Mercados Hoje: Brasil – No news is good news

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Introdução: Os mercados asiáticos operaram sem direção única nesta 2ª feira. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também se movimentam sem direções claras, sinalizando cautela do investidor frente à agenda forte da semana. Em NY, o futuro do S&P se mantém em terreno neutro e o dólar perde força contra os seus principais pares. O foco do mercado deve se voltar à divulgação da ata do Fed (4ªF) e aos novos desenvolvimentos das negociações comerciais entre China e Estados Unidos. Na frente das commodities, ativos se mantêm operando com viés altista. O petróleo (brent) avança 0,4%, e volta a ser negociado acima dos US$ 70,50/barril. Para emergentes, o dia tem início negativo, com as divisas de Turquia, México e África do Sul se desvalorizando contra o dólar. No Brasil, início de semana com uma trégua no noticiário político é benéfico para o mercado, que vem subindo com uma melhora de expectativas desde a semana passada.


CENÁRIO EXTERNO: SEMANA COMEÇA (E PODE ACABAR) NA 4ª FEIRA

Mercados… Os mercados asiáticos operaram sem direção única nesta 2ª feira. A bolsa de Tóquio recuou 0,2% enquanto, em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,5%. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também se movimentam sem direções claras. O FTSE londrino avança 0,1% e o DAX, em Frankfurt, recua 0,2% pela manhã. Em NY, o futuro do S&P se mantém em terreno neutro e o dólar perde força contra os seus principais pares.

Quem fala mais alto… A premiê Theresa May pediu pela 2ª vez adiamento para o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. O objetivo de May é adiar até 30 de junho o acordo. Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, sugeriu mais 12 meses de prazo. A decisão cabe aos 27 países-membros do bloco, que se unem para uma reunião emergencial nesta 4ª feira (10/04). Neste domingo, Theresa May disse que “ou saímos do bloco com um acordo ou não saímos mais”, em mais uma tentativa de evitar a saída desordenada com data marcada para esta 6ª feira.

Se ficar vai cair… Segundo relatos, o Partido Conservador de Theresa May está furioso com o pedido de extensão feito pela premiê, e prometem derrubá-la do cargo caso o país tenha de participar das eleições da UE, agendadas para ter início no dia 23 de maio.

Payroll anima… Os dados de emprego (payroll) dos EUA mostraram uma criação de 196 mil novas vagas, acima da mediana das expectativas do mercado, de 177 mil (Bloomberg). Em contrapartida, o crescimento dos salários de 3,2%, na comparação interanual, veio abaixo das expectativas (3,4%). A taxa de desemprego se manteve estável, em 3,8%. Comentamos o dado no nosso Flash Macro.

Sem previsão de melhora… A febre suína – uma doença viral altamente contagiosa e 100% letal a suínos -, tem assolado a China desde o ano passado e, após uma pausa de 40 dias, o governo chinês voltou a sinalizar a descoberta de novos focos da doença. Até hoje, os dados de abate de suínos indicam que o rebanho chinês deve cair pelo menos 13%. Com isso, deveremos ver uma redução do consumo de soja no curto prazo e, uma elevação das importações de carne pela China no médio longo prazo. Não se pode calcular ainda quais serão os impactos definitivos que a febre suína causará sobre o comercio mundial, mas a situação sanitária asiática parece estar fugindo do controle: na semana passada, foi descoberto um foco da doença no Vietnã, país que até recentemente não tinha reportado nenhum caso da doença. Vamos acompanhar…

Na agenda… A agenda desta semana será cheia, com grande participação dos bancos centrais dos EUA e da Europa nesta 4ª feira: o Fed divulga a ata da sua reunião de março e o BCE, que já sinalizou que deve manter o juro estável até o fim do ano, tem nova reunião. No mesmo dia (4ªF), ainda sairão os dados da inflação ao consumidor (CPI) do mês de março nos EUA e na China, assim como o documento final sobre o déficit fiscal italiano do ano que vem.


BRASIL: NO NEWS IS GOOD NEWS

No news is good news… Essa semana definitivamente já começa melhor que a anterior em relação ao noticiário político. Não existe nenhum fato novo com potência o suficiente para nos fazer ver a conjuntura de outra maneira, porém as últimas duas semanas ensinaram que nenhuma notícia, é boa notícia.

Porém a semana promete… Apesar da “calmaria” no noticiário político a semana pode ser muito agitada. Existe a quase certeza de que o ministro Vélez deixará o ministério da educação, logo uma vaga se abrirá em uma das principais pastas do governo federal.

