Mercados Hoje: a tese do besouro

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Introdução: Investidores estão à espera do Fed (15h). Deve elevar os juros pela 2ª vez no ano. Por enquanto, mercados apresentam variações modestas, e o dólar é misto frente a emergentes. Vale acompanhar as sinalizações de Jay Powell, o presidente do Fed (15h30). No Brasil, a mídia comenta possíveis alianças de partidos, mas somos céticos quanto a definições no curtíssimo prazo. Isto pode consolidar os candidatos dos “extremos”, como Ciro e Bolsonaro. Aliás, Bolsonaro surpreendeu no Rio Grande do Sul, segundo Instituto Paraná. Marcio França (PSB) fala que Alckmin (PSDB) trabalha com a “tese do besouro”. No front macro, vendas no varejo vieram acima do esperado pelo mercado. O BC deve continuar oferecendo liquidez via swap cambial, contendo elevação do dólar neste primeiro momento. O risco país, no entanto, segue pressionado, com dificuldade para cair.


CENÁRIO EXTERNO: O DESTAQUE É O FED, E A FALA DE POWELL.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa operam em alta, após sessão mista na Ásia. Ontem, nos EUA, o S&P 500 terminou em alta de 0,17%. Hoje, o S&P futuro opera em ligeira alta. O dólar está estável, enquanto os juros das Treasuries recuam um pouco (10 anos ~2,95%). Commodities com viés mais baixista. O petróleo (brent ), no entanto, tem leve alta: +0,4%, na casa dos US$76/barril, ao redor das 8h. Em suma: o dia é de oscilações ainda modestas, leve diminuição da aversão a risco, à espera do Fed.

2º dia de Fed… Os juros devem subir pela 2ª vez neste ano nos EUA, de 1,50-1,75% para 1,75-2,-00% ao ano. Seria a 7ª elevação desde a saída da crise. Isto já está, em grande parte, nos preços. Importante: além desta decisão (15h), vale monitorar as novas projeções oficiais do Fed, sobre PIB, desemprego, inflação e taxas de juros. Na sequência, o presidente Jay Powell terá coletiva de imprensa com jornalistas (15h30). Vale acompanhar…

Sobre as projeções do Fed… Até aqui, para 2018, o BC americano projeta um crescimento do PIB de 2,7%, uma taxa de desemprego em 3,8%, e uma inflação (índice PCE núcleo) de 1,9%. O cenário-base do Fed inclui 3 elevações de juros neste ano. Ou seja: com a de hoje (considerando que esta virá), teríamos mais 1, apenas. Em nossa opinião, é possível que o Fed faça uma revisão neste cenário, começando a considerar 4 elevações, e não mais 3 para 2018. A conferir. Se isto acontecer, manterá o viés de alta sobre dólar e juros das Treasuries, é claro. Também é possível que o Fed revise para cima a projeção de PIB, e para baixo a projeção de desemprego.

Nos EUA, a inflação vai subindo… A inflação ao consumidor veio em linha com o esperado em maio: em 12 meses, passou de 2,5% para 2,8%. O chamado “núcleo” — medida considerada menos volátil, por desconsiderar alimentos e energia — avançou de 2,1% para 2,2%. Segue, portanto, a perspectiva de uma gradual aceleração da inflação, em linha com nossa expectativa. Aliás, vale retomar os nossos textos recentes, que falam sobre a economia dos EUA, no blog da Guide*.

Na agenda de hoje… Nos EUA, o destaque será a reunião do Fed (15h). Na sequência (15h30), Jay Powell tem coletiva de imprensa. Pela manhã, atenção também aos estoques de petróleo bruto nos EUA. À noite, saem dados de atividade na China sobre maio, incluindo vendas no varejo e produção industrial.


BRASIL: NÃO ESPERE ALIANÇAS POLÍTICAS AGORA.

Eleições & Alianças… Nos últimos dias, muitas notícias têm sido ventiladas sobre possíveis alianças entre partidos. O PSB, em especial, tem sido cobiçado por PT, Bolsonaro e Alckmin, por exemplo. No Estadão de hoje, Vera Magalhães fala que o PSB está mais propenso a fechar com Ciro (PDT). A nossa opinião? Neste momento, parece-nos baixíssima a probabilidade de alianças serem fechadas de olho na eleição presidencial. É praticamente nula esta possibilidade. Os partidos do chamado “centrão” esperarão mais para ver quem tem mais chances de sair vitorioso. Ainda é cedo, aos olhos deles. Assim, até meados de julho, pós Copa do Mundo, não esperamos mudanças significativas. O risco? A consolidação dos candidatos “extremos”.

Bolsonaro tem diretrizes econômicas, Guedes, e outros economistas… Ontem, foram ventilados 8 diretrizes do plano econômico de Bolsonaro pelo jornal BR18, incluindo recuperação do equilíbrio fiscal; redução/simplificação de impostos; adoção de regime de capitalização na Previdência e abertura comercial. E vários nomes foram escalados para compor a equipe econômica de Paulo Guedes. O blog do economista Adolfo Sachsida também fez referência a estas notícias.

Bolsonaro surpreende no Rio Grande do Sul… Segundo pesquisa do Instituto Paraná, Bolsonaro vence de Lula, com 28,1% a 20,5%. É a 1ª vez que um levantamento mostra este resultado. Sem Lula na corrida, Bolsonaro tem 29,4%, contra 9,9% de Ciro Gomes e Marina Silva.

