Introdução: Bolsas asiáticas tem sessões fracas, reflexo do pessimismo sobre a possibilidade de um acordo entre China e Estados Unidos; Mercados Europeus operam próximo da estabilidade; Futuros do S&P500 indicam um dia negativo nos Estados Unidos; Dados do mercado de trabalho americano vieram fortes e superaram a expectativa do mercado. No Brasil, Bolsonaro vai a Brasília para iniciar a coordenação política da transição; Destaque para a agenda legislativa ainda em 2018; Onyx Lorenzoni é confirmado como o ministro da transição; Ilan defende reservas elevadas; Levy no BNDES? Produção industrial volta a frustrar a recuperação econômica.


CENÁRIO EXTERNO: MERCADO DE TRABALHO AMERCIANO SURPREENDE…

Mercados Globais: As bolsas asiáticas tiveram sessões negativas, com o índice Hang Seng de Hong Kong caindo -2,08% e o Nikkei recuando -1,55%. Em contrapartida, os mercados europeus iniciam o dia com viés neutro, com o Stoxx 600 europeu subindo 0,05% e o DAX avançando 0,15% até o momento. Nos EUA, o futuro do S&P 500 já apresenta movimento negativo de -0,32%, enquanto o dólar tem leve desvalorização de -0,06% frente aos seus principais pares.

Segue o crescimento… Foram divulgados nesta última sexta-feira os dados do mercado de trabalho (payroll ) americano. Foram criadas 250 mil vagas em outubro, frente uma expectativa do mercado de 188 mil vagas para o período. A taxa de desemprego ficou no menor nível visto no país em 49 anos. Destaque para o rendimento médio/hora, que saltou 3,1% em comparação ao mesmo mês de 2017. Estes números fortes puxaram o dólar e os yields para cima no feriado e, apesar do consenso ainda ser de estabilidade do juro na reunião do FOMC de quinta-feira, reforçaram o risco de um aperto monetário ainda maior.

Agenda… Os destaques na agenda internacional desta semana são a divulgação dos dados do PMI americano, que serão divulgados hoje à tarde, e o anúncio da decisão do FOMC sobre a taxa de juros americana, que ocorre na quinta feira (08).

 


BRASIL: BRASÍLIA NA PROA…

Brasília na proa… Jair Bolsonaro irá hoje a Brasília iniciar a coordenação política da transição. A expectativa é de que ele irá verificar o clima político e sondar o que poderá ser feito em termos de votação de pautas polêmicas ainda em 2018. O grande foco será a possível votação da reforma da previdência. Onyx Lorenzoni já foi confirmado como o ministro coordenador da transição.

Outro que está de mudança para Brasília… Oficialmente o “xerife” da operação lava-jato aceitou o convite do presidente eleito e será o “xerife” do país inteiro, assumindo a pasta da justiça na esplanada dos ministérios.

Esquenta ou esfria a chapa? A dúvida de muitos é se Moro como ministro poderá ajudar a operação lava-jato, direcionando mais recursos humanos, financeiros e técnicos no combate a crimes financeiros (a especialidade do Juiz). A Polícia Federal e o COAF (hoje sob o guarda chuva do Ministério da Fazenda) serão subordinados a Moro, ampliando o poder do ministério. A dúvida é se continuará a existir o atual ministério da segurança pública.

“Xerife” dentro do recinto… A ameaça Moro irá pairar sobre os políticos. Deve entrar no rol de argumentos não explícitos para convencer alguns parlamentares a não atrapalharem os planos do governo no Congresso.

Sobre usar as reservas… Em uma apresentação no Banco Central de Israel, Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central, defendeu o regime de câmbio de flutuante e o sistema de metas para inflação. Ilan também defendeu o papel que o elevado nível de reservas internacionais tem para o país, e que as mesmas não deveriam ser usadas.

Should i stay or should i go? Outra grande dúvida é se Ilan permanecerá como o banqueiro central no governo Bolsonaro. Circula o boato de que ele poderia ficar caso a autonomia de jure (na letra da lei) do Banco Central fosse aprovada pelo congresso.

