Mercados Hoje: As luzes já se apagaram, os trailers irão começar

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Introdução: Bolsas asiáticas tiveram pregões misto; Nos Estados Unidos, destaque para a reunião do FOMC que deve subir os juros em mais 0,25p; Expectativa para o FOMC de amanhã e para as projeções dos membros do comitê; No Brasil, a repercussão do Ibope com Bolsonaro estagnado em 28% e Haddad crescendo e chegando aos 22%; Nos cenários de segundo turno, Bolsonaro ficou mais fraco e passa a perder para todos (exceto para Marina); Ata do Copom: tudo certo e nada resolvido.


CENÁRIO EXTERNO: DE LADO.

Mercados Globais: As ações europeias operam na neutralidade, com o DAX praticamente estável no momento. Enquanto isso, o futuro do S&P está subindo 0,1%. As moedas emergentes também estão no campo neutro. A lira turca, o principal termômetro para emergentes, operam quase no zero a zero. O destaque fica para o rendimento da treasurie de 10 anos dos EUA que está subindo para 3,09%, enquanto o VIX recua para 12,1%. No campo das commodities, o petróleo continua o movimento altista e vai se firmando no patamar de US$81 dólares por barril. O minério de ferro opera em alta de 0,16% cotado em US$69,24/tonelada.

Na espera pelo esperado… Amanhã acontecerá a reunião do FOMC, onde será decidido um novo nível para a taxa de juros americana. O esperado é um aumento de 0,25% para o nível de 2,25%. Mais importante que a própria decisão em si, que inclusive já está amplamente precificada pelo mercado, será a divulgação dos dots ¸ um gráfico onde são mostradas as projeções de cada membro do FOMC sobre qual será a dinâmica esperada para a taxa de juros americana. Com o mercado precificando mais uma alta em 2018, além daquela de amanhã e mais três altas em 2019, os dots irão ajudar a dar a tônica da precificação no mercado de juros americano.

Agenda… Hoje o destaque fica com a confiança do consumidor americano, que deve retrair-se na margem. Quinta-feira temos a divulgação do PMI chinês, onde será possível observar os efeitos das tarifas americanas sobre indústria chinesa. Por fim, na sexta-feira sai o deflator do PCE americano, o principal índice de inflação que o FED acompanha. No núcleo o PCE já está bem próximo da meta de 2% do FED.

 


BRASIL: AS LUZES JÁ SE APAGARAM, OS TRAILERS IRÃO COMEÇAR

As luzes já se apagaram… Estamos naquele momento em que o espetáculo está próximo de começar, as luzes já se apagaram, os trailers vão começar a passar antes do filme. Restam apenas 12 dias para as eleições. Agora é a hora de apertar os cintos. O mercado responderá rispidamente com vários bps (pontos base) de variação aos bps da volatilidade dos candidatos nas pesquisas eleitorais.

Até onde Haddad poderá ir? O Petista lulista continua sendo o grande destaque nas pesquisas. Seu crescimento impressiona, porém, a velocidade já começa a se reduzir. Haddad avançou 3p.p: tinha 19% (18/09) e agora tem 22%. Na pesquisa realizada a exatamente duas semanas atrás, Haddad tinha apenas 8% das intenções de voto.

O capitão parou, será que vai recuar? Outro importante destaque da pesquisa, foi Bolsonaro que ficou estagnado pela primeira vez em uma pesquisa de grande porte. O capitão estacionou-se nos 28%. Naquele mesmo levantamento do dia 11/09, onde Haddad aparecia com apenas 8%, Bolsonaro já tinha sólidos 26%. Diversos analistas políticos avaliam que a forte campanha contra Bolsonaro, feita por Geraldo Alckmin (PSDB), pode estar por trás dessa estacionada. Fato é, será que Alckmin também não está fazendo campanha, indiretamente, para Haddad?

O que importa mesmo é o segundo turno… Aqui vive o grande gerador de ruídos sobre os ativos financeiros: o cenário de segundo turno. Observando os movimentos recentes do mercado, é bastante clara a preferência dos agentes de mercado por Bolsonaro. O capitão vinha demonstrando força e consistência no segundo turno e vinha fechando o gap que tinha com todos os candidatos. Porém, na pesquisa de ontem, o cenário começou a piorar. Haddad já vence Bolsonaro, superando o limite da margem de erro 43% vs 37%. Ciro Gomes voltou a ampliar sua vantagem contra Bolsonaro e agora o vence com uma margem de 11p.p. Até Geraldo Alckmin voltou a ampliar vantagem sobre Bolsonaro no segundo turno. Apenas contra Marina (que aparentemente já está fechando a barraquinha eleitoral) que Bolsonaro apresenta um resultado satisfatório no segundo round, ops, digo, turno.

Segundo pelotão… Ciro ficou com 11% das intenções de voto: estagnado. Alckmin de 7% para 8%, um alento para uma campanha que parecia estar indo ladeira abaixo. Marina passou de 6% para 5%. Grandes jornais já diziam ontem que a campanha já estava demitindo colaboradores, fim de festa. João Amoêdo voltou a avançar e agora possui 3% (ante 2%), Álvaro Dias 2% (estagnado) e Meirelles com 2% (também estagnado).

