Mercados Hoje: ajustando expectativas

 Introdução:

Internacional

• Mercados globais ensaiam sessão de recuperação;
• Medidas de estímulo nas economias centrais revivem apetite pelo risco enquanto investidores avaliam novos níveis de preços do mercado;
• Impasse no Congresso americano continua atrasando aprovação de pacote fiscal;
• Crescimento dos casos de Covid-19 na Itália segue em ritmo acelerado;
• Leituras preliminares do PMI de março são destaque da agenda.

Brasil

• Bolsa local deve se beneficiar da melhora verificada no exterior;
• Depreciação do dólar no mercado internacional pode aliviar pressão sobre o real;
• União disponibiliza R$ 88 bilhões para estados e municípios combaterem coronavírus;
• Governo publica MP em edição extra do Diário, Congresso critica medida e governo é forçado a revogar principal flexibilização trabalhista do projeto;
• Maia dá resposta evasiva sobre utilização dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário para combater a epidemia do Covid-19;
• IBGE divulga vendas no varejo (PMC) referentes ao mês de janeiro


CENÁRIO EXTERNO: AJUSTANDO EXPECTATIVAS

Mercados… Bolsas asiáticas encerraram a sessão com altas significativas, recuperando perdas desta 2ªf. Na zona do euro, ativos de risco também abrem negociações com fortes ganhos: o STOXX600, índice que abrange ativos de diversos países do bloco, avança 4,8% até o momento. Em NY, futuros acumulam valorizações da ordem de 5,0%, enquanto o dólar (DXY) devolve parte do movimento de valorização verificado nos últimos dias. No plano das commodities, ativos acompanham o movimento verificado nos mercados. O preço do petróleo (Brent crude) volta a subir (4,3%), negociado próximo dos US$ 28,20/barril.

Ajustando expectativas… Mercados globais esboçam mais um dia de ajuste, com as principais bolsas registrando altas significativas pela manhã. Investidores seguem avaliando o novo nível de preços para ativos de risco, que se recuperam após terem atingido os patamares mais baixos desde 2016. Concomitantemente, as medidas de estímulo agressivas que estão sendo implementadas nas economias centrais também têm revivido o apetite pelo risco.

Falta o fiscal… Ontem, o Federal Reserve anunciou medidas sem precedentes para garantir liquidez no mercado de crédito americano, se comprometendo a realizar um QE (compra de títulos de dívida) ilimitado. A linha de swap cambial oferecida pelo Fed para 9 outros bancos centrais na semana passada também serviu de indicativo de que a instituição está preparada para usar todas as ferramentas à sua disposição para amortecer esta crise. A despeito disso, a ausência de um pacote de auxílio fiscal, atualmente em trâmite no Congresso americano, eleva a preocupação do mercado sobre o tempo que levará para os políticos se acertarem e, mais importante, para os recursos chegarem à economia real. Mais: Ontem, a líder da Casa dos Representantes, Nancy Pelossi, revelou o pacote de gastos costurado pelos Democratas para fazer frente ao plano dos Repubicanos, mas ainda sem data marcada para votação. Vamos acompanhar…

Longe do fim… Por mais um dia, apesar dos avanços sendo feitos pelos formuladores de política monetária em seus esforços de combate à crise, uma estabilização dos casos de Covid-19 na Itália – o país mais afetado atualmente – é de suma importância para que haja uma retomada da confiança dos agentes. Segundo a última atualização, o número de infectados por lá se aproxima dos 63 mil, enquanto as mortes relacionadas à doença superam 6 mil – rapidamente se aproximando do dobro de mortes registradas na China. Assim, a incerteza sobre a duração da crise continuará afastando compradores enquanto a extrema volatilidade caracteriza os mercados no curto prazo.

Na agenda… Mais cedo, a divulgação da leitura preliminar de março do Índice de Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) para o setor de serviços e para indústria na zona do euro já começa a mostrar os efeitos catastróficos que esta nova crise esta tendo sobre a economia. O dado passou de uma leitura levemente expansionista em fevereiro (>50) para profundamente contracionista, caindo de 51.6 para 31.4 – o pior resultado desde julho de 1998. Segundo a análise pesquisa, o PIB da região contraiu a um ritmo de 2,0% a.a. em função da paralisação da economia no período.

Mais agenda… Após sua divulgação na Europa, o PMI sai para a economia americana às 10h45, seguido pelas vendas de novas moradias em fevereiro, às 11h.


BRASIL: R$ 88 BI PARA ESTADOS E MUNICÍPIOS

R$ 88 bilhões para estados e municípios… O governo federal disponibilizará R$ 88,2 bilhões para auxiliar os estados e municípios no combate à epidemia do coronavírus. O dinheiro será transferido por meio de duas medidas provisórias (MP) ainda não apresentadas.

