Mercados Hoje: A ressaca que pode virar tsunami

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Introdução: Mercados asiáticos fecharam sessões majoritariamente no vermelho. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado esboçam dia negativo, enquanto investidores aguardam mais nova reunião do BCE. Enquanto isso, em NY, o futuro do S&P opera em terreno baixista, na espera de novos desenvolvimentos nas negociações da guerra comercial sino-americana. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés mais positivo. O petróleo (brent) avança 1,4% e volta a rondar os US$ 67/barril. Para emergentes, o dia também tem início negativo, com as divisas de México, Turquia e África do Sul se desvalorizando contra o dólar. Aqui, o noticiário doméstico fraco deve manter a atenção do mercado voltada para o exterior.


CENÁRIO EXTERNO: A CADA CORTE UMA SANGRIA

Mercados… Mercados asiáticos fecharam sessões majoritariamente no vermelho. As bolsas de Tóquio e Hong Kong recuaram 0,7% e 0,9%, respectivamente. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado esboçam dia negativo. O STOXX 600 recua 0,5% e o DAX cai 0,5% até o momento. Enquanto isso, em NY, o futuro do S&P opera em terreno baixista. O dólar (DXY) mantem estabilidade em direção ao 7º dia consecutivo de alta.

Mais um corte… A OCDE apresentou mais um corte nas projeções do crescimento econômico mundial, de 3,5% para 3,3% em 2019, e contribuiu com para a preocupação de investidores em torno do assunto. Um dos destaques foi a economia alemã, que teve sua projeção decrescida pela metade – de 1,6% a 0,7% para esse ano.

Livro Bege… O Fed divulgou o seu Livro Bege ontem à tarde, documento que descreve às condições econômicas atuais nos Estados Unidos. Na publicação, o BC americano registrou que ainda vê crescimento moderado da atividade e dos preços, mais alertou sobre o ambiente externo desfavorável para o crescimento da economia americana – com destaque para os riscos da desaceleração da economia europeia – e sobre a preocupação de aumento de custos proveniente da guerra de tarifas no plano comercial. Por ora, tudo indica que teremos mais uma decisão pela manutenção da taxa de juros na próxima reunião do FOMC (19-20 de março).

Qualquer sinalização “hawkish” assusta… Ontem, o membro votante do Fed, John Williams, surpreendeu o mercado com declarações que colocam a prova a inclinação “dovish” do BC americano. Williams disse que não existe data definida para o fim do processo de redução do balanço patrimonial do Fed (as últimas sinalizações indicavam que a redução acabaria até o fim do ano) e alertou que a paciência que vem sendo defendida não significa que o FOMC manterá o juros estável para sempre. Repercutindo a afirmação, as bolsas de NY caíram e o dólar (DXY) perdeu fôlego.

Na agenda… O destaque da agenda internacional é a reunião do BCE (9h45) seguido de depoimentos do seu presidente, Mario Draghi (10h30). A expectativa é de cortes nas projeções de crescimento do Bloco e do anúncio de novos empréstimos à bancos europeus.


BRASIL: A RESSACA QUE PODE VIRAR TSUNAMI

Ressaca do twitter… A imagem do governo sofreu muito com as postagens feitas pelo Presidente. A repercussão causou desconforto no núcleo central do governo. A polêmica publicação do presidente gerou críticas entre seus opositores e mesmo entre os apoiadores nas redes sociais. O Planalto precisou divulgar uma nota no início da noite para explicar a atitude de Bolsonaro.

Chegou longe… Segundo relatório da consultoria Bites, o assunto rendeu mais de 260 mil posts em portais de notícias ao redor do mundo. Todos os jornais de grande destaque internacional, como Financial Times, New York Times e afins, noticiaram e criticaram duramente o Presidente.

A ressaca que pode virar tsunami… Vemos com apreensão as declarações do Presidente, uma vez que, não houve nenhuma conta de custo/benefício político e apenas serviu para municiar a oposição barulhenta. O governo está prestes a iniciar a sua maior batalha de comunicação com a reforma da previdência, que irá demandar muito do governo e do próprio Presidente em um grande esforço de convencimento da sociedade acerca da necessidade da reforma. Portanto, polêmicas desnecessárias no twitter apenas criam ruídos e desviam a atenção das reais necessidade do país.

Efeitos limitados, por hora… Assim como a crise Bebianno, essa nova deve machucar de leve o governo. Porém é mais uma para o estoque de munição da oposição. Outra inferência que se pode fazer por hora, é que o Presidente não se moderou tanto em relação ao seu discurso estridente, o que pode gerar desgaste com nomes mais moderados que está integrando o governo.

Tem que apressar na CCJ… O deputado Felipe Francischini (PSL-PR), futuro presidente da Comissão de Constituição e Justiça, afirmou nesta quarta-feira (6) que, se a CCJ não for instalada na próxima semana, a reforma da Previdência pode ser votada no plenário da Câmara somente no segundo semestre deste ano, informa o repórter Nilson Klava, da GloboNews.

Deverá ser na semana que vem… O presidente [da câmara] Rodrigo Maia afirmou que a instalação da CCJ deve acontecer entre os dias 12 e 13 de março, ou seja, na semana que vem.

O PIB decepcionante nas expectativas… O relatório Focus divulgado ontem trouxe os efeitos do PIB decepcionante do 4T de 2018 sobre o crescimento do PIB de 2019. Antes da divulgação do PIB do 4T18, o mercado esperava um crescimento de 2,48% para o PIB de 2019, agora o número já caiu para 2,30% com viés de baixa. Câmbio, juros, Selic permaneceram com a mediana das expectativas inalteradas em relação ao relatório da semana passada.

Agenda… Não existem indicadores relevantes a serem divulgados no dia de hoje.

E os mercados hoje? O prêmio de risco brasileiro piora marginalmente (+0,21%) aos 163 pontos. Os baixos volumes em conjunto com a aversão ao risco lá fora, devem trazer mais um dia negativo para os mercados no Brasil.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,41%, aos 94.216 pontos;
Real/Dólar: +1,61%, cotado a R$ 3,8389;
Dólar Index: +0,01%, 96.873;
DI Jan/21: +0,03 pontos base, 7,190%;
S&P 500: -0,65% aos 2.771 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
–  Ministro me chamou para ser laranja, diz candidata pelo PSL
– Criticado por vídeo, Bolsonaro nega ataque ao Carnaval
– CCR admite propina e reduzirá tarifa de pedágio no Paraná
– Com homenagem a Marielle, Mangueira é campeã no Rio

O Estado de São Paulo
– Equipe critica e Bolsonaro tenta explicar tuíte de carnaval
– Homenagem a Marielle dá título à Mangueira
– Prefeitura multa blocos em mais de R$ 300 mil em SP
– CCR fecha leniência e vai baixar pedágio em 30% no PR

Valor Econômico
– Retórica anti-China trava financiamento ao linhão
– Suíça põe fim a bitributação com Brasil
– Vídeo eleva receio sobre prioridades do governo
– Corrupção leva CCR a reduzir pedágio

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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