Mercados Hoje: A volta daqueles que não foram

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Introdução: Otimismo em torno de novo capítulo das negociações entre China e Estados Unidos impulsionam mercados nesta 4ª feira. Na Ásia, bolsas fecharam sessões com ganhos expressivos. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também abriram negociações em alta. Em NY, o futuro do S&P no verde sinaliza uma abertura positiva também em Wall St., enquanto o dólar (DXY) recua contra os seus principais pares. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés de alta, repercutindo melhora das leituras nos indicadores de atividade de gigantes globais e antecipando o fim da trade war – ambos fatores que amenizam o receio em torno do arrefecimento da demanda em escala mundial. Para emergentes, mercado também já esboça dia mais positivo, com divisas de México, Turquia e África do Sul se valorizando frente ao dólar.


CENÁRIO EXTERNO: ENCONTROS REGEM O MERCADO

Mercados… Na Ásia, bolsas fecharam sessões com ganhos expressivos. O Nikkei japonês subiu 1,0% e o índice de Shanghai, 1,2%. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado também abriram negociações em alta. O STOXX 600 avança 0,7% enquanto o Dax, em Frankfurt, sobe 1,3%. Em NY, o futuro do S&P no verde sinaliza uma abertura positiva também em Wall St., enquanto o dólar (DXY) recua contra os seus principais pares.

Novas conversas… A delegação chinesa chega hoje a Washington para mais uma rodada de negociações com autoridades americanas, com intuito de selar um acordo que reja o relacionamento comercial das duas maiores economias globais daqui para frente. A expectativa de que o fim da guerra comercial esteja se materializando já repercute de forma positiva nos mercados mundiais e nas commodities, e qualquer sinalização mais concreta de um acordo definitivo tem o potencial de alavancar o ânimo dos investidores.

União pela separação… Ontem, em nova tentativa desesperada pela aprovação de algum plano para o Brexit, Theresa May pediu ajuda ao seu maior inimigo político e líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn. O apelo da Premiê britânica abre a possibilidade para uma saída mais “amistosa”, que pode até manter o Reino Unido em regime aduaneiro com a UE – fato que diverge fortemente com os termos defendidos por May até o momento. A libra esterlina repercutiu com alta a resposta de Corbyn, que garantiu que estaria “muito feliz” em participar do encontro. A conversa entre os rivais acontece hoje pela manhã.

Vale tudo… Caso May consiga chegar a um consenso com Corbyn e costurar um novo acordo em conjunto, o texto será levado para uma nova votação no Parlamento e, uma vez aprovado, terá de passar pelo crivo dos líderes da UE em uma cúpula extraordinária no dia 10 de abril. Por outro lado, caso não haja consenso entre os “rivais”, eles prometeram trazer à mesa um número de alternativas que então seriam votadas na Casa dos Comuns – com a promessa de entregar o que for decidido. Após a discussão, Theresa May participa de uma nova rodada de perguntas e respostas as 14h no Parlamento.

Na agenda… Seguindo leituras positivas do PMI de serviços de China, Alemanha e Zona do Euro o FMI divulgará sua perspectiva para a economia mundial, às 11h. Nos EUA, saem o PMI de serviços em março (10h45) e o índice de atividade do setor de serviços do ISM (11h).


BRASIL: A VOLTA DAQUELES QUE NÃO FORAM

Presidente volta antes para fazer articulação… Bolsonaro chega hoje de Israel, a chegada estava prevista para amanhã, porém o presidente cancelou compromissos e antecipou a volta com a justificativa de que precisa se encontrar com líderes partidários para azeitar a articulação política da previdência. É a volta dos que não foram, no caso a articulação que nunca existiu por parte do presidente.

É um bom sinal… Vemos como positivo o esforço do presidente, em conversar com os líderes e ouvir suas demandas. O governo precisará fazer muito mais do que conversar, porém já um começo. Fato é que a articulação política tem melhorada na margem e a previdência que tinha altas chances de fracasso na semana passada, voltou a ter esperança de ser aprovada com o mínimo de munição fiscal.

Nossos números… Considerando que a aposentadoria rural e BPC terão impacto zero na reforma, uma vez que são os itens mais contestados por políticos (inclusive da base), além de considerarmos taxas de desidratação similares aquelas observadas na reforma proposta por Michel Temer, prevemos uma reforma da previdência que gera uma economia de R$676 bilhões em 10 anos.

Esse problema não é nosso… Parlamentares que se autodeclaram favoráveis à reforma querem que o governo retire do texto a previsão de mudanças no regime de aposentadoria de servidores estaduais, deixando o ônus da reforma nos estados para os governadores. Neste grupo estão incluídos professores, policiais militares e bombeiros.

Cada um que cuide da sua (previdência)… Diversos governadores tem declarado apoio condicional a reforma do governo federal, desde que a mesma também tenha validade para os estados e municípios. Porém, é nos entes subnacionais onde está o maior rombo previdenciário. No final do dia os governadores querem que o governo federal faça o saneamento previdenciário e arque com o ônus político da reforma, enquanto os governadores ficariam apenas com o bônus de um orçamento mais folgado.

Números assustadores… Segundos nossas simulações, sem reforma para os funcionários públicos estaduais e municipais, o déficit atuarial entre 2019 e 2060 é de R$5 trilhões, enquanto o do INSS é de R$8 trilhões. Nem é preciso dizer que o déficit per capita do funcionalismo público é exponencialmente maior do que o do INSS.

Melhora concentrada… Ontem foi divulgada a pesquisa industrial mensal – PIM, a produção da indústria nacional teve crescimento de 0,7% MoM em fevereiro, após recuo de igual magnitude no mês anterior. Em relação ao mesmo mês de 2018, a produção industrial teve avanço de 1,9% YoY. O grande destaque negativo foi a queda da produção do setor de mineração, que teve queda de mais de 14% no mês, refletindo as paralisações de operações em reflexo ao acidente de brumadinho. Apesar da melhora, o índice de difusão foi menor do que o do mês passado, o que indica que a melhora da indústria foi concentrada em poucos setores.

Agenda… Não existem indicadores relevantes a serem divulgados hoje.

E os mercados hoje? O prêmio de risco brasileiro continua recuando (-0,6%), operando ao redor dos 169 pontos, refletindo a tônica mais positiva nos mercados globais onde a aversão ao risco tem diminuído consideravelmente nos últimos dias. Vemos o dia como muito positivo para os ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,70%, aos 95.386 pontos;
Real/Dólar: +0,13%, cotado a R$ 3,8555;
Dólar Index: +0,13%, 97.361;
DI Jan/21: -0,03 pontos base, 7,020%;
S&P 500: +0,00% aos 2.867 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Doria critica guru de Bolsonaro e diz que é erro comemorar golpe
– Câmara do Rio instaura impeachment de Crivella
– ‘Associação com nazismo visa denegrir direita’ diz chanceler
– Agronegócio pede empenho para aprovar reforma

O Estado de São Paulo
– Governo faz pacote com 4 frentes para destravar a economia
– Militares e ‘olavistas’ disputam Secom e Apex
– Bolsonaro diz em Israel que nazismo é de esquerda
– TCU vota hoje teto salarial de R$ 39,2 mil para estatais

Valor Econômico
– Guedes crê em boom de emprego com a reforma
– CCJ já fará mudanças no projeto
– Para Heleno, não há risco de atrito com mundo árabe
– Votorantim lucra R$ 2 bi e vai às compras

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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