Introdução: A aversão a risco no exterior diminui, embora a crise política na Itália não esteja resolvida. Conversas podem evitar novas eleições por lá e, consequentemente, uma saída da União Europeia. Hoje, investidores voltam suas atenções à agenda macro dos EUA. O dólar se enfraquece, e os juros das Treasuries voltam a subir. Juros de 10 anos oscilam ao redor de 2,87%. As bolsas têm alívio, e sobem na Europa. No Brasil, destaque para o PIB do 1º tri. Após paralizações dos caminhoneiros, a situação vai, gradualmente, voltando ao normal. Petroleiros, por outro lado, começam a sua paralização. Temer fala que pode “reexaminar” política de preços da Petrobras.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÃO A DADOS DE EUA, E ESPERANÇA NA ITÁLIA.

O “básico” sobre os mercados… Vemos um reversão de alguns movimentos de ontem, e uma redução da aversão a risco. Os juros dos títulos soberanos de 10 anos da Itália recuam, enquanto os juros das Treasuries (EUA) sobem. O de 10 anos, nos EUA, oscila ao redor de 2,87%. O dólar recua, e as bolsas da Europa operam em alta. Nos EUA, o S&P futuro também sobe, sinalizando uma sessão mais positiva. O petróleo (brent) oscila na casa dos US$75/barril. Na China, o minério de ferro subiu 2,96%, cotado a US$65,78/tonelada.

Sobre a crise italiana… Os mercados se recuperam, em meio à retomada das conversas entre os partidos Movimento 5 Estrelas e Liga para a formação de um novo governo. Isto, se bem sucedido, evitaria novas eleições (cuja possibilidade, nos últimos dias, tem sido ventilada). Ou seja: evitaria, no curto prazo, uma espécie de referendo sobre a saída ou permanência da Itália na União Europeia (UE). Hoje, espera-se que Carlo Cottarelli – ex-FMI, e atualmente no posto de primeiro ministro – finalize a escolha de seu “time”, que governaria até que a situação fique mais clara.

Vale reforçar… Uma saída italiana da UE não será “suave”, e certamente trará volatilidade aos mercados. Já há uma discussão sobre como chamar o possível evento: “Italexit”, “Quitaly” ou apenas “Ciao”? Por enquanto, e a despeito desta possível volatilidade, mantemos a perspectiva de crescimento sólido na região, e vemos mais upside no médio prazo para as bolsas da Europa vis-a-vis EUA.

Na agenda de hoje… Nos EUA, é dia de agenda cheia. O destaque serão os dados de emprego no setor privado de maio (o relatório ADP, que sai às 9h15). Espera-se uma criação de 190 mil vagas. Além disso: nova leitura do PIB do 1º tri (9h30); balança comercial (9h30); e Livro Bege (15h). No Reino Unido, a confiança do consumidor (20h). Na China, índice PMI sobre o setor de serviços (22h).

Amanhã, um dia de inflação… Enquanto por aqui estaremos em clima de feriado, lá fora será grande o destaque aos dados de inflação nos EUA. O deflator do consumo (o índice PCE, na sigla em inglês) é o índice que o Fed mais olha. O mercado espera que continue em 2,0% em abril. O “núcleo” deve passar de 1,9% para 1,8%, ligeiramente abaixo da meta de 2,0%.


BRASIL: PIB DO 1º TRI É DESTAQUE.

Reoneração da folha… O plenário do Senado aprovou (por 51 a 14) na noite de ontem a reoneração da folha de pagamentos para 28 setores. O projeto deve render pouco mais de R$ 1 bilhão ao governo neste ano – algo que compensa, ao menos em parte, o corte de impostos sobre o diesel. O texto aprovado inclui o corte de 100% no PIS/Cofins sobre o diesel, mas já está acordado entre governo e Senado que o trecho será vetado pelo presidente Temer.

Manifestações (desta vez, dos petroleiros)… A Federação Única dos Petroleiros (FUP) – ligada à CUT – convocou greve da categoria por 72 horas, contadas a partir da meia noite de hoje. Isto deve acontecer, a despeito de o TSE ter atendido ao pedido da AGU e declarado a paralisação como sendo inconstitucional. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 500 mil.

Segundo a FUP… O movimento será “para baixar os preços do gás de cozinha e dos combustíveis, contra a privatização da empresa e pela saída imediata do presidente Pedro Parente, que, com o aval do governo Michel Temer, mergulhou o país numa crise sem precedentes”.

Sobre a política de preços da Petrobras… Segundo matéria do O Globo, o presidente Temer admite que o governo pode mexer com a política de preços de combustíveis da empresa. “nós podemos reexaminá-la”, afirmou. Isto, é claro, vai contra aquilo que o presidente da empresa Pedro Parente falou nos últimos dias. Segundo fontes, conversas neste sentido já começaram entre governo e empresa.

Taxa de desemprego… Segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, a taxa de desemprego passou para 12,9% no trimestre encerrado em abril, contra 13,1% no trimestre móvel anterior, com término em março. Na série com ajuste sazonal, o desemprego passou de 12,5% para 12,3%. Por trás desta queda está a redução da força de trabalho.

Primário do Governo Central… Em abril, o resultado primário do governo central foi superavitário em R$ 7,2 bilhões. O mercado esperava R$3,8 bi (mediana das projeções). As receitas surpreenderam positivamente (cresceram 6,3% a/a em termos reais). Assim, para o setor público consolidado (número que sai hoje), esperamos um superávit na casa dos R$7,6 bi.

Agenda de hoje… No front macro, o PIB do 1º tri é destaque: cresceu 0,4% frente ao tri anterior, ligeiramente acima dos 0,3% esperados pelo mercado, e após 0,1%. Além disso, sai o resultado primário do setor público consolidado (10h30); e o fluxo cambial semanal (12h30).

E os mercados hoje? Diante de um alívio no exterior, esperamos um dia mais positivo para os mercados locais. Temos um viés de alta em bolsa, e de baixa em DIs e dólar. Pontualmente, devemos ver alguma recuperação. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, oscila ao redor de 208 pontos base, em leve queda nesta manhã (~9h, horário de Brasília).

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,95%, aos 76.072 pontos;
Real/Dólar: -0,26 cotado a R$3,728;
Dólar Index: +0,43%, 94,820;
DI Jan/21: +12 pontos base, 8,950%;
S&P 500: -1,16% aos 2.690 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


EMPRESAS:

Braskem: Oferta da Braskem deve ter atraso
Impacto: Marginalmente Negativo.

Cesp: Futuro da Cesp
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– 87% apoiam a paralisação, mas rejeitam pagar a conta
– Postos de SP voltam a receber combustíveis
– Senadores aprovam reoneração, mas veto a PIS/Cofins caberá a Temer
– Advocacia-Geral da União cobra R$ 141 milhões de multas de transportadoras

O Estado de São Paulo
– Greve perde fôlego, mas desabastecimento preocupa
– “Única via dos militares até o poder é pelo voto”
– Medo de represálias dificulta desmobilização
– Senado aprova reoneração da folha

O Globo
– Setor produtivo acumula perdas bilionárias com greve
– Caminhoneiros reclamam de coação
– Greve de petroleiros marcada para hoje é declarada ilegal
– Traficantes invadem estações do BRT para vender drogas

Valor Econômico
– Surpresa do BC e greve castigam investidores
– Crise política na Itália afeta os mercados
– Combustíveis começam a voltar aos postos
– Ciro define proposta de pacote tributário

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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