, admitiu ter praticado crime eleitoral a pedido de Trump. O dólar opera mais fraco no exterior; e as commodities mistas. No Brasil, Datafolha mostra força de Lula e relativa fraqueza de Haddad no segundo turno. BC não sinaliza atuação no câmbio. No front micro, Aneel aprovou a desverticalização da Amazonas Energia. Assim, o ativo deve ir a leilão em 26 de setembro.


CENÁRIO EXTERNO: TRUMP ENFRENTA MAIS UM ESCÂNDALO. 

O “básico” sobre os mercados… As bolsas na Europa se sustentam no terreno positivo, após duas sessões de ganhos. Por enquanto, não há grandes novidades. Na Ásia, a sessão foi mista (o índice de Xangai caiu 0,70%, enquanto o índice Nikkei subiu 0,64%). Nos EUA, o S&P futuro opera com viés de baixa. Ontem, o S&P500 bateu no intraday máxima histórica. O dólar opera em ligeira queda no exterior; e commodities mistas. O minério de ferro subiu 0,70% na China, cotado a US$66,03/tonelada. O petróleo (brent) sobe mais de 0,5% (~8h45), e oscila por volta de US$73,8/barril.

Bunga bunga… No final da tarde de ontem, um dos principais advogados de Trump aceitou um acordo de colaboração com a justiça americana. Segundo suas declarações, ele atuou em favor de Trump com o intuito de efetuar pagamentos para mulheres que supostamente teriam tido um “caso” extraconjugal com o então candidato a presidente. O intuito dos pagamentos era para que essas histórias não viessem a público e, assim, afetar o resultado final das eleições. Difícil ocorrer pela alta aprovação de Trump e maioria no Congresso, mas este tipo de situação poderia ser passível de algum pedido de impeachment do Presidente dos EUA. Vale lembrar que em 6 de novembro temos o midterm elections (eleições realizadas dois anos após cada eleição presidencial, com sufrágio de todas as 435 cadeiras com direito a voto na Câmara dos Representantes e 35 cadeiras do Senado americano). Esse noticiário durante esse período pode levar a mudanças na fisiologia do Congresso norte americano.

Juros neutros… Robert Kaplan, presidente do Fed de Dallas e membro não votante do FOMC, defende a continuidade do ajuste do juro básico até que seja atingido o seu nível considerado como neutro. Para Kaplan, dada sua expectativa de que a inflação anual oscilará ao redor de 2,0% nos próximos anos, o juro neutro nominal será entre 2,75% e 3,0%. Logo o Fed teria de subir a Fed Funds Rate mais três ou quatro vezes. A visão de Kaplan se distingue da mediana das projeções dos membros Fomc quanto ao nível final da Fed Funds Rate neste ciclo de normalização da política monetária. Segundo o mais recente Relatório de Projeções Econômicas, a taxa básica de juros deveria subir até 3,50% em 2020, ou seja, ficaria num patamar moderadamente restritivo. Esperamos que a alta de juros nos EUA siga gradual. Ainda esperamos mais duas altas em 2018 para 2,5%.

JEm modo “espera”… Investidores ficam de olho – e à espera – do evento de Jackson Hole (EUA). A conferência acontece desde 1978, organizado pelo Fed de Kansas. Embora o mercado financeiro não participe em peso deste evento (costuma ter maior presença de acadêmicos e dirigentes de BCs), todos estarão atentos — de uma forma ou de outra — às possíveis sinalizações referentes à trajetória da redução dos balanços dos BC’s e trajetória dos juros nos EUA. Por sinal, esta será a 1ª conferência liderada pelo novo presidente do Fed, Jerome Powell, que discursa na 6ª feira (24).

Um pouco mais sobre o Jackson Hole… Historicamente, o evento tem antecipado grandes tendências, e — em alguns casos — influenciando nos movimentos dos mercados emergentes. Vale recordar: em 2012, Ben Bernanke, presidente do Fed na época, antecipou o anúncio de uma nova rodada de estímulos monetários; em 2014, foi Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), que antecipou novos estímulos para o bloco europeu. Este ano, em especial, marca os 10 anos pós crise de 2008. Esperamos alguma novidade…

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, destaque para os dados de moradia (11h) e a Ata da última reunião do FOMC (de 1º de agosto), às 15h. O mercado espera um aumento marginal no número de casas vendidas de 5,38 milhões para 5,40 milhões em julho. Uma variação de 0,4% na comparação mensal. O dado será divulgado às 11h.


BRASIL: DATAFOLHA REFORÇA CENÁRIO INCERTO.