Should i go or should i stay? Joaquim Levy, outro liberal from Chicago (assim como Paulo Guedes), e ex-Ministro da Fazenda, está sendo cotado para a presidência do BNDES. Levy atualmente vive em Washington, onde é funcionário do alto escalão do Banco Mundial.

Atividade fraca… Foi divulgada na quinta-feira a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção industrial teve queda na margem de 1,8%, mais um recuo consecutivo, após queda de -0,7% em agosto.

Explicando a fraqueza… O resultado negativo de setembro foi novamente puxado tanto pela indústria de transformação (-1,4% na margem), como pela indústria extrativa mineral (-0,3% no mês). Nesta última, o maior impacto negativo veio da produção de petróleo, fruto de novas paradas técnicas programadas pela Petrobrás para o mês. Na indústria de transformação, a maior contribuição negativa veio da fabricação de veículos automotores, seguida de perto pela fabricação de máquinas e equipamentos. A fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis continuou sendo afetada pela retomada apenas parcial das atividades na refinaria de Paulínia (Replan) da Petrobrás.

Comparando com o ano anterior, fica pior ainda… No contraste interanual a produção industrial recuou -2%.

Porém… No trimestre, a produção industrial cresceu 2,7% e se recuperou da queda registrada no segundo trimestre de 2018.

Expectativas pós eleições… No primeiro relatório Focus pós eleições, o mercado reajustou a mediana das suas expectativas. Para o IPCA, o número caiu e agora está em 4,40%. Para 2019 o número continua estável em 4,22%, ainda bastante próximo da meta que é de 4,25%. A projeção de crescimento de 2018 permaneceu estável em 1,36%, assim como a de 2019, estacionada em 2,50%. Para o câmbio, o mercado projeta o ano fechando no patamar de R$3,70 e para 2019 em R$3,80.

Agenda… O destaque da semana fica com a divulgação da ata do COPOM, amanhã (06/11). Na quarta-feira (07/11) será divulgado o indicador de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, além da inflação ao consumidor de Outubro, o IPCA.

E os mercados hoje? Com a cena externa indefinida e o prêmio de risco brasileiro medido pelo CDS de 5 anos operando estável aos 197 pontos, faz com que o dia seja neutro/positivo. Durante o feriado, as ações brasileiras tiveram desempenho positivo no exterior e devem ter um ajuste na abertura. Na semana, os destaques ficam com o resultado da Petrobras que será divulgado amanhã, além da expectativa política em relação aos nomes da equipe econômico de Bolsonaro que deverão ser divulgados ao longo dos próximos dias.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,14%, aos 88.419 pontos;
Real/Dólar: -0,60%, cotado a R$3,702;
Dólar Index: -0,88%, 96,277;
DI Jan/21: +00 pontos base, 8,120%;
S&P 500: +1,06% aos 2.740 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

Duratex: Números do 3º tri.
Impacto: Neutro.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Banqueiros pedem união para que país possa ‘virar a página’
– Expectativa positiva leva empresas a lançar ações
– Câmara terá mais militares e líderes religiosos
– Presidente eleito faz oração em igreja evangélica no Rio

O Estado de São Paulo
– 1/3 do Congresso eleito responde a processos na Justiça
– Estados em crise podem deixar 1,5 milhão de servidores sem o 13º
– Manipulação na web é tema da Redação do Enem
– Bolsonaro terá esquema inédito de segurança

O Globo
– STF resiste a propostas de Bolsonaro sobre prisões
– Após eleições, analistas veem chance na Bolsa
– Grupo aconselha nomeação rápida para o Itamaraty
– Setor de petróleo deve abrir 116 mil vagas

Valor Econômico
– Empresários propõem pasta única para capital e trabalho
– Crise global no caminho do novo governo
– Guedes quer atacar ‘desvios’ do Sistema S
– Mesquita já vê efeito positivo após eleição

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Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Victor Candido
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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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