Detalhamento… O pacote de assistência inclui R$ 8 bilhões para a saúde, R$ 16 bilhões em seguro de queda de arrecadação, R$ 2 bilhões em assistência social, R$ 12,6 bilhões em dividas suspensas com a União, R$ 9,6 bilhões em renegociações de dividas com bancos e R$ 40 bilhões em operações de facilitação de crédito. O anúncio deve apaziguar as críticas dos governadores à reação do governo federal ante a crise do coronavírus.

MP 927… No domingo, o governo publicou uma MP que possibilitaria a suspenção de contratos de trabalho por 4 messes mediante um acordo individual, firmado entre o empregado e seu contratante, que sustava ou reduzia o pagamento de salários. A MP só matinha alguns benefícios como, por exemplo, o seguro de saúde. A MP foi amplamente criticada pelo Congresso.

Furor no Congresso… A ação do Executivo foi recebida de forma tão negativava que o governo foi forçado a remover o artigo da MP que possibilita a suspensão dos contratos. A MP ainda retém outras flexibilizações, como o adiantamento de férias coletivas e feriados. A iniciativa foi uma tentativa desesperada do governo de evitar as demissões em massa iminentes que resultariam das medidas de quarentena e do fechamento compulsório de serviços e comércios não essenciais.

Utilizar o fundo eleitoral ou partidário?… Em entrevista concedida à CNN Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se demonstrou receptivo à utilização dos recursos destinados a dar sustento aos partidos e às eleições. Pelo menos foi isso que a mídia interpretou da seguinte fala:

Se é no fundo eleitoral ou partidário, que podem representar R$ 2,5 bilhões, não vejo problema, que se use. Agora, nós precisamos entender: a Saúde vai precisar de quanto? De R$ 50, R$ 100, R$ 150 bilhões…. Por isso, a gente não precisa estar preocupado com gastos que tem previsão futura – Rodrigo Maia

Maia e as suas respostas escorregadias… A nossa interpretação é que, apesar do início da declaração, que demonstra abertura para realocar o dinheiro presente nestes fundos, tudo que seguiu argumenta contra a disponibilização. Os valores citados na oração seguinte servem para demonstrar que os recursos presentes nos fundos representam uma quantia ilusória ante escala da atual crise. Quando Maia defende que não há necessidade de contemplar gastos futuros ele também dá a entender que gostaria de manter intacto os fundos.

Congresso não abrirá mão dos recursos… O cenário mais provável é que Maia continue se esquivando da proposta, que tem amplo respaldo da sociedade, até que os recursos necessários sejam destinados sem que os fundos sejam comprometidos. O mesmo vale para as declarações no que tange a proposta de cortar salários dos parlamentares. Maia primeiro responde que “Todo poder público vai ter que contribuir” e logo em seguida defende que a medida “não tem nenhum impacto fiscal”.

Na agenda… Como principal destaque da agenda econômica, o IBGE divulga as vendas no varejo (PMC) em janeiro, às 9h. O dado deve mostrar uma leve redução na margem (-0,5%), tanto no conceito restrito como no ampliado, mesmo que ainda não incorpore os efeitos negativos trazidos pela quebra do convívio social que seguiu a chegada do surto de Covid-19 ao Brasil.

E os mercados hoje? Lá fora, bolsas ensaiam uma sessão de recuperação, com investidores avaliando as medidas agressivas de combate a crise implementadas nas economias centrais, além do novo nível de preços do mercado. No pano de fundo, o crescente número de casos de Covid-19 na Itália continua promovendo cautela, sem que haja a possibilidade de dizer que o pior já passou. No Brasil, o mercado doméstico deve acompanhar a melhora verificada no exterior, assim como a depreciação do dólar no mercado internacional deve dar trégua, mesmo que parcial, ao real. Por isso esperamos um dia de viés positivo para ativos de risco brasileiros.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -5,13% aos 63.570
BR$/US$: +1,37% cotado 5,13
DI Jan/27: +48 bps cotado a 9,38%
S&P 500: -2,93% cotado a 2.237

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Bancos pedem apoio para oferecer socorro a empresas
– Governo volta atrás em MP e mostra falta de comando
– Concessionárias pedirão revisão de contratos
– Pacote do BC põe R$ 1,2 tri no sistema

O GLOBO
– País soma esforços para ampliar atendimento, mas faltam insumos
– Governo anuncia pacote de R$ 88 bi a estados e municípios
– Mundo já tem 1,7 bilhão em confinamento
– Datafolha: TVs e jornais são os mais confiáveis durante crise

FOLHA DE S.PAULO
– Bolsonaro recua após propor suspender trabalho e salário
– BC dos EUA vai financiar empresa, casa e até cartão
– Doria anuncia rede para produzir, por dia, 2.000 testes
– Em favelas, 72% não têm como se manter sem renda

O ESTADO DE S.PAULO
– Criticado, Bolsonaro revoga parte de MP sobre trabalho
– Após pressão presidente anuncia ajuda aos Estados
– Coordenador do combate em SP ao coronavírus está infectado
– Congresso faz articulação por ‘orçamento de guerra”

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