Datafolha… O instituto divulgou pesquisa realizada nos dias 20 e 21 de agosto em 313 municípios com a participação de 8.433 pessoas. No cenário com Lula ele é o líder. O ex-presidente obteve 39% das intenções de votos (era 30% em junho). No cenário sem Lula, que deve ser impugnado, Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 22% (era 19%), seguido de Marina Silva (Rede) com 16% (era 15%), Ciro Gomes (PDT) com 10% (era 10%) e Geraldo Alckmin (PSDB) com 9% (era 7%). Apesar dos números estáveis em termos de intenções de voto, Bolsonaro continua sendo o candidato com maior rejeição: 39%, contra 26% de Alckmin e 25% de Marina.

Transferência de votos… O grande desafio do PT será a estratégia de transferência de votos de Lula para Fernando Haddad. Como o processo de impugnação da candidatura de Lula só será resolvido no início de setembro, o PT terá um tempo mais curto na propaganda gratuita para transferir os votos. Segundo o Datafolha, 31% dos pesquisados dizem que votariam num candidato apoiado por Lula e 18% responderam talvez; 48% não votariam. Dos eleitores de Lula, 62% votarão com certeza no candidato apoiado por ele, o que resultaria numa intenção de voto de 24% para Haddad. Fernando Haddad tem boas chances de estar no segundo turno.

    SE o Segundo turno? Num eventual segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, o ex-capitão do exército tem 38% contra 29% de Haddad. Alckmin ficou mais forte em um eventual segundo turno com 43% contra 20% de Haddad (era 36% contra 20% em junho). Alckmin perde apenas para Marina Silva (41% x 33%). A alta rejeição de Bolsonaro, o desconhecimento de grande parte do Nordeste de Haddad ainda mantêm a disputa de segundo turno aberta. Por enquanto, a pesquisa mostra uma disputa entre Bolsonaro e Marina Silva no segundo turno, com a impugnação de Lula. Nesse cenário, Marina Silva tem 45% contra 34% de Bolsonaro.

    Cadê o BC? A idiossincrasia do Real, com as pesquisas eleitorais e espiral negativa dos emergentes, ainda não levou o BC a atuar de forma mais pujante para conter a desvalorização da taxa de câmbio. O BC manteve a rolagem de 4,8 mil contratos de swap. O mercado ainda não parece ter encontrado um novo patamar de equilíbrio e novas máximas devem ser testadas. A bolsa também sofre com as incertezas eleitorais e aumento do prêmio para tomar risco por parte dos agentes.

    Agenda de hoje… No front macro, não temos indicadores relevantes. No front político, o Ministro Eduardo Guardia tem audiência com economista Paulo Guedes, assessor econômico de Bolsonaro, às 15h00, em Brasília.

    E os mercados hoje? Com a manutenção de dúvidas do resultado eleitoral de outubro, e diante de cautela do investidor estrangeiro, o viés para os ativos locais não nos parece muito favorável para hoje. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, tem leve alta nesta manhã (~257 pontos base). O dólar ainda deve se manter pressionado para cima e a curva de juros pode abrir. Estudos preliminares já apontam para uma inflação levemente mais alta com o novo patamar do dólar.

    Sobre o fechamento do último pregão:

    Ibovespa: -1,50%, aos 75.180 pontos;
    Real/Dólar: +2,00%, cotado a R$4,049;
    Dólar Index: -0,67%, 95,256;
    DI Jan/21: +29 pontos base, 9,660%;
    S&P 500: +0,21% aos 2.863 pontos

    Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


    EMPRESAS:

    Eletrobras: Aneel aprova desverticalização da Amazonas Energia.
    Impacto: Marginalmente Positivo.

    Luis Gustavo Pereira – Estrategista


    Jornais:

    Folha de São Paulo
    –  Morre aos 61 o jornalista Otavio Frias Filho
    – Preso, Lula tem 39%; sem ele, Bolsonaro chega a 22%
    – Dólar passa dos R$ 4, em meio a pesquisas de intenção de voto
    – Valor enviado por brasileiros a outros países bate recorde

    O Estado de São Paulo
    – Pesquisa leva dólar a R$ 4 e faz campanhas revisarem estratégias
    – Candidatos declaram ter R$ 340 mi em dinheiro vivo
    – Morre Otávio Frias Filho, responsável pelo Projeto Folha
    – Caixa anuncia plano para salvar Porto Maravilha

    O Globo
    – Metade dos eleitores brasileiros de baixa instrução está sem candidato
    – “Andrade” inicia busca de votos no Nordeste

    Valor Econômico
    – Balanços mostram trimestre de lucros
    – Otimista, JBS acelera sua “locomotiva” americana

    Contatos

    Renda Variável*


    Luis Gustavo Pereira – CNPI
    [email protected]

    Equipe Econômica

    Lucas Stefanini
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    Rafael Gad
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    Julia Carrera Bludeni
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    Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

    Estrategista

    Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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