Introdução: O investidor adota um tom de cautela, em uma semana carregadíssima e com riscos ao comércio global. No front macro, são aguardadas decisões de bancos centrais (EUA hoje e Reino Unido amanhã) e o relatório de empregos da ADP. Mais balanços pela frente, e ameaças de Donald Trump (depois do México agora voltou a mira para a China). Hoje, o dólar opera misto frente a emergentes, enquanto se valoriza contra desenvolvidos. As bolsas da Europa recuam, assim como as commodities. O desempenho na Ásia foi negativo, com a possibilidade dos EUA aumentaram impostos sobre produtos importados chineses. No Brasil, os candidatos correm para achar um vice com a aproximação do término do período de convenções dos partidos (dia 5 de agosto). Hoje, Ciro Gomes participa de entrevista em rede fechada. No front macro, aqui também teremos decisão da Taxa Selic. No front micro, operação da PF e temporada de resultados são destaque.


CENÁRIO EXTERNO: CHINA PRESSIONADA E AGENDA CARREGADA NOS EUA.

O “básico” sobre os mercados… Cautela predomina, mas de certa forma ainda é contida no desempenho dos ativos de risco. Bolsas da Europa têm leve baixa, após quedas das bolsas de China (Xangai -1,81%). Nos EUA, o índice S&P futuro também tem viés mais negativo, mas próximo da estabilidade. O dólar opera misto frente a emergentes; os juros das Treasuries têm viés de alta (10 anos ~2,98%). As commodities operam no vermelho. O petróleo (brent) cai, e oscila entre US$73-74/barril; o minério de ferro caiu forte na China, depois de subir ontem (-2,41% cotado a US$66,55/tonelada).

Mais uma ameaça, será que agora vai? No início da noite de ontem, a Bloomberg reportou que os EUA estariam pensando em elevar de 10% para 25% as tarifas sinalizadas para cerca de US$200 bilhões em importações da China. De acordo com o WSJ, as negociações entre os dois países estariam mostrando poucos avanços. Acreditamos que possa ser apenas mais uma estratégia de Donald Trump para encontrar um acordo mais favorável aos EUA. No entanto, a ameaça da China de retaliar caso os EUA elevem as tarifas evidencia uma nova escalada das tensões comerciais e traz um ambiente tenso antes da decisão do Fed. A mídia reporta que a China deve acelerar os esforços para dar sustentação a economia, agora com foco no aumento dos empréstimos.

Agenda carregadíssima… Nos EUA, o destaque fica para a decisão do FOMC (15h), que deve: (1) manter a taxa inalterada em 2% a.a.; (2) não trazer mudanças no cenário; e (3) possivelmente sinalizar para uma alta dos juros em setembro. Vale lembrar que ainda esperamos mais duas altas de juros para 2018. Voltando para a agenda de indicadores, pela manhã saem os dados de emprego, medido pela ADP, que devem ser fortes. E às 11h saem os dados de atividade (ISM Manufatura).

 


BRASIL: DECISÃO DO COPOM E POLÍTICA INCERTA.

Agenda (macro) de hoje… No front macro, o Banco Central deve manter inalterada a taxa Selic em 6,5%, no menor patamar da série histórica. Esse será o principal evento local, mas a decisão parece consensual entre os agentes. O pano de fundo da decisão é a indefinição política, a fraca atividade econômica, as pressões pontuais que estão se dissipando nos dados de inflação e a guerra comercial no exterior.

Agenda (micro) de hoje… Temporada de resultados é destaque. Smiles, Banco Inter e Trasmissão Paulista divulgaram resultados ontem. Ainda no campo micro, as ações das distribuidoras de combustíveis (Ultrapar, Cosan e Br Distribuidora) estão no radar. A operação da PF do Paraná (batizada de “Margem Controlada”) que investiga uma quadrilha formada para controlar os preços finais dos combustíveis nas bombas dos postos em Curitiba está pressionando os ativos. A operação prendeu gerentes e assessores comerciais das distribuidoras de combustíveis BR, Raízen e Ipiranga. Veja mais no relatório Guide Empresas.

Pesquisa Poder360 sem novidades… A estabilidade no cenário da sucessão presidencial em julho permanece. Sem Lula candidato, Jair Bolsonaro (PSL) segue liderando as pesquisas ao planalto, com 20% das intenções de voto (de 21% em junho). Os demais resultados são: Ciro Gomes (PDT) 13% (estável em relação ao levantamento anterior); Geraldo Alkmin (PSDB) 9% (de 8% em junho); Marina (Rede) 6% (de 7% em junho); Haddad (PT) 5% (de 6% em junho); Álvaro Dias (Podemos) 4% (de 5% em junho).

Alta rejeição… Tanto Jair Bolsonaro como Geraldo Alckmin possuem grande taxa de rejeição. Os candidatos do PSL e do PSDB têm 65% e 62% de taxa de rejeição, respectivamente. Por enquanto, a dinâmica nas intenções de voto é de leve melhora para Alckmin, mas a taxa de rejeição é alta.

Agenda (política)… A GloboNews transmite nesta quarta-feira entrevista de 2hrs com o presidenciável, Ciro Gomes. Nos próximos dias ainda teremos Bolsonaro e Geraldo Alckmin (nesta ordem).

E os mercados hoje? O ambiente externo não é muito favorável para ativos de risco, principalmente para emergentes com as Commodities em queda. Por aqui, temporada de resultados das empresas é destaque. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera em leve alta (ao redor de 215 pontos base). O viés é negativo para mercados locais. Esperamos bolsa em queda, enquanto o dólar deve se valorizar. Na curva de juros podemos ter uma abertura dos vértices mais longos e estabilidade dos mais curtos com a manutenção da taxa Selic.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,31%, aos 79.220 pontos;
Real/Dólar: +0,71%, cotado a R$3,757;
Dólar Index: +0,22%, 94,554;
DI Jan/21: +02 pontos base, 8,920%;
S&P 500: +0,49% aos 2.816 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Smiles: Números do 2º tri
Impacto: Neutro.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Brasil tem 66 milhões fora da força de trabalho
– Teto para financiar imóvel com FGTS sobe para R$ 1,5 milhão
– Mesmo com seca, Cantareira tem água para mais de 1 ano
– Avião com 101 cai no México e todos sobrevivem

O Estado de São Paulo
– Condenado é inelegível, diz Fux
– Americanos reduzem investimentos no Brasil
– Uso do FGTS valerá para imóveis de até R$ 1,5 milhão
– Avião cai no México e todos se salvam

O Globo
– País gasta R$ 13,5 bi, mas diesel custa mais caro
– FGTS pode ser utilizado em imóveis de até R$ 1,5 milhão
– Brasil tem recorde de trabalhadores fora do mercado
– Rio perde treze hotéis desde o fim da Olimpíada

Valor Econômico
– Governo solta amarras do crédito imobiliário
– Klabin planeja fábrica de US$ 2 bi no PR
– Apple supera previsões e já vale quase US$ 1 tri
– As criptomoedas e o futuro do blockchain

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
[email protected]

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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