Mercados Hoje: Avanços na política, marcha ré na economia

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Introdução: Os mercados asiáticos tiveram sessões negativas nesta 5ªF. Na Europa, ativos de risco esboçam leve recuperação após registrarem quedas mais acentuadas ao longo desta semana. Em NY, futuros sinalizam também uma leve melhora, com investidores atentos aos últimos desenvolvimentos no tocante ao comércio e à economia global. Na frente das commodities, o petróleo (WTI) avança 0,1%, negociado próximo dos US$ 59/barril. Por aqui, o mercado acompanha a divulgação do PIB/1T19, às 9h, com expectativa de queda da atividade no período. Ainda, investidores deverão ficar atentos à votação a MP 871 no senado e o julgamento no STF à tarde sobre a necessidade de aval do Legislativo para privatizações.


CENÁRIO EXTERNO: CUTUCANDO ONDE DÓI MAIS

Mercados… Os mercados asiáticos tiveram sessões negativas nesta 5ªF, com as bolsas de Tóquio e de Shanghai recuando 0,3% e 0,6%, respectivamente. Na Europa, ativos de risco esboçam leve recuperação após registrarem quedas mais acentuadas ao longo desta semana. Em NY, futuros sinalizam também uma leve melhora, com investidores atentos aos últimos desenvolvimentos no tocante ao comércio e à economia global. Na frente das commodities, o petróleo (WTI) avança 0,1%, negociado próximo dos US$ 59/barril.

Lavando as mãosGao Feng, o porta-voz do ministério do Comércio Chinês, voltou a reforçar que a bola esta no campo dos EUA quando se trata de resumir negociações entre as duas maiores economias globais. Segundo Feng, os truques usados pelos Estados Unidos para pressionar Pequim foi o motivo pela quebra das conversas em primeiro lugar, e que a volta de um avanço no tocante às negociações só dependerá da “atitude e da sinceridade” dos americanos daqui para frente. Ainda, a autoridade comercial chinesa disse torcer para que o governo americano “corrija seus erros”, caso contrário, a China irá seguir lutando até o fim.

Cutucando onde dói maisAutoridades chinesas podem pausar a importação de soja dos Estados Unidos, como resposta à recente escalada de tensões entre os países. Adquirentes da commodity controladas pelo estado Chinês não teriam recebido novas ordens de compra, e, segundo fontes da Bloomberg, não há nem expectativa de que receberão, uma vez que não há perspectiva para que saia um acordo comercial. De acordo com números o governo americano, os chineses já haviam comprado cerca de 13 milhões de toneladas em 2019, e haviam prometido a compra de mais 10 – fato que possivelmente não acontecerá até que haja uma melhora de entendimento entre Washington e Pequim. O setor agrícola americano, que vinha se recuperando ao longo do ano, tem sofrido as consequências do acirramento da disputa comercial, resta saber se esta nova decisão irá resultar em uma nova retaliação por parte dos EUA ou poderá ser o catalisador para uma nova rodada de conversas.

Acumulando inimigosCom o foco dos EUA voltado para a China e o Japão no plano comercial e a Zona do Euro ocupada com dilemas domésticos (ex.: Brexit), a possibilidade de um acordo com a UE também passou a ser colocada em cheque.  Dez meses após o presidente americano, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, acordarem uma trégua com o intuito de reduzir tarifas sobre industrializados e eliminar burocracias para companhias de ambas as localidades, as conversas quase não tem andado. Cecilia Malmstrom, a Comissária do Comércio Europeia, alegou que os EUA não estão prontos para negociar, após encontro com o Representante Comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, fato que deixou mais claro a delicadeza do tema no momento. Vamos acompanhar…

Na agendaNos EUA, além do número revisado do PIB/1T19 – que será lido com cautela em meio ao acirramento da trade war –, às 9h30, saem a balança comercial de abril e o auxílio-desemprego, com previsão de alta de 4 mil pedidos. Às 11h, as vendas pendentes de imóveis em abril devem registrar elevação de 0,9%.


BRASIL: POLÍTICA AVANÇA, MAS ECONOMIA ENGATA A RÉ

Comissão Especial… A Comissão Especial da Previdência, na Câmara dos Deputados, debateu duas temáticas contenciosas esta semana: a aposentadoria das mulheres e o regime de capitalização.

Críticas… Na quarta-feira (29), o colegiado debateu o regime de capitalização. O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Guilherme Santos Mello, descreveu e criticou a proposta: “O desenho que esta na PEC é um novo regime alternativo que substitui o atual regime- não é complementar-que tem a possibilidade, mas não garante contribuição dos empregadores, que cria um fundo solidário, mas não especifica quem vai financiar esse fundo e que admite a administração por privados”.

Quem ganha… O economista questionou a estratégia de austeridade, avaliando que a medida ameaça piorar a confiança na economia, alem de ter impacto negativo sobre o consumo das familiais, o item mais importante do PIB. Segundo Santos Mello, a PEC deve ser extremamente rentável para os bancos e o mercado financeiro.

