Mercados Hoje: Cobra com porco-espinho

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Introdução: O ambiente para os ativos de risco segue relativamente positivo. As bolsas sobem na Europa; e início da temporada de balanços nos EUA, referentes ao 2T18, começa com bons números do JP Morgan. O dólar se valoriza no exterior. Superávit comercial da China com os EUA aumenta. No Brasil, o setor de serviços sofreu com a paralização dos caminhoneiros, segundo IBGE. Perigos de “farra fiscal” são deixados num 2º plano; enquanto investidores monitoram possíveis alianças entre os partidos. Decisão do PSB foi postergada; e PP está “rachado”. Manifestações do PT, favoráveis a Lula, começam hoje (e irão até dia 15 de agosto).


CENÁRIO EXTERNO: DÓLAR SEGUE FORTE.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas sobem na Europa, após sessão positiva na Ásia (na China, o índice de Xangai foi uma exceção, ao cair 0,23%). Nos EUA, o S&P futuro opera próximo à estabilidade. O dólar se fortalece, frente a desenvolvidos e emergentes. Mas os juros das Treasuries seguem “comportados” (10 anos ~2,84%). As commodities recuam. O petróleo (brent ) oscila na casa dos US$74/barril. O minério de ferro ficou estável na China (-0,03%), cotado a US$64,04/tonelada.

Inflação americana: em linha… A inflação ao consumidor acelerou 0,2% em junho, na comparação com maio, em linha com o esperado. Em 12 meses, a inflação passou de 2,8% para 2,9%. O “núcleo”, que desconsidera preços de energia e alimentação, passou de 2,2% para 2,3%, sem surpresas. Ou seja: nos EUA, a economia segue forte, mas sem pressões de inflação significativas. Este viés de alta sobre a inflação, no entanto, fará o Fed continuar com o processo de normalização de juros à frente e, ao menos no curto prazo, manterá o dólar forte ao redor do mundo.

Dados da China… O superávit comercial em junho foi de US$41,61 bi, após US$24,92 bi em maio. O mercado esperava US$26 bi. Considerando o comércio China-EUA, o superávit chinês foi de quase US$29 bi. Também saíram dados de crédito, mostrando que a desalavancagem das empresas continua.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, sairá a confiança do consumidor, calcula pela Universidade de Michigan (11h). Espera-se estabilidade em julho. Além disso, o Fed divulga o Relatório de Política Monetária ao Congresso (12h); e Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, faz discurso (13h30). Atenção: na próxima semana, o presidente do Fed, Jay Powell, falará no Congresso. No front micro, começa hoje a temporada de balanços das empresas sobre o 2º tri. Do índice S&P 500, JP Morgan e Citibank estão entre os 4 que divulgam hoje.


BRASIL: SETOR DE SERVIÇOS É AFETADO POR GREVES.

Recesso à vista, e “esforço concentrado”… No Congresso, o recesso oficial começará no dia 17 (próxima 3ª). Na prática, no entanto, o recesso começou da madrugada de 4ª para 5ª, após a aprovação da “aguada” LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) de 2019. O calendário do 2º semestre será diferente, por conta das eleições de outubro. Eunício Oliveira (Senado) e Rodrigo Maia (Câmara) ainda anunciarão quando ocorrerá o chamado “esforço concentrado” , para votações de projetos pendentes e propostas do governo. Espera-se que seja de 3 semanas (2 em agosto, e 1 em setembro). Afinal, vale lembrar: parlamentares, às vésperas das eleições, passarão bastante tempo fora de Brasília.

Mais sobre o “esforço concentrado”… Segundo matéria de hoje do O Globo, o governo se organiza para barrar “pautas-bomba” e passar projetos de seu interesse. Entre estas, vale destacar: (i) proposta que altera a tributação de fundos de investimento exclusivos (deve ser enviada ao Legislativo em agosto; e tem potencial de gerar R$10 bi); e (ii) mudança na forma de enquadramento de empresas do Simples Nacional (ao invés de checagem anual, esta seria mensal). O governo também tenta conter projetos como a suspensão da mudança na tributação do xarope de refrigerantes, por exemplo.

