Mercados Hoje: Davos movimenta a semana

Introdução:

Internacional
• Mercados acionários iniciaram a semana sem tendência bem definida;
• Assinatura do acordo entre China e EUA, início de uma temporada de balanços positivos nos EUA e a divulgação de dados econômicos acima do esperado nas maiores economias sustentam mercados em patamares elevados;
• Fórum Econômico Mundial de Davos tem início nesta 2ªF;
• Na falta de novidades no quadro geopolítico, a atenção do mercado permanece voltada a dados econômicos e balanços corporativos.

Brasil

• Mercado local segue sofrendo com saída de capital estrangeiro da bolsa;
• Paulo Guedes vai a Davos “vender o Brasil” para o investidor internacional;
• Presidente da CBIC prevê crescimento de 3% para o setor da construção civil em 2020;
• Bolsonaro projeta bancada partidária de 100 deputados em 2022;
• Pesquisa CNI aponta para estagnação da indústria em 2019
• Índices de preços ajustam apostas em decisão do Copom ao longo da semana.


CENÁRIO EXTERNO: DAVOS MOVIMENTA A SEMANA


Mercados… Índices de mercado asiáticos iniciaram a semana com desempenhos mistos, sem grandes destaques. Na zona do euro, bolsas também iniciam do dia de lado, com o STOXX600, índice pan-europeu, recuando 0,1% até o momento. Em NY, futuros operam com leve viés de baixa, mas bolsas não abrem em função do feriado do Martin Luther King Day. Em dia em que se espera liquidez reduzida nos mercados, o dólar (DXY) também se mantem estável contra seus principais pares. Na frente das commodities, ativos se mantêm predominantemente em terreno positivo. O petróleo (Brent crude) registra ligeiro avanço (+0,6%), negociado acima dos US$ 65,00/barril.

Davos movimenta semana… Mercados iniciaram o dia sem tendência definida em pregão que deve contar com baixa liquidez em função do feriado do Martin Luther King Day nos EUA. Na semana passada, a combinação da assinatura da 1ª fase do acordo comercial com a divulgação de uma série de dados econômicos robustos nas maiores economias do mundo e um início promissor da temporada de resultados nos Estados Unidos foi o principal vetor dos mercados, que continuaram renovando máximas nos Estados Unidos. Para esta semana, investidores deverão seguir atentos às agendas econômicas e corporativas, além dos acontecimentos no Fórum Econômico Mundial de Davos – evento que começa hoje e perdura até a 6ªF.

Ponto de preocupação… Relatos de um novo vírus que começa a se espalhar pela China tomaram conta do noticiário internacional. O 2019-nCoV, também conhecido como “novo coronavirus” tem sintomas parecidos com o de uma pneumonia, e chama atenção pelas similaridades com a Síndrome respiratória aguda grave (SARS, na sigla em inglês), doença que chegou perto de matar 800 pessoas 17 anos atrás. Por ora, a novo vírus causou a morte de 3 chineses e já parece ter se espalhado para a Coreia do Sul. O caso preocupa ainda mais em função do feriado do ano novo lunar na China, quando grande parte da população chinesa viaja ao redor do país para se reunir com familiares. Ainda não existe uma estimativa real de quantos foram afetados até o momento, mas o caso deve se manter como principal ponto de preocupação ao longo da semana. Vamos acompanhar…

Na agenda… A semana conta com uma agenda repleta de indicadores para as principais economias globais. Amanhã, o investidor avalia o índice de expectativas ZEW na zona do euro, um dos principais indicadores de confiança da economia europeia. Na 4ª, o destaque fica com o Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago (CFNAI) e das vendas de moradias usadas nos Estados Unidos. Na 5ªF, a reunião de política monetária do BCE é seguida pelo índice de confiança dos consumidores na zona do euro. Por fim, para fechar a semana, saem as leituras preliminares de janeiro dos Índices de Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) referentes as economias dos EUA e da zona do euro na 6ªF.


BRASIL: DAVOS – GUEDES TEM MISSÃO DE TRAZER ESTRANGEIRO AO BRASIL

“Setor da construção civil deve crescer 3% em 2020″… Esta é a previsão do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, feita durante entrevista condida ao Poder 360. Caso a sua projeção se confirme, o resultado representará a maior expansão para o setor desde 2013, quando cresceu 4,5%. Além da projeção de crescimento setorial, Martins também revelou que acredita que a construção civil deve criar 100 mil empregos até o final do ano. O presidente da CBIC destacou a baixa taxa de juros e da inflação como a justificação para a sua perspectiva otimista.

