Introdução: O exterior segue mais favorável para ativos de risco. As bolsas sobem na Europa, e o início da sessão americana tende a ser positivo. O petróleo mantém viés altista. Na China, mercados digerem os dados da indústria. No Brasil, Pesquisa DataPoder360 mostra intenções de votos na disputa pelo governo de SP e MG. No front macro, dados do setor de serviços são destaques da sessão.


CENÁRIO EXTERNO: DIA FAVORÁVEL PARA ATIVOS DE RISCO.

Mercados… As bolsas da Europa (índice Stoxx 600 +0,30%) operam em alta nesta manhã, após sessão positiva na Ásia. O S&P futuro também opera com ganhos, sinalizando boa abertura da sessão por lá. O dólar opera mais fraco; e a maioria das moedas de emergentes se valoriza. Os juros das Treasuries sobem (10 anos ~2,98%). As commodities operam mais fortes. O petróleo (brent) avança, e oscila na casa dos US$78-79/barril.

Emergentes… Após a Turquia, o BC da Rússia decidiu elevar a taxa básica de juros de 7,25% para 7,50%. No comunicado, o BC indicou a recente depreciação do rublo (fruto do “choque externo”) e ainda anunciou a suspensão das compras de dólar a fim de reduzir a volatilidade da taxa de câmbio no país. A decisão do BC parece surtir efeito. No momento, o rublo inverteu a baixa e aprecia 1%.

Nos EUA: dados de inflação… A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) está em 2,7% no acumulado em 12 meses, até agosto. Ficou marginalmente abaixo do esperado pelo mercado. Considerando o “núcleo” da inflação – ou seja, desconsiderando preços de energia e alimentação, que detêm maior volatilidade –, a inflação está em 2,2%, também abaixo do esperado pelo mercado (2,4% a/a). Segue, portanto, a sinalização de uma economia americana forte, mas sem pressões inflacionárias. Algo que indica a perspectiva de uma gradual aceleração da inflação americana.

Na Ásia: aceleração chinesa… Em agosto, as vendas no varejo cresceram 9,0% a/a, acima dos 8,8% do mês anterior, e da expectativa de 8,8% do mercado. Por outro lado, a produção industrial também cresceu – aqui, de forma mais moderada – 6,1% a/a, acima dos 6,0% de julho, e em linha com o esperado. Apesar dessa estabilidade do ritmo de crescimento, a tendência ainda é de uma desaceleração chinesa (algo que já vem sendo antecipado pelos últimos dados dos índices de gerentes de compras do setor).

Na Europa: um olhar de Mario Draghi… A reunião de política monetária do BC europeu (ECB) terminou com a manutenção das taxas de juros, e a sinalização de que a partir do “verão de 2019” estas devem começar a subir. As compras de ativos mensais, hoje em 30 bi de euros, devem recuar para 15 bi já no final de setembro até dezembro deste ano. Draghi, o presidente do ECB, enfatizou o bom crescimento da região (algo que sinaliza que a inflação deverá convergir em direção à sua meta), mas voltou a destacar as incertezas relacionadas ao comércio global. Fato este revisou para baixo as projeções do crescimento para este ano: passou de 2,1% para 2,0%. Ou seja: em nossa visão, não houve muita novidade nas sinalizações do BCE, mas tudo indica que estamos cada vez mais próximos da “normalização” monetária.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro: (1) vendas no varejo (9h30); e (2) dados de produção industrial (10h15). Ambos os indicadores referem-se ao mês de agosto. Além disto, mercado ficará atento aos dados de confiança do consumidor (11h).


BRASIL: AGUARDANDO NOVAS PESQUISAS.

Dória e Skaf empatados… Pesquisa do DataPoder360 indica empate técnico entre João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) na disputa pelo governo de SP. Doria aparece com 21% e Skaf pontua 20%. Em MG, Antonio Anastasia (PSDB) lidera (e, com folga) as intenções de voto para o governo do Estado, com 31%. Aumentam as chances de o tucano vencer a disputa já no 1º turno. Seus adversários, somados, têm 33% – candidato à reeleição, Fernando Pimentel (PT) tem 18%.