Alckmin, e a tese do besouro… Embora a Folha diga que Alckmin (PSDB) tenta se aproveitar de “má fase” de Ciro (PDT), aproximando-se do DEM, este continua a ser criticado pela sua postura pouco “ativa”, faltando 4 meses para o 1º turno. Também na Folha, comenta-se paralelo feito pelo governador de SP Márcio França (PSB-SP). Para ele, o ex-governador trabalha com a tese do besouro: como o inseto, cada pré-candidato a presidente da centro-direita iria batendo no vidro e se estraçalhando. No fim, sobraria Alckmin para disputar as eleições.

No Congresso, propõe-se a “saideira”… A atual equipe econômica se reuniu ontem com Carlos Marun (Secretaria de Governo) e – apesar de ter pela frente a Copa do Mundo e as eleições, que tiram dias úteis do Congresso – ficaram definidas algumas pautas prioritárias. O governo fará “sugestões” ao Congresso, para avançar com: (1) conclusão do cadastro positivo, (2) aprovação da desestatização das distribuidoras da Eletrobras e (3) medida provisória que cria o Ministério da Segurança.

Sobre o crédito… O BC divulgou ontem o “Volume 1, Número 1” do Relatório de Economia Bancária (REB). Após recuar 0,5%, o BC espera que o saldo de crédito cresça 3,0% em 2018. Quem puxará este número será o crédito livre (+7,0%), enquanto o crédito direcionado continuará a contrair (-1,0%). Fazendo outro tipo de “separação”, temos que será o crédito às Pessoas Físicas (PF) o que puxará o saldo neste ano (+7,5%), enquanto o de Pessoas Jurídicas (PJ) voltará a contrair (-2,0%). Sobre o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) dos bancos? O BC fala que desde 2017 houve uma melhora, alcançando 13,7% em dez/17, contra 11,6% em dez/16. Aliás, quanto maior o porte dos bancos, maior o ROE, enfatiza o BC.

Banco Central… O BC realizou 2 leilões extraordinários de swap, de 30 mil contratos cada, no dia de ontem. Na mínima, após o 2º leilão, o dólar chegou a cair mais de 1%. No final da sessão, o real terminou em ligeira alta, de 0,23%, a R$3,71, segundo referência da Bloomberg. Até aqui, foram 3 dias de atuações extraordinárias do BC, e venda de US$9,25 bi de contratos de swap cambial. Além das ofertas para rolagem de contratos que estão para vencer, Ilan Goldfjan havia dito na última 6ª (8) que seriam ofertados US$24,5 bi até esta 6ª, dia 15, há no mercado a expectativa que estas operações continuem. Ainda poderão ser colocados no mercado mais US$15,25 bi até o final desta semana. Vale notar: o atual estoque de swaps do BC é de US$47,164 bi.

Agenda de hoje… No front macro, destaque para as vendas no varejo de abril: vieram acima do esperado pelo mercado. Frente a março, as vendas avançaram 1,0%, contra expectativa de crescimento de 0,6%. Em base anual, cresce 0,6% (versus a baixa de 0,5% do consenso Bloomberg ). Às 12h30, o BC divulga o fluxo cambial semanal. No front político, 7 pré-candidatos a presidente falam no 3º dia do Congresso de Prefeitos Catarinenses. Entre estes, Ciro Gomes, Flávio Rocha, Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles.

E os mercados hoje? Temos uma expectativa mais baixista em bolsa, e de alta no mercado de câmbio, embora o BC possa, pontualmente, contribuir para a queda da cotação, dadas as intervenções esperadas. Vale notar: a percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, subia ao redor de 1% por volta das 8h. Quanto aos DIs, acreditamos que a parte mais curta pode recuar ainda mais, dada a nossa expectativa de manutenção de Selic no curtíssimo prazo.

Observações:* exemplos como “Uma nova realidade (americana), mais desafiadora“; “Juros americanos: de 25 em 25, cada vez mais altos…”.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,62%, aos 72.754 pontos;
Real/Dólar: : +0,23%, cotado a R$3,720;
Dólar Index: +0,22%, 93,818;
DI Jan/21: +09 pontos base, 9,750%;
S&P 500: +0,17% aos 2.787.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

BRF: Em crise, BRF fecha linha de produção de perus em mineiros (GO)
Impacto: Marginalmente Negativo.

Embraer: Negociações com a Boeing
Impacto: Positivo.

Setor Imobiliário: Planalto quer reduzir multa de distratos
Impacto: Marginalmente Negativo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Dim e Trump fecham acordo histórico, mas sem garantias
– Moro impede TCU e outros órgãos de usar provas da Lava-Jato
– Laerte Codonho: Fui vítima de um golpe, não soneguei impostos
– Temer faz defesa de seu governo e diz que avanços não são divulgados

O Estado de São Paulo
– Sem Moro, Lava-Jato empaca na esfera cível
– Juiz recusa primeira ação
– Turma do STF retira foro de Blairo Maggi
– EUA recuam e Kim fala em desarmamento

O Globo
– Cúpula Trump-Kim só produz promessas vagas
– Decisão do STF tira foro privilegiado de ministro
– Banco é preso com armas em barco
– Marielle pode ter sido monitorada

Valor Econômico
– BC faz restrições à compra de 49,9% da XP pelo Itaú
– Obrador quer investidor, mas não no petróleo
– Trump alarma os aliados Japão e Coreia do Sul
– Relatório do BC muda os “culpados” pelo juro alto

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
[email protected]

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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