A dúvida diminui… Com a proximidade das eleições e o acirramento das campanhas, é natural que o eleitor procure o título e ative os neurônios eleitorais para escolher seu candidato. A taxa de não votos (brancos/nulos + não sabe/não respondeu) era de 21% e agora já se reduziu para 18%.

Onde o Capitão lidera absoluto… Bolsonaro continua sendo o campeão na rejeição. Sua rejeição cresceu 4p.p, enquanto a de Haddad cresceu 1p.p. A dinâmica de rejeição de Haddad parece ser bem mais saudável, apesar do antipetismo.

(Repetindo) falando em quem votar, quando se olha os micro dados do Datafolha, coisas interessantes emergem… Para onde vão os votos, caso o eleitor mude sua primeira opção, no primeiro turno? 9% do eleitorado de Bolsonaro disse que pode votar em Haddad, 16% votaria em Ciro, 21% em Alckmin e 13% em Marina. Já o eleitorado de Haddad, 12% disse que poderia voltar em Bolsonaro, 34% em Ciro, 12% em Alckmin e 13% em Marina. Enquanto o de Alckmin, 17% diz que poderia votar em Bolsonaro, 8% em Haddad, 18% em Ciro e 19% em Marina. O eleitorado de Marina é aquele com a distribuição de votos mais uniforme possível, indicando o quanto Marina tem a perder, 18% dizem que poderiam votar em Bolsonaro, 12% em Haddad, 18% em Ciro e 17% em Alckmin.

E se fizermos o seguinte exercício com o parágrafo acima: Transferência total de votos de um candidato para aqueles que os seus eleitores dizem votar como segunda opção. Lembrando que os dados do parágrafo acima foram retirados dos micro dados do Datafolha, além de estarmos usando apenas os cinco principais candidatos. Infelizmente não conseguimos traçar hipóteses usando os candidatos menores (Meirelles, Amoêdo e Álvaro Dias). Nossa simulação mostra Bolsonaro com o potencial de 33,88%, Haddad com 23,59%, Ciro com 25,80%, Alckmin com 19,94% e Marina com 16,77%. Ciro aparece na frente de Haddad, pois é o candidato do qual Ciro mais teria potenciais de tirar votos.

Tudo certo e nada resolvido, também na ata… Acabou de sair a ata da reunião do Copom, que aconteceu na semana passada (nos dias 18 e 19 de setembro). O tom da ata continua sendo o mesmo apresentado no comunicado pós reunião, de que o BC estará de olho nos indicativos de curto prazo sobre a continuidade das reformas, bem como no nível do câmbio, apesar da enorme ociosidade dos fatores produtivos na economia brasileira. Detalhe para a projeção de câmbio a R$4,15 com Selic constante em 6,5%a.a, levaria a uma inflação de 4,4% no final de 2019 e de 4,5% para 2019, já superando a meta do ano que vem. Caso essa pressão cambial não se alivie, o BC precisará agir preventivamente para evitar o desancorar das expectativas de inflação. A economia e a inflação de curto prazo não preocupam tanto o BC, mas sim o que virá pós eleições. Portanto, tudo certo e nada resolvido (principalmente no futuro).

E os mercados hoje? Com o mercado externo relativamente neutro, o preço dos ativos domésticos deve ser dominado pela digestão da pesquisa Ibope de ontem. O prêmio de risco brasileiro, medido pelo CDS de 5 anos, já abre 3,75 pontos (+1,40%), em um movimento de início da precificação do risco do PT retornar ao governo. O dia deve ser negativo para bolsa e juros.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,84%, aos 77.984 pontos;
Real/Dólar: +1,00%, cotado a R$4,091;
Dólar Index: -0,04%, 94,185;
DI Jan/21: +04 pontos base, 9,650%;
S&P 500: -0,35% aos 2.919 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras: Produção de petróleo e gás natural em agosto
Impacto: Neutro.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Segurança é prioridade, mas ninguém sabe como pagar
– Bolsonaro perde de principais rivais no 2º turno, diz Ibope
– Prefeito, Haddad descumpriu 9 de 10 metas para a saúde
– Crédito imobiliário é metade do cedido quatro anos atrás

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro estaciona em 28%; Haddad atinge 22%
– Cenários de 2º turno apontam derrota de Bolsonaro
– PSDB vai reforçar sua campanha pelo voto útil
– Fraudes no cartão de crédito passam de 920 mil no ano

O Globo
– Bolsonaro é líder com 28%; Haddad sobe e chega a 22%
– Delator diz que Eunício recebeu propina em obra contra a seca
– Balas perdidas atingiram 121 pessoas este ano no Grande Rio
– Greve geral deve parar Argentina pela 4ª vez no governo Macri

Valor Econômico
– Produtor rejeita crédito rural atrelado à inflação
– Curto prazo e IDP mostram sinais trocados
– Gregori vê disputa de “furor e ódio”
– Setor espera continuidade de leilões

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Renda Variável*


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Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Victor Candido
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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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