Replica… Leonardo Guimarães, representante do Ministério da Economia, garantiu que a proposta não cria novo regime, autoriza futura criação através de projeto de lei complementar, com todos as regras, detalhes e estudos necessários para implementação. Guimarães também esclareceu que o texto atual prevê aderência opcional e só disponibiliza o novo regime para aqueles que ainda ingressarão no mercado de trabalho.

Modelo híbrido… Segundo o Ministério, a maioria das autoridades no tópico favorecem modelos híbrido, com repartição e capitalização, composto por quatro pilares: pilar não contributivo para a prevenção da pobreza, pilar contributivo publico de repartição simples, pilar contributivo privado em benefício definido ou contribuição definida e um pilar contributivo privado voluntário.

Mulheres… Na terça-feira (28), os parlamentares debateram questões relacionadas à aposentadoria da mulher. Entre as alterações debatidas, esta a idade mínima de aposentadoria feminina.

Nada de privilégios… A presidente da Superintendência de Seguros Privados, Solange Paiva Vieira, tomou postura contraria à disparidade na idade mínima entre os géneros. A economista questionou se o intuito da incitava era garantir direitos iguais ou privilégio. Viera entende que a expansão da licença maternidade e a disponibilidade de creches e escolas integrais teria impacto maior sobre a qualidade de vida das mulheres no mercado de trabalho.

Ferramenta inapropriada… A professora da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Zélia Luiza Pierdoná, enfatizou que a previdência existe para substituir rendimento do trabalhão, não é ferramenta apropriada para promover igualdade.

Categorias… Em contrapartida, representares de diversas categorias do funcionarismo público, como enfermeiras e policiais, pleitearam por direitos especiais e a disparidade de idade entre gêneros.

Futura economia… Apesar das várias desigualdades sofridas por mulheres, citadas por inúmeras participantes, houveram poucos argumentos contundentes em defesa da disparidade de idade mínima entre géneros. Fora do Brasil, a idade mínima única é o modelo vigente na maioria dos países com regimes previdenciários. Caso a idade mínima seja desconstitucionalizada, o governo poderá migrar para um modelo de idade única com mais facilidade no curto prazo.

MP 871… Após ter deixado a MP do Código Florestal caducar, o que causou causado um grande mal estar com ambientalistas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, prometeu que a MP 871 será votada hoje no Senado. A MP 871, que combate as fraudes no INSS, tem grande importância para o governo, uma vez que tem um potencial de economia para os cofres públicos de até R$ 10 bilhões/ano. A medida vence na próxima 2ªF (03/06).

Na agenda: economia fraca… A divulgação do PIB deve confirmar expectativas de uma queda a atividade econômica no 1T19, seguindo uma série de resultados fracos nas pesquisas setoriais. A nossa estimativa para o dado, que será divulgado pelo IBGE às 9h, é de uma queda de 0,26% no período. Em suma, um resultado fraco já é o esperado pelo mercado, que aposta suas fichas na recuperação econômica que acompanhará a aprovação de uma boa reforma da Previdência entre outras iniciativas com o potencial de impulsionar a atividade no Brasil, até lá o crescimento segue parado ou dando ré.

E os mercados hoje? A melhora, mesmo que moderada, do cenário externo, deve favorecer o desempenho dos mercados domésticos, que já vêm apresentando uma recuperação ao longo da semana. Com isso, esperamos um dia de viés marginalmente positivo para ativos de risco brasileiros, que terão seus desempenhos condicionados à continuidade da sequência de vitórias do governo no Legislativo, além do impulso mais positivo do setor externo, coisa que não aconteceu nos últimos dias. O prêmio de risco brasileiro medido pelo CDS de 5 anos, recua para próximo dos 178 pontos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,18%, aos 96.566 pontos;
Real/Dólar: -1,28%, cotado a R$ 3,974;
Dólar Index: -0,02%, 98.122;
DI Jan/21: -1 pontos base, 6,600%;
S&P 500: -0,69% aos 2.783 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Governo tem 15 dias para obter R$ 248 bi com o Congresso
– Mudança no Código Florestal contrapõe Câmara e Senado
– STF derruba reforma e proíbe grávida em local insalubre
– Só Congresso pode processar Trump, afirma procurador

O Estado de São Paulo
– BC quer mudar a lei e permitir abertura de conta em dólar no país
– Empresa da Odebrecht entra em recuperação judicial
– Após protestos, DEM se desligar do Centrão
– Procurador evita inocentar Trump em caso de russos

Valor Econômico
– BC prepara medidas para permitir contas em dólar
– WEG e Embraer se unem para o ‘avião elétrico’
– Sai o primeiro empréstimo ‘simples’, com juros de 3,5%
– Grupo Odebrecht pede recuperação para Atvos

O Globo
– Caixa renegociará dívida com casa própria de até 600 mil pessoas
– BC quer conta em dólar no país e em reais no exterior
– Câmara aprova, mas MP ambiental deve caducar
– Capitalização custará quase R$ 1 tri em 20 anos

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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