Mercados Hoje: A novela continua

tags Intermediário

Introdução: Mercados asiáticos fecham sem direção definida; Na Europa dia começa bastante positivo; Futuros do S&P confirmam um dia com menor aversão ao risco; Bancos centrais ao resgate: FED e ECB (deve sinalizar hoje) entram em modo dovish, e mercados começam a criar grandes expectativas acerca de um corte de juros nas duas maiores economias do mundo; México e EUA ainda sem acordo em vista. No Brasil, congresso precisa decidir sobre a questão da regra de ouro fiscal; STF deve terminar hoje o julgamento sobre a venda da TAG e por consequência ditará os rumos de como serão feitas as demais privatizações; Relator da previdência luta para acomodar os entes subnacionais no texto final do projeto.


CENÁRIO EXTERNO: RETORNO NA VIA

Mercados… Bolsas asiáticas tiveram seções mistas, sem direção consolidada no continente, o Nikkei ficou no zero a zero (-0,01%), enquanto Hong Kong avançou +0,26% e Shanghai -0,90%. Na Europa, a tendência positiva vai se consolidando por mais um dia, o DAX avançou +0,66%. Futuros do S&P ganham 0,30% confirmando um dia de menor aversão ao risco. O petróleo WTI perda -0,02% cotado a US$51,67.

Retorno na via… Na última semana as perspectivas de política monetária global tomaram um rumo bem mais dovish, principalmente a comunicação do FED. Muitos investidores já acreditam que haverá o primeiro corte de juros desde 2008 ainda em 2019. Parece que os bancos centrais estão vendo algo obstruindo a estrada e decidiram frear e fazer um retorno na via mesmo.

FED não está sozinho… Hoje o BCE poderá também indicar que está inclinado e manter a taxa de juros nos níveis que estão por mais tempo do que o comunicado anteriormente. Alguns analistas inclusive acreditam que pode haver uma volta do afrouxamento monetário na Europa.

Sem acordo ainda… Negociadores norte-americanos e mexicanos devem retomar as negociações nesta quinta-feira, com um curto prazo para evitar a materialização da ameaça do presidente Donald Trump de impor tarifas na próxima semana.

Com a palavra… Trump, que viajou para o exterior, disse que “não o suficiente”, houve progresso durante uma reunião de 90 minutos na Casa Branca entre o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, e altos funcionários americanos.

Pode não dar tempo… O resultado aumenta a probabilidade de os EUA seguirem com o aumento das tarifas na segunda-feira. E não está claro quanto progresso pode ser feito até que Trump retorne a Washington de uma viagem de uma semana à Europa para comemorar o 75º aniversário do Dia D.

“Beige Book”… O relatório de atividade econômica do Federal Reserve, divulgado nesta 4ªF, acusou uma expansão generalizada da economia americana no período que engloba de abril até meados de março, assim como prevê um horizonte positivo para o mercado. Segundo o documento, o BC americano verificou uma melhora no ritmo de crescimento da atividade em relação ao período anterior, oferecendo uma visão predominantemente positiva da economia.

Nem tudo são flores… Não obstante a isso, o Fed não deixou de destacar uma série de indicadores que tem decepcionado nas últimas leituras, como vendas no varejo, novos pedidos à indústria e compras de novas residências – uma sinalização de que a economia pode estar perdendo fôlego.

Sem recessão… Em suma, o texto passou um tom de maior tranquilidade no tocante ao risco de uma possível recessão, sem deixar de avisar sobre os riscos que a política externa dos EUA pode trazer para a economia.

Agenda… Em meio a atritos comerciais em várias frentes, o destaque da agenda americana será a divulgação da balança comercial, com previsão de um déficit de US$ 50 bilhões em abril. Na Europa, o BCE tem mais uma reunião de política monetária, em que o juro deverá ser mantido no patamar atual (8h45). Às 9h30, o presidente do BCE fala em coletiva, como de costume após decisões de política monetária no bloco, e poderá indicar como será a política de juros futura, existe grande expectativa acerca desta fala.


BRASIL: A NOVELA CONTINUA

Regra de Ouro… A Comissão Mista do Orçamento adiou, ontem (06), a reunião que trataria de R$ 248,9 bilhões em créditos suplementares, requeridos pelo governo, para garantir o financiamento de importantes iniciativas como o Programa Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada e o Plano Safra.

Catástrofe… Sem a permissão do Congresso para emitir títulos do Tesouro, destinados a financiar essas despesas correntes, o governo poderia ser forçado a quebrar a regra de ouro, ou até mesmo não fazer os pagamentos, pois quebrar a regra implicaria em crime de responsabilidade.

Obstrução… A reunião foi cancelada devido a ausência de acordo entre lideranças congressistas da CMO. A oposição, que conta com o apoio de integrantes das siglas PL e MDB, quer garantir a continuidade dos programas sob ameaça orçamentária, sem presentear o governo Bolsonaro com “cheque branco” maior que necessário, logo a demora na aprovação.