Se tem vaga, tem articulação… O governo tem a chance de começar a equalizar as divergências que tem enfrentado na articulação política, entregando o ministério da educação para algum nome que tenha apoio do chamado centrão. Assim o governo resolveria dois problemas com apenas um movimento: (1) tiraria importante ministério da mão de grupos temáticos e altamente ideologizados; (2) melhoraria a articulação e acabaria por demonstrar disposição em fazer a “velha” política, o que melhoraria muito os ânimos em Brasília, podendo abrir um novo capítulo, bem mais positivo, na relação entre legislativo e executivo.

Mas caso opte pela ideologia… O governo também tem a chance de errar feio e errar rude caso faça uma nomeação baseada na temática ideológica. Um nome “olavista” ou ligado a bancada evangélica como o Senador Izalci (PSDB-DF), deixaria claro que o governo vai insistir na “nova” política que já demonstrou resultados ruins e desgastou de forma significativa o capital político do Presidente.

Se o boi vai, não quer dizer que a boiada também seguirá… Mesmo que Izalci seja nomeado ministro, o seu partido, o PSDB, já deixou claro que não irá embarcar no governo Bolsonaro e que o Senador teria que se licenciar do partido. Logo já fica descartada a tese de que a nomeação do Senador seria um combo político, agradando um partido tradicional (O PSDB), ao mesmo tempo que lidaria com uma bancada temática (a evangélica).

Falando em desgaste… Ontem foram divulgados os dados de popularidade de Bolsonaro pelo datafolha. O resultado: a pior avaliação após três meses de governo entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde a redemocratização de 1985.

Menos confiança no futuro… Depois de chegar a níveis recordes às vésperas da posse de Jair Bolsonaro, a porcentagem de pessoas que acreditam que a situação econômica brasileira vai melhorar nos próximos meses caiu de 65%, em dezembro, para 50%. A parcela dos que prevê piora dobrou, de 9% para 18%.

Abaixo de 2% para valer… Divulgado a pouco, o boletim Focus desta semana traz que o mercado, na mediana de suas expectativas, já espera uma expansão do PIB abaixo de 2% para este ano. É a segunda semana seguida que o dado é revisado para baixo.. O dado deixa claro que a deterioração das expectativas tem sido em velocidade impressionante, em menos de 2 meses o número saiu de 2,5% para 1,97%.

Mais expectativas… Ainda no Focus, as projeções para o IPCA em 2019 permanece em 3,93% refletindo a piora da inflação na ponta. Para 2020 o dado continua constante em 4% a mais de 92 semanas, mostrando forte ancoragem das expectativas. Câmbio e Selic permanecem constantes tanto para 2019, quanto para 2020 (vide tabela abaixo).

Agenda… Os destaques da semana serão as divulgações da Pesquisa Mensal do Comércio – PMC (3ªF), Dados da inflação de março – IPCA (4ªF) e por fim os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) na sexta-feira.

E os mercados hoje? Os mercados globais operam sem direção definida, porém o começo de semana mais positivo para as commodities, e a queda do dólar perante seus pares, nos faz ver o dia como neutro/positivo para os ativos de risco locais, que devem responder muito mais ao noticiário doméstico do que aos movimentos globais. O prêmio de risco brasileiro opera em alta de 0,22% aos 171,82 pontos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,83%, aos 97.108 pontos;
Real/Dólar: +0,38%, cotado a R$ 3,8732;
Dólar Index: +0,09%, 97.395;
DI Jan/21: +0,03 pontos base, 7,030%;
S&P 500: +0,46% aos 2.892 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
–  Esperança na economia do Brasil piora depois da posse
– Militar em cargo do governo tem apoio de 60% no país
– Presidente não cumpriu até agora maioria das metas
– Fraude leva a mudança em cadastro de usuário de celular

O Estado de São Paulo
– Indústria tem a menor fatia do PIB em mais de 70 anos
– Saúde fará guia para ensinar parlamentares a gastar bem
– Dia decisivo para o MEC: senador do PSDB é cotado
– Cisjordânia gera críticas a Netanyahu

Valor Econômico
– Reforma tributária pode tornar-se ‘agenda positiva’
– Dívida do Rio é “impagável”, diz secretário
– Pagamento a delatores divide CCR
– China espera sinais positivos em encontro com Mourão

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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