Bancada de 100 deputados… Em evento realizado em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro revelou que espera eleger uma bancada partidária de 100 deputados nas eleições de 2022. O evento foi elaborado para acumular as assinaturas necessárias para viabilizar a formação do seu partido, Aliança pelo Brasil. A projeção do presidente é bastante otimista, logo que a bancada do seu antigo partido, o PSL, que surfou a onda da sua popularidade em 2018, só elegeu 52 deputados. Caso a Aliança seja formada a tempo de lançar candidatos em outubro, as eleições municipais serviram como um termômetro para a força eleitoral do bolsonarismo.

Pesquisa da CNI traz resultados mistos sobre o setor industrial… A pesquisa de utilização de capacidade industrial (UCI) de novembro, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou a maior taxa de utilização industrial desde agosto de 2018, após ajuste sazonal. Apesar do resultado positivo na categoria UCI, o mês trouxe uma leve queda de 0,6% no faturamento para o setor frente a outubro. Os 5 resultados positivos que antecederam a mais recente pesquisa sobre o faturamento ainda sustentam o indicador em território positivo (0,5) em 2019.

Indicadores de mão de obra devem registrar leve queda no ano… As métricas de novembro referentes a mão de obra, como horas trabalhadas e emprego, não registraram variações relevantes frente ao mês imediatamente anterior. A expetativa da CNI é que os dois indicadores encerrem o ano de 2019 registrando uma leve queda em comparação com 2018. As pesquisas reveladas até então indicam que 2019 será um ano sem avanços relevantes para o setor industrial.

Agenda… Em semana fraca de indicadores de atividade, o foco se volta aos índices de preços, com a 2ª prévia do IGP-M saindo nesta 3ªF e o IPCA-15 na 4ªF. Ambos indicadores deverão mostrar um arrefecimento do choque promovido pela alta das proteínas. Com base nestes resultados, o mercado deve voltar a ajustar suas expectativas em relação ao que será decidido na reunião do Copom em fevereiro. No âmbito político, Guedes vai a Davos defender a agenda econômica brasileira, na busca de vender o Brasil a estrangeiros que já acumularam uma saída de cerca de R$ 6 bilhões da bolsa neste início de ano.

E os mercados hoje?  No exterior, mercados iniciaram a semana sem tendência definida. O dia que deve ter como característica a baixa liquidez em função do feriado nos Estados Unidos (Martin Luther King Day). No Brasil, o mercado segue apresentando dificuldade de acompanhar a dinâmica verificada no exterior, com fluxo negativo de investimento estrangeiro já se aproximando dos R$ 6 bilhões no ano – quadro que Paulo Guedes tem a missão de reverter em sua aparição no Fórum Econômico Mundial de Davos. Na falta de novidades relevantes no quadro local, o vencimento de opções deve movimentar o mercado no início do pregão desta 2ªF. Em função disso, esperamos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,52%, aos 118.478 pontos;
Real/Dólar: -0,54%, cotado a R$ 4,16;
DI Jan/21: -3 pontos base, 4.42%;
S&P 500: +0,39% aos 3.329 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– PCC realiza fuga em massa, e 75 escapam no Paraguai
– Cliente de Wajngarten lidera verbas da Secom
– MEC também analisa erros em provas do 1º dia do Enem
– Protesto de grupos armados pressiona governo da Virgínia

O Estado de São Paulo
– Com juro menor, transferência de dívida de imóvel dispara
– PCC organiza fuga de 75 de penitenciária no Paraguai
– Investigações de corrupção em Estados superaram R$ 2 bi
– SP amplia utilização de planta medicinal

Valor Econômico
– Petrobras vai perder direitos no próximo leilão do pré-sal
– Cade atuará em licitação de 5G, ‘slots’ e portos
– ‘Davos verde’ debate reforma do capitalismo
– Emprego cai e produção cresce no campo

O Globo
– Sem interesse, BNDES encerra linha de R$ 4 bi para Segurança
– Por túnel, 75 presos de facção paulista fogem do Paraguai
– Registro de furto de combustível volta a crescer em SP
– Prefeitura vai retomar gestão de unidades de saúde

Contatos

Renda Variável*


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Equipe Econômica

Conrado Magalhães
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Alejandro Ortiz Cruceno
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Victor Beyruti Guglielmi
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Victor Beyruti Guglielmi Victor Beyruti Guglielmi

Economista

Graduado em Administração de Empresas e Economia pelo Insper. Integra a equipe econômica da Guide há mais de 1 ano. Atualmente atua como economista no segmento de varejo, sendo responsável pela confecção de relatórios e de comitês mensais com intuito de embasar recomendações de alocação de recursos no cenário político-econômico.

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