Mercados Hoje: Antes tarde do que nunca

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Introdução: Mercados asiáticos acumularam quedas na sessão desta 5ªF. Declarações advindas do ministério de Comércio Exterior chinês reforçaram que não há previsão para uma retomada de negociações comerciais com os EUA, pesando sobre a cena externa. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado operam com a mesma tendência baixista. As bolsas de Londres de Frankfurt recuam 1,2% e 1,5%, respectivamente. Em NY, o futuro do S&P cai 0,8%, sinalizando uma abertura desfavorável para ativos de risco americanos, e o dólar (DXY) avança. Na frente das commodities, ativos se movimentam majoritariamente em terreno negativo. O petróleo (Brent) recua 2,0%, negociado abaixo dos US$ 70/barril. Para emergentes, o ambiente segue desfavorável, com as divisas de México, Turquia e África do Sul se desvalorizando em relação ao dólar.


CENÁRIO EXTERNO: TRADE WAR PRESSIONA MERCADOS

Mercados Globais… Mercados asiáticos acumularam quedas na sessão desta 5ªF. Declarações advindas do ministério de Comércio Exterior chinês reforçaram que não há previsão para uma retomada de negociações comerciais com os EUA, pesando sobre a cena externa. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado operam com a mesma tendência baixista. As bolsas de Londres de Frankfurt recuam 1,2% e 1,5%, respectivamente. Em NY, o futuro do S&P cai 0,8%, sinalizando um dia negativo para ativos de risco americanos, e o dólar (DXY) avança. Na frente das commodities, ativos se movimentam majoritariamente em terreno negativo. O petróleo (Brent) recua 2,0%, negociado abaixo dos US$ 70/barril. Para emergentes, o ambiente segue desfavorável, com divisas de México, Turquia e África do Sul se desvalorizando contra o dólar.

Alta pressão – 100,000 psi… A expectativa por novas medidas retaliatórias segue pressionando os mercados globais, até agora, sem previsão de melhora. Seguindo indícios de que o governo americano planeja sancionar uma nova leva de companhias chinesas, o porta-voz do ministro do Comércio Exterior, Gao Feng, declarou que para que as negociações sejam retomadas, os EUA devem alterar suas “práticas errôneas”. De um lado, os Estados Unidos acusam Pequim de ter voltado atrás em pontos pré-acordados, do outro os chineses repudiam a escalada de tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. A fala de Gao Feng é mais uma sinalização de que a China não tem interesse resumir as conversas, resta saber agora qual será a reação dos americanos frente a esse novo impasse.

Fed mantém política de “paciência”… O Federal Reserve divulgou hoje a ata da reunião do FOMC finda no 1º dia de maio, quando, em mais uma decisão de política monetária, o resultado foi a manutenção do intervalo da taxa de juros. Segundo as minutas do encontro, os membros do Comitê seguiram enxergando a continuidade do crescimento sustentável da economia americana – mesmo que em um ritmo mais moderado do que o registrado para o 1T19 -, a melhora das condições no mercado de trabalho e a manutenção da inflação abaixo a sua meta de 2,0% a/a como cenário mais provável a partir da decisão.

Logo… Com isso, levando em consideração os desenvolvimentos recentes na economia global e a falta de pressões inflacionárias, o Fed reforçou que seguirá paciente na determinação dos próximos passos da política monetária dos EUA. Em suma, apesar de o mercado precificar um corte da taxa como o mais provável movimento, o BC sinalizou que seguirá com uma postura neutra por “algum tempo”, e que qualquer mudança será decidida a partir da análise de indicadores econômicos e das condições externas.

Na agenda… Os destaques da agenda desta 5ªF tiveram foram as divulgações dos PMIs da Zona do Euro, que voltaram a decepcionar expectativas em maio, e o indicador de clima de negócios do Ifo na Alemanha, que seguiu apontando uma piora das condições. Além disso, saíram os números finais do PIB do 1T19, sem revisões em relação a leitura preliminar divulgada mais cedo no mês.


BRASIL: ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Vitória Parcial: MP 870 avança, mas COAF volta para Economia… O Plenário da Câmara aprovou, ontem (22), a estrutura ministerial do Executivo. Porém, em votação separada, parlamentares determinaram que o COAF integre o ministério da Economia, longe do alcance do ministro Sérgio Moro.

Vai ficar em 22… Após a confirmação da reforma administrativa do governo, que reduziu o número de ministérios de 29 para 22, o Plenário votou as mais de 20 alterações feitas á MP 870. Entre os mais controvérsias dos destaques, estava a questão do comando do COAF, que o presidente tinha incorporado ao Ministério da Justiça.

Placar justo… O maior dos desastres foi avertido, o retorno dos 29 ministérios de Temer. O contrário oneraria o governo, acentuaria vulnerabilidades orçamentarias e confirmaria a incapacidade do executivo de articular seus interesses com o Congresso. Em relação a COAF, o governo foi contrariado, mas a derrota foi menor que esperada. Até pouco antes da votação, a expectativa era que o governo teria que reerguer dois ministérios, Cidades e Integração Nacional, além de afastar a COAF do domínio de Moro. Por pouco (218-210 votos) o governo não aprovou a medida sem fazer ambas as concessões.

Antes tarde do que nunca… A vitória parcial representa uma alta para o governo, em vista do péssimo balanço da semana passada. Agora, a medida segue para apreciação no Senado.

Na agenda… Em dia de agenda doméstica morna, o destaque será a divulgação do CAGED, que deve sair entre hoje e amanhã.

E os mercados hoje? A piora relevante do ambiente externo deve contaminar ativos de risco domésticos nesta 5ªF, apesar do descongelamento das pautas governistas na Câmara. O CDS de 5 anos, que mede a percepção de risco país, avança 2,0%, e volta a operar acima dos 180 pontos base. Com isso, esperamos um dia de viés negativo para os ativos de risco por aqui.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: : -0,13%, aos 94.360 pontos;
Real/Dólar: +0,01%, cotado a R$ 4,039;
Dólar Index: -0,02%, 98.041;
DI Jan/21: -2 pontos base, 6,850%;
S&P 500: -0,28% aos 2.856 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Centrão e Maia votam MP de Bolsonaro; Moro é derrotado
– Pressionado, presidente muda decreto sobre porte
– São Paulo tem a 1ª alta de mortes no trânsito em 3 anos
– Na contramão de Guedes, Doria anuncia política industrial em SP

O Estado de São Paulo
– Câmara aprova MP que reduz ministérios, mas Moro perde Coaf
– Rompimento de barragem em MG deve afetar 10 mil
– Novo decreto veta fuzil a civis, mas libera para as áreas rurais
– Natura compra Avon e se torna 4º grupo de beleza no mundo

Valor Econômico
– Natura compra rival Avon e passa a atuar em 100 países
– Vale e CCCC investem em siderúrgica
– Governo recua e R$ 1,5 bi volta para educação
– Reforma é positiva ou recessiva?

O Globo
– Câmara mantém Ministério de Bolsonaro, mas tira Coaf de Moro
– Após protestos, governo reduz cortes do MEC
– Planalto recua, e venda de fuzil será vetada a civis
– Aéreas criticam volta da franquia da bagagem

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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