Reversão dos cortes… Alguns parlamentares pretendem usar a posição alavancada do governo para impor o financiamento adicional a outros programas como o Minha Casa Minha Vida, além de compensar cortes feitos pelo governo aos orçamentos dos ministérios da Saúde e Educação.

Provável desfecho… A continuidade dos programas interessa a todos os envolvidos. Em vista disso, os integrantes da CMO devem chegar a um acordo que leva a aprovação do parecer na comissão mista no início da semana que vem. O projeto ainda requer aval do Plenário, os programas precisam receber novo aporte antes de vinte de junho.

Continua no episódio de hoje… A expectativa que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinaria se o Executivo requer permissão do Congresso, para vender estatais e suas subsidiárias, foi frustrada novamente O desfecho deve ocorrer, hoje (06) sessão agendada para esta quinta (6/6).

Pode decidir a próxima temporada… Além de liberar ou manter suspensa a venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária da Petrobras, por US$ 8,6 bilhões, a decisão terá impacto determinante sobre as privatizações pretendidas pelo do ministro Paulo Guedes.

No episódio anterior… Durante a sessão realizada, ontem (05), quatro dos onze ministros revelaram seus votos. Como já era esperado, Ricardo Lewandowski e Edson Fachin defenderam a necessidade de aprovação pelo Congresso. Enquanto os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso votaram a favor da autonomia do Executivo.

Desinvestimento… Barroso e Moraes, ao divergirem do parecer proferido de Lewandowski, argumentaram que subsidiárias, como no caso da TAG, não requerem permissão do Congresso, por se tratar de desinvestimento e não de privatização. A interpretação ecoa o argumento presente em memorial distribuído aos ministros do STF pela Advocacia-Geral da União, quinta-feira (30) passada.

Desfecho… Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Marco Aurélio devem dar sustento a tese de Barroso e Moraes que difere entre desinvestimento de subsidiárias e privatização de “empresas mães”, abrindo o caminho para a venda da TAG, além de futuras privatizações.

A novela mexicana dos estados e municípios… Entre as questões que devem ser abordadas pelo parecer proferido pelo relator da comissão especial da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), está a manutenção dos estados e municípios dentro do escopo da reforma. Segundo estudo do Instituto Fiscal Independente (IFI), a situação de alguns estados e tão ou mais grave do que o predicamento vivido pela união.

Articulação… Alguns parlamentares resistem a presença dos entes inferiores na reforma, temendo o desgaste gerado pelas medidas de austeridade. Em resposta, governadores articulam pela manutenção dos estados, dentro da Câmara Federal, para superar essa resistência. Entre os apelos dos chefes do executivo estadual, está o deferimento da divulgação do parecer de Samuel Moreira, para que os governadores tenham a oportunidade de se reunirem (11/06) em Brasília e unirem seus esforços em torno da manutenção de seus entes dentro a reforma da Previdência.

Agenda… O destaque do dia serão os dados de produção de veículos, divulgados pela ANFAVEA. O dado é importante indicador antecedente do desempenho da indústria.

E os mercados hoje? Com a melhora externa, que está se consolidando, vemos um dia mais tranquilo para os ativos de risco locais, principalmente após a realização de ontem. A cena política é quem deve ditar os rumos por aqui hoje. Portanto, temos uma visão neutra/positiva para os ativos de risco locais.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,42%, aos 95.999 pontos;
Real/Dólar: +0,63%, cotado a R$ 3,881;
Dólar Index: +0,26%, 97,320;
DI Jan/21: +10 pontos base, 6,480%;
S&P 500: +0,82% aos 2.826 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Orçamento impositivo vira novo revés para o governo
– Caixa anuncia corte de juros no crédito imobiliário
– Área de milícia no Rio tem app exclusivo para transporte
– Fundos ativos de Guedes receberam R$ 227 mi

O Estado de São Paulo
– Caixa corta juros do crédito imobiliário e renegocia dívidas
– Em SP, só 6,3% dos motoristas têm mais de 20 pontos na CNH
– Dersa orientou a não fiscalizar Rodoanel Norte, diz consórcio
– Furtos custam R$ 150 mi por ano à Petrobras

Valor Econômico
– Caixa corta juro e renegocia financiamentos de imóveis
– Ações já não pagam dívida da Odebrecht
– Concessão terá seguro cambial para atrair estrangeiros
– Argentina pede aceleração do acordo com UE

O Globo
– Caixa reduz juro de imóveis e aumetna foco na classe média
– Estados terão mais prazo para ajustar gastos com pessoal
– Guerra de facções levou a recorde de homicídios
– Modelo afirma que Neymar forçou sexo sem camisinha

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

Julia Carrera Bludeni
[email protected]

Victor Candido
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

Luca de Toledo Gloeden Soares
[email protected]

 

*A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução CVM nº.598/2018, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“
Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

184 visualizações

relacionados

Bitnami