“Bolsodorias” e “Anastanaros”… O levantamento também constatou a preferência dos votos dos eleitores dos candidatos do PSDB a governador à Bolsonaro: 29% dos eleitores de Doria afirmam que votarão em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente; e “apenas” 21% têm preferência por Geraldo Alckmin (PSDB). Em MG, a situação não é diferente: 34% dos eleitores de Anastasia declararam preferência em Bolsonaro (vs. 18% em Alckmin). Ou seja: as dificuldades de Alckmin para ampliar seus votos em SP e MG são nítidas. Vale notar: são os 2 maiores colégios eleitorais do país. Juntos, os eleitorados equivalem a 33,1% dos brasileiros que devem escolher o próximo presidente da República.

No STF… Ontem, Dias Toffoli, ministro do STF, tomou posse como presidente do Supremo. Toffoli substitui Cármen Lúcia na presidência da corte, com mandato de 2 anos. É o ministro mais jovem a ocupar essa cadeira. Em seu discurso, Toffoli disse que está “determinado a melhorar a parceria, o diálogo e criar uma agenda comum entre os 3 Poderes”.

Do lado macro: vendas no varejo… Segundos os dados do IBGE, as vendas do varejo restrito recuaram 0,5% m/m em julho na série com ajuste sazonal. O resultado veio abaixo das projeções de mercado (0,3% m/m), segundo a Bloomberg. Em 12 meses, a queda atingiu 1,0% das vendas. No conceito restrito, o recuo foi puxado em maior parte por Móveis e Eletrodomésticos (-4,8% m/m). Por outro lado, as vendas de Hiper, Supermercados e Produtos Alimentícios tiveram crescimento no mês (1,7% m/m), embora ainda insuficiente para retornar ao patamar do início do 2º tri deste ano. Em suma: após as paralizações de maio, as vendas no varejo sinalizam um ritmo de recuperação ainda lento, muito aquém do esperado no início do semestre.

Na Agenda… O IBGE divulga nesta 6ª feira os dados do setor de serviços em julho (09hrs). Em junho, o volume de serviços da economia brasileira avançou 6,6% em relação ao mês exterior. Foi o maior resultado da série histórica, iniciada em 2011. Na política, Fernando Haddad (PT) é entrevistado no Jornal Nacional (6ª feira, dia 14, às 21h). Além disso, mercado aguarda nova pesquisa do DataFolha a serem divulgados nesta noite.

E os mercados hoje? A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera estável, ao redor de 282 pontos base. As atenções estão voltadas à divulgação de novas pesquisas. Assim, o mercado deverá continuar operando de forma cautelosa. Não há, por ora, nenhum trigger que possa levar a uma reversão dos movimentos recentes do mercado local.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,58%, aos 74.686 pontos;
Real/Dólar: -0,16%, cotado a R$ 4,2005;
Dólar Index: +0,06%, 94,574;
DI Jan/21: +4 pontos base, 10,040%;
S&P 500: +0,53% aos 2.904 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Setor de papel e celulose: Acionistas dão aval e avança fusão de Suzano e Fibria
Impacto: Marginalmente Positivo.

Embraer: Cia. distribuirá dividendos intermediários
Impacto: Cunho Informativo.

Rafael Passos – Equipe Econômica


Jornais:

Folha de São Paulo
– Despesa do Judiciário com salários sobe na crise
– Toffoli defende o diálogo ao assumir STF
– Vice de Bolsonaro quer Constituição sem Congresso
– Reinaldo Azevedo: A democracia no país está cercada por tanques e togas

O Estado de São Paulo
– Dólar fecha em R$ 4,20, maior valor do Plano Real
– 2ª cirurgia fragiliza campanha de Bolsonaro
– “Villas Bôas não falou nenhum impropério”, diz Alckmin
– Mourão defende nova Constituição sem eleitos

O Globo
– Dólar é recorde desde o Plano Real
– Alckmin ataca “várias tons de vermelho” de seus adversários
– Bolsonaro está impedido até de gravar vídeos
– Ao assumir STF, Toffoli prega paz, prudência e pluralidade

Valor Econômico
– Pós-crise aumentou solidez e concentração dos bancos
– Dólar a R$ 4,2 bate recorde desde o real
– Regulação falha e bônus elevados fizeram estragos
– Grupo João Santos vive duas crises

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Equipe Econômica

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Rafael Gad
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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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