Perigos da “farra fiscal”… Muito tem se falado sobre os riscos do fiscal. O FMI, diga-se de passagem, emitiu um relatório, nesta 4ª (dia 11), dando destaque a isto. Também nesta semana, a aprovação da “aguada” LDO de 2019 trouxe mais preocupações. Não deveria ser surpreendente que, às vésperas das eleições, parlamentares “joguem para a torcida”. Mas isto reforça a importância de o próximo presidente avançar com as reformas. Sem vislumbrar mudanças significativas no Congresso a partir de 2019, não parece haver grande preocupação por lá…

O “plano” do PT: 4 “eixos” e manifestações… Hoje a visita de Fernando Haddad, seu coordenador de campanha. Discutem o programa de governo para as eleições presidenciais, baseado em 4 eixos: economia, social, política e transição para o futuro. Hoje, tratarão dos últimos 2. Além disso, começa hoje uma série de manifestações em defesa de Lula, que irão até dia 15 de agosto. Nesta data, o PT pretende registrar a candidatura de Lula.

As dificuldades de Ciro… Ontem, pela 1ª vez, Paulo Câmara (PSB), candidato à reeleição do governo de Pernambuco, defendeu o apoio à pré-candidatura de Lula à Presidência. Isto acontece após encontro da senadora Gleisi Hoffmann (PT) com Câmara. O PSB, no entanto, mantém conversas com Ciro Gomes (PDT). Neste impasse, foi adiada a decisão sobre quem apoiar na disputa presidencial. Segundo o Valor, a convenção do PSB será dia 4 de agosto (o período das convenções vai até dia 5).

O PP, desencontrado… As versões sobre qual pré-candidato à Presidência é o mais provável a receber o apoio do PP são desencontradas. O partido, vale lembrar, faz parte do chamado “centrão”. De qualquer forma, vale dizer: quem “manda” no PP é o presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira, do Piauí, segundo o Portal360. Ele teria poder para levar o partido para qualquer direção. Hoje, esta direção é Ciro Gomes (PDT).

“A união do ‘centrão’ com Ciro Gomes seria como cruza de cobra com porco-espinho. O resultado só pode ser rolo de arame farpado”, afirmou Carlos Marun (Ministro da Secretaria de Governo), referindo-se à possível aliança.

Agenda de hoje… No front macro, o destaque é a Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE. O volume recuou 3,8% em maio, na comparação com o mesmo período de 2017. O mercado esperava queda de 4,1%, segundo pesquisa da Bloomberg. O número foi influenciado pela greve dos caminhoneiros, é claro.

E os mercados hoje? Temos um viés ligeiramente favorável para a sessão de hoje, considerando a bolsa e os DIs. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, oscila ao redor dos 247-248 pontos base nesta manhã. Em relação ao dólar, o viés é menos claro. O dia tende a começar com pressões de alta, reagindo à valorização da moeda dos EUA no exterior.

 

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,96%, aos 75.856 pontos;
Real/Dólar: +0,15%, cotado a 3,882;
Dólar Index: 0.11%, 94,827;
DI Jan/21: +13 pontos base; 9,31%;
S&P 500: 0,87% aos 2.798 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Eztec: Prévia Operacional do 2º tri
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Juiz absolve Lula em caso de obstrução da Justiça
– Geraldo Alckmin: Se depender de mim, estaremos juntos com o DEM
– Em 2019, novo governo deve ter R$ 68 bi de despesa extra
– Em meio a tensão e protestos, Trump faz sua primeira visita ao Reino Unido

O Estado de São Paulo
– Ampliar benefícios fiscais é inoportuno, diz Guardia
– Alckmin sela aliança e terá apoio do PSD de Kassab
– Lincoln Gakiya: “PCC se tornou a maior facção da América do Sul”
– Trump critica May e é vaiado em Londres

O Globo
– Mais da metade das escolas do Rio está em más condições
– Câmara rejeita impeachment
– Criação de sindicatos ainda é atraente
– Lula absolvido no caso Cerveró

Valor Econômico
– Monteiro defende imposto flexível para combustíveis
– “Jabutis do bem” na LDO detêm gastos
– Cármen Lúcia foi contra o controle
– O enigma chinês na hora da negociação

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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