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Mercados Hoje: atenções ao shutdown e Previdência

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Introdução: A aversão a risco segue baixa no exterior. Lá fora, os mercados aguardam o pronunciamento de Trump sobre a segurança na fronteira, e digerem os dados mais fracos da agenda chinesa. O crescimento global segue nos holofotes dos investidores. No Brasil, o texto da reforma da Previdência ganha destaque.


CENÁRIO EXTERNO: DADOS DA AGENDA, E O SHUTDOWN.

Mercados… As bolsas da Europa operam em leve alta, após sessão de baixa na Ásia. Lá, o índice Nikkei fechou em queda de 1,13%, enquanto o índice de Xangai recuou 1,37%. Índice S&P futuro opera próximo da estabilidade. O dólar é misto frente aos desenvolvidos, mas ganha forças frente aos emergentes. Os juros das Treasuries de 10 anos recuam (ao redor de 2,64%). Commodities com um viés mais positivo hoje. O petróleo (brent) oscila pouco abaixo de US$65/barril, ainda pressionado para cima.

Na China: dados de inflação…  O índice de preços ao consumidor (CPI) da China avançou 1,7% a/a em janeiro, segundo os dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país. Esperava-se um número próximo de 1,9% a/a. O resultado registrado foi o mais lento em 12 meses. Mais: o índice de preços ao produtor (PPI) da China também não superou a expectativa do mercado, e foi o mais baixo desde setembro de 2016. Em janeiro, o PPI avançou 0,1% a/a, desacelerando em relação à alta de 0,9% do último resultado. Em suma, os dados mais fracos de inflação chinesa voltam a sinalizar uma tendência de desaceleração econômica global. Algo que diminui o apetite a risco dos investidores.

Nos EUA: o fim do shutdown… Donald Trump, fará um pronunciamento sobre segurança na fronteira na Casa Branca às 13h (de Brasília) desta 6ª feira (15). Segundo o governo americano, Trump deverá assinar o projeto de lei orçamentária aprovado no Congresso que impede uma nova paralisação da máquina pública federal (o shutdown, como é chamado). Em paralelo, espera-se que Trump deve declarar emergência nacional para garantir a construção do muro na divisa com o México. Afinal, o acordo fechado entre governo e oposição não tinha verba suficiente para a construção do muro. Vale notar: o pacote acordado entre republicanos e democratas destina US$ 1,4 bilhões para a fronteira, inferior ao exigido por Trump, que desejava US$ 5,7 bilhões para erguer um muro de concreto na divisa com o México.

Sobre as negociações comerciais… O Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse que teve reuniões “produtivas” sobre comércio com o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, e o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer. Segundo o jornal The New York Times, Mnuchin e Lighthizer deverão se encontrar ainda nesta 6ª feira com o presidente chinês, Xi Jinping. Ambos os países preparam um memorando de entendimento, onde será detalhado o acordo entre EUA-China. Seja como for, é uma boa notícia aos mercados.

Na Europa: novas turbulências… No Reino Unido, a primeira-ministra Theresa May sofreu mais uma derrota parlamentar em seu plano B para o Brexit (como é chamada a saída do país da União Europeia). A derrota foi de 303 a 258 votos, e o quadro fica cada vez mais incerto sobre a separação. Ainda na Europa, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convocou eleições gerais para 28 de abril, depois que o Parlamento rejeitou a proposta de orçamento de 2019 do governo minoritário. Por lá, não é só o Brexit que tem imposto cautela aos mercados da região. Com novas incertezas no front político do bloco europeu, o euro desvaloriza nesta manhã em relação ao dólar.

Na agenda macro… Hoje, às 11h30, nos EUA, saem os preços de importações e exportações. Às 12h15, serão divulgados os dados de produção industrial. Às 12h55, R. Bostic, do Fed, faz discurso.


BRASIL: A PREVIDÊNCIA É DESTAQUE.

Sobre a Previdência… Rogério Marinho, secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, anunciou ontem que Bolsonaro decidiu a idade mínima de aposentaria no texto base da Previdência: 62 anos para mulheres e 65 para homens. O período de transição será de 12 anos. A proposta deverá ir ao Congresso na semana que vem (4ª feira, dia 20).

Um pouco mais sobre a Previdência… Ainda faltam detalhes do texto, mas a 1ª sinalização é que a equipe econômica deverá conseguir realizar uma sólida reforma. Com a reforma, espera-se que a economia possa atingir R$ 1,1 trilhão ao longo dos próximos 10 anos. O texto, contudo, deve sofrer ainda algumas alterações até sua versão final. As atenções se voltam, por ora, na capacidade (e articulação) política da equipe de Bolsonaro para aprovar a reforma. Em suma, seguimos com uma visão construtiva para Brasil.

Ruídos no front político…  O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, divulgou nota nessa 5ª feira em que nega ser o responsável pela escolha das candidatas que receberam dinheiro do PSL. Ainda ontem, Bebianno também ligou para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos sobre o caso. De qualquer forma, o receio é que haja um desgaste no governo, em um momento crucial para a construção de base aliada sólida no Congresso para a aprovação das reformas estruturais do país. Vamos acompanhar…

Relembrando o caso de Bebianno… Na última 4ª feira, uma crise instalou-se no governo após reportagem do jornal Folha de S. Paulo e ataques (via Twitter) de Carlos Bolsonaro contra o ministro da Secretaria Geral. A expectativa era a de que Bebianno pudesse estar fora do governo na última 5ª feira. Mas o ministro disse que não deixaria o cargo. Bolsonaro tem evitado o assunto. Os ruídos em torno do governo podem ofuscar o otimismo com o texto da Previdência.

E os mercados? Sem direções muito claras no exterior, o destaque do dia é o texto da Reforma da Previdência. É o que pode ditar rumos por aqui. Para hoje, temos um viés de neutro a positivo em bolsa; e mais neutro nos mercados de juros e câmbio. Na agenda, divulgação do IBC-Br é o destaque.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +2,27%, aos 98.015 pontos;
Real/Dólar: -0,03%, cotado a R$ 3,7183;
Dólar Index: -0,16%, 96.978;
DI Jan/21: -0,60 pontos base, 7,000%;
S&P 500: -0,27% aos 2.745 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Projeto do governo é propor 62 e 65 como idades mínimas
– Por reforma, militares e Maia protegem Bebianno
– Por muro, Trump pretende declarar emergência
– Schvartsman diz que Vale não pode ser condenada

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro propõe 62 e 65 anos como idades de aposentadoria
– Militares e Maia agem em socorro de Bebianno
– Chefe do PSL usou verba em empresa do filho
– ‘Vale é uma joia e não pode ser condenada’

Valor Econômico
– Estados taxam agronegócio para enfrentar crise fiscal
– Banco privado lidera oferta de empréstimos
– Bolsonaro define ‘idades mínimas’
– Militares são moderadores na crise